Jornal dos Desportos

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Reportagens

Estado tem grande influncia na prtica desportiva

Joo Francisco - 25 de Fevereiro, 2010

COA- conseguiu ocupar o espao que lhe cabe no contexto desportivo angolano

Fotografia: Jornal dos Desportos

Uma passagem do professor Manuel Sérgio no livro "O Desporto Madeira" diz que "não há desporto na sociedade moderna, sem um claro suporte institucional e não há instituições sem uma prática política efectiva no contexto social. O desporto apolítico é uma doce mentira ou uma tremenda ignorância". Esta passagem é algo que se enquadra perfeitamente naquilo que disse o vice-ministro dos Desportos, Albino da Conceição, quando abordava o tema o Governo e Desporto, na acção formativa que começou há uma semana e decorre até ao fim do mês, no quadro das comemorações dos 31 anos do COA.

Outro exemplo claro da influência e apoio dos governos no desporto, também citado pelo vice-ministro dos Desportos de Angola, é o caso da recente realização da Taça de África das Nações Orange Angola´2000. É que quando as mais altas instâncias da Confederação Africana de Futebol (CAF) fizeram a primeira visita para constatar o grau de desenvolvimento dos preparativos ligados ao evento, foram acompanhados pelo Comité Organizador, o COCAN.

Na segunda visita, fizeram exigência para se elevar a fasquia dos contactos ao nível do Primeiro-Ministro, tendo sido recebidos na altura, de facto, pelo agora Presidente da Assembleia Nacional, Paulo Kassoma. Na terceira visita, as exigências chegaram a uma recepção que foi proporcionada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Só assim, os detentores dos direitos de organização do Campeonato Africano de Futebol ficaram satisfeitos.

Os exemplos citados elucidam perfeitamente sobre as influências positivas ou negativas que o desporto pode sofrer resultantes das políticas seguidas pelos governos em determinados momentos da sua história e que o COA, a determinado momento da sua existência, viveu (e vive) igualmente. "Todos estados modernos devem possuir políticas desportivas que baseiam em si mesmas estratégicas robustas de desenvolvimento do desporto, capazes de orientar e encerrar em si toda a actividade funcional e organizativa dos respectivos sistemas desportivos.

Nessas estratégias devem estar inseridas metas quantitativas do volume de prática, qualificativas dos quadros competitivos nacionais e internacionais, as formas e os momentos em que se realizam os investimentos em infra-estruturas desportivas, os investimentos nas instituições académicas de formação de quadros, os investimentos numa industria de fabrico de matérias e equipamentos desportivos e os momentos de realização de eventos desportivos de índole nacional e internacional, como forma de aferição da prossecução da referida politica", defendeu Albino da Conceição.

Estatutos vão ser revistos em breve

O presidente do COA, Gustavo da Conceição, adiantou que um dos principais desafios para a Olimpíada 2009-2012, é a alteração dos estatutos, considerando, embora de forma oficiosa, pois ainda não foi aprovada pela Assembleia, como alguns "pontos quentes" as reformas que pretende efectuar em relação aos artigos 6 e 21 do presente Estatuto. O artigo 6 do presente Estatuto, que define a categoria dos membros, na óptica do presidente daquele órgão, está incompleto, pois, ao invés de começar a definir a origem dos membros, começa por denominá-los em ordinários, extraordinários e honorários, quando estes primeiramente são individuais e colectivos, sem que disso o regulamento faça referência.

O artigo 21 refere-se à disciplina dos membros do COA, dos deveres e dos regulamentos aprovados, no qual a alínea 7 do seu ponto 2, determina a extensão da sanção que possa ser aplicada pela federação nacional ou organismo a que pertence, a pedido destes e na condição do estatuto do membro, podendo este ser punido duas vezes pela mesma pena, o que é contraproducente. Das poucas vezes que os Estatuto do COA foi revisto, o que aconteceu na véspera dos Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992, visou a adequação à Carta Olímpica, a aprovação da nova composição da Comissão Executiva, que era apenas de 12 integrantes na primeira composição, e eram determinados pela então Secretária de Estado do Desporto.

