Jornal dos Desportos

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Reportagens

Especial - Missões quase impossíveis

10 de Outubro, 2009

Ibrahimovic, Messi e Cristiano Ronaldo têm missões quase impossíveis de jogar na África do Sul

Fotografia: AFP

Actuar pelo Real Madrid ou pelo Barcelona, rodeado por alguns dos principais jogadores do momento, é algo relativamente fácil, se comparada à tarefa, bem mais difícil, de lutar por um lugar no Campeonato de 2010 com o uniforme de determinadas selecções que vão disputar, nos próximos dias, partidas decisivas pelas eliminatórias europeias.
Que o diga o atacante sueco Ibrahimovic. Na actual época, em transferência milionária que levou também o camaronês Eto’o para a Internazionale, Ibra transferiu-se para o Barcelona, onde ganhou colegas de trabalho como Messi, Henry, Iniesta, Xavi e Daniel Alves, entre outros craques.
Em companhia de coadjuvantes bem menos ilustres, os seus colegas de selecção sueca, Ibra entra em campo gohe, para um clássico regional, com ares de tudo-ou-nada, contra a Dinamarca, em Copenhaga, na penúltima jornada do grupo 1.
Os dinamarqueses lideram e asseguram a vaga directa em 2010. Para os suecos, o triunfo fora de casa seria crucial não só para se manter na briga pela liderança, mas também para chegar mais perto de garantir, ao menos a segunda posição, que levaria à repescagem, a ser disputada pelas oito melhores selecções entre os nove segundos colocados.
Na quarta-feira, as duas selecções vão disputar as suas derradeiras partidas pelas eliminatórias. A Suécia recebe a Albânia em Solna, enquanto a Dinamarca, novamente em Copenhague, enfrenta a Hungria (em quarto lugar, com os mesmos 13 pontos de Portugal, em terceiro). Teremos Ibrahimovic na África do Sul? A configuração do grupo sugere que, se ele estiver lá, Cristiano Ronaldo não estará, e vice-versa.
A missão quase impossível do craque português nos próximos dias envolve duas etapas. Em primeiro lugar, ele precisaria recuperar-se da entorse no tornozelo direito que sofreu nos 3-0 do Real Madrid sobre o Olympique de Marselha pela Liga dos Campeões, no último dia 30.
Se recuperasse condições de jogo, Ronaldo iria para o confronto complicadíssimo de sábado, contra a Hungria, no estádio do Benfica, pois, Portugal buscaria em Guimarães três pontos quase garantidos contra Malta, que não marcou nenhum golo (e sofreu 22) em nove jogos.
Uma improvável combinação de resultados ainda poderia levar os portugueses à vaga automática, mas a claque já ficaria imensamente feliz se houvesse a oportunidade de ir à repescagem.
A Itália deveria sacramentar a classificação no sábado, contra a Irlanda, em Dublin – bastaria um empate para garantir a liderança do grupo 8. Já a Alemanha precisaria bater a Rússia, em Moscovo, e ampliar para quatro pontos a vantagem sobre os donos de casa no grupo 4.
Um empate seria também óptimo resultado, pois os alemães receberão na última jornada a Finlândia, em Hamburgo. Eventual derrota em Moscovo, no entanto, deixaria a Alemanha a dois pontos atrás da Rússia, que vai depois até Baku para enfrentar o Azerbaidjão (um golo a favor e 13 contra em oito partidas), e provavelmente carimbaria a ida dos vice-campeões europeus para a repescagem.
Com Espanha, Inglaterra e Holanda já classificadas, as demais disputas mais acirradas por vagas envolvem os grupos 2 (com Suíça, Grécia, Letónia e Israel na briga) e 3 (indefinido entre Eslováquia, Eslovénia, Irlanda do Norte, República Tcheca e Polónia). No grupo 7, a Sérvia deveria carimbar o passaporte para a África do Sul, no sábado, contra a Roménia, em Belgrado, enviando a França para a repescagem.
Muita gente vai dormir mais tranquila na próxima quarta-feira, assim como haverá também muita gente com dificuldades para dormir por alguns dias, talvez semanas.
Messi, Tévez e Aguero vão estar no primeiro ou no segundo grupo?

Blatter desvaloriza ausências

Joseph Blatter, presidente da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) não pertence ao grupo dos que andam preocupados com as possíveis ausências de Portugal e da Argentina da fase final do Mundial’2010, na África do Sul, por aquilo que pode representar como impacto negativo numa competição sem Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, os dois melhores jogadores do Mundo.
"Em todos os Mundiais surgem sempre novas estrelas. A ausência de Cristiano Ronaldo e de Messi não vai afectar o Mundial’2010, mas sim prejudicar os próprios atletas”, desvalorizou o presidente da FIFA.


