Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Estudantes ganham atmosfera

05 de Agosto, 2015

Pioneiros estudantes na senda da continuidade do desporto angolano face aos desafios do futuro

Fotografia: Jornal dos Desportos

A juventude estudantil do Liceu Nacional Nzinga Mbandi (hoje, Escola Nzinga Mbandi) participou da Jornada para a Prática do Atletismo, no sentido de fortalecer uma  atmosfera de entusiasmo,  nos primórdios da conquista da nossa independência.O propósito do encontro desportivo deveu-se à carência que o atletismo luandense enfrentava e que registava apenas um recinto completo - Coqueiros e dois incompletos Maristas e São Paulo, enquanto que as modalidades futebol, basquetebol e andebol já constatavam outra realidade.

A importância que o atletismo sempre granjeou, no contexto desportivo mundial, serviu de apontamento para colmatar a deficiência, unir estudantes e responsáveis do nosso desporto. Este propósito veio de alguma forma reforçar  o optimismo competitivo, semana após semana dos pré-seleccionados para o "meeting" de Brazaville e neste caso podem situar-se o rendimento atlético de Mota Gomes que ficou apenas a dois décimos de segundo do recorde absoluto dos 800 metros;

 Francisco Bizerra, que batera substancialmente o recorde nacional de iniciados nos 200 metros; Manuel Pascoal com novo recorde pessoal nos 300 metros; Filomena Maurício, nos 400 metros e Marta Jaime, na mesma prova e, ainda, Lisdália Rodrigues tanto nos 100 como nos 200 metros.Dos restantes há que salientar a boa actuação de António Andrade e Pedro Moçambique, nos 3000 m4000 metros; do jovem Orlando Estácio, no salto em altura, a confirmar o vaticínio formulado em crónicas anteriores, ainda, os bons progressos de Luís Costa, Gualberto Paquete, Frederico Hernandez, Fernando Jorge, Jorge Cruz e Susana Kiesse.

RESULTADOS TÉCNICOS
Minis _ 60 metros - 1º. Carlos Gaspar, 9,3s; 2º. Apolinário Paquete, 9, 6s; 3º Edson Silva, 10, 2s.Infantis - 300 metros - Concorreram 17 atletas sendo os melhores do conjunto das três séries: 1º. Rui Neto, 45,7s; 2º. Osvaldo Oliveira, 46,6s; 3º. Augusto Inglês, 48,1s.

Iniciados - Juvenis - Juniores e Seniores - 100 metros - dezasseis concorrentes, divididos por três séries. 1º. Teixeira Pinto, 11,6s; 2º. Luís Costa, 12,1s; 3º. Ilídio Sirgado, 12,3s. 200 metros - vinte e sete atletas distribuídos por cinco séries. 1º. Teixeira Pinto, 23,6s; 2º. Francisco Bizerra, 23,9s; 3º. André Quitongo, 24s. 800 metros - 1º. Mota Gomes, 1.56,s; 2º. Gualberto Paquete, 2.17s; Menezes Maurício, 2.18,7s. 300 metros - 1º. António Andrade, 9.35,6s; 2º. Manuel Pascoal, 9.44,8s; 3º. Pedro Mocambique, 10.9,6s. Altura - 1º. Alfredo Melão, 1,8om; 2º. Orlando Estácio, 1,70m; 3º. António Ferreira, 1,500m.

