Jornal dos Desportos

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Reportagens

Dinheiros de patrocinador dividem o clube

Francisco Carvalho - 11 de Abril, 2010

Paixão Júnior. presidente de direcção

Fotografia: Jornal dos Desportos

Gestão presidiária

Um grupo de seis elementos afectos à antiga lista B concorrente às eleições dos corpos sociais do PAS é acusado pela direcção de obedecer "ordens externas" para deturpar todo um trabalho em curso na equipa do Sambizanga. Em causa está o dinheiro do patrocinador da equipa, a Cimangola, e a imagem que Paixão Júnior, presidente de direcção, e Tony Estraga, director-geral, podem granjear no mercado desportivo nacional.

Para Francisco Rodrigues, também conhecido por "Animal", chefe da claque e um dos vogais demissionário, "o clube está mal e com muitos problemas. Queremos que o presidente Paixão Júnior reúna connosco, porque há coisas que devem ser faladas e esclarecidas, mas infelizmente, não há diálogo na direcção do Progresso". Conceição Paulo Francisco, outro vogal demissionário, advoga as razões da posição tomada.

"O clube abriu as oficinas e não houve reunião para se definir as estratégias e os objectivos da presente época. Trabalhamos com dinheiro e não há a aprovação do orçamento pela direcção. Afinal quem aprova o orçamento do clube se não há reunião de direcção?".
Em resposta a inquietação, o director-geral do clube, Tony Estraga, que o acusam de ser o "faz-tudo" afirma que "não há diálogo na direcção do Progresso do Sambizanga com os demais elementos, porque a coerência de gestão de fundos financeiros atrapalha os demissionários".

José Maria da Costa "Bonducho", co-fundador do clube, recusa a justificação do director-geral e acusa "a dupla de amigos": "Há um conjunto de irregularidades praticadas por Paixão Júnior e o seu director geral Tony Estraga. O poder directivo é partilhado por dois, desrespeitando os Estatutos do clube". Para sustentar as palavras, o "kota" reafirma: "Paixão Júnior é um desorganizador e esbanjador dos dinheiros do clube".

Francisco Rodrigues apresenta as razões que o levaram a demitir-se da direcção de Paixão Júnior. "Não consigo fazer parte de uma direcção, na qual não se dialoga. Se o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, tem conselheiros, porque Paixão Júnior não os tem? Tomar decisão unilateral é um erro", aponta o Animal. Essa desorganização encontra respaldo nas palavras de Conceição Paulo Francisco: "Muitos querem falar para o bem do clube, mas não podem, porque não há uma gestão participativa".

Gerir os fundos da agremiação por todos os associados "só cabe na cabeça de quem desconhece as regras de boa gestão". Afinal, "quais seriam as competências do presidente do clube?", interroga Tony Estraga. Em resposta, Francisco Rodrigues "Animal" disse que "o camarada Tony Estraga não tem afecto ao Progresso do Sambizanga e é um para-quedista que faz parte da direcção".

Em busca do mote da discórdia e do conflito, descobriu-se que a direcção do Progresso Associação do Sambizanga "sempre foi gerida por modelos inapropriados" que descambaram em banca rota, conforme testemunham o elevado número de pessoas que se queixam de o clube ter dívidas para com elas. Na óptica de director-geral "o olho grande que o Animal tem para o manuseamento das verbas do clube" só prova isso.

Para colmatar o queixume, a actual direcção está a fazer pagamentos de dívidas contraídas pelas antigas equipas directivas do clube. "Isso reflecte que a gestão financeira é ponto assente na estratégia do nosso trabalho”, confirma Tony Estraga. Em consequência dessa atitude, diz Tony Estraga, "as pessoas desconheciam uma gestão organizada, o que provocou barreiras e entraves com certos elementos do clube".

