Jornal dos Desportos

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Reportagens

Estádios do Mundial estão com obras atrasadas

15 de Dezembro, 2010

O prazo estipulado pela FIFA para a conclusão dos estádios do Campeonato do Mundo do Brasil termina em Dezembro de 2012.

Fotografia: AFP

O prazo estipulado pela FIFA para a conclusão dos estádios do Campeonato do Mundo do Brasil termina em Dezembro de 2012. O andamento das obras, no entanto, sugere que poucas arenas ficam prontas daqui a 24 meses. O tempo de construção dos estádios dos Mundiais de 2006 (Alemanha) e 2010 (África do Sul) ajuda a constatar o óbvio: a preparação das 12 cidades-sede caminha a passos lentos.

A reforma do Olímpico de Berlim, que levou 48 meses, é um bom exemplo para a comparação (as obras começaram em Julho de 2000 e estenderam-se até Julho de 2004). As intervenções no estádio alemão, erguido em 1936, assemelham-se às do Maracanã, construído em 1950, e do Mineirão, que é da década de 60. Assim como em Berlim, os dois estádios brasileiros vão passar por grandes mudanças estruturais, mas preservam a fachada já em decadência.

Maracanã e Mineirão entraram na fase de obras pesadas na metade de 2010. Teriam, portanto, 32 meses para a conclusão. Em Fortaleza, a situação é ainda pior. A cidade é candidata a uma das semi-finais da competição e as obras internas do estádio Castelão, que terá capacidade para 66 mil espectadores, começam apenas em Março de 2011.

"24 Meses"
O cenário da preparação brasileira contraria o optimismo do secretário-geral da FIFA, Jerome Valcke. Segundo ele, a única preocupação no país é com os aeroportos. “Um estádio demora 24 meses para ser construído. Estamos acostumados com a África do Sul”, disse o dirigente na semana passada.

Nenhum estádio sul-africano, porém, foi concluído em 24 meses. Cinco arenas (de um total de 10) foram erguidas do zero. E o tempo mínimo das obras foi de 33 meses. O exemplo do Moses Mabhida é emblemático. Em Durban, a arena para 70 mil assistentes levou 44 meses para receber a primeira partida. A obra é similar à do estádio do Corinthians, tanto em relação à capacidade, quanto ao facto de o estádio ser totalmente novo. Palco da abertura e da final em 2010, o Soccer City, em Joanesburgo, foi totalmente remodelado para o torneio. O tempo para a adequação às exigências da FIFA foi de 46 meses (de Abril de 2006 a Fevereiro de 2010).

Preparação vai atrasada
Além dos atrasos na construção dos estádios, a preparação do Mundial do Brasil foi a que começou mais tarde em relação aos dois últimos. Na Alemanha, a 41 meses do campeonato (mesmo tempo restante para o Mundial no Brasil), 10 dos 12 estádios já tinham obras avançadas.

Em Gelsenkirchen, a arena para 61 mil espectadores demorou 32 meses para ser erguida, mas foi iniciada em Novembro de 1998, quase oito anos antes do torneio. A reforma do estádio de Frankfurt, palco de uma partida dos quartos-de- final, começou quatro anos antes do primeiro jogo do Campeonato. Se não fosse isso, dificilmente o estádio estaria pronto, pois foram necessários 39 meses para o término da obra. Na África do Sul, os dois maiores estádios começaram a ser construídos em Abril de 2006, a 50 meses do Mundial. O Moses Mabhida foi finalizado em Novembro de 2009 e o Soccer City foi inaugurado apenas às vésperas do jogo de abertura.

Palco Mané Garrincha
entra para as  fundações


As obras avançam no estádio Mané Garrincha, palco da “Copa” de 2014 em Brasília. De acordo com a Novacap (empresa de obras do Distrito Federal), a reforma passou para o estágio das fundações, com a construção das estruturas que darão sustentação ao anel externo da nova arena. Esta etapa começou no final de Outubro e, na previsão da estatal, deve durar outros seis meses.

Na verdade, houve mesmo uma antecipação da obra, cuja previsão de início era Fevereiro de 2011. Depois do anel externo, será a vez das fundações do anel interno e das bancadas. Também na etapa actual a construtora retira a terra na área do campo do antigo estádio para que, a seguir, ele possa ser baixado. Essa mesma terra também está a ser utilizada nas paredes da fundação.

