Jornal dos Desportos

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Reportagens

Especial-Raikkonen magoado com a Ferrari

19 de Dezembro, 2009

Estreia vitoriosa na Ferrari

Fotografia: AFP

Em 10 de Setembro, o maior Banco da Espanha assinou um contrato de cinco anos com a Ferrari. Exactamente, 20 dias depois, as especulações iniciadas há dois anos foram confirmadas, e Alonso foi anunciado oficialmente como ferrarista, em manobra que provocou a rescisão antecipada numa época com Raikkonen.
Agora, o piloto do Campeonato Mundial de Rali (WRC), o finlandês nem tem muito a lamentar com a decisão, já que admite estar a receber mais dinheiro dos antigos chefes sem defender uma outra equipa da Fórmula-1. Mesmo assim, considera ter sido tratado injustamente após se ter sagrado campeão, em 2007, e vencido uma corrida e garantido outros quatro pódios ao volante de um carro apenas razoável em 2009.
“Você tem de perguntar os motivos às pessoas que tomam decisões. Não sei!", exclamou em entrevista à revista londrina "Autosport". "Ao final não estou interessado em quando ou porquê. Tenho a certeza de saber a resposta e não tem nada a ver com automobilismo ou algo que fiz lá. Quando há dinheiro envolvido, sempre se pode mudar qualquer coisa. Acho que tem muito a ver com a chegada do Santander. Provavelmente fizeram um acordo”.
Em 2007, a contratação de Alonso pela McLaren já havia motivado o patrocínio entre o Banco e a escuderia britânica. As Flechas Prateadas estamparam o logotipo da empresa espanhola mesmo após a saída do piloto e isso vai continuar a acontecer também na próxima época.

MUDANÇA DEFINITIVA
PARA RALI EM ESTUDO

Se for bem, Raikkonen vai estudar uma mudança definitiva para o rali. O contrato assinado entre Kimi Raikkonen e a equipa “B” da Citroen, chamada de Red Bull Junior, para o Campeonato Mundial de Rali (WRC) é válido por apenas um ano. Isso não significa, porém, que obrigatoriamente o piloto vai voltar à Fórmula-1 em 2011, sendo que estuda mudar de categoria de forma definitiva.
A princípio, as declarações dos agentes de Kimi Raikkonen indicavam que a intenção do finlandês fosse apenas experimentar uma época no WRC, enquanto não tinha à disposição um carro para lutar pelo título na Fórmula-1.
Em entrevista à revista “Autosport” desta semana, o campeão mundial de 2007 negou a existência dessa cláusula no seu acordo.
“Se for, tudo bem, poderia continuar a fazer isso”, especulou. “Não tenho contratos com a F-1 ou outros, então não tenho ideia do que vai acontecer. Tenho ambas as opções e estou sem pressa para decidir. Talvez volte no ano que vem ou depois, talvez não”, emendou, bastante misterioso.
Dispensado pela Ferrari com uma época de antecedência para abrir espaço a Fernando Alonso, Raikkonen não chegou a um consenso com McLaren e Mercedes GP, que na época ainda se chamava Brawn. Confirmando especulações, admitiu que, segundo a sua rescisão com a escuderia italiana, receberia menos dinheiro caso seguisse na Fórmula-1, mas garantiu que esse contexto não foi essencial.
“Poderia ter assinado com a McLaren, mas ao final não seria 100 por cento o que queria. A questão não era tanto dinheiro, mas sim todas as outras coisas. Não tenho por que fazer um contrato com o qual não estou feliz”, analisou.
Sobre a BrawnGP, o finlandês argumentou que não queria “ficar à espera por muito tempo” e que já havia começado a conversar com a Red Bull visando a uma vaga no rali.

Diálogo com Alonso
vai dominar a época


O brasileiro Felipe Massa disse, em entrevista ao jornal “Gazzetta dello Sport”, que vai ter mais diálogo com o espanhol Fernando Alonso do que tinha com o finlandês Kimi Raikkonen, seu companheiro nos últimos dois anos.
“Seguramente vai existir mais diálogo. Kimi não falava, era muito fechado”, disse o brasileiro, que ainda deu um conselho ao seu novo companheiro. “Tem de se concentrar para fazer com que o carro novo nasça com boas condições”, disse.
Até ao início da época, com o GP de Bahrein no dia 4 de Março, a previsão de Massa é de muito trabalho. O brasileiro ainda tem na mente os erros cometidos pela equipa em 2009.
“Nos últimos três anos tivemos muitos problemas. Temos de trabalhar para os evitar, esperando começar um com carro ideal”, completou.

Estreia vitoriosa na Ferrari
catapultou Kimi para o título

Kimi-Matias Raikkonen nasceu na cidade de Espoo, Finlândia, no dia 17 de Outubro de 1979. É um automobilismo finlandês que compete na Fórmula-1. Foi campeão mundial pela Ferrari em 2007, além de ter sido vice-campeão em 2003, 2005 e 2005 pela McLaren.

