Jornal dos Desportos

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Reportagens

Esgrimas procura de lugar ao sol

Joo Francisco - 06 de Abril, 2010

Esgrimistas fazem demonstraes de vez em quanto

Fotografia: Jornal dos Desportos

Ao que sabemos, a esgrima é praticada em Angola desde 11 de Novembro de 2008, altura em que um grupo de amigos se reuniu, numa das salas do Comité Paralímpico Angolano (CPA), para criar a Comissão Dinamizadora para a Modalidade de Esgrima (CIESGA).
Noves fora alguns artigos saídos no Jornal dos Desportos, o primeiro a 12 de Novembro, dando à estampa a constituição da CIESGA e o outro a 23 do mesmo mês, em que a CIESGA fez uma exibição, no complexo da Federação Angolana de Ténis de Mesa, em que se fez a apresentação do equipamento utilizado neste desporto, pouco ou nada se vê da esgrima no país.

Com sede provisória na Academia Olímpica, os seus praticantes utilizam, todos os sábados, o ginásio do Puniv Central, no perímetro do ISCED, para fazer os seus "alongamentos". Fazem também no local os estágios pré-competitivos, acreditando que um dia chegará a sua hora para se apresentarem oficialmente, a fim de hastearem a bandeira de Angola ao mundo para mostrarem que existem de facto.

De resto, foi a 19 de Janeiro de 2009, que do Gabinete do Director Provincial da Juventude e Desportos, António Rosa, saiu o despacho, autorizando a Comissão Dinamizadora de Esgrima, a exercer as suas funções com a seguinte constituição: Domingos Pedro Pascoal (coordenador), Aida Guilherme Pereira (coordenadora adjunta), José Álvaro, Sílvia Marisa Rosa Mateus e Carla Pedro Pascoal (com o membros fundadores).

No seu manifesto, os mentores do surgimento da modalidade em Angola, justificam que "o desporto contemporâneo revela-se como um verdadeiro fenómeno com um peso social imbatível, possíveis de promover e divulgar a esgrima, proporcionando a juventude angolana uma oportunidade de aprender a cooperar e a competir saudavelmente, incrementando a sua capacidade de respeito pela sociedade em que está inserida".

Defendem ainda que, como outras modalidades desportivas nacionais, a esgrima não é de todo uma modalidade desconhecida pelos angolanos. "É sim um desporto que ao longo dos anos ainda não teve a sua oportunidade generalizada". Muitos jovens angolanos na diáspora praticam esgrima na esperança de um dia representarem as cores nacionais.

Incentivos continuam a surgir


Ao que soubemos, não faltam apoios para incentivar o surgimento da esgrima em Angola. Neste particular, destacamos o dado pelo professor Frederico Oliveira, um jovem de nacionalidade portuguesa, ex-praticante e ex-treinador da modalidade, que está em Luanda fruto das suas actividades profissionais. A par de António Barata, outro "carola" da modalidade, foram os primeiros "patrocinadores", oferecendo o material que permitiu o arranque do projecto.

Apadrinharam, igualmente, o projecto, desde as primeiras horas, o ex-presidente do Comité Olímpico Angolano e actual director da Academia Olímpica, Rogério Silva, e o chefe do departamento do Desporto Federado da Direcção Nacional dos Desportos, Moisés Graneira.

Rogério Silva, dono de uma vasta experiência no que toca ao dirigismo desportivo, particularmente em modalidades individuais, tem sido o principal conselheiro da organização.O Comité Paralímpico Angolano (CPA) também tem sido uma das instituições que ajuda. Desde a primeira hora, apoiou as iniciativas do grupo inovador de jovens que abraçaram o surgimento da modalidade.

Insuficiência de material
dificulta formação eficaz


O coordenador da Comissão Dinamizadora para a Modalidade de Esgrima, Domingos Pascoal, disse ao Jornal dos Desportos que se espera para breve a realização de um curso para formadores da modalidade."Estamos a consolidar o grupo para, quando tivermos mais equipamentos, fazermos uma acção formativa que será para futuros formadores.

Uma primeira acção será para encontrar um grupo de jovens que continuarão o trabalho iniciado pelos professores Frederico Oliveira (parte técnica) e pela professora cubana Yem Arena, que ficará mais tempo para trabalhar na detecção de talentos das futuras selecções nacionais", explica.

A grande preocupação de momento do grupo, segundo o coordenador, passa pelo material, de que muito necessitam para continuar o trabalho iniciado. Neste momento, o grupo conta apenas com duas espadas e um florete, duas máscaras e dois gilet eléctrico (T-shirt metálica).

Para um normal funcionamento, os esgrimistas necessitam urgentemente de, no mínimo, dez equipamentos por especialidades e, se tivermos em conta que a esgrima tem três especialidades, designadamente o florete, espada e o sabre, são necessários, no mínimo, 30 pares de equipamentos para se trabalhar de forma confortável.

Extensão às províncias está na agenda

A longo prazo, o grupo vai tentar criar, até 2012, a primeira Federação Angola de Esgrima, que poderá estar inserida numa federação pluridesportiva.Com o material pretendido, a esgrima deve expandir-se, numa primeira fase, às províncias do litoral.

 A começar pelo Kwanza-Sul, que já deu sinais de abertura para a modalidade, e passar a contar com duas ou três províncias onde juventude mostrar vontade de aprender o ABC da espada, sabre ou florete, as três especialidades da esgrima.
As necessidades das três especialidades que compõem a esgrima estão descritas nos quadros seguintes:

Aparecer no dia do COI

A Comissão Dinamizadora para a Modalidade de Esgrima pretende sair à rua em Junho, por ocasião do Dia do Comité Olímpico Internacional, que se assinala a 23 desse mês, com as condições que tiver no momento, para fazer uma competição a título demonstrativo e de exibição do seu equipamento.

A intenção é, com maior ou menor dificuldade, apresentar o trabalho efectuado até a essa altura. Naturalmente, o grupo contará com o apoio do Comité Olímpico Angolano e com outras instituições que a apoiaram sempre e aqueles que já se prontificaram a apoiar daqui para a frente.

Com o Ministério da Juventude e Desportos, através da Direcção Nacional dos Desportos, o grupo conseguiu um acordo de, em princípio, a modalidade passar a ser vista como um desporto de recreação e daí evoluir para o espaço que realmente merece, em função do trabalho do grupo.