Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Dinheiro do futebol deve vir do futebol"

12 de Novembro, 2014

O presidente do Petro de Luanda, Tomás Faria, disse em entrevista ao Jornal dos Desportos, que para tornar rentável o Girabola, o dinheiro do futebol deve vir do futebol e não de outras instituições que nada têm a ver com este desporto. “Uma das primeiras situações, que pode tornar o Girabola um campeonato rentável, é o próprio produto.

As equipas devem jogar de modos a atrair mais espectadores aos estádios. Nas reclamações em que se dizem que o clube não paga, pergunto de onde deve vir o dinheiro para pagar os atletas? O futebol é uma indústria, daí que a indústria do futebol deve produzir o dinheiro para o sustentar, é assim em todo o mundo”, afirmou.

O máximo dirigente petrolífero considera que os atletas devem dar mais qualidade ao seu produto, para que as pessoas possam ir aos estádios e isso gerar dinheiro. “Os atletas do futebol não podem esperar que venha dinheiro de fora do futebol para os sustentar. O dinheiro para sustentar os atletas do futebol deve vir do futebol. Para isso, eles têm de jogar bem, de modo que aqueles que gostem de desporto, particularmente do futebol, e que são muitos, possam ir aos estádios”, disse.

Tomás Faria comparou com outras realidades a nível do continente europeu, onde o “desporto rei” é visto como uma grande indústria. “Só assim se explica, que quando há um jogo em Espanha entre o Real Madrid e o Barcelona ou um outro clássico na Europa, existam pessoas que saem daqui, compram bilhetes de passagem, pagam hotéis e ainda têm de pagar os bilhetes de entrada para o estádio”, sublinhou.

“Na cabeça dos atletas precisa de estar de forma permanente a ideia, de que essa é a profissão deles e têm de exercer a profissão com zelo”, apelou ainda o presidente de direcção do Petro de Luanda que cumpre o seu primeiro mandato. Tomás Faria avançou e explicou que a bilheteira e os contratos publicitários como um dos factores que o futebol deve aproveitar, mas que infelizmente não acontece na realidade nacional.

"“O futebol tem de viver do dinheiro da bilheteira, da venda do merchandising, da publicidade que as empresas que notam que há ali condições para publicitar. O que acontece hoje, é que há um compromisso tradicional de algumas instituições que estiveram na base da criação de determinados clubes, de continuarem a trazer dinheiro de fora do futebol para dentro, mesmo que isso não os beneficie em nada”, esclareceu.