INÍCIO DA CARREIRA
Kimi Raikkonen vem de origens humildes. O seu pai conduzia um tractor e a sua mãe trabalhava num restaurante. O garoto tinha como sonho pilotar carros, mas não lhe era possível devido às condições financeiras da sua família.
Paula e Matti, pais de Kimi Raikkonen, estavam a juntar dinheiro para construir um banheiro, já que na sua residência não havia banheiro, mas, surpreendidos pelo grande sonho do filho, decidiram comprar um kart e presentearam-no.
Aos oito anos de idade, começou a conduzir carros de kart e, no ano seguinte, entrou nas primeiras provas e alcançou bastante sucesso nas provas na Finlândia e internacionalmente. Em 1999, foi campeão finlandês de kart.
Aos dezanove anos, mudou-se para Inglaterra e fez um teste nos monolugares da Fórmula Renault inglesa. Logo em 1999, Raikkonen ganhou as quatro provas das séries de inverno, ao correr com um Fórmula Renault da equipa Manor Motorsport.
No ano seguinte, manteve-se na mesma formação e triunfou em sete das dez provas do troféu britânico, chegando ao título da categoria. Participou ainda em três provas do Campeonato Europeu de Fórmula Renault, das quais ganhou duas. Estes bons resultados chamaram a atenção dos responsáveis da equipa de Fórmula-1 Sauber. Assim, o piloto fez alguns testes com bons resultados no circuito italiano de Mugello e Peter Sauber decidiu contratá-lo para a temporada seguinte.

SAUBER
Raikkonen, com apenas vinte e um anos de idade, iniciava a sua carreira na Fórmula-1. Com apenas vinte três corridas de monolugares no seu currículo, conseguiu a licença especial da Federação Internacional de Automobilismo. Logo na primeira prova do campeonato alcançou o sexto lugar.

MCLAREN
Em 2002, foi contratado pela equipa McLaren, onde correu até 2006 substituindo o seu compatriota e bicampeão do mundo Mika Hakkinen. Foi vice-campeão da época de 2003 com noventa e um pontos, ficando apenas a um ponto de impedir o hexacampeonato de Michael Schumacher.
Em 2005, foi novamente vice-campeão com cento e doze pontos e sete vitórias, sendo Fernando Alonso, campeão. Foi considerado por críticos de automobilismo e revistas o piloto mais rápido e melhor da época.
Em 2006, após um carro mal construído pela McLaren, Raikkonen não conseguiu nenhuma vitória e terminou o ano em quinto lugar com sessenta e cinco pontos.

FERRARI
Em 2007, Raikkonen foi o primeiro piloto desde Nigel Mansell, em 1989, a estrear pela Ferrari com uma vitória. Ganhou o Grande Prémio da Austrália, que abriu a época de 2007. E, após dois vice-campeonatos, o finlandês sagrou-se campeão mundial em 21 de Outubro de 2007, vencendo o Grande Prémio do Brasil, no autódromo de Interlagos.
Raikkonen era o que tinha menores oportunidades dentre os três pilotos que disputavam o campeonato: Lewis Hamilton e Fernando Alonso eram os mais cotados a levar o título, já que Kimi precisaria de uma combinação de resultados. Para se tornar campeão mundial de pilotos em 2007, Raikkonen contou com os erros cometidos pelo inglês Lewis Hamilton, que logo na segunda curva da corrida perdeu o controlo do carro, chegando a ficar na décima oitava posição, e pela estratégia adoptada pela Ferrari, que fez com que o filandês assumisse a liderança da prova, que era do brasileiro Felipe Massa na quinquagésima segunda volta.
Com a vitória, Raikkonen conquistou o seu primeiro título do campeonato mundial de pilotos e a consolidação da Ferrari como a líder mundial de construtores da Fórmula-1 em 2007. Com seis vitórias na época, mais do que os seus rivais Fernando Alonso e Lewis Hamilton da McLaren (quatro vitórias cada um) e de que o seu companheiro de equipa Felipe Massa (três), o campeonato terminou com cento e dez pontos para Raikkonen, com a diferença de apenas um ponto entre Hamilton e Alonso, que terminaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.
Já em 2008, actual campeão do mundo, até então, não alcançou muito sucesso; o seu carro, segundo a sua equipa, não se adaptava ao estilo de Raikkonen. Venceu apenas duas corridas, o GP da Malásia e o GP da Espanha, fazendo 75 pontos, e ficando em 3° lugar na época, muito abaixo do esperado, sendo o campeão Lewis Hamilton, da McLaren. Porém, Raikkonen, foi o recordista em voltas mais rápidas, sendo avaliado como o piloto mais rápido da época, e entrou para a história da Fórmula-1 por conquistar tantas voltas rápidas numa época e ao longo da sua carreira.
No Grande Prémio da Bélgica de 2009, disputado no dia 30 de Agosto, Kimi conquistou a sua primeira vitória na época e a décima oitava na carreira.

WRC
Em 4 de Dezembro de 2009, após infrutíferas negociações com Mclaren e com MercedesGP, a equipa oficial da Citroen no WRC (World Rally Championship) anuncia a contratação do finlandês para a disputa do campeonato mundial de 2010 pela equipa “Júnior” dos franceses.
Essa não será a primeira experiência de Kimi na categoria. No ano corrente, disputou o Rally da Finlândia, a bordo de um Fiat Punto S2000 da equipa de Tommi Makkinen, classificando em 3º lugar da sua categoria (N4), quando sofreu um acidente que impossibilitou a conclusão da prova.