Jornal dos Desportos

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Reportagens

Djalma insatisfeito com o labor do FC Cabinda

08 de Setembro, 2009

Djalma Cavalcante, técnico do Futebol Clube de Cabinda, mostra-se insatisfeito com o rendimento dos seus jogadores na primeira volta do Zonal de Apuramento ao Girabola-2010

Como avalia a participação do FC Cabinda na primeira volta do Zonal de Apuramento ao Girabola-2010?

Claudicamos logo na primeira jornada, o que foi uma grande surpresa para a equipa. Em seguida, tivemos um empate com o Sporting de Cabinda e passamos para a senda de vitórias, todas elas convincentes. Se, por um lado, é positivo quando se vence, por outro, não estou satisfeito, pois tenho a certeza de que podemos render muito mais.

Apesar da insatisfação, a primeira divisão é mesmo a meta?

Ainda há muita água a rolar por baixo da ponte. Terminamos agora a primeira volta e temos oito jogos pela frente. Temos de ir a Luanda três vezes. Temos jogos com o Progresso do Sambizanga e com o Sporting de Cabinda, que também são reais candidatos a subir à primeira divisão. As coisas estão muito difíceis, mas estamos preparados. Os nossos resultados têm sido bons, mas precisamos de mostrar melhor futebol. Temos de melhorar muito e trabalhar arduamente para ascendermos ao Girabola.

O que tem a dizer sobre o empenho dos jogadores?

Não estou a gostar do empenho dos jogadores e eles também acham que a equipa pode fazer melhor. Acredito que os atletas ainda não estão bem seguros da maneira como queremos jogar. Ainda existe preocupação e uma grande instabilidade, justamente pela grande vontade em galgar o lugar que todos querem, que é ascender à primeira divisão. Os jogadores estão muito preocupados com esse aspecto.

Nota-se que em cada jogo prima por um grupo restrito de jogadores. Não acha que isso pode criar um certo ciúme no seio do grupo?
Temos cinco brasileiros que ainda estão em fase de adaptação. Sei que eles podem dar muito mais, porque os vi jogar no Brasil e sei que ainda não mostraram aquilo que valem. O Marlon é o único brasileiro que se adaptou com facilidade e tem jogado mais. Os outros têm dificuldade de adaptação, porque o futebol praticado aqui é de muita força e eles são mais técnicos e precisam de um espaço para jogar. Temos um grupo em que o trabalho é uniforme e bom, no qual procuramos alinhar os que estão em melhor condição atlética e técnica.

(A derrota do primeiro desafio está entalada na minha garganta)

Os 19 pontos alcançados na primeira volta satisfazem?

Em parte. Ainda não digeri a derrota do primeiro jogo, mas estou feliz porque conseguimos terminar a primeira volta em primeiro lugar.

O que está a ser gizado para melhorar o empenho do grupo na segunda volta?

No que toca à “garra” e a determinação, não tenho queixas. O que falta é o rendimento da equipa, sobretudo no capítulo individual. Sei que eles acusam muito nervosismo. Nos treinos, sei o que podem fazer, porque provam isso, mas, deste para o jogo, existe uma diferença enorme e quero que os jogadores vençam essa dificuldade. Para já, não vamos mudar a nossa estratégia de jogar, porquanto é muito difícil formar uma equipa diversificando as estratégias. Vamos continuar no mesmo caminho, no mesmo tipo de trabalho e na mesma maneira de jogar.

Já agora, o que se pode esperar do Cabinda na segunda volta do Zonal de Apuramento ao Girabola-2010?

Espero que o nosso grupo continue com a determinação que teve na primeira volta da competição. Quero que a equipa continue com a vontade que tem tido e que consiga mostrar em campo a qualidade que possui. No dia que isso acontecer, vamos melhorar muito.

Ganhar todos os jogos

Pensa reforçar a equipa com jogadores de outros clubes ou mesmo com alguns juniores vossos?

Não temos juniores que possamos elevar a seniores, nesta segunda volta. Sabemos que temos de fortalecer a equipa e mostrar as qualidades de cada jogador, algo que, até ao momento, os atletas não conseguiram. Temos de descobrir que motivos estão por detrás disso. Na primeira volta, notou-se uma certa euforia no seio do conjunto, o que muitas vezes atrapalhou os nossos objectivos. Quero que o nosso grupo renda nesta fase e que mostre o que vale. Só assim podemos atingir a qualidade de futebol que pretendemos e apresentá-lo ao público cabindense.

Os defesas Marlon e Nsuka têm sido os mais utilizados. Terão eles capacidade para manter a performance na etapa derradeira da competição?

