Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Em termos futebolsticos frica eleva performances"

Srgio V. Dias - 17 de Janeiro, 2010

Abel Campos afirma que Angola pode fazer frente a qualquer uma das seleces presentes no CAN-2010

Fotografia: Jornal dos Desportos

Abel Campos, antigo jogador do Petro de Luanda e da Selecção Nacional de Honras, disse, em entrevista ao "Jornal dos Desportos", que o futebol africano está a elevar as suas performances pouco a pouco. De acordo com atleta que também já envergou a camisola do Sport Lisboa e Benfica, a Taça de África de Nações – Orange´2010, que Angola alberga desde o passado dia 10 do mês em curso, constitui uma grande vitória para o país. No essencial da análise feita em torno desta XXVII edição da grande cimeira do futebol continental, Abel Campos aponta algumas selecções com estatuto de mundialistas como sérias candidatas a conquista do certame, "mas Angola, não simplesmente pelo facto de ser o país organizador, mas acima de tudo pelo futebol que apresenta hoje", como ressalta, "pode fazer frente a qualquer outra selecção do continente e surgir no pódio desta edição do CAN".

É, enfim, a crença de um homem que já fez o delírio dos adeptos dos Palancas Negras em vários estádios de futebol, quer em Angola, quer além fronteiras. Jornal dos Desportos – Que avaliação faz da disputa dessa primeira fase da XXVII edição da Taça de África das Nações, que o nosso país alberga. Abel Campos – É um campeonato que está ser disputado no nosso país e isto para nós já representa uma grande vitória. Em termos futebolísticos está patente que a África está a elevar as suas performances pouco a pouco. Acredito que a série “A”, em que Angola está inserida, é muito disputada, tanto é assim que conta também com um mundialista, no caso a Argélia. Não obstante terem-se apresentado mal no primeiro jogo, os argelinos não deixam de ser um sério candidato à conquista do ceptro.

JD – E sobre a Selecção Nacional o que é se lhe oferece a dizer.
AC – Angola tem como objectivo primário a qualificação a fase seguinte. O conjunto tem as condições todas criadas para o efeito. A Selecção Nacional só depende de si mesmo para se qualificar a segunda fase da Taça de África das Nações – Orange´2010.

JD – Comentários acerca de algumas equipas apontadas como candidatas ao título que entraram da pior forma neste competição.
AC
– Tivemos nestes primeiros jogos algumas surpresas. Os Camarões perderam com o Gabão, a Nigéria com o Egipto, o Ghana com a Côte d’Ivoire. São equipas candidatas ao título que perdem logo na primeira esquina, mas ainda assim, não se descarta de todo a possibilidade de inscreverem o seu nome na segunda fase. Angola, por exemplo, foi também surpreendida pelo Mali, pois depois de estar com uma margem confortável de 4-0, a 11 minutos do fim do desafio viu o seu adversário a empatar. Enfim, tudo isso demonstra que algumas equipas, tidas como de escalão inferior, estão a organizar-se e também vão subindo gradualmente em termos de

performances. Portanto, neste Campeonato Africano das Nações (CAN) desfilam as dezasseis melhores selecções do continente e fruto disso fica difícil apontar este ou aquele conjunto como sendo o mais forte ou eventualmente o mais fraco. Desse modo, isto também serve de pressuposto para dizer que o futebol africano está a evoluir. Noutros tempos falava-se mais do futebol camaronês, ivoiriense, nigeriano, mas hoje, o desporto-rei conhece grande evolução a nível de outros países do continente africano, sobretudo por emergirem neles bons executantes. Prova disso, está por exemplo na surpreendente goleada do Malawi sobre a Argélia, uma selecção apontada como das mais fortes do continente e com estatuto de mundialista. Tudo isto faz parte das contingências do futebol.

JD – Que selecções são, na sua óptica, as mais sérias candidatas à conquista desta XXVII edição da Taça de África das Nações.
AC –
Normalmente esta competição tem os seus crónicos candidatos. Posso, eventualmente, apontar alguns mundialistas como Camarões, Nigéria, Côte d’Ivoire, Ghana, Argélia, Egipto, Tunísia, como candidatos, mas pelo nível que hoje outras selecções do continente vão apresentando poderá haver surpresas. Julgo que o melhor é ver para crer, dado ao facto de que o futebol é uma "caixinha de surpresas".

JD – E a Selecção de Angola fica de fora dessa senda dos eventuais candidatos à conquista do certame.
AC
-  É lógico que não. Quem organiza sempre espreita a vitória, mas futebolisticamente tem que ter capacidade em campo. Jogamos em casa e temos a nosso favor a avalanche de adeptos a emprestar o seu calor, aspecto esse que pode ajudar para a consolidação desse desiderato. Enfim, estou a crer que, Angola pelo futebol que apresenta hoje pode fazer frente a qualquer outra selecção do continente e surgir também no pódio desta edição do CAN.

Abel Campos aponta receita para o jogo Angola – Argélia
Última Jornada da 1ª Fase-Jogadores têm que seguir disciplinarmente as orientações do técnico da selecção 

Abel Campos antiga estrela do futebol angolano, em entrevista ao Jornal dos Desportos, apontou aquela que julga ser a receita para o jogo Angola – Argélia e que pode levar o combinado nacional a inscrever o seu nome na segunda fase desta Taça de África das Nações, que o país vai albergar até 31 do corrente mês. O antigo craque do Benfica de Portugal e da Selecção Nacional sublinha a necessidade de os jogadores angolanos se apresentarem disciplinarmente bem e cumprirem à risca as orientações do seleccionador nacional Manuel José.

