Jornal dos Desportos

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Reportagens

Descobri uma escolinha perto de casa

Sardinha Teixeira - 01 de Junho, 2010

Edson Cristovão da Silva

Fotografia: José Soares

O projecto atendia quase 300 crianças e adolescentes. Na parceria, membros do projecto ministravam cursos a professores de educação física, com instruções sobre o funcionamento do Centro, os métodos de ensino das técnicas do desporto. "É o professor que tem a sensibilidade de orientar correctamente os alunos e descobrir os novos talentos", avaliou Baby-Boy, que afirmou que a meta do programa é a conquista de resultados a longo prazo.O jovem que actuou durante 4 anos no Centro Desportivo deu um depoimento sobre o início da sua história no basquetebol. "Descobri uma escolinha perto de casa, quando tinha 12 anos, e comecei a praticar o desporto. Dois anos depois, eu já estava na mó de cima", declarou o jogador. Baby Boy demonstrou grande entusiasmo com a implantação do Centro em Londres e declarou que não faltava aos treinos. "Colocar em prática essa acção foi um compromisso que eu assumi", declarou. A cidade possuía núcleos, sendo um central e três espalhados por bairros. Quem tivesse potencial era encaminhado para um clube. “Se a criança não tivesse perfil para ser atleta, passava a torcedor", apontou.O atleta não estava preocupado com resultados imediatos. A intenção era fortalecer o basquetebol e ser grande jogador. "No Centro as crianças eram lapidadas e trabalhadas. Eram detectados os talentos e incentivados", comentou. Contudo, Baby Boy ganhou um novo fulgor, trazendo um maior indicie de competitividade no basquetebol do Centro, graças à aposta feita pelo treinador, em jogadores de qualidade, que souberam elevar o nome da colectividade nas diversas competições realizadas na cidade londrina." O Centro era muito coeso, com projectos ambiciosos, com uma linha clara de gestão que assentava em pilares como rigor, disciplina, fair-play, mas também muita garra em vencer jogos no terreno. O nosso marketing não era só externo, procurávamos e investimos no marketing interno, nos atletas e nos dirigentes, que eram uma família. Tínhamos por obrigação, fazer muito mais e melhor", disse.Posteriormente, Baby Bay foi viver para a Bélgica. Ele inscreveu-se no clube Seven Stars, da cidade de Bruxelas, participando activamente nas diversas competições de basquetebol.Baby Boy disse que, " o Seven Stars era uma família incrivelmente unida, onde todos trabalhavam. Na altura, o clube estava a priorizar o reforço da campanha de angariação de sócios. Os patrocínios serviam para futuros investimentos, sobretudo na aquisição da nossa sede, que estava para breve, e na assunção de despesas extraordinárias. Estava também a aumentar o número de atletas e a participar cada vez em mais modalidades, para uma maior visibilidade ao clube". Apesar de conquistar alguns troféus com a equipa, Baby Boy, regressou ao seu país. A sensivelmente um ano e meio em Angola, o jogador pretende agora, fechar a sua carreira num dos grandes clubes do nosso basquetebol.Quem é quem...Nome: Edson Cristovão da Silva "Baby - Boy"Data de Nascimento: 25/3/86Natural: BengoNacionalidade: AngolanaPeso: 78 kgAltura: 1,75 mPosição: BaseModalidade: BasquetebolClube: Sem clubeCategoria: SéniorPrato preferido: LazanhaTabaco: NãoBebida: SumosNúmero de calçado: 43Hobbyes: Ver filmes com a família Filmes: DramaReligião: CatólicaCor: BrancaPoligamia: RespeitoPerfume: ChancelerMúsica: JazzEsplanada ou discoteca: EsplanadaDroga: ContraPaís: AngolaCidade: LondresConduz: Não Um livro: Mestre TomadaCampo ou praia: PraiaUm sonho a realizar:  Ver o país melhor  Deus: O homem maravilhosoImprensa: Imprescindível O que mais detesta: EsperarAltos & BaixosDefendo outros paradigmas"Defendo outra forma de ver e gerir o basquetebol neste país. Defendo outros paradigmas de gestão do desporto. Temos que nos consciencializarmos que o amadorismo puro e duro já não vale nada. Defendo outra dinâmica, sobretudo na procura de fundos quer no país quer fora. Chega de políticas de tapar buracos", comentou. Chamavam-me de macaco"Na Bélgica, no clube em que jogava era o único negro na equipa. Passei momentos baixos na minha vida. Trataram-me como se fosse um macaco. Naquela época, o basket precisava estar urgentemente em outros patamares, até por uma questão de historial da modalidade", frisou.