Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Estou aqui para ganhar títulos"

Paulo Caculo - 10 de Fevereiro, 2014

Avançado camaronês contratado pelo Kabuscorp em 2013 está feliz no clube

Fotografia: Jornal dos Desportos

Um ano depois  do  contrato com o Kabuscorp do Palanca, Albert Meyong  declarou   ao Jornal dos Desportos, estar muito feliz por ter aceite o convite de Bento Kangamba, para experimentar uma carreira no futebol angolano.

O avançado camaronês  de 33 anos  concorda estar a viver uma agradável experiência em Angola, onde espera voltar a ser campeão. Sustenta o  optimismo no  facto de acreditar que veste as cores do melhor clube angolano, que tem sabido justificar a conquista do título inédito no Girabola do ano passado.“No ano passado fizemos uma boa época e não esperava, que no primeiro ano as coisas  corressem   tão bem.

Trabalhei muito durante a época  para  o título que conseguimos,  fruto do trabalho de  equipa e no futebol vive-se do momento”, adiantou-se a esclarecer Meyong, as razões que estiveram na base do primeiro título no campeonato.

“O título já foi ganho e temos uma nova época. No futebol conta o presente, o momento, por isso o título da época passada e a vitória da Supertaça já estão  esquecidos.

Queremos pensar agora  na presente época”, acrescentou.Habituado a ser fundamental na manobra ofensiva das equipas que representa, em função disso concretiza  a maior parte  dos golos, Meyong mostra-se satisfeito pelos 20 tentos rubricados em 2013, que o consideraram  o melhor marcador do Girabola, mas recusa a promessa de voltar a trabalhar para repetir o feito, porque não gosta de  perseguir objectivos pessoais.

“Não tenho objectivos pessoais. Não fui contratado para ser o melhor marcador, mas para ajudar a equipa a ganhar títulos. Que adianta ser o melhor marcador e o Kabuscorp não ganhar nada?”, questionou-se o camisola 30 do conjunto do Palanca, e  sublinhou  no entanto, estar convicto que na condição de atacante, a sua missão é  fazer golos.

“Vim para ajudar a equipa a ganhar títulos. Este é o meu objectivo e o que vou continuar a fazer, embora como avançado o meu trabalho passa por marcar golos. Mas, se não fizer nenhum , os meus colegas podem fazê-lo, portanto  não estou preocupado com isso,  as pessoas devem compreender que estou no Kabuscorp para ajudar a equipa a alcançar os objectivos da época”, esclareceu.

Apesar de recusar  assumir a conquista do título de melhor marcador do Girabola 2014 como objectivo, Albert Meyong promete “marcar o maior número de golos possíveis”, para ajudar a equipa a alcançar todos os propósitos traçados para a presente temporada futebolística.“Não vou jogar com objectivo de ser o goleador ou marcar muitos golos, mas com intenção de ganhar muitos jogos e conquistar títulos”.

CONSTATAÇÃO
“Girabola é dos melhores
campeonatos em África”


Meyong disse que chegou a ter receio de assinar pelo Kabuscorp. O camaronês considera que a impressão que tinha do Girabola, era a de um campeonato fraco e de baixo nível competitivo. Garante que hoje, um ano depois, a sua opinião é completamente contrária.

“Acho que o campeonato angolano é dos melhores de África. Fiquei surpreendido  este ano  acredito que vai ser muito mais difícil, porque vejo as equipas muito reforçadas.

Vai ser muito mais competitivo”, assegurou o goleador  do Kabuscorp, que considera também gratificante para o campeonato nacional a chegada  cada vez mais de jogadores provenientes  do futebol europeu.“Começam  a vir muitos jogadores de qualidade da Europa e de outras partes de África.

Acho isso muito bom, ajuda a valorizar ainda mais o campeonato e eleva os níveis de qualidade do Girabola”, admitiu.

“Quando o presidente me convidou, cheguei a recear   porque pensava que o campeonato  não tinha um bom nível, porque não conhecia. Quando cheguei cá , notei que o nível era muito bom e as equipas muito competitivas e estou a gostar de estar aqui, por isso, renovei por mais um ano”, justificou Meyong.

