Jornal dos Desportos

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Reportagens

É uma grande responsabilidade representar o Petro de Luanda

Augusto Fernandes/João Francisco - 05 de Novembro, 2012

Renato apareceu no Mundo do Futebol através de Rui, treinador dos Caçulinhas do Clube Desportivo da Maxinde

Fotografia: Jornal dos Desportos

Renato apareceu no Mundo do Futebol através de Rui, treinador dos Caçulinhas do Clube Desportivo da Maxinde, de um dos bairros mais carismáticos da província de Malange. “Em certa ocasião, quando estávamos a jogar em baixo do nosso prédio, como era hábito, mister Rui esteve a observar-me e ficou tão impressionado comigo que me levou para jogar na sua equipa. Mas, começou a ter grandes problemas com o meu pai porque eu faltava muito às aulas e meu pai culpava-o por isso”, recorda Renato. Ainda nas terras da Palanca Negra gigante, Renato jogou pela Egrosbind e na equipa Amílcar Cabral, com Lito e Banano, entre 1988 e 1991, dos oito aos 11 anos de idade.

Em 1992, Renato regressa a Luanda e  fica parado dois anos, limitando-se aos trumunos do bairro. Em 1994, tentou a sua sorte no Petro de Luanda, mas não foi aprovado. Por insistência do seu amigo Jonix, que confiava nas suas potencialidades, foi tentar a sorte nos juvenis do Grupo Desportivo da Nocal, onde já estavam jogadores como Love Cabungula, Chinho, Joãozinho, Miro, Riquinho, Dibeba, Vivi, Makamba, só para citar alguns jogadores que na altura eram treinados por Armindo dos Santos. Renato não teve grandes dificuldades em se impor na equipa cervejeira e, foi aprovado. Na altura, o nosso jovem tinha características de jogador polivalente. Inicialmente era médio ofensivo e muito antes, em Malange, chegou a jogar como avançado.

Na companhia dos jogadores já mencionados, que na época dominavam o futebol jovem a nível de Luanda, Renato foi duas vezes campeão Provincial em juvenis e igual número de vezes campeão nacional, entre 1994 e 1996. Na sua primeira final contra o Petro de Luanda venceram por 5-2 e na segunda, diante do 1º de Agosto, venceram por 3-1. “Naquela época a nossa equipa  era muito forte e dificilmente travada. O 1º de Agosto, com jogadores como o Mendonça, Pena, Dedas, Luís Carlos, o Rodoviário com Nelsinho, Miloy, Alegrias, o Petro de Luanda e o ASA, eram as melhores equipas não só de Luanda como do país”, recordou.

Levado para o Petro por alguns dólares
A sua prestação na equipa cervejeira foi de tal maneira positiva que não passou despercebida ao olho clínico de Carlos Queirós. Assim, em meados de 1996, já com idade de júnior, Renato, foi levado para o Catetão por 200 dólares, e com ele foram Chinho e Mano. Como a época já ia a meio, Renato não jogou. Em 1997, começou a sua carreira invejável no clube do “Eixo Viário”, onde encontrou Gilberto, Lama, Diógenes, Roberto, Isack, Abega, Wilham, treinados por Man Queiras, disputando o Provincial da categoria, tendo sido vice-campeão, a seguir ao 1º de Agosto.

Num dos jogos do Provincial, o técnico brasileiro Jorge Ferreira foi observar o jogo e ficou escantado com o trabalho de Renato. Contou que, nests dia, jogou como lateral direito cobrindo o lugar de um colega que estava doente. Contudo, acabou por ficar como titular porque o treinador se convenceu que estava diante de um grande jogador e pediu para que passasse a treinar com os seniores. Foi assim que passou a jogar como lateral direito.

Ao treinar com o seniores mas a jogar nos juniores, Renato foi ganhando mais traquejo e, em 1988, ainda com idade de juniores, mereceu a confiança da equipa técnica e passou a sénior, onde já estava habituado a jogar com Betinho, Guedes, Flávio, Amaral Aleixo, Chico Dinis, Minhas, Cacharamba, Zico, Jonas, Paulito, Bodunha. “Não foi fácil assegurar um lugar na ala direita do Petro. Como lateral, estava um ‘senhor’ chamado Bodunha, a médio direito estava o Mbiavanga e o Paulo Dias como suplente do Bodunha. Com a saída de Bodunha para o Sporting de Espinho de Portugal, as coisas ficaram um pouco mais fáceis para mim. Assim, na primeira oportunidade que tive de jogar dei o meu máximo e quase sempre mereci a confiança dos treinadores”, recordou.

