Jornal dos Desportos

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Reportagens

Equipa do Atlético do Namibe renovada em noventa por cento

09 de Junho, 2010

Equipa foi renovada na ordem de noventa por cento

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Atlético do Namibe participa na "Segundona" deste ano com vontade de se apurar ao Girabola-2011. Os desaires dos anos passados fazem aparte do passado, dai a vontade de ascender à Primeira Divisão, que é a ambição da direcção, dos atletas e de toda a massa associativa.

Os erros cometidos em épocas anteriores, na óptica do director geral da agremiação petrolífera, Rui David, deveram-se ao facto de o futebol ser uma"caixinha de surpresas", no qual três resultados são possíveis (empate, vitória e derrota), sendo que o Atlético obteve os mais negativos, facto que inpediu a ascensão à Primeira Divisão."Vamos lutar para regressar ao Girabola", disse Rui David.

Apesar do desaire na época passada, a dupla técnica Jean Claude Kenzo e Joaquim de Sousa, mereceu a confiança da direcção, pois esta não viu culpa por parte dos técnicos.A direcção achou por bem dar aos técnicos mais uma oportunidade, na medida em que a primeira época sempre é experimental e de adaptação às novas funções, factores estes que pesaram muito para um melhor desempenho do corpo técnico, sobretudo no que toca à absorção dos fundamentos técnico-tácticos por parte dos atleta.

A intenção é que, nesta época, a equipa cumpra com os propósitos da direcção do clube que passam, essencialmente, pela ascensão ao Girabola-2011.No capítulo administrativo, a direcção desdobra-se no sentido de criar todas as condições para que os atletas e a equipa técnica trabalhem sem sobressalto na presente temporada e para que os resultados sejam melhores, comparativamente à época passada, catapultando o conjunto à prova maior do futebol nacional.

Assim sendo, para este ano, a direcção fez novas aquisições, que estão em período de observação.Rui David garantiu que, por proposta da equipa técnica, grande parte dos atletas que representaram as cores do clube na época passada já não fazem parte do grupo, isto na ordem de noventa por cento. Há muitas caras novas, provenientes do Petro e Benfica do Huambo, 1º de Maio, de equipas de Luanda, Cabinda, da Huíla e alguns que actuam no presente Girabola.David recusou-se a avançar nomes, prometendo fazê-lo em próximos desenvolvimentos.

Cepticismo no seio dos adeptos

O cepticismo quanto a ascensão do Atlético do Namibe à Primeira Divisão paira, maioritariamente, na mente dos dirigentes, desportistas e amantes do futebol nestas paragens.Narciso da Costa, director provincial dos desportos, é de opinião que o fracasso das épocas anteriores teve a ver com a falta de organização administrativa e de um trabalho mais profundo para que o Atlético alcance os seus objectivos.

"Apoiamos no sentido de ajudar o nosso único representante a ascender à Primeira Divisão para o bem do desporto namibense e de todos os que gostam de futebol", conta.António Júnior, adepto ferrenho do Atlético do Namibe, tem tempo e paciência de acompanhar os treinos do seu clube do coração e, por isso mesmo, esta época não o quer ver a perder pontos em casa.

"No ano antepassado, estávamos à beira da subida, não fosse a derrota, em casa, frente ao Recreativo da Caála.No ano passado, os erros repetiram-se e voltámos a perder, com Benfica do Lubango e com o Petro do Huambo, e ficamos arredados do Girabola-2010", desabafa.

Trinta anos de história

Fundado a 25 de Fevereiro de 1980, o então Sonangol do Namibe teve como pontos altos o terceiro lugar no Girabola-97. Naquela altura, a equipa era liderada por Zeca Amaral, actualmente no corpo técnico da Selecção Nacional de Honras.Minhas, Yaba, Cabongo, Cangato, Zé Pereira e outros nomes sonantes naquela altura, conquistaram a Taça de Angola, em 2001, com o mesmo técnico.
Já com denominação de Atlético do Namibe, em 2003, com Romeu Filemon à frente, voltaram a conquistar a prova.

A equipa tinha como estrelas Costa, Totó, os Guarda-Redes Ntumba e Dodo.Avaliando aquilo que é o estado do futebol na província, Rui David considera, de maneira geral, existirem já existem sinais de melhoria."Anos atrás não tivemos provas em juniores, juvenis e o Girabairro, mas na época passada notou-se a vontade dos jovens em praticar a modalidade. Para este ano, a prova vai contar com mais dois filiados, o Sporting e o Ferrovia, o que denota o crescimento do número de equipas na província”, conclui o director geral do clube.

Direcção pretende corrigir erros do passado 

"Esta época temos muitos jogadores novos e parte deles mostra qualidades para estar no grupo de trabalho.Mantemos a equipa técnica, pois conhecemos o valor dos prováveis adversários como são os casos de 1ºde Maio, Nacional de Benguela, Cacuvas do Cunene e representantes do Huambo”, diz Francisco Gaspar, o presidente do clube, ao dissertar sobre os compromissos futuros da equipa de futebol.