O  atleta perspectiva mais um ano futebolístico em grande ao serviço dos campeões nacionais. Prevê uma época repetida de êxitos, “a nível colectivo”, porque considera estar num plantel onde perfilam “jogadores de bom nível”, que prometem ajudar também a equipa a concretizar os objectivos.      
PC

ELOGIOS
Tresor é uma grande
referência da equipa


A chegada de Tresor Mputu Mabi à equipa do Kabuscorp agradou a todos os jogadores do plantel de Edouard Antranik, com destaque para Meyong. O avançado  destaca a fácil integração do craque congolês democrático, como garante da consolidação dos objectivos.“Habituamos os nossos adeptos às vitórias e é natural que esperem muito mais de nós esta época.

Temos de continuar a dar alegrias à nossa massa associativa e a chegada do Tresor foi muito aplaudida na equipa. Apesar de não o conhecer antes, é  bem-vindo à equipa pois é uma grande referência, pela qualidade que tem”, referiu o avançado ao  tecer rasgados elogios ao novo “reforço da equipa”.

“O Kabuscorp é uma grande equipa e deve ser formada pelos melhores jogadores”, sugeriu Meyong.O atacante lembra que o Kabuscorp encara todas as competições em que está envolvido , “com o intuito de vencer”.  Para quem assumiu tantos desafios pela frente e  almeja altos patamares numa competição do nível da Liga dos Campeões Africanos, não deve descurar a aposta em jogadores de qualidade.

“Quanto mais jogadores de qualidade tivermos, mais facilmente  concretizamos  o nosso sonho. O nosso presidente quer ganhar a liga africana de clubes e vamos tentar concretizar este desejo dele. Vamos continuar a sonhar e tudo  fazer para irmos o mais longe possível em todas as competições e ganhar títulos, porque só os títulos é que contam”,   afirmou o experiente jogador.

CONFIANÇA
“Temos bom nível
para ganhar a Liga”


Meyong é o espelho claro do enorme optimismo que domina o plantel do Kabuscorp do Palanca. O avançado assume quase sempre um discurso positivo quando a abordagem é o futuro da equipa nas competições africanas de clubes.“Temos um bom plantel e acho que temos um bom nível para chegar muito longe na liga, também podemos vencer”, admitiu que aproveitou a ocasião para alertar o facto da equipa  precisar muito da paciência dos adeptos, porque ao contrário de outras competições, na “Champions League” os objectivos são traçados a cada etapa das eliminatórias.

“Não podemos pensar na final, sem antes chegarmos lá. Neste tipo de competições os objectivos são superadas a cada jogo. E neste momento estamos a pensar em passar esta primeira fase e só depois pensar na próxima eliminatória. Esperamos fazer uma boa campanha. Queremos demonstrar no campo que somos candidatos, porque o futebol ganha-se dentro do relvado e precisamos mostrar que temos esta capacidade”.

Meyong considera de resto fundamental ao Kabuscorp preparar argumentos que o ajudem a provar  que tem potencial,  para disputar uma competição do nível da Liga africana de clubes e justificar que é o campeão angolano.

ENTREVISTA  albert Meyong
“Fizemos um grande estágio”


O estágio realizado pelo Kabuscorp do Palanca em Portugal ficou marcado por derrotas. Estes resultados negativos chegaram  a provocar um clima de  cepticismo em alguns adeptos, em relação à capacidade da equipa realizar um bom começo de época. Para o avançado camaronês, AlbertMeyong, a conquista da Supertaça serve de prova inequívoca do excelente nível de preparação dos campeões nacionais.

“Penso que fizemos um grande estágio, foi muito bom. Trabalhamos muito física  e  tacticamente, e os jogos que realizamos serviram apenas para acertar a nossa estratégia e não visava ganhar nada. É bom ganhar os jogos, mas os resultados não são importantes em jogos de preparação. O objectivo principal do estágio não era ganhar, mas fazer uma boa preparação. Acho que conseguimos e estamos bem”, elucidou o goleador, a repudiar  a ideia de que as derrotas durante a pré-época no Algarve, venham a influenciar o rendimento da equipa.

Meyong confessa por outro lado, que não tinha ideia da dimensão do clube que representa, quando em 2013   recebeu o convite de Bento Kangamba para integrar a equipa. Corria a época em Portugal  ao serviço do Vitória de Setúbal, e o atacante camaronês  na altura já protagonizava uma brilhante carreira, como melhor marcador do campeonato português com 13 golos.

“O presidente falou-me do projecto que tinha para o Kabuscorp, que era  criar uma grande equipa angolana, e depois africana. Achei bom o projecto, fiquei maravilhado com ideia e não tinha como não aceitar a proposta para vir jogar para  Angola”, contou o avançado.