A barreira é tão alta quanto à nova estrutura em construção nos arredores adjacentes ao campo Mário Santiago. Tony Estraga esclarece que "a coerência de gestão que se implementa actualmente no clube obriga a prestação de contas a todos os níveis; é uma obrigatoriedade que exijo, porque não estavam habituados a fazer". Entre o leigo e a ciência, a distância é longa. Francisco Rodrigues culpa Tony Estraga de assumir a direcção do presidente nas suas ausências e questiona "qual é a competência do primeiro vice-presidente e por que o clube só trabalha com duas pessoas?"

Para o director-geral, "os demissionários não fazem a ideia do sacrifício que se exige para gerir o clube". Aproveita o ensejo para os esclarecer. "O director-geral tem a competência até nas questões financeiras e define as regras de levantamento do dinheiro e pagamentos com base no orçamento das actividades semanal e mensal e é remetido para a direcção geral, na qual o presidente tem a competência de autorizar ou não".

Com o semblante sorridente, o director-geral do PAS assume-se como um homem "íntegro" para gerir até àquelas funções, cujos membros eleitos "se furtam a desempenhar", talvez por “desconhecerem” as competências ou a "incapacidade” de “acompanhar a nova dinâmica imposta no clube". "Não vamos permitir que pessoas não esclarecidas estraguem todo um trabalho que está a ser feito para o bem da comunidade do Sambizanga, no geral, e em particular, do PAS", disse o director-geral.

"Homens imprestáveis"

O Chefe da claque do Progresso do Sambizanga, Francisco Rodrigues, acusa Tony Estraga de os ter chamado de homens "imprestáveis", durante uma entrevista a uma das rádios de Luanda. Para o Animal, "é uma falta de respeito, porque o director-geral deve respeitá-los, primeiro como homens, segundo como membros de direcção do clube". Em resposta, Tony Estraga aclara.  "Não utilizei esse termo. A responsabilidade é atribuída ao repórter da Rádio que assim depreendeu das minhas palavras".

E acrescenta: "Quando me referi a isso, dirigi-me àquelas pessoas que não têm contribuído em nada, não têm funções executivas e nunca apresentaram ideias ou propostas de trabalho que engrandecem o clube. Essa é a verdade do que queria dizer". As despesas do clube não se resumem na modalidade de futebol. O Progresso do Sambizanga abarca outras modalidades como voleibol, atletismo, futebol feminino, andebol, basquetebol e xadrez em todos os escalões.

Há uma máquina de homens a trabalhar num total de 80 funcionários com contratos em dia. E quem confirma é Francisco Rodrigues "Animal" nas suas palavras contraditórias: "Os salários dos atletas e dos funcionários estão em dia, mas a nível organizacional está mal".

Patrocínio da Cimangola
está na mesa do conflito

No desenrolar do filme "as makas do Progresso do Sambizanga" constata-se que os fundos alocados pela empresa Cimangola avaliado em 100 mil dólares norte-americanos (cerca de 9,9 milhões de kwanzas) mensalmente pode estar na base do conflito entre os vogais demissionários e a direcção de Paixão Júnior. O co-fundador do clube José Maria da Costa "Bonducha", apontado como o mentor do projecto de lista única às eleições de 2008 no PAS, acusa a liderança do clube de "desvios de fundos, fraudes e desvios de materiais".
Quem também corrobora com a ideia é Conceição Paulo Francisco. "Não há transparência na gestão, porque a estratégia de uma direcção deve ser definida por um grupo de pessoas e não por dois amigos (Paixão Júnior e Tony Estraga)".

Para sustentar as suas ideias, Conceição Paulo Francisco socorre-se das palavras proferidas por presidente: "Paixão Júnior diz-nos (membros demissionários) que estamos com ‘cabotamesso’ (entende-se ramelas nas vistas), porque não estamos a conseguir acompanhar a nova dinâmica imposta por ele no clube". O director-geral esclarece como se gere o dinheiro recebido da entidade patrocinadora: "Periodicamente fazemos os relatórios para justificar as despesas junto da Cimangola, porque a gestão financeira é um ponto assente na estratégia da equipa directiva".