"Vamos trabalhar, a pensar em nós e nos nossos propósitos, para que, nas contas finais, sejamos vitoriosos", acrescenta.
Para alcançar tal desiderato, a direcção conta com a ajuda do público e de todos os que amam o clube, garantindo que, da parte da mesma, tudo será feito para que este ano as coisas corram bem.

Financeiramente, o clube conta com o mesmo patrocinador, a Chevrom Texaco, que disponibiliza 600 mil dólares anuais.
Em 2008, o governo da província responsabilizou-se do pagamento dos salários e prémios de jogos aos atletas e à equipa técnica, durante alguns meses, mas, nas últimas épocas, a agremiação depende exclusivamente do "sponsor".

Destinado ao pagamento de salários, contratos de novos valores e outros fins administrativos, a dotação financeira da Chevrom está longe de satisfazer as necessidades do clube, mas o director Rui David garante que "serve para minimizar algumas carências e cumprir com os propósitos estabelecidos pela direcção para a presente época, sobretudo se a ela juntar-se o modesto apoio do Governo da Província, através da Direcção da Juventude e Desportos".

Por outro lado, a falta de pessoal efectivo continua a ser uma das dificuldades que aflige a agremiação, já que, antigamente, haviam funcionários que participavam na vida do clube, por amor. Hoje, a realidade é outra.Não existe"pessoal qualificado, principalmente na área administrativa, situação que preocupa à direcção, já que, segundo o presidente do clube, "o material humano existente não garante a materialização dos propósitos da colectividade"."Tentamos recrutar pessoal para funcionar em tempo integral, mas não tem sido fácil. Sendo assim, vamos contar apenas com os que já temos", revela Francisco Gaspar.

Reabilitação da sede
dá outro visual à agremiação


A reabilitação da sede o Clube Atlético do Namibe, que conta agora com um salão de festas, um restaurante e outras divisões, constitui fonte de receita, a par da dotação que a empresa petrolífera Chevron disponibiliza.O homem forte da agremiação petrolífera das terras da Welwtchia Mirabilis, Francisco Gaspar, é de opinião que o clube não pode apenas viver de patrocínios, mas também apostar em fontes de obtenção de receitas.

Em termos de infra-estruturas não é tudo.O Pavilhão Multiuso está em bom estado para a prática das modalidades movimentadas no clube, sobretudo o andebol e o basquetebol, estando em fase de negociação a prática do hóquei em patins."Esta é uma questão que está a ser vista entre a associação de hóquei em patins e a direcção do clube", explica.

A vedação do Estádio Joaquim Morais é um facto, mas há o senão do público amante do"desporto rei" conservar o hábito de não pagar ingressos, situação que aflige a direcção, esta que incansavelmente passa a mensagem à população no sentido de pagar as entradas, acção que, de certa forma, ajudaria a suprir algumas carências.

"O público gosta de futebol, mas não paga bilhetes para assistir aos jogos.Pagar seria uma forma de ajudar o clube.Os valores são pequenos, mas servem para suprir algumas carências", diz o presidente de direcção.Na mesma senda, Gaspar apela aos adeptos, simpatizantes, à massa associativa do clube e aos amantes do futebol da província a estarem com o Atlético do Namibe, já que "sentimos, de um tempo a esta parte, um distanciamento destes em relação aos problemas do clube", revela.
"É necessário que não olhem para a direcção como os únicos responsáveis. Todos devem contribuir com ideias para o melhoramento do Atlético, que é de todos nós ", acrescenta.

Minhas cuida dos
escalões de formação


No capitulo da formação, o antigo internacional Manuel dos Santos Dias "Minhas", que durante muitos anos representou clubes como o Nacional de Benguela, o Petro de Luanda, o Independente do Tômbwa e o Atlético do Namibe, clube onde terminou a carreira futebolística há cinco anos, passa aos petizes a sua experiência.

Minhas beneficiou, no ano passado, de um curso de Nível I, na República do Brasil, e está nesta altura à testa das escalões jovens do Atlético do Namibe.Conhecido pelos amantes do futebol pelos dribles estonteantes que fazia, Minhas garante à nossa reportagem que abrasou o projecto por nutrir grande paixão por crianças.

"Sempre desejei trabalhar com jovens.Talvez por ter passado por todas as etapas de formação. Acredito que, com o apoio de todos, assistamos ao surgimento de grandes vedetas",sustenta.

Há alguns anos vinculado ao Atlético, antes como atleta e agora como treinador, Minhas só pensa em cumprir com o projecto na íntegra."Gosto de trabalhar aqui. Estou na cidade do Namibe há algum tempo e fiz grandes amizades",sustenta a afirmação.