Do Girabola
à selecção de jovens

No seu primeiro jogo no Girabola contra a Chicoil, Renato fez quatro assistências que maravilharam o publico e resultaram em golos na goleada de 7 a 0 que o Petro infligiu ao seu adversário, resultando num excelente casamento com os adeptos que, a partir daí, queriam sempre vê-lo em campo.Antes do brilharete na sua estreia no Girabola, foi pela primeira vez convocado por Carlos Alves para representar a selecção nacional de sub-20 para disputar o torneio da Lusofonia realizado em Portugal, onde Angola fez uma excelente exibição, com Mantorras a ser o melhor marcador do torneio, com cinco golos, quatro dos quais “fabricados” por Renato. Fizeram parte da primeira selecção o Lamá, Delgado e o Malamba, e Angola jogou a final contra a selecção do Brasil.

Voltando ao Girabola, Renato foi, aos poucos, conquistando o seu espaço no Petro, ao ponto de ter chegado uma altura em que os adeptos não aceitavam a sua ausência do campo sem motivos válidos. “Em três ocasiões tive de jogar, mesmo com uma micro rotura muscular, mas com todos os cuidados da equipa técnica, só para agradar aos adeptos”, lembra o nosso  jovem ídolo. Em finais de 1999, com o regresso do brasileiro Djalma Cavalcanti ao Petro, dá-se uma grande reestruturação, com Renato a sobreviver e a conquistar tudo o que havia a ganhar em 2000 e 2001: dois campeonatos nacionais, duas taças de Angola e igual número de super taças. A partir daí, seguiu-se um jejum de seis anos sem título algum.

Em 2004 e porque Renato já estava em fim de contrato no Petro, foi jogar para o ASA, a convite de Bernardino Pedroto, onde ganhou um Girabola e uma super taça, tendo jogado com Jamba, Love, Yamba Asha, Malamba, Sergio, Humberto, Simão Bendinha, Kadima, Silas. Apesar de ter representado os aviadores, Renato, considera ser uma grande responsabilidade representar as cores do Petro de Luanda, porque a massa associativa do clube está habituada a vitórias. “Nós habituámos os nossos adeptos às vitórias e por isso quando elas não aparecem pode acontecer de tudo um pouco. Quem quiser jogar no Petro de Luanda tem de ter espírito de vencedor. Especialmente no derby dos derbies, com o D’Agosto”, confessou.

Palmarés
Renato Campos jogou no CAN de sub-20, no Gana, com Angola a fazer uma participação regular. Representou a mesma selecção onze vezes e a de sub-23 seis vezes, na maior parte delas com os mesmos jogadores da convocatória dos sub-20. Nas 32 vezes que representou a selecção principal, Renato, venceu uma Taça Cosafa, com Stopirra, Delgado, Nando, Zico, Jonie outros com Djalma Cavalcanti no comando técnico, isto em 1999. Alem disso, teve o privilegio de ter feito parte do jogo Angola “vs”Camarões (2-0), na Cidadela,  na primeira vitória de Angola sobre os Leões Indomáveis, com Mário Calado como treinador.

Outros jogos memoráveis, o Angola -Zambia (2-1), com bis de Akwá, na Cidadela, e um dos jogos contra a Namíbia, com o estádio completamente cheio, com vitória de 1-0 a favor de Angola, ainda os não menos memoráveis jogos com a Nigéria e o Uganda. Em termos de Girabola, a goleada do ASA sobre o 1º de Agosto por 8-1 foi a que mais o marcou. Renato Campos considera o Dé, ex-1º de Agosto, e  Minguito, do Interclube, os jogadores que mais trabalho lhe deram porque “não sou muito bom a defender no jogo um contra um”, reconheceu. O nosso ídolo pendurou as chuteiras em 2011.

POR DENTRO

Nome completo: Renato Batista Campos
Filiação: Hamlete Campos
e Clementina Batista
Naturalidade e data de Nascimento: Luanda, aos 05.09.80
Estado civil: Solteiro
Filhos: Uma filha
Altura: 1,70m
Peso: 70kg
Calçado: Nº 42
Camisola com que
habitualmente jogava: Nº13
Cor preferida: Vermelho
Hobby: Ouvir música
Filmes: Românticos
Prato preferido: Caldeirada
(especialmente de Choco)
Bebida: Gasosa
O que mais teme: Qualquer
tipo de sofrimento
O que mais detesta: A falsidade
Virtude: Os outros que o  digam
Defeito: Teimosia
Tem casa própria: Tenho
Carro: Tenho
Cidade angolana: Malange
País de sonho: Estados Unidos
Equipa do coração: Petro de Luanda
Religião: Estudante da Bíblia
Sonho: Atingir a vida eterna