Jornal dos Desportos

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Reportagens

Extremo direito do Sporting que fazia correr os defesas

Augusto Fernandes - 04 de Junho, 2012

Vitorino Gabriel começou a jogar futebol a sério na missão da Nossa Senhora da Nazaré, em Benguela, nos jogos entre classes, aos dez anos de idade, com Jorge de Fátima.

Fotografia: Augusto Fernandes

Vitorino Gabriel começou a jogar futebol a sério na missão da Nossa Senhora da Nazaré, em  Benguela, nos jogos entre classes, aos dez anos de idade, com Jorge de Fátima, António Joaquim da Lua, Caprego, Zé António Kalembemba e outros. Em 1966 ingressou no África  Futebol Clube da Chingoma, equipa que disputava o campeonato de Bairro (uma espécie de Girabairro) que depois dava acesso a disputar os jogos intermunicipais entre Benguela, Dombe, Lobito e outros. No clube do Chingoma,  jogou por uma época, com Sozinho, Manuel Kambuquiti, Manuel Alfredo e outros.  A seguir representou a Empresa Alfredo Guerra e Comandita, em futebol onze e salão, no campeonato entre empresas. “Nestes campeonatos não ganhávamos nada em termos financeiros além de muita fama”, recorda-se Kataleco.“Em 1967 fui jogar para o Vitória Futebol Clube do Cotel. Neste clube de bairro,  joguei com o Flávio, Cabo, Zolana e outros. Depois passei para o Futebol Clube da Fronteira, que era dos mais fortes a nível de Benguela. Outro gigante da época era o futebol clube da Escapiras, com o qual disputávamos grandes “trumunus” em que arrastávamos muita gente. A rivalidade era tão grande que os jogos só se pautavam em vitórias ou derrotas, para ambos os clubes”, contou. No Fronteira, jogou com o Mota Veiga (o que foi árbitro), Santiago e outros. Em 1968, Kataleco, também conhecido por BMW entre os seus contemporâneos a nível do futebol, devido à sua velocidade, foi incorporado no exército colonial. De regresso a Benguela em 1972, jogou pelo Andorinha Futebol Clube da Chiongoma, com o Antoninho, Nhanha, Kakisa e outros.Com o Andorinha ganhou o torneio CUCA a nível de Benguela e foi disputar a final do célebre torneio Cuca, em Luanda, no campo do São Paulo contra as equipas do Benfica do Calumbunze, Escola do Zangado e Sporting do Calomanda do Huambo. Kataleco recorda a goleada sofrida numa final. “Ganhámos à Escola do Zangado por 5- 4 aos penáltis e na final levámos uma surra do Calumbunze. Perdemos por 5-0. Ainda em 1972 fui convidado para jogar no Sporting de Benguela, na altura com Miau como treinador. Tive o privilégio de integrar a caravana do Sporting que foi a Luanda jogar contra o nosso confrade, que na época tinha grandes jogadores, como o Geovetty Barros, Chico Negrita, Ceninho e tantos outros”, disse. O antigo futebolista continuou dizendo: “fizemos um jogo e perdemos por 2-1. O Chico Negrita deu muito trabalho à nossa defesa. Outro momento marcante foi quando jogámos contra o Recreativo da Jamba Mineira da Huíla, que tinha grandes jogadores como o Martinho. No meu tempo, nos jogos entre o Portugal de Benguela e nós do Sporting, havia muito equilíbrio, com sinal mais para a minha equipa. Em 1974, o campeonato distrital teve de ser interrompido devido à instabilidade político-militar”.Para não perderem o traquejo, Vitorino Gabriel Kataleco e outros praticavam futebol mais uma vez em equipas do bairro. Depois de restabelecida a situação da altura, o Sporting de Benguela ficou muito fragilizado quer em termos de infra-estruturas, quer em termos humanos. A maior parte dos dirigentes refugiou-se em Luanda e em Portugal. Isso fez com que o Sporting levasse muito tempo a reaparecer na cena futebolística benguelense e nacional. Entretanto, Kataleco que normalmente envergava a camisola 7, recorda-se com alguma alegria dos momentos em que jogava contra Pedro Candembe e João Puputa, defesas rudes do Benfica da Kamunda. “Os homens gostavam de dar pancada a sério. Mas eu como era muito rápido passava por eles com alguma facilidade.Irritados, eles seguiam-me até fora do campo e davam-me pontapés, bofetadas (…). Os homens ameaçavam bater-me onde fosse apanhado”, disse, com largas gargalhadas. Em 1977, foi convidado a fazer parte do elenco do filme “Faz lá Coragem Camarada”, de Rui Duarte de Carvalho, onde interpretou o papel de Vitorino. Depois disso, Kataleco deixou de jogar futebol oficialmente, em 1974/75, para ingressar nas FAPLA. Actualmente é desempregado e vive no bairro da Fronteira em Benguela.BILHETE DE IDENTIDADENome completo: Vitorino GabrielFiliação: Gabriel Oko e AnaLocal  e data de nascimento: Benguela, 1 de Maio de 1947Estado civil: SolteiroFilhos: DezCor: VerdePrato: Caldeirada de cabritoBebida: Um bom vinhoMúsica: Desde que seja angolana aprecioPassatempo: Ler e escreverCalçado: 42Filme: RomanceJogador que mais admira: Kali e Samuel Eto’oClube do coração: Sou sportinguistaAcredita em Deus: Sim, porque Ele cuida de nósReligião: CatólicaCalor ou frio: FrioPaís: BulgáriaCidade: SofiaSonho: Deixar bem os meus filhos e netos