Jornal dos Desportos

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Reportagens

Desporto do Namibe com balano negativo

05 de Dezembro, 2009

A Direcção Provincial da Juventude e Desportos do Namibe não concretizou os objectivos preconizados no cronograma de execuções do presente ano. O projecto de massificação desportiva em toda a extensão da província, que baseava na realização de provas de um número de modalidades eleitas, não foi logrado. A informação é do Director Provincial da Juventude e Desportos, Narciso da Costa, que considera balanço negativo.
Narciso da Costa reconhece alguns feitos das associações provinciais que, em meio de dificuldades, realizaram algumas actividades. A Associação de Futebol do Namibe, depois de muitos anos fora de actividade, conseguiu realizar os campeonatos provinciais em todos os escalões.
"Devemos enaltecer o trabalho desencadeado pelos núcleos provinciais de Atletismo, Paralímpico e de outras modalidades", disse.
Em 2010, a Direcção provincial vai reforçar e melhorar a qualidade das competições; transformar as equipas de recreação em clubes desportivos dotados de ferramentas jurídicas para que atinjam altos patamares e, quiçá, enquadrarem outras modalidades para além do futebol.
"Na nossa perspectiva, queremos tornar esses clubes de recreação em agremiações desportiva, com um estatuto melhor do que actual. Com um bocadinho mais de empenho é possível fazer isso, podemos chegar até lá", frisou.
Os clubes, as associações e os núcleos não podem lamentar a falta de apoios. A Direcção Provincial dos Desportos assistiu-os com alguma verba num início das suas actividades e, posteriormente, dentro do quadro de evolução de cada uma, foi aumentado o apoio financeiro. Nem todos tiveram essa amabilidade, porque “temos de pressionar os líderes desportivos para que saiamos da situação em que nos encontramos".
Quanto ao número de modalidades desportivas em movimento é considerável e agrada as diferentes entidades do mosaico social namibense. O que mancha é a falta de organização dos clubes para que “possam andar com os seus próprios pés".
O campeonato provincial de futsal continua a ser o maior movimento desportivo da província. Os citadinos do Namibe foram brindados com uma competição renhida que sagrou campeão a equipa da Académica. Os estudantes revalidaram o título, dificilmente, quando os prognósticos apontavam para a equipa R&D, que se apresentou com uma elevada qualidade de jogadores e um arranque de época fulminante. Na recta final da prova provincial, os jovens da R&D perderam força e velocidade, o que lhes levou a ceder espaços aos estudantes. A equipa convidada da cidade de Lubango, a Sinfic, emprestou uma grande competitividade durante o evento desportivo. 
Apesar da boa organização e do bom nível competitivo evidenciado pelas formações, a prestação das equipas namibenses nos campeonatos nacionais tem sido um fracasso.
Para Narciso da Costa, "o Namibe é uma potência (no futsal) e tem sido pioneira de desenvolvimento da disciplina em Angola". A falta de treinadores e de formação contínua daqueles que procuram levar a bom porto a modalidade constituem no grande empecilho.
“Os treinadores, que estão em Luanda, têm contacto com a matéria de treinamento desportivo, diariamente. É isso que falta aos treinadores locais. As equipas do Namibe são as que oferecem resistência às equipas de Luanda e de Benguela”, disse.
Se os campeonatos nacionais de futsal fossem como os de futebol, Narciso da Costa afirma que os representantes provinciais teriam uma melhor prestação.
Os árbitros nunca foram postos em causa. O homem forte do desporto da província reconhece "a falta de uma preparação psicológica dos treinadores e de jogadores” para que encarem as competições nacionais sem sobressaltos.
O carácter e o tipo de competição constituem nas principais causas que levam ao fracasso os representantes namibenses nos campeonatos nacionais de futsal.
Os campeonatos provinciais de atletismo para deficientes, uma competição que apura os atletas para as provas nacionais, e o de futebol estiveram em bom plano no ano preste a terminar.
Narciso Costa lamenta a não realização de campeonatos programados em algumas associações, que por razões de organização foram abortados.
Em 2010, a Direcção provincial dos Desportos vai exigir mais das associações provinciais para que realizem campeonatos no intuito de dar andamento do projecto de massificação desportiva e o lançamento daquelas modalidades que carecem desenvolvimento.
A Direcção Provincial dos Desportos está orgulhosa e agradece a pré-disposição da Direcção Provincial da Educação na realização do desporto escolar. No segundo ano consecutivo, movimentou e aumentou o número de praticantes, contribuindo para a ocupação dos tempos livres dos jovens, afastando-os dos maus comportamentos sociais; ajudou os estudantes a melhorar a absorção dos conhecimentos académicos. Em suma, o desporto escolar teve um grande impacto no movimento desportivo.