HÓQUEI EM PATINS
Jornada encerrou

com resultado positivo

A jornada de encerramento do Campeonato Comunal encerrou de forma positiva O campo  do CDUA esteve completamente cheio pela  juventude, milhares de pioneiros que assistiram a a jornada do Encerramento aplaudindo entusiasticamente, a cada simulação, a cada finta com "Oá-Oá" já habitual nos jogos de hóquei em patins.A tarde desportiva, iniciou-se com o jogo na categoria de Infantis, em que saiu vencedor o Misto de Luanda por 1 -0.
As equipas alinharam
Kassenda - Adão, Sócrates, Paciência (Cap.), Fontes, Lino, Paulo. Estyanislau e Maninho.
Misto de Luanda - Lorti, Mendes, Hélder, Inácio, Wilson, Rui, Zé Marinho e Assis.
Vitória difícil do Misto. Golo apontado por Hélder, aos 7 minutos, com um remate bem colocado.
A equipa do Kassenda demonstrou melhor técnica, com mais passes de bola, só não concretizando, pela boa actuação do guardião Lorti.
KASSENDA, 0 MAIANGA, 1
Kassenda - Lousada, João, Nelson, Bulica, Garcia, Paulo, Baiona, Hélder.
Maianga - Manuel, Nelson, Júnior, Paulo, Manuel, Miguel, Cândido Pedro e Manuel.
Este jogo foi o melhor da tarde. O público vibrou muito com as jogadas que as duas equipas desenvolveram. Ganhou o Maianga como podia ter ganho o Kassenda. As jogadas dividiram-se nos dois meios ringues. O golo foi apontado por Paulo Cleto aos 12 minutos do 1.º tempo.
KASSENDA, 2 MISTO, 1
Kassenda - Francisco, Sousa, Damásio, Jaulião 2, Jonny Diniz e Silvestre.Misto de Luanda - Evaristo, Saraiva, Silva, Miguel, Araújo 1, Leonel, Novato e Jorge.Boa vitória do Kassenda. Sem contestação. Em 9 jogos realizados apenas uma derrota. Equipa que joga em conjunto, tendo em Julião o "motor".O misto jogou muito mal, aparecendo poucas vezes perto da baliza, e esticando muito pouco. O guardião Evaristo terá sido aquele que mais remou contra a maré, defendendo bolas muito perigosas, de Damásio e Jonny quando estes  apareciam isolados. A equipa do Kassenda, muito rápida, balanceada ao ataque, concretizou dois golos por intermédio de Julião.

Segundo ainda a publicação primária deste texto (1977), a agenda de actividades do Campeonato Comunal de Hóquei em Patins informou que no Pavilhão dos Antigos Estudantes, jogariam Futebol de Salão (Pão de Açúcar - Banco Inter Unido) - Jogo de hóquei em patins, na categoria de Juniores (Selecção A -Selecção B.)    

FIGURA
ANTIGO FUTEBOLISTA
CARLOS ALVES  


O porta - vós de direcção do Clube Central das Forças Armadas, Francisco Carlos de Abreu, conhecido nas lides futebolísticas antes e depois da conquista da independência nacional a 11 de Novembro por “Alves,”  junta-se ao número de ilustres figuras que marcaram o desporto angolano.Convidado de hoje, deste diário desportivo, o antigo ponta de lança com carreira realizada no 1º de Agosto e pela Selecção Nacional, detentor de recorde de golos (29) pelo Girabola,  considerou de positivo passar o legado às gerações vindouras, durante o quadro comemorativo dos 40 ANOS da Dipanda.Natural de Luanda, 65 anos de idade, apesar de não se considerar profissional na altura, enquanto no activo pelo futebol em Angola, em particular pelo 1º de Agosto, clube pelo qual jogou ao lado de Ndunguidi e Nsuka, confessa que jogar pela camisola foi uma lição de humildade de vida.

 Já era desportista antes de 1975?

Sim! Já era desportista e jogava oficialmente pelo Benfica de Luanda, nos escalões de juvenis (principiante), juniores e seniores. A memória embora possa falhar, ainda me recordo que tive o privilégio de jogar pela Selecção para defrontarmos a congénere de Moçambique, nos meses de Junho e Julho.

Com a independência sentiu-se realizado enquanto desportista?

Por essa altura já estava no auge da minha carreira futebolística, pois tinha 25 anos e por tanto, tive os benefícios de continuar a jogar de forma profissional, portanto, penso que vou procurando a cada dia viver de forma realizada, tudo isto tem haver com a conquista da independência nacional. 

Prevalece a paixão pelo desporto?

A razão pela qual até hoje continuo ligado ao 1º de Agosto, deve-se à forte paixão que tenho preservado no mundo desportivo. É uma ligação positiva e acima de tudo, muito benéfica.     Reconheço a reciprocidade dos benefícios em ambos os lados. Com a equipa a  imagem tem ajudado na minha trajectória e por isso retribuo, empresto também a minha imagem sempre de forma positiva para os dois lados.

Como é visto nessa modalidade?

Nunca fui profissional pelo futebol,  porque em Angola o futebol na altura não era considerada profissional. Reconheço que no meu tempo era apenas jogar por “amor a camisola”, tal como se dizia.

O que mais o marcou ao longo destes  anos de Dipanda?
O facto de jogar pela primeira Selecção de Angola de Futebol e ter participado também da primeira Selecção oficial no jogos da CAF. E depois nos célebres Angola - Cuba, durante a Jornada Desportiva de Solidariedade.

O futebol tem um momento especial na sua actividade?

Esta modalidade é a minha grande paixão e para mantê-la acesa, vou participando nas actividades de futebol, neste caso, faço pelo 1º de Agosto colaborando na equipa principal.
HERMÍNIO FONTES