Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Foi no 1 de Agosto que me fiz homem

Augusto Fernandes - 27 de Fevereiro, 2012

Ekobol iniciou a sua carreira como futebolista em 1986

Fotografia: Augusto Fernandes

Ekoboló iniciou a sua carreira como futebolista em 1986, nos caçulinhas do Lisano de Kinshasa, onde jogou com Mamalé, Essaduma, Kinzanza, e muitos outros. Aos 16 anos, passou a júnior no Kalamú, também da capital da RDC, onde jogou por cinco épocas, tendo ganho três campeonatos nacionais e duas “Taças da Independência” (uma espécie de Taça de Angola). Na primeira ocasião que ganhou o campeonato nacional recorda que foi num jogo diante do Vitalú do Burundi. “Jogámos contra o Vitalú do Burundi e ganhámos por uma bola a zero fora, e fomos derrotados por dois a um em nossa casa. Foi muito difícil digerir aquela derrota”.

Em 1995, tentou a sorte no futebol gabonês, no  Estrela local, não tendo sido bem sucedido, por ter fracturado a perna esquerda, o que fez com que ficasse parado cerca de um ano. Depois da recuperação, voltou ao Kalamú, onde jogou por mais duas épocas. Em 1999, Ekoboló veio para Angola através de um parente e ficou no 1º de Agosto. “Foi uma emoção muito grande para mim estar numa das melhores equipas de Angola. Quando cheguei, o treinador era o mister Ndunguidi, e encontrei o Goliath, Hélder Cruz, Isaac, Assis, Gonçalves, Pedro, Stopirra, Moisés, Julião, Mwanza, Filipe Zanza, Neto, Hélder Vicente, Agó, Joãozinho e muitos outros. Não foi muito difícil conseguir a titularidade. Quando me foi dada a oportunidade, agarrei o lugar com unhas e dentes” disse.

No mesmo ano em que chegou ao clube militar, Ekoboló sagrou-se campeão nacional. Na Liga dos Campeões Africanos jogaram a primeira-mão contra o Vita de Ponta Negra e perderam por 2-1. Na segunda-mão, em Luanda, ganharam por 4-0. A seguir, enfrentaram uma equipa da Guiné Equatorial, da qual já não se lembra o nome, e venceram em Luanda por 4-0