Em meio a justificações pontuais junto da patrocinadora, a Cimangola está há oito meses sem desembolsar dinheiro aos cofres do Progresso do Sambizanga. Onde há transparência, não há suspeições, mas o clube continua a manter os salários e outros pagamentos em dia. Os salários são pagos via banco e é uma exigência criada por Tony Estraga para mostrar a transparência. Ante o "silêncio" da patrocinadora, os sócios e os adeptos questionam a origem do dinheiro para suportar as despesas correntes com salários e outras rubricas. "Há outros patrocinadores que desconhecemos?"

A direcção tem uma resposta: "há fundos pessoais alocados para manter a moral alta no clube, porque estamos crentes em subir de divisão em 2011". Essas palavras tiveram impacto como a de uma bala num corpo são. A ferida criada é tão profunda quanto à crise do clube. E para situar o presidente, Conceição Paulo Francisco recorda-lhe de que "fomos as pessoas que o indigitámos como presidente, graças ao José Maria da Costa "Bonducho" que nos orientou para terminar com as duas listas e fizemos a de consenso no meu quintal, à noite, às 23 horas, do dia 9 de Agosto de 2008".

Ante a "arrogância" de Paixão Júnior, "é bom lembrar-lhe que cabe a direcção da Associação impor a dinâmica no clube e não ele, porque não há em nenhum clube, um grupo muito mais que uma associação como a do Progresso". Conceição Paulo Francisco argumenta: "O Progresso Associação do Sambizanga é o único clube do país que é uma associação em Angola. Os mentores do nome eram homens que já previam a democracia no seio do clube. Progresso é o nome do clube; Associação tem o pendor de democracia no seio da colectividade e Sambizanga é o nome do bairro". Com base nesse critério de constituição do clube não faz sentido "estarmos há mais de um ano sem reunir com a direcção".

Em meio a acusações, os demissionários defendem que "antes da abertura da época, os clubes reúnem para se definir as estratégias dos objectivos que se pretendem". O que não acontece no Sambizanga. "Na época anterior, o Progresso entrou na competição sem realizar uma única reunião. Apercebemo-nos da participação da equipa na competição nacional através dos órgãos de informação, mormente, o Jornal dos Desportos e a Rádio Cinco. A notícia assustou-nos". Quem não se assusta é a direcção de Paixão Júnior, cujas explicações contrariam a acusação.

"Sempre que procuramos levar à discussão assuntos importantes que elevem a grandeza do clube, encontrar soluções para o bem de todos, nunca fomos bem sucedidos, porque nas reuniões realizadas as pessoas trouxeram questões extra-clube, fugindo dos objectivos desportivos, que é a essência do clube. É aborrecido trabalhar com pessoas que falam línguas estranhas às nossas".

Dresko no centro de discórdia

A equipa de demissionários também se insurge contra o treinador da equipa principal de futebol a quem chama de "cínico". Dresko é acusado de "engenheiro de construção civil emprestado ao futebol”, porque não se compreende como é que "um indivíduo durante a sessão de treinamento tem as mãos mais ao telefone do que se dirigir aos atletas". Os demissionários questionam: “Que garantia dá para a ascensão da equipa ao Girabola, se durante a ‘orgia telefónica’ o Gabonal é o treinador que orienta a equipa?”. 

Conceição Paulo Francisco socorre-se da situação do técnico angolano que Paixão Júnior introduziu "à revelia" no comando da equipa, após a tomada de posse. Os membros da direcção não o queriam e no momento de o tirar reuniu com os demais membros para recolher opiniões. Nessa mesma reunião, apresentou como proposta terminar o contrato com o Ndungidi Daniel. Diante do presente cenário, Francisco Rodrigues "Animal" pode ter razão quando afirma que "tomar decisão unilateral é um erro".