Ambos têm uma base muito boa. O Nsuka é um jogador extraordinário. O Marlon é muito sério. Os dois têm tido uma carga de trabalho maior que a dos outros. O Marlon e o Nsuka, durante a semana, têm um trabalho específico. O Nsuka pode jogar em qualquer clube de Angola. O Marlon foi dos brasileiros contratados que se adaptou rapidamente, talvez por ter muita técnica e categoria.

O Progresso do Sambizanga é o vosso principal opositor na série (A). Que estratégias vão ser montadas para o contrapor?

Não quero fugir de nada, mas sim ganhar todos os jogos. A nossa formação só precisa de vencer todos os jogos. Essa é a minha filosofia. Temos de cuidar e tratar da nossa casa e do nosso departamento. Ou melhor, cada um deve fazer o seu trabalho. Não estou preocupado com os outros adversários. Seria bom se o Progresso ou outro adversário perdesse todos os jogos para ficarmos mais tranquilos, mas isso não vai acontecer. Por isso, vamos cuidar da nossa cozinha e deixarmos de falar dos outros, para ver se a nossa comida sai bem.

Em termos organizativos tudo está arrumado?

A nossa casa está arrumada, mas temos de melhorar para que os nossos objectivos sejam alcançados. A motivação é interior. Temos de nos auto-motivar para aquilo que queremos. É que para a subida à primeira divisão não vale a pena o atleta pensar em dinheiro, prémio do jogo, em ganhar muito mais. Sou profissional e vivo do futebol. Gosto de dinheiro como muito agente e, se dependesse de mim, os prémios seriam de 10 mil dólares por cada jogo. Sempre digo para os atletas que nada é maior do que o nosso prestígio e consciência. Portanto, a nossa motivação deve ser o amor por aquilo que fazemos e o nosso grupo está imbuído deste princípio
Os 19 pontos alcançados na primeira volta satisfazem?
Em parte. Ainda não digeri a derrota do primeiro jogo, mas estou feliz porque conseguimos terminar a primeira volta em primeiro lugar.

O que está a ser gizado para melhorar o empenho do grupo na segunda volta?

No que toca à “garra” e a determinação, não tenho queixas. O que falta é o rendimento da equipa, sobretudo no capítulo individual. Sei que eles acusam muito nervosismo. Nos treinos, sei o que podem fazer, porque provam isso, mas, deste para o jogo, existe uma diferença enorme e quero que os jogadores vençam essa dificuldade. Para já, não vamos mudar a nossa estratégia de jogar, porquanto é muito difícil formar uma equipa diversificando as estratégias. Vamos continuar no mesmo caminho, no mesmo tipo de trabalho e na mesma maneira de jogar.

Já agora, o que se pode esperar do Cabinda na segunda volta do Zonal de Apuramento ao Girabola-2010?
Espero que o nosso grupo continue com a determinação que teve na primeira volta da competição. Quero que a equipa continue com a vontade que tem tido e que consiga mostrar em campo a qualidade que possui. No dia que isso acontecer, vamos melhorar muito.

Formação deve ser feita com bons profissionais

Que avaliação faz da participação de outras agremiações de Cabinda na prova?

As equipas de Cabinda que estão no Zonal de Apuramento têm estado a comportar-se muito bem. Jogamos com o Sporting, com o Benfica e com o Lândana FC. Foram jogos duríssimos, o que valorizou o nosso trabalho. Esperamos que em jogos com equipas de outras províncias, as agremiações locais tenham o mesmo comportamento.

O que diz sobre o futebol praticado na província?

Se fizermos uma avaliação deste campeonato e das equipas que estão a competir nele, notamos que estamos num patamar razoável. Ainda assim, para o futebol da província melhorar deve-se fazer um trabalho de base muito maior. Cabinda tem capacidade para fazer isso. As infra-estruturas desportivas em fase de construção vão servir para o desenvolvimento do desporto e, em particular, para tornar a região num viveiro do futebol em Angola. Independentemente dos empreendimentos que o governo está a construir, do esforço que o governador Aníbal Rocha está a fazer com o seu executivo, temos de tratar da formação, com profissionais competentes para colocar a província entre as melhores do país.

Que apelo deixa aos sócios, adeptos do clube e à população cabindense?

Que não sejam apenas os adeptos do FC de Cabinda a nos apoiarem, mas toda a população esteja connosco. Precisamos de adeptos e população que estejam realmente connosco. Esperamos que a província esteja, toda, unida em rodar do Futebol Clube de Cabinda para podermos alcançar aquilo que é o desejo de todos que é estar na primeira divisão do futebol angolano. Particularmente, espero que os nossos adeptos não estejam eufóricos; sejam conscientes e estejam connosco de coração.