Infra-estruturas são prioridades

Relativamente às infra-estruturas, a província do Namibe sente a falta de empreendimentos modernos para dar passos maiores. A presença de um pavilhão multiusos que sirva as realizações de grandes actividades desportivas, como campeonatos nacionais, e outras infra-estruturas específicas para natação, ténis de campo e pistas de atletismo, sectores que Namibe desenvolve bem, podem catapultar a província para outros patamares à semelhança de outras localidades do país.
“Se tudo correr bem, vamos lutar para que uma das infra-estruturas seja construída na nossa província. Até porque estão projectadas para o efeito”, disse Narciso.
Apesar da falta de uma infra-estrutura desportiva de vulto, a província de Namibe ganhou vários campos polivalentes, construídos nas escolas com intuito da dinamização do desporto escolar. São campos de futebol na sede da província e nos municípios; a reabilitação da sede do Atlético, do Sporting e do pavilhão Saidy Mingas.
No âmbito nacional, algumas modalidades deram glórias a província, principalmente, o atletismo que trouxe muitos troféus para casa; o voleibol, xadrez, desporto paralímpico e hóquei em patins juntam ao grosso dos desportos que brindaram a população com júbilo. Entre essas modalidades, algumas ofereceram atletas às selecções nacionais em diferentes escalões.
No ano corrente, não foi projectado a participação nos campeonatos nacionais, mas reforçou-se as competições provinciais. O objectivo visa participar em provas de carácter nacional com algumas disciplinas em 2010, “mas para tal vamos fazer um estudo interno, porque não houve campeonatos provinciais nalgumas modalidades".
As possibilidades de participar nos campeonatos nacionais estão mais evidentes nas modalidades que realizaram os campeonatos provinciais.
O projecto da construção de um edifício, onde vão funcionar todas as associações provinciais está dentro das prioridades. Ainda não foi concretizado, porque "a realização de um projecto como este deve, primariamente, seguir os trâmites legais e posteriormente entrar na sua execução prática".

Direcção pondera apoio às associações

O Atlético do Namibe não alcançou o objectivo da ascensão ao Girabola. A Direcção Provincial dos Desportos está a estudar algumas estratégias para que em 2010 apareçam mais equipas na Segundona para que, em 2011, a província esteja representada na maior roda nacional do futebol.
Narciso da Costa aponta a falta de organização administrativa do Clube Atlético do Namibe como a principal causa da não subida ao Girabola.
"Não foi só a falta de atletas que contribuiu para um fraco potencial; houve também a falta de organização administrativa dentro do clube. A Direcção dos Desportos prestou todo o apoio no sentido de ajudar o Atlético a alcançar o seu objectivo, mas tal não aconteceu”, disse.
A justificação do director geral da agremiação petrolífera do Namibe foi "a fraca prestação de atletas em campo". A direcção do clube conta com o técnico Jean Claude Kenzo para mais uma época e promete pela segunda vez corrigir os erros do passado e atingir o Girabola no próximo ano.
A Direcção dos Desporto presta apoio a todas as associações em acção incluindo o Atlético Petróleos do Namibe. As despesas com o Estádio Joaquim Morais são suportadas pelo órgão que rege o desporto na província que durante todo ano acompanhou e prestou apoio a todos movimentos desportivos.
Narciso da Costa culpabilizou a direcção do Atlético do Namibe pelo desaire, por falta de "acutilância e falta objectividade" naquilo que são as suas acções.
"O Atlético tem dirigentes experientes que conhecem bem a realidade do nosso futebol; poderiam ser mais sagazes, principalmente, naquelas partidas de capital importância", disse Narciso que acresceu: "O Atlético perdeu pontos em casa que de certa forma contribuíram para o fracasso; urge a necessidade de uma melhor organização para se poder atingir o Girabola", desabafou.
Narciso da Costa considera as realizações dos campeonatos de futebol em todos os escalões, não só na sede, mas também nalguns municípios, como maior feito desportivo do ano.
"O campeonato provincial de futebol em todas as suas categorias foi, sem dúvida, o maior ganho desportivo do ano; depois surgem os ganhos do hóquei em patins, atletismo, voleibol, desporto paralímpico entre outras, que ajudam e galvanizam a direcção a prosseguir a dinamização e apoio a estas e outras disciplinas que tudo fazem para elevar o bom nome da província no capítulo desportivo”, frisou.
Para as associações que pouco ou nada fizeram, a Direcção Provincial dos Desportos vai dar uma oportunidade dos líderes desempenharem o seu papel.