Jornal dos Desportos

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Reportagens

Ex-médio do Interclube aposta no dirigismo

Paulo Caculo - 19 de Fevereiro, 2012

Jojó garante ter conseguido muito enquanto futebolista

Fotografia: Jornal dos Desportos

Jojó pôs aos 35 anos fim à carreira de futebolista. O ex-médio do Interclube, que teve passagens brilhantes pelo Sagrada Esperança, Nacional de Benguela, Chicoil e Recreativo do Libolo, considera ter chegado a altura de “pendurar as botas” e abraçar novas ambições. “O futebol tem sempre um limite e achei que este era o meu limite”, disse Jojó, afirmando ter chegado à conclusão de que em certas circunstâncias já não estava a ser o mesmo Jojó das outras épocas.

“Também o factor idade influenciou muito. Embora pudesse jogar mais dois ou três anos, até porque tinha convite de clubes de algumas províncias, tenho coisas a fazer em Luanda e achei que não podia deslocar-me para longe. Razão pela qual decidi ter chegado a hora exacta e altura própria de deixar de jogar futebol.” Na hora da partida, o jogador não consegue esconder a saudade dos momentos de alegria e fortes emoções que deixa para trás, numa carreira marcada por alguns títulos. “Sinto-me satisfeito.

Mas quando deixamos de jogar, acabamos sempre por sentir saudade dos títulos conquistados, do ambiente do desporto, mas tive de tomar esta decisão, por achar ter sido a altura certa, porque tenho outras ambições na vida. Quero continuar a trabalhar com o futebol”, assegurou o experiente médio, que garante ter vivido dentro dos relvados momentos inesquecíveis, guardados como fotos numa memória. “Valorizo muito as coisas boas.

Penso que vivi muitas alegrias, fui campeão e vice-campeão  como capitão de equipa no Sagrada Esperança, em 2005. Fui também vice-campeão com o Libolo e ganhei um campeonato com o Interclube, na minha primeira época nesse clube. No meu último ano, em 2011, ganhei a Taça de Angola, também com o Interclube. Penso que foram os factos mais marcantes da minha carreira, além das experiências nas competições africanas e selecção de Angola, que não devo esquecer.”
                                                                                                                                           
Dirigismo 
Jojó pretende continuar ligado ao futebol, mas sem precisar de abraçar a carreira de treinador. O jogador considera estar a apostar no dirigismo desportivo e espera ter nessa área a mesma sorte e alegrias de protagonizar uma carreira de sucesso. “Encontro-me ainda numa fase de aprendizagem. Sou apaixonado pelo desporto e tenho uma família que faz desporto, fui um atleta com muita ambição e espero ser também um dirigente desportivo ambicioso”, diz. O ex-futebolista não descarta a possibilidade de se tornar no próximo Agente FIFA do país. Acredita que pode aproveitar muito bem a sua capacidade de liderança dos relvados para transportar para fora dele o engenho e a arte de proporcionar contratos aliciantes de atletas e de lhes proporcionar o devido agenciamento das carreiras.

“Pretendo também seguir a carreira de Agente FIFA. Sei que não é fácil, sobretudo numa altura em que acabo de pôr fim a uma carreira de futebolista, mas sei superar as adversidades. Estou a fazer agora uma formação de dirigismo desportivo em Lisboa. Faço outra no dia 25, também em Portugal e quero retribuir aquilo que os clubes me deram, porque estou muito satisfeito com a direcção de todos os clubes que representei.

“Deixo os relvados
de cabeça erguida”

Jojó sente-se satisfeito com o percurso no futebol. O ex-futebolista considera ter conseguido ganhar títulos, conquistar adeptos e apaixonar amantes do futebol, um feito nem sempre possível de alcançar. “Penso que dei o meu melhor ao futebol. Enquanto fui jogador, procurei sempre primar pelo profissionalismo e nunca deixei de respeitar os objectivos da equipa. Fui duas épocas capitão do Sagrada Esperança e sempre pautei por uma postura de líder, sempre passando a melhor imagem aos meus colegas, com humildade e trabalho”, conta o ex-capitão dos diamantíferos, mostrando-se disponível para continuar a dar o seu contributo à modalidade, agora nas vestes de dirigente desportivo.

“Acho que posso dar o meu contributo aos clubes por onde passei, porque devo dar aquilo que também recebi deles. Consigo falar de dirigismo desportivo, porque enquanto joguei futebol fui acatando muita coisa que os dirigentes falavam. Nós, atletas, quando deixamos de jogar, seguimos a carreira de treinador. Este não é o meu caso, porque as pessoas me diziam que tinha um dom para o dirigismo desportivo”, acrescentou Jojó, destacando o facto de enquanto futebolista ter tido a capacidade de liderar uma equipa. “Tenho conhecimento que a FAF abriu as inscrições para candidatos a Agente FIFA e vou procurar actualizar-me, para ver se consigo aderir a esta formação”, disse.

“Aprendi muito no futebol”

Mais do que o sentimento do dever cumprido, Jojó assegura que aprendeu muito enquanto esteve a jogar futebol. E o ex-futebolista promete aproveitar muito do aprendizado que diz ter “bebido” da modalidade para gerir a sua nova carreira. “Sou um atleta que deve muito ao Sagrada, aos seus dirigentes, às pessoas que jogaram comigo nesse clube e aos treinadores que por lá passaram. Tudo aquilo que ganhei no futebol devo muito a este clube, sem qualquer desprimor para os demais onde joguei. Mas quero destacar em especial o Sagrada Esperança, porque é um clube que jamais esqueço, pois acho que tem muito a ver comigo”, confessou Jojó, destacando a ambição e as estruturas desportivas dos diamantíferos como factores fundamentais que podem tornar o clube, no futuro, um colosso do futebol em África.

“Não quero perder a oportunidade de dar o meu contributo ao Sagrada, se for o caso. Tenho boa relação com os dirigentes do clube e acho que o meu o futuro pode passar também por este clube”. E acrescenta: “Penso que no futebol consegui muita coisa boa e não me arrependo de ter apostado na carreira de futebolista, apesar de que atrasei muito a minha formação académica, mas já recuperei e estou feliz. Consegui quase tudo, mas como dirigente desportivo quero sempre ser importante na administração de qualquer clube.”

Antes de finalizar, Jojó destacou também a importância que sempre representou para a sua carreira a figura de Rui Campos, presidente do Recreativo do Libolo. O ex-futebolista espera seguir o seu exemplo, por acreditar ser um dirigente desportivo com alto brio profissional. “Quero agradecer ao presidente Rui Campos pelos anos que estivemos juntos no Libolo. Devo confessar que é um grande homem do desporto e tenho muito a agradecer-lhe, porque foi uma pessoa que me conduziu enquanto estive a representar o Libolo. É um homem espectacular”. PC