E quem não engole as "malabarices" da direcção para 2011 é José Maria "Bonducho" que pede a demissão de Paixão Júnior. "Havia prometido que se a equipa não subisse de divisão para o Girabola em 2010 demitir-se-ia do cargo. Como não subiu, queremos que se demita. Tantas promessas feitas e não as cumpriram". Uma outra situação que coloca a gestão de Paixão Júnior em "cheque” reside nos rodeios que faz.

Aquando da tomada de decisão para a saída de Ndungidi Daniel, a direcção colocou "o bombeiro" Janguilito no meio da época para salvaguardar os interesses da equipa. É uma decisão tomada no colégio da agremiação. Pelas competências que o Estatuto lhe confere, "para pontapear Janguilito e colocar o Dresko não voltou a reunir connosco. Isso é gestão transparente?", questiona Conceição Paulo Francisco. A direcção do clube responde que "sim, é transparente". E exemplifica: "Quando o presidente do Real Madrid candidatou-se havia dito que atletas teriam de os levar ao clube caso fosse eleito. E fê-lo sem a oposição dos sócios".

O técnico angolano acusado de ser colocado à revelia foi um dos melhores futebolistas de todos os tempos no país. Fez furor em vários campos do país e do continente africano, com as cores da selecção nacional. "O Ndungidi fez parte da campanha, porque foi anunciado publicamente que seria o treinador caso Paixão Júnior fosse eleito presidente. Foi honrado a palavra ao colocá-lo no comando da equipa", disse o director-geral. Quanto ao actual técnico, Dresko, faz parte do leque de opções igual ao exemplo anterior a do Laporta, do Real Madrid. "É o presidente do clube que decide o tipo de treinador que pode satisfazer os interesses programados. Dresko tem qualificações que lhe atestam ser bom treinador de futebol", disse Tony Estraga.

"É difícil trabalhar
naqueles escritórios"

Francisco Rodrigues afirma que para dialogar com o presidente Paixão Júnior tem de se deslocar ao seu gabinete de trabalho no interior do Banco de Poupança e Crédito, onde é funcionário, porque "está mais ausente do que presente nas discussões indispensáveis na sede do clube". Essa situação leva-o a questionar. “Por que os escritórios do Progresso do Sambizanga foram transferidos para o interior do Banco de Poupança e Crédito, quando dispõe de uma sede com todos os requisitos?"

Requisitos esses implementados pela actual direcção, desde que tomou posse. Há um ambiente de trabalho saudável com ar condicionado, telefones, computadores, internet, tv com satélite, salas de trabalho que oferecem dignidade a um clube histórico como o PAS. “Herdamos uma sede imprópria para se trabalhar", disse Tony Estraga. Perante a ausência constante do presidente de direcção da sede, Conceição Paulo Francisco denomina que o Progresso tem uma gestão "presidiária", por ter sido transferida para um dos andares do BPC, longe da Associação do Sambizanga.

Essa "atitude propositada dos dois amigos visa afastar todos os associados do clube para que não tenham acesso às contas". Para tranquilizar os demissionários, Tony Estraga afirma que “há momentos que se sente na pele de um dirigente de uma instituição de caridade, atendendo o elevado número de pessoas que lhe procuram em busca de apoios para assuntos pessoais, como problemas ligados à saúde, energia eléctrica, água, estudos dos filhos, etc".

Perante essa "situação infernal é difícil trabalhar sob aquelas condições naqueles escritórios, porque o PAS não é uma instituição de caridade". Dentro das possibilidades da agremiação há momentos que "ajudamos algumas pessoas com dificuldades financeiras".

Salário de Bonducho
é uma falsa questão

O salário de empregado de limpeza do co-fundador do Progresso Associação Sambizanga, José Maria da Costa "Bonducho", foi-lhe retirado por dizer que a direcção está a comandar mal o clube. O presidente Paixão Júnior é acusado de ordenar o cancelamento do salário de um homem com mais de 35 anos de casa e sem o comunicar. "Bonducho é somente um rosto vivo do Progresso Associação Sambizanga; é um co-fundador", diz Animal.

