Jornal dos Desportos

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Reportagens

Dirigente moambicano do ciclismo eleito membro da Confederao Africana

Simo Kimbondo - 30 de Março, 2013

DANILO NEVES CORREIA- Presidente da Federao de Moambique o destaque do actual elenco do rgo reitor

Fotografia: Jornal dos Desportos

Fruto da realização dos Jogos Pan-africanos de Maputo em 2011, o actual presidente da Federação Moçambicana de Ciclismo, Danilo Neves Correia, 37 anos, foi eleito para o Comité Director da Confederação Africana da modalidade (CAC), no congresso realizado no passado dia 16 de Fevereiro, no anfiteatro do Comité Olímpico Egípcio, no Cairo, para o quadriênio 2013-2017.
Danilo Correia sempre praticou desporto de competição, foi nadador, jogou futebol e praticou ciclismo. “Gosto de estar em forma física e cuidar do corpo. Também gosto da parte administrativa e estratégica do Desporto. Sou competitivo e gosto de uma boa corrida”, confirma.

A eleição de Danilo Correia na CAC, em que concorreram 13 candidatos em representação de igual número de países, onde apenas oito podiam ser escrutinados mereceu destaque pelo facto de ter sido estreante em processos do género e ocupado a quinta posição, com 23 votos, tendo sido considerada obra de vulto.
A sua “inocência” era tão grande que quando o abordámos sobre o assunto na véspera do escrutínio assegurou-nos: “Estou a contar com 13 votos dos 31 presentes e, naturalmente, um é de Angola”.

Na altura não sabia que aquele número de votos não era suficiente para a sua indicação para o Comité Director da CAC, onde o anterior vice-presidente, Julius Mwanghi do Quénia, segundo mais votado, teve 28 nomeações, Yao Allah-Kouamé da Costa do Marfim (26), Winston Crowther da Serra Leoa (24), Aimable Bayingana do Rwanda (18), Abdel Khaldoun de Marrocos (17) e o tunisino Med Louaf (16) que teve que ir a um desempate com o burkinabe Alassane Ouagroua, numa segunda votação para escolher o último director.


 RECONHECIMENTO
Países votaram em função de tratamento (des)igual 

Com as nossas reflexões e contas feitas, ficámos a saber que a nomeação do representante do Índico teve certamente muito a ver com a realização dos Jogos Pan-africanos de Maputo, onde o Ciclismo esteve em destaque.

Também ficámos a saber que o afastamento do burkinabe, quando se esperava a sua eleição fácil, frente ao tunisino, na segunda volta, dada a presença maciça de representantes de África do Oeste no conclave, foi uma “desforra”. Tal aconteceu pelo facto de em Novembro de 2012, quando o Burkina Faso organizou o Campeonato Africano de Ciclismo de Estrada, não ter levado nenhum dos representantes daqueles países à audiência que o Presidente daquele país concedeu aos participantes do Campeonato, no final do evento, tendo levado apenas o presidente da CAC e os representantes da União Internacional Ciclista (UCI) que estiveram a ajudar a organização.

No caso de Danilo Correia, pelos vistos ganhou simpatia de todos quantos participaram no Campeonato de Ciclismo inserido no programa dos Jogos Pan-africanos de Maputo, porque além de ter estado com níveis de organização acima da média, tratou todo o mundo da mesma forma e daí o reconhecimento de 23 países, dos 31 representantes que participaram no Congresso da CAC de 2013.


MOMENTO
Candidatura como presidente
da FMC é homenagem a um amigo

Danilo Correia surge à frente da Federação Moçambicana de Ciclismo (FMC), depois de um acontecimento trágico e  na véspera dos Jogos Pan-africanos de Maputo, quando o organismo reitor da modalidade no continente obrigou a formação da instituição como condição para a realização do programa de Ciclismo no evento, que é considerado os “Jogos Olímpicos” de África.
“Na altura eu era candidato à presidência da Mesa da Assembleia Geral. O nosso candidato a presidente de Direcção foi morto a andar de bicicleta num acidente trágico. Então, a comunidade de Ciclismo Moçambicana pediu para que concorresse e aceitei. Eu era muito amigo do falecido e senti que devia realizar um dos sonhos dele”, disse.


PING PONG
“Temos as dificuldades típicas de África”

Jornal dos Desportos: Como está o Ciclismo em Moçambique?
Danilo Correia: Está em crescimento. Temos as dificuldades típicas de África.

JD: Quais as disciplinas que estão a desenvolver no ciclismo moçambicano?
DC: BMX, Estrada, MTB (Montanha) e Bicicletas “Populares” (usadas para trabalho e recreio).

JD: E o ciclismo feminino no país do Índico?

DC: Ainda é fraco. Apenas no ano passado conseguimos um Campeonato Nacional feminino. Estamos a apostar nas senhoras para o futuro.

JD: Quais as perspectivas do ciclismo moçambicano enquanto estiver à frente da Federação?

DC: Desenvolver o BMX para atrair mais jovens praticantes. Melhorar as nossas participações a nível africano.

JD: Como vê o ciclismo africano?
DC: Com muito potencial, mas falta maior organização, fundos, formação, acesso às bicicletas. Apesar da situação actual, há crescimento e isso é encorajador.

JD: O que achou da presença do presidente da UCI no Congresso da CAC?
DC: Foi fantástica. Este presidente da UCI dá mais a África do que qualquer outro. Ele debruça-se sobre os nossos problemas e ajuda-nos a resolvê-los.

JD: Como viu a reeleição do egípcio Waghi Azzam para mais um mandato?
DC: O dr. Azzam é fundamental para a união dos africanos e é um humanista. Um visionário e grande líder.

JD: Qual a sua opinião sobre a polémica da Federação Gabonesa no Congresso da CAC?
DC: Podia ter sido evitada se houvesse entendimento interno. Isto só demonstra que em África ainda temos que melhorar o funcionamento da democracia.

JD: E nos países africanos de expressão oficial portuguesa?
DC: Em África, os países de expressão oficial portuguesa têm todos as mesmas dificuldades e poucos recursos. Mas temos o suficiente para cooperar e competir em corridas exclusivas da nossa comunidade.


POR DENTRO
Nome: Danilo Neves Correia
Filiação: Neves Manuel Correia e Keirum Ismael
Nascimento: Maputo, 29.02.76
Estado Civil: Casado
Filhos: Dois
Altura: 1,77 m
Peso: 71kg
Cor preferida: Verde
Hooby: Tocar guitarra
Prato preferido: Camarão à moçambicana
Bebida: Sumo de manga
Cidade: Maputo
País: Moçambique
Casa Própria: Sim
Carro próprio: Sim
O que mais teme: Arrependimento
Acredita no que diz a Bíblia: Sim
Religião: Muçulmana
Alguma vez mentiu: Sim (menos agora)