As reflexões de (2002-2003), segundo Gustavo da Conceição, fizeram-se, igualmente, em torno da introdução dos membros suplentes, instituição do Conselho Olímpico, composto pelos antigos residentes das Comissões Executivas. O processo de revisão dos Estatutos do COA foi iniciado pelos juristas Carlos Teixeira e Teresa Quarta, tendo antes também contribuído o Ministério da Juventude e Desportos, através do vice-ministro, Albino da Conceição. Na Olimpíada 2005-2008 dá-se a criação da Associação dos Atletas Olímpicos Angolanos, da qual é presidente a ex-nadadora Nádia Cruz, actual tesoureira do Comité Olímpico Angolano.

O legado
dos elencos passados

Ao longo de 31 anos de existência, o COA teve quatro elencos. O primeiro (entre 1979 e 1980) foi liderado por Augusto José Teixeira, ao passo que no segundo (1980-1993) Germano Araújo foi o presidente. De 1993-2004, Rogério Silva comandou os destinos daquele órgão, sucedido em 2005 por Gustavo da Conceição, ele que já vai no segundo mandato, que se estende até 2012. Gustavo da Conceição, entrou no olimpismo angolano na Olimpíada 1993-2004, tendo na altura exercido as funções de secretário-geral Comité Olímpico Angolano, órgão que naquela altura ganhou uma estrutura de raiz, em Viana, denominada Olimpáfrica, cujo objecto social foi o de constituir um centro de iniciação desportiva por excelência para a detecção de talentos.

Nos primeiros anos, o Olimpáfrica não cumpriu com os objectivos preconizados mas conseguiu agora uma parceira com o Santos Futebol Clube, um parceiro credível, para que nos próximos tempos aquele projecto consiga cumprir com a sua finalidade.  No Olimpáfrica de hoje, podemos deleitar-nos a ver boas partidas de futebol e de outras modalidades, nas quais alguns petizes demonstram os seus dotes desportivos. No quadro das jornadas comemorativas do XXXI aniversário do COA, as crianças de Viana acorreram àquele local, tendo participado em corridas de atletismo, em concursos de conhecimentos gerais ligados aos valores olímpicos e em actividade na área de informática, num pacote denominado "Bolsa Iba Mbaye".

Ainda no âmbito das comemorações de mais um ano de existência do COA, entre os dias 20 e 21 de Fevereiro foi disputado, no campo do R20, um quadrangular de futebol infanto-juvenil, envolvendo as equipas do 1º de Agosto, Petro Atlético, Bangú e Joca Sport.
No último domingo, com partida e chegada na Cidadela Desportiva, passando por diversas artérias da cidade de Luanda, foi realizada uma marcha olímpica (mexa-se pela saúde), que contou com centenas de participantes dos mais variados extractos sociais.

Formar um milhão de dirigentes
é a meta da Academia Olímpica 

A Academia Olímpica Angolana (AOA) aproveitou as comemorações dos 31 anos do COA, assinalado a 17 de Fevereiro, cujas actividades decorrerão até ao final do corrente mês, para recordar o desafio a si lançado, no sentido de formar um milhão de dirigentes desportivos. Para já, decorre um curso para dirigentes desportivos que conta com mais de vinte candidatos, em representação de federações e associações, que estão a receber conhecimentos ligados a 14 temas, ministrados por conceituados prelectores nacionais a saber: os Estatutos e a Carta Olímpica (por Gustavo da Conceição), identificação e uso de recursos (por Rogério Silva) o Governo e o desporto (professor Albino da Conceição), a mulher e o desporto (Professora Sara Tavares), os Jogos Olímpicos (professor Mayomona Nzita), a estrutura do Movimento Olímpico e os programas de interesse do COI (professor Domingos Torres Júnior).

Os temas acima referidos foram ministrados no período de quinta a sábado da semana passada. Esta semana serão ministrados os temas sobre o trabalho com os voluntários (pelo professor Domingos Júnior), a Medicina Desportiva e o Controlo anti-doping (doutora Stella Cristiano), o valor e a ética no desporto (professor Mayomona Nzita), a liderança e organização de um evento desportivo (professor António da Luz), a organização de uma missão para os Jogos Olímpicos (Mário Rosa de Almeida). Para finalizar serão apresentados os trabalhos dos grupos criados. O encerramento da actividade está previsto para o próximo sábado, com a entrega de manuais e diplomas de participação.