O lesado José Maria da Costa "Bonducha" afirma que "na lista de consenso que levou Paixão júnior à presidência do clube há uma observação que autoriza o clube fazer pagamentos de salários vitalícios a mim, Luís Cão e Salviano". O cumprimento dessa cláusula é obrigatória, mas "por questionar o modelo de gestão de Paixão Júnior, a má utilização de recursos financeiros, as más contratações de atletas e de técnicos, a ausência de diálogo entre os membros de direcção, direcção e sócios, ausência de clareza na gestão das coisas desportivas e atropelamento aos Estatutos, me foi retirado o salário como funcionário do clube".

A situação chocou com todos os antigos sócios que têm no Bonducho como "o rosto vivo" do PAS. Para esclarecer a situação tomada, Tony Estraga confirma que "o salário de Bonducho foi reposto há muito tempo e havia sido suspenso durante um mês por desacato a algumas situações internas". Para aclarar os adeptos e sócios, o director-geral afirma que “o salário atribuído a Bonducho é uma questão de solidariedade humana; é um acto de filantropia da direcção, porque o ‘co-fundador’ não faz parte do grupo de funcionários do clube".

Entre a verdade e a mentira, os adeptos e sócios estão descontentes com a medida de suspensão dos salários, porque o "rapaz" ganha 500 dólares norte-americanos (cerca de 49,5 mil kwanzas) que muita falta o faz. Tony Estraga explana que o "kota Bonducho integra o grupo de algumas pessoas que estão em situação difícil e beneficia desse apoio. Não é obrigação da direcção lhe dar salário", conforme se narrou.

Contratos são individuais

Um outro elemento que incomoda os demissionários e os leva a desconfiar da gestão liderada por Paixão Júnior está ligado à contratação de treinadores e de atletas. Se o presidente tem prerrogativas de escolher os que acha serem os melhores para a equipa, também tem o direito de pedir conselhos a vogais e outros elementos da direcção para que não faça do clube “uma propriedade pessoal".

Os demissionários defendem uma gestão aberta e transparente nas contratações, pois "num clube, os contratos de jogadores não devem ser segredos de duas pessoas (Paixão Júnior e Tony Estraga).O dinheiro alocado é público, uma razão para que não se esconda dos membros do clube os valores contratuais. Por outro lado, defendem que se houver transparência evitar-se-á especulações sobre "desvios de fundos".

Os demissionários afirmam que "há jogadores do Progresso que não sabem quanto devem ganhar". É possível? A resposta cabe a cada um dos sócios e adeptos.À semelhança dos atletas, "nenhum outro membro de direcção ou sócio sabe o valor dos contratos dos jogadores". É aqui que Conceição Paulo Francisco questiona: "Os dois brasileiros que estiveram no clube só fizeram um jogo cada e ninguém sabe como vieram à nossa equipa; só fizeram turismo; os salários e outras despesas são desconhecidos por todos. Isso é gestão transparente?"

A direcção tem uma posição diferente sobre o assunto. "Os contratos são individuais e secretos. Nem nos grandes clubes do mundo se conhece o salário de todos os jogadores. O que transpira na imprensa são os grandes contratos milionários. Se os perguntar quanto ganha o guarda-redes da equipa de Valodolid de Espanha, onde joga Manucho Gonçalves são capazes de me dizer?", questiona Tony Estraga e acrescenta:"Quanto ganha o nosso Manucho Gonçalves?". Alguns sócios e adeptos demissionários "exibem frustração contra a direcção, porque os intentos pessoais estão impedidos pela dinâmica de gestão transparente". É essa frustração que os leva a dizer que "o Progresso Associação Sambizanga não é quintal de Paixão Júnior".