Melhor marcador em dois campeonatos diferentes, em Angola, pelo clube do Palanca e, em Portugal, pelo Vitória de Setúbal, Meyong acredita estar a atravessar uma momento importante na carreira,  espera aproveitar muito bem em benefício do clube que representa.

“Fico feliz por ter sido o melhor marcador, mas agradeço aos meus colegas, porque o futebol é um desporto colectivo. Se consegui marcar esse número de golos foi porque tive apoio de todos e também são coisas que acontecem, é o meu trabalho, porque sou avançado e normalmente as oportunidades passam por mim, o jogador mais adiantado da equipa”, esclareceu.

CONVICÇÃO
“Estou satisfeito com o meu trabalho”


No balanço de uma carreira que  no primeiro ano de contrato tudo correu de feição, melhor sentimento não tem  Meyong, que não seja  o de plena satisfação. O camaronês disse estar feliz com o sucesso, mas garante que nada era possível se não fizesse o seu trabalho com empenho e dedicação.
O avançado considera que cada um faz o seu papel na equipa, o que tornam  as coisas mais fáceis. Na época passada sublinha o jogador, fez o que lhe competia, ao mesmo tempo acredita que os colegas também fizeram cada um o seu papel.

“Por isso é que fomos campeões. Estou feliz, porque as coisas estão a correr muito bem e estou a fazer bem o meu trabalho. Na minha carreira sempre procuro desempenhar bem a minha missão em campo. Penso que deve ser assim não apenas no futebol, mas em todas as actividades da nossa vida diária”, desabafou Meyong. O avançado não esquece os anos que passou em Portugal.

O sucesso alcançado na época passada, no nosso país, teve eco em terras lusas, ao ponto de Meyong ser convidado a regressar. Preferiu ficar para ajudar a equipa  do Bairro do Palanca.
“Convites há sempre.

Em Portugal todos me conhecem, já fui o melhor marcador do campeonato quando jogava no Belenenses. Deixei uma boa imagem, todos me conhecem e sabem do que sou capaz. Mas estou bem no Kabuscorp, quero fazer parte do projecto do Kabuscorp até ao fim”, sublinhou o avançado.O avançado não coloca de parte a possibilidade de terminar a carreira em Portugal, concretamente no Vitória de Setúbal, onde esteve oito épocas.

“Já disse que tenho um desejo que é acabar a carreira no Vitória de Setúbal. É a única equipa que penso para acabar a minha carreira. Mas por enquanto estou bem, quero ficar no Kabuscorp”, afirmou Meyong.

SELECÇÃO DOS CAMARÕES 
Meyong recusa
voltar à selecção


A selecção dos Camarões deixou de fazer parte dos objectivos de Albert Meyong. O jogador disse não ter mais ambição de representar os “Leões Indomáveis”, por opção. Confessa que a carreira profissional no clube representa a grande motivação do momento.“Tenho contactos  com o meu país e a maioria dos jogadores, mas não tenciono voltar à selecção, pedi para me afastar  porque queria  concentrar-me na minha carreira profissional”, esclareceu o atacante que não escondeu  a satisfação pela equipa do seu país ter conseguido a qualificação para o Mundial de 2014, organizado pelo Brasil.

“Espero que gente consiga fazer um bom Campeonato do Mundo. Embora estejamos num grupo complicado mas no futebol tudo é possível. Espero que a gente forme uma equipa competitiva. O importante era  fazer uma boa preparação, porque as equipas africanas cometem sempre os mesmos erros todos os anos”, constatou.

Meyong critica o facto da selecção dos Camarões, que em  sua óptica, nunca conseguiu fazer uma preparação mais exigente, ao nível de uma equipa que vai  ao Campeonato do Mundo. Critica a falta de jogos particulares que  acha  essencial para uma boa preparação.

“Até agora não vi a selecção  fazer nenhum jogo de preparação, mas já estamos habituados a isso. Espero que com uma boa preparação, possamos representar bem o país e o continente africano”, acrescentou.Questionado se gostava de deixar de jogar futebol com que idade, o goleador do Kabuscorp foi peremptório na  resposta:“Não tenho uma idade para deixar de jogar futebol.

Enquanto tiver forças,  sentir-me  bem, fizer bem o meu trabalho vou continuar a jogar. Neste momento estou bem de saúde, não tenho nenhuma lesão e enquanto estiver bem, vou  continuar a jogar”.
PC