Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

FIFA revela hoje paises organizadores

02 de Dezembro, 2010

Países sede dos Mundiais´2018 e 2022 são conhecidos hoje

Fotografia: AFP

A Comissão Executiva da FIFA anuncia hoje, em Zurique, os países organizadores dos Mundiais de 2018 e de 2022, depois de as várias candidaturas fazerem a última apresentação na véspera e na manhã do dia decisivo. A Candidatura Ibérica à organização do Campeonato do Mundo de futebol de 2018 está “moderadamente optimista”, garantiu o director geral do projecto, Miguel Angel López."Só estamos preocupados com a nossa candidatura. Estamos moderadamente optimistas. Podemos ganhar", assegurou o responsável, que está em Zurique, onde decorre o anúncio oficial.

Miguel Angel López considerou que a candidatura tem vantagens sobre as apresentadas por Bélgica e Holanda, Rússia e Inglaterra. Na semana passada, recebeu o apoio da Confederação Sul-Americana. “Somos a única candidatura que oferece sete estádios de elite, com cinco cidades distintas para a inauguração, Barcelona, a final, Madrid, jogo do terceiro lugar e meias-finais, em Lisboa, Valência, Porto”, disse, lembrando que “haverá uma segunda inauguração do Mundial em Portugal”.

Miguel Lopéz, que lidera a candidatura desde Março, referiu que os estádios, o sistema de transportes, os alojamentos, e as medidas de segurança oferecidas por Portugal e Espanha são pontos bastante positivos e que agradaram à FIFA. A comitiva ibérica é formada por 40 pessoas. Os capitães das duas selecções, Cristiano Ronaldo e Iker Casillas, os seleccionadores Paulo Bento e Vicente del Bosque e os secretários de Estado do Desporto dos dois países, Laurentino Dias e Jaime Lissavetzky, são algumas das figuras que vão marcar presença em Zurique.

O Primeiro-Ministro português, José Sócrates, e o presidente do Governo espanhol, José Luis Zapatero chegam, hoje, à Suíça. Os dois líderes vão ter “o tempo suficiente para confirmarem o apoio total” dos governos à candidatura ibérica à organização do Mundial de 2018. Os dois chefes de governo deixam aos secretários de Estado do Desporto a incumbência de participar na última apresentação do projecto ao Comité Executivo da FIFA.

Sócrates e Zapatero falam aos jornalistas só no período da tarde. Além de Portugal e Espanha, concorrem ao Mundial de 2018 a candidatura conjunta de Bélgica e Holanda, e ainda Inglaterra e Rússia. À edição de 2022 apresentam-se Austrália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e Qatar.

Organizar a competição
pode render mil milhões

Uma vitória da candidatura ibérica na corrida à organização do Mundial’2018 pode render a Portugal mil milhões de euros em receitas indirectas. Um estudo encomendado pela parceria luso-espanhola ao Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) resultou em expectativas lucrativas, até porque do lado português não estão previstos grandes investimentos.Os estádios da Luz, Alvalade e Dragão foram construídos de raiz para o Euro'2004 e estão prontos para cumprir com todos os requisitos determinados pela FIFA, embora nenhum deles possa acolher o jogo de abertura e a final, por não terem a capacidade mínima (80 mil lugares). As receitas indirectas previstas no estudo do ISEG para Portugal, nas mais variadas áreas, pagariam os dois novos submarinos da Armada ou, há dez anos, a ponte Vasco da Gama.

No mesmo estudo estima-se que Portugal pode arrecadar quase 800 milhões de euros em benefícios directos, no que respeita a receitas turísticas (quase 100 milhões) e valorização da imagem do país (cerca de 700 milhões). Noutros benefícios associados ao Mundial, entre os quais impostos, emprego ou mercado publicitário, o ISEG prevê que a receita vai ultrapassar os 300 milhões de euros. "Os benefícios directos para o país, ao nível do seu relacionamento com o exterior, são extremamente positivos e superam em muito eventuais e ligeiros investimentos”, destaca o relatório. No orçamento da candidatura ibérica está previsto que o Comité Organizador possa arrecadar 675 milhões de euros em receitas directas.Sobre outros eventuais investimentos, como o TGV, que vai ligar as capitais de Portugal e Espanha, ou o novo aeroporto de Lisboa, o comité organizador referiu à Agência Lusa que “conta com as modernas infra-estruturas existentes na Península Ibérica e as que serão construídas até 2018".

Mil jornalistas na Suíça

Mil jornalistas de todo o mundo estão acreditados para a cobertura da cerimónia do anúncio dos vencedores dos Mundiais de 2018 e 2022. A apresentação das candidaturas decorre no centro de congressos Messezentrum Zurich, antes de a Comissão Executiva da FIFA votar. Sendo provável que o presidente da Confederação da Oceania, Reynald Temarii, do Tahiti, um dos elementos suspensos por suspeitas de corrupção, não será substituído, os 22 membros com direito a voto do Comité Executivo vão reunir-se a partir das 13h00 e o anúncio oficial deve ocorrer pelas 16h00 (15h00 em Luanda). O horário carece de confirmação, dependendo da forma como o processo de votação decorre.

O direito pela organização das competições é outorgado às candidaturas que obtiverem a maioria absoluta dos votos (50 por cento mais um). A votação decorre em urna fechada e, no caso de se registar um empate, o presidente da FIFA, Joseph Blatter, tem o voto de qualidade.O anúncio oficial, pela voz do próprio Blatter, é difundido em directo para 68 países, dos cinco continentes. A FIFA recebeu mais de mil pedidos de acreditação de jornalistas, de 329 órgãos de comunicação social. A Inglaterra é o país com maior contingente de profissionais da comunicação social, mas todos os países (Austrália, Coreia do Sul, Qatar, Estados Unidos, Japão, Bélgica, Holanda, Rússia, Espanha e Portugal) que apresentaram candidaturas estão fortemente representados.

