Jornal dos Desportos

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Reportagens

Da Cunha leva alegria à Ilha

Sardinha Teixeira - 12 de Fevereiro, 2011

José da Cunha leva Taça aos ilhéus

Fotografia: Nuno Flash

Zé Cunha, como é carinhosamente tratado, aprendeu as primeiras lições e noções do futebol ainda jovem, entre uma pelada e outra.  Após ter jogado nos júniores do Desportivo da Cuca, em 1978/79, como defesa central, teve aos, 19 anos, uma passagem pelos reservas do Sporting de Luanda, na altura ainda treinada pelo técnico Joca Santinho, que estava de partida para o curso superior no exterior do país.Depois do Sporting, jogou três épocas no GD Siderurgia Nacional, onde deu por finda a carreira, por razões profissionais.

Moço de refinado gosto pela vida, Zé Cunha teve também uma passagem pelo basquetebol, nos anos 80, tendo jogado duas épocas pelo CDUA. Nos anos 90, refundou um clube de futebol, com sede na Ilha de Luanda, que então se chamava Bayern de Munique, e deu-lhe uma designação mais nacional, ou, se quisermos, local: “Alegria do Povo Ilheu”, ou simplesmente, API FC. O objectivo era estimular o gosto pelo desporto nas novas gerações, como meio de formação e de acesso à plena cidadania, pois o seu legado desportivo constitui um exemplo a ser seguido pelas gerações futuras.

Foi com esse clube, na qualidade de dirigente e treinador, que Zé Cunha se sagrou campeão do torneiro experimental “Caçulinhas do Girabairro”, realizado no campo do Areias, no município do Cazenga, frente ao Mucondo FC, disputado a 4 do corrente. Ainda a dar os primeiros passos no futebol, a contribuição de todos os jogadores foi essencial para esse feito ímpar. Hoje, anos volvidos, Zé Cunha está, em busca de um novo desafio, vencer sempre que poder as provas desportivas. Acarinhado por todos os amantes da modalidade, exemplo para jogadores, treinadores, e dirigentes, a Ilha de Luanda tem nele uma das principais figuras a nível do desporto.

A experiência que adquiriu ao longo destes anos serviu para encarar este projecto desportivo com bastante confiança e seriedade. “A nível colectivo, espero atingir os objectivos que o clube pretende, participar em todas competições organizadas pelo Movimento Espontâneo. A nível pessoal, quero evoluir como músico”, comentou. Zé Cunha sente-se orgulhoso pelo trabalho que realiza. Considera os Caçulinhas do Girabairro “uma grande iniciativa do Movimento Espontâneo, pois o futebol infantil deve ser reanimado para que as crianças possam ter o domínio da bola, maior experiência e conciliar os estudos com a prática desportiva para o seu bem-estar”.

Referindo-se à situação de ex-jogadores de futebol, diz que não tem dados exactos do seu nem da forma como sobrevivem muitos dos atletas que brilharam nos campos pelados, nas décadas de 80 e 90. “Uns sobrevivem como podem, mas há ainda aqueles que nada ganham. Vivem da ajuda dos  amigos”. Zé Cunha deixa um aviso: “o bolso vazio não é o único mal que oprime os  ex-jogadores. Existem, também, problemas psicológicos causados pelo fim da carreira, a falta de convívio e a perda de visibilidade nos media”.

>> Por Dentro

Nome: José António da Cunha
Natural: Luanda
Altura:1,89 cm      
Data de Nascimento: 11/10/60
Nacionalidade: Angolana
Peso: 87 kg
Clube: API FC
Tabaco: Não
Bebida: Não
Prato preferido: Mufete
Número de calçado: 44
Hobbyes: Leituras
Cor: Branca
Perfume: Diversos
Livros: Livros de cultura geral
Religião: Católica
Filmes: Acção
Música: Semba
Esplanada ou discoteca: Esplanada
Droga: Contra 
País: Angola
Cidade: Luanda
Conduz: Sim
Campo ou praia: Praia
Deus: O Homem maravilhoso
O que mais detesta: Confusão
Maior sonho: Ser músico