Cabeças de série só em Outubro


A FIFA confirmou que vão ser apontadas as cabeças-de-série para a repescagem europeia, que se vai seguir à disputa dos jogos previstos nos agrupamentos de qualificação para o Mundial’2010, como sucedeu em 2006.
As oito melhores selecções segundas classificadas nos nove grupos conhecem os adversários num sorteio a 19 de Outubro, com a definição dos cabeças-de-série a ser feita segundo o ranking de selecções da FIFA, o que afasta a possibilidade de confronto entre os melhores colocados, agora aflitos.

Scolari está esperançoso
na qualificação de Portugal

O antigo seleccionador de Portugal, Luiz Filipe Scolari, afirmou que "seria muito mau para Portugal não estar presente no Mundial’2010”. “Acredito na qualificação. Mas é algo que depende de outros resultados. Agora, é necessário esperar que a selecção faça bom resultado”, disse o actual técnico do Bunyodkor (Usbequistão), referindo-se ao encontro com Malta.
Scolari admitiu não ter ficado surpreendido com os resultados menos bons alcançados por Portugal, devido à qualidade do futebol praticado pela Dinamarca, que classificou de “adversária mais forte” da selecção das Quinas no grupo 1 de apuramento para o campeonato do Mundo, na África do Sul.
"Algumas posições na equipa continuam em dificuldades", continuou o treinador, defendendo quem quando orientava a equipa das Quinasm não lhe faltava nada. “No meu tempo, tive bons jogadores, como o Pauleta e o Nuno Gomes. Não me faltou nada. Faltou-nos, quem sabe, ser mais qualificados e ter melhor qualidade para vencer as competições em que estávamos envolvidos”, explicou.
Aliás, o treinador prevê que se Portugal não garantir a passagem para África do Sul, quem vai sofrer as consequências é a Federação Portuguesa de Futebol (FPF). “O presidente da FPF, Gilberto Madaíl, costumava fazer grandes convocações ao seus funcionários no sentido de que, se não estivéssemos num campeonato da Europa ou do Mundo, os prejuízos seriam imensos e poderiam afectar alguns membros da Federação”, recordou, acrescentando que "não gostaria de ver ninguém sem trabalho".

"QUEIROZ FAZ
O QUE PODE"


Quanto ao actual seleccionador nacional, Carlos Queiroz, Scolari defende que este tem feito o seu melhor trabalho: “Ele faz o que pode e não se pode classificá-lo de bom ou mau treinador. Cada técnico faz o seu melhor numa selecção ou num clube e Queiroz não é diferente”.
Para o brasileiro, este é um “momento de união” para o País: “Os portugueses devem ajudar a sua selecção. Todos devem saber quais as dificuldades que a equipa vai enfrentar nesses dois jogos. Portugal deve estar unido em torno da selecção, pois nunca se sabe se não conseguem o 2º lugar do grupo”.
O ex-seleccionador, que comandou a equipa das Quinas durante cinco anos, admitiu: “Adorei trabalhar em Portugal, mas não penso voltar à Selecção”.
Scolari rebateu ainda as críticas sobre não ter “deixado” um lateral-esquerdo de herança: “Fiquei surpreendido, porque não sou mágico. Não sou eu que faço o jogador. Têm de existir jogadores para as posições”.

Peruanos queriam "mala branca"
para vencer selecção de "El Pibe"

Vários jogadores da selecção peruana estariam dispostos a receber incentivos económicos - a chamada "mala branca" - para derrotar a Argentina, hoje, nas eliminatórias para o Campeonato do Mundo de 2010, informou a imprensa desportiva local.
Em último lugar na tabela e sem oportunidades de se classificar, os peruanos poderiam atrapalhar os planos dos argentinos e lutariam para conseguir uma das quatro vagas directas para o Mundial.
“Contra o Uruguai, já haviam comentado que poderíamos receber alguma quantia, mas nada nos foi dito. Se agora houver algo, que nos avisem por favor", afirmou o meio-campista Roberto Palacios.
Declaração parecida foi dada por Amilton Prado ao jornal "El Bocón". "Se o incentivo é para que ganhemos, não há nada de errado", disse o lateral-direito.
O guarda-redes Leao Butrón também viu com bons olhos o possível pagamento do que a imprensa peruana já chama de "bolsita". "Sim, aceitaria, e isso não pioraria o meu rendimento em campo, porque na hora de jogar não se pensa no dinheiro, mas em fazer um bom trabalho".
Por sua parte, o atacante Johan Fano afirmou que jogar contra a Argentina já é um incentivo suficiente.
“Para a nossa selecção, qual incentivo poderia ser melhor do que actuar pelo Peru contra um grande rival, num estádio lotado a torcer contra nós?”, questionou.
O atacante, autor do golo que deu o empate ao Peru contra a Argentina na primeira partida entre as selecções nessas eliminatórias, havia dito que o árbitro boliviano René Ortubé, que dirigiu o encontro de ontem seria a sua maior preocupação.
"Não temo os 60 mil argentinos que torcem pela equipa de Maradona. O único que me preocupa é o árbitro", afirmou.