Programa para
a XXIX Olimpíada

Este passeio pelos meandros do Comité Olímpico Angolano estaria incompleto se não nos referíssemos sobre o programa que tem norteado o presente elenco, rumo às Olimpíadas de Londres (Inglaterra) em 2012. Sob o lema "continuar as mudanças e inovações consolidando a progressão rumo a excelência", os dez pontos do programa do COA destacam a actualização dos estatutos (de forma a assegurar os direitos elementares a todos os seus membros), continuar o processo de reestruturação da Academia Olímpica (visando reforçar a autonomia financeira e programática), encorajar a participação de atletas olímpicos no órgão de decisão do sistema associativo nacional, elevar os índices de aproveitamento e utilização dos programas da Solidariedade Olímpica, estruturar a Assembleia do Desporto Federado, revitalizar os meios de comunicação do COA, desenvolver a segunda fase do Projecto Olimpáfrica, reforçar o secretariado, exploração de novas fontes de financiamento e criar um programa quadrienal de apoio ao atleta candidato aos Jogos Olímpicos.

Ainda em relação à Academia Olímpica, está a ser feita a revisão do quadro orgânico, o aumento do número dos directores nacionais, a aceleração da formação de dirigentes, transformação do carácter das iniciativas, de pontuais a permanentes, através da organização de palestras, acções de formação olímpica, programas sobre ética e fair-Play, concursos redactoriais e de expressão artística.
Os índices de aproveitamento e a utilização dos programas da Solidariedade Olímpica vão ser feitos apoiando a formação de atletas, de técnicos e dirigentes, bem como alargando a exploração do portefólio de programas.

Já os meios de comunicação, como o website do COA, depois de uma fase de instalação da página, observou um retrocesso e a semelhança dos programas “facho olímpico”, para a imprensa escrita e “flash olímpico” para a televisão, terão de ser revitalizados. A excepção recai para o programa radiofónico “onda olímpica”. Os patrocinadores do COA tem maior visibilidade, pois existe, defronte às suas instalações, um muro a eles reservado, onde podem vislumbrar sem grandes dificuldades os seus outdoors. Tratam-se da TPA, BCI, Sonagol, Indiama, Ensa, TAAG, Angola-Telecom, Rádio Nacional, Associação Industrial e Sport Ntwork. O COA pretende recrutar mais “sponsors” daqui para frente.

Comissão Executiva do COA

O elenco da Comissão Executiva do COA para esta olimpíada é composto por 14 membros, indicados pelas respectivas federações, a saber: Gustavo da Conceição (pela Federação Angolana de Basquetebol), Justino Fernandes (Federação Angolana de Futebol), Augusto Archer Mangueira (Federação Angolana de Andebol), António Monteiro (Federação Angolana de Natação) e todos os vice-presidentes.
Mário Rosa de Almeida (secretário-geral), Nádia Cruz (Associação de Atletas Olímpicos) Leonel da Rocha Pinto (Comité Paralímpico), José Walter dos Santos (Federação de Judo), Diógenes de Oliveira (Federação de Ciclismo), Sara Jean Jacques David (Federação de Atletismo), Nzuzi Ndolumingu (Tae-Kwon-Dó), Carlos Rosa de Sousa (Federaçãode Atletismo), Anica Manuel João Neto Troso (Federação de Atletismo) e Elisa Manuela de B Webba Torres (Associação dos Atletas Olímpicos) são os vogais.

Em suma, compõem esta Comissão Executiva, dez representantes de federações, quatro membros cooptados, um membro extraordinário, quatro mulheres, quatro atletas olímpicos, cumprindo com a directiva do Comité Olímpico Internacional (COI) sobre a integração de 29 por cento do género. Foi feita uma renovação na continuidade, sendo que 71 por cento tem experiência resultante dos elencos anteriores.