É uma voz da experiência e que, à semelhança de outros angolanos, mantém a crença na qualificação dos Palancas Negras para a outra fase desta grande cimeira do futebol africano. "Julgo que esta é a melhor receita para este desafio que pode ditar a nossa qualificação para a segunda fase", diz Abel Campos ao "JD", quando interpelado sobre o Angola – Argélia, agendado para segunda-feira próxima, no Estádio 11 de Novembro.

JD – Que receita aponta para o jogo com a Argélia, que pode definir a qualificação de Angola para a segunda fase do CAN, à partida um dos objectivos traçados para o conjunto?
AC
– Tivemos um percalço no jogo com o Mali, que na minha óptica já está ultrapassado. Foi uma falha cometida, mas que de seguida se corrigiu com a vitória sobre o Malawi, pois é com os erros que se apreende. Mas, enfim, se os jogadores tacticamente se apresentarem disciplinarmente bem e se seguirem à risca as orientações do treinador Manuel José, obviamente, Angola encontrará as primeiras premissas para construir um bom resultado frente à Argélia e, por conseguinte, inscrever o seu nome na segunda fase do Campeonato Africano das Nações.

JD – O facto de a Argélia também entrar para este jogo com hipóteses de se qualificar não pode aumentar o grau de dificuldade para Angola?
AC
– Penso que não há muito que fugir pois Angola, da mesma maneira como defrontou o Mali e o Malawi, terá de enfrentar a Argélia. Portanto, a Selecção tem de entrar para o jogo com os argelinos com o claro propósito de ganhar. Julgo que esta é a melhor receita para este desafio que pode ditar a nossa qualificação para a segunda fase.

"O Djalma tem cumprido com brio
o seu papel na Selecção Nacional"


As performances que Djalma Campos, jogador do Marítimo de Portugal, vem efectuando também mereceram comentários de Abel Campos na entrevista concedida ao "Jornal dos Desportos". No pronunciamento feito sobre a carreira desse jogador, o nosso interlocutor sublinha que o "jogador vem fazendo boas exibições e cumpre com brio o seu papel nos Palancas Negras". Enfim, é como se costuma dizer; "tal pai, tal filho".

Jornal dos Desportos – Os slogan’s "tal pai, tal filho" ou "filho de peixe é peixe" ajustam-se às performances que o seu progenitor vai fazendo nos Palancas?
Abel Campos
– O Djalma é melhor que pai (risos)... É um jogador que vem fazendo boas exibições e penso que tem cumprido com brio o seu papel na Selecção Nacional. Portanto, quando se é chamado para os serviços da Selecção Nacional deve sentir-se o peso e a responsabilidade de envergar a camisola. Nesse aspecto, não tenho dúvida alguma que o Djalma tem procurado juntar o útil ao agradável. Enfim, quando representamos a nação temos que pôr tudo ao dispor desta. Mais de que nunca, isto é o que o rapaz está fazer, o que é bom para mim, bom para nação e para ele mesmo, porque este Campeonato Africano das Nações (CAN) é um espelho e representa uma porta que se abre para futebol a nível do mundo.

JD – Fala-se que alguns “colossos” do futebol português estão a cobiçar Djalma Campo. O que representa isto para si?
AC
– É normal que isso aconteça num campeonato, como é português que eu considero muito competitivo, pese embora haja vozes discordantes. Essas cobiças de que se refere, modéstia parte, resultam das qualidades futebolísticas que o jogador vai demonstrando e que o podem catapultar para a ribalta. Isto pode ser uma mais valia na sua carreira.

JD – Como pai do atleta, isso enche-o de orgulho?
AC
– Naturalmente. Mas, como se tratam de algumas negociações, podem surgir outras coisas pelo meio. Podem surgir entraves, pese embora eu prefira colocar o cepticismo de parte. Mas, para mim, o melhor mesmo é esperar pelo que der e vier.

JD – Tem aconselhado o Djalma?
AC
– Converso muito com o meu filho. Como não podia deixar de ser estou ao ocorrente de tudo o que se prende com a carreira dele.

JD – Que espera da carreira futebolística do seu filho?

AC –
Espero que ele, como bom profissional que é, eleve cada vez mais as suas qualidades. Que aumente os seus níveis em termos futebolísticos e acima de tudo que seja um jogador para todas as encomendas.

Antigo jogador lamenta
incidente com os togoleses

Jornal dos Desportos – Que comentário faz acerca do Grupo "B", onde o Togo se viu forçado a desistir pela acção terrorista de que foi alvo e que culminou com a morte de dois dos membros sua comitiva em Cabinda?
Abel Campos
– É mau o aconteceu com a comitiva do Togo, em Cabinda, não só para o desporto mas para imagem do país e da própria competição. Em consequência do incidente que esta selecção viveu, o Grupo “B” ficou reduzida às equipas da Côte d´Ivoire, Ghana e Burkina Faso. O mesmo foi apontado como "grupo da morte", por constar nele duas selecções mundialistas e sérias
candidatas ao título deste CAN. Mas repara-se que, em função da desistência do Togo, cada uma delas fará apenas dois jogos e o Ghana, nesse caso, fica numa situação complicada porque após ter perdido com a Côte d´Ivoire está condenado a vencer o Burkina Faso no jogo de terça-feira. Caso perca ou empate, fica, automaticamente, arredado de chegar à outra fase. Enfim, são contingências de provas eliminatórias e o que nos resta é esperar pelo desfecho desta última partida deste Grupo "B".