Trespasses
O gestor do Mundial em Brasília, Sérgio Graça, garante que a obra continua mesmo após a suspensão dos trespasses de verbas pela Terracap (empresa imobiliária do Distrito Federal). No início de Novembro, o Conselho de Administração da empresa acatou recomendação do Ministério Público (MP), que considera irregular os trepasses da Terracap para as obras. Para o MP, o papel da empresa é de aplicar recursos em infra-estrutura urbana, o que não incluiria a reforma do Mané Garrincha.

O MP também recomendou a rescisão do contrato entre a Terracap e o consórcio responsável pelas obras, formado pelas empresas Via Engenharia e Andrade Gutierrez. Devido ao imbróglio, o governador Rogério Rosso afirmou que haverá dinheiro do orçamento distrital para garantir a continuidade da reforma. O governo não quer que a imagem de Brasília seja prejudicada por um possível atraso, já que pretende continuar a sua candidatura à abertura do Mundial.

Anel superior do Maracanã
já começou a ser demolido


O anel superior do Maracanã começou a ser demolido segunda-feira, segundo informações da Secretaria estadual de Obras do Rio de Janeiro (Seobras). A destruição das bancadas integra um amplo leque de intervenções na preparação do estádio para a Mundial de 2014. As obras no estádio começaram em Maio. Até Ao momento, cerca de 80 por cento dos chamados “bigodes”, ou seja, as rampas de acesso ao estádio, também já foram ao chão, assim como o anel inferior, que vai ficar mais próximo do relvado.

“O padrão de visibilidade exigido pela FIFA determina que todos os espectadores possam ver sobre a cabeça do assistente sentado duas fileiras à frente, numa linha recta”, diz Hudson Braga, secretário estadual de Obras.Segundo o arquitecto Daniel Fernandes, autor do projecto executivo do Maracanã, apenas os sectores Leste e Oeste do anel superior serão demolidos. No lugar deles, vão ser erguidos camarotes e bancadas vips.

As obras são realizadas pelo consórcio formado por Andrade Gutierrez, Odebrecht e Delta. De acordo com a Seobras, a reforma do Maracanã tem atraído grande número de turistas ao estádio. O número de visitantes entre Janeiro e Novembro deste ano chegou a 180 mil, superando o total de 160 mil visitas de 2009.

FIFA volta a pressionar

“O Estado de S. Paulo” noticiou que a entidade está preocupada com o andamento das obras, incertezas financeiras e jurídicas em relação aos estádios. Após ao fim do segundo turno, a FIFA pretende conversar com cada governador ou comité local para saber o compromisso dos estados em termos financeiros.

A principal cobrança da entidade será em relação ao estádio de São Paulo, ainda indefinido. Segundo o jornal, a FIFA quer saber qual o recinto que vai ser usado e se a cidade quer mesmo realizar a abertura e uma das semi-finais do Mundial. A FIFA quer ver as garantias para a construção do estádio do Corinthians. Em Julho, o Morumbi foi vetado por não apresentar, segundo o COL/2014 (Comitê Organizador Local), um projecto de financiamento para a reforma do estádio.

Turismo está
mobilizado contra
exploração infantil

A campanha “Um golo pelos direitos de crianças e adolescentes” foi lançada, a semana passada, nas 12 cidades que vão sediar os jogos do Mundial de 2014. A acção é parte do projecto Prevenção à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Turismo, do Ministério do Turismo (MTur), em parceria com o Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília.

No lançamento foram distribuídos materiais de consciencialização em aeroportos e nos principais pontos turísticos das cidades, além de seminários e debates. A campanha foi lançada também nas redes sociais, com grande sucesso. Em apenas cinco dias, o perfil do projecto no Twitter já é seguido por 6,5 mil usuários. As redes espalham informações sobre o tema, estimulando a denúncia por meio do Disque 100 e a adopção de um Código de Conduta pelos empresários do sector do turismo.

“Adoptamos a estratégia digital para a campanha para alcançarmos maior visibilidade. O projecto trabalha dentro de uma perspectiva de marketing social, para promover a mudança do comportamento no indivíduo, fazendo-o reflectir e adoptar uma nova postura. Hoje o Brasil mostrou que está a fazer a lição de casa muito bem feita”, ressalta Davi Bimbatti, coordenador de Comunicação e Marketing do projecto.

O lançamento da campanha aconteceu após um intenso período de preparação nas cidades, com formação de multiplicadores, debates com participantes do sector público e privado do turismo. Foram realizados cursos que resultaram em Planos de Acção Estaduais, assinatura da carta-compromisso e oficinas que deram origem às responsabilidades do sector em cada cidade-sede. A partir de agora, o trabalho continua com muitos debates, mobilização e trabalho com entidades, governos, ONGs e os empresários do sector.