Rede hoteleira
retira favoritismo


A Inglaterra pretende organizar o Mundial em 12 cidades e 17 estádios, cinco novos e outros cinco renovados, obras que vão custar cerca de 1,8 mil milhões de euros. A candidatura inglesa à organização do Mundial de futebol de 2018 surge como uma das mais fortes entre as quatro concorrentes, apresentando apenas falhas ao nível da capacidade hoteleira e dos locais de treino.

A experiência do país na organização de grandes eventos – vai receber os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, e o Mundial de râguebi de 2015 – e a existência de boas infra-estruturas são dois dos pontos positivos destacados pela FIFA. No dossier de candidatura, os ingleses disponibilizam um total de 10700 camas, número que fica aquém das 60 mil “impostas” pela FIFA, que teme ainda um aumento dos preços no sector da hotelaria durante o evento.

No que se refere aos bilhetes para os 64 jogos da competição, os ingleses estimam vender 3,397 milhões, o número mais baixo entre as quatro candidaturas. A proposta da Inglaterra, que poderá tornar-se o segundo país a receber os Jogos Olímpicos e logo depois o Mundial – a seguir ao Brasil –, prevê uma verba de 536 milhões de euros para despesas correntes. No global, a candidatura inglesa foi considerada de “risco baixo” pela FIFA, que classificou como bastante positivo o potencial do mercado publicitário do futebol britânico, visto como um dos maiores do Mundo.

Há menos de um mês, e temendo um julgamento negativo, a candidatura inglesa demarcou-se das notícias divulgadas por alguns tablóides britânicos sobre alegados casos de conluio em alguns projectos, nomeadamente, o de Portugal e Espanha com o do Qatar (candidato a 2022), enviando cartas pessoais a todos os membros da Comissão Executiva da FIFA.

A Inglaterra tem como adversárias na corrida à organização do Mundial de 2018 a Rússia e as candidaturas conjuntas de Portugal/Espanha e Bélgica/Holanda. O ex-jogador do Manchester United e, atualmente, no Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos, David Beckham, está na capital suíça, como vice-presidente da comité inglês, em companhia do príncipe William, da Grã-Bretanha, chefe da delegação, e David Cameron, Primeiro-Ministro do Reino Unido, em campanha por votos para Inglaterra.

Ingleses querem
voto da Oceania


David Chung, representante da Oceania, está em Zurique, com o objectivo de substituir Reynald Temarii, o qual foi suspenso pela Comissão de Ética da FIFA, por “quebra do código de ética”.O director executivo da candidatura inglesa à organização do Mundial’2018 de futebol, Andy Anson, disse esperar que a Oceania tenha o seu voto restaurado e que sejam 23 membros a decidir.

A FIFA já disse que que Temarii não pode ser substituído até renunciar ao seu direito de recorrer da suspensão que lhe foi imposta, de um ano. A Inglaterra espera ainda poder receber o voto da Oceânia. Entretanto, o representante legal de Reynald Temarii disse à agência Associated Press que a FIFA precisa primeiro de fornecer detalhes das razões da suspensão para que o antigo membro possa então afastar-se do processo.

Infra-estruturas e apoios
atraiçoam candidatura

O futebol de boa qualidade pode ser visto em 12 cidades e 13 estádios da Bélgica e Holanda. A candidatura conjunta prevê a construção de sete e a renovação de seis outros. O orçamento da empreitada estima-se em 1,8 mil milhões de euros. A boa rede de transportes e a capacidade organizativa são os pontos fortes da candidatura conjunta da Bélgica e Holanda ao Mundial de futebol de 2018, que, porém, apresenta falhas ao nível de infra-estruturas e apoios governamentais.

Uma das grandes falhas surge ao nível da oferta hoteleira, ponto no qual disponibilizam 28 mil camas, número inferior às 60 mil exigidas pela FIFA. Também nos locais de treino para as equipas, a candidatura apresenta um défice significativo, tendo referenciado apenas 32, para responder aos 64 exigidos pelo organismo máximo do futebol mundial.

As dúvidas ao nível das infra-estruturas fizeram a FIFA atribuir a classificação de “risco médio” a quatro dos nove pontos analisados durante a visita aos países candidatos. No orçamento para despesas correntes, belgas e holandeses, que já organizaram conjuntamente o Europeu de futebol de 2000, são os mais contidos dos quatro concorrentes, com uma previsão de 401 milhões de euros.

Para os 64 encontros da competição, Bélgica e Holanda estimam vender 3,304 milhões de bilhetes, número no qual as quatro candidaturas pouco divergem. O pouco empenho dos governos belga e holandês parece ser outro dos pontos menos fortes da candidatura, apesar de ambos os Primeiro-Ministros, Yves Leterme e Mark Rutte, respectivamente, anunciaram presenças na cerimónia de anúncio da candidatura vencedora.

A candidatura, que conta naturalmente com o apoio de nomes famosos do futebol dos dois países, “liderados” pelo holandês Johan Cruyff, é, aliás, a única das quatro concorrentes que merece a classificação de “risco médio” no ponto referente ao apoio governamental. Bélgica e Holanda estão na corrida ao Mundial’2018 juntamente com a candidatura conjunta de Portugal e Espanha, a Inglaterra e a Rússia. Países sede dos Mundiais’2018 e 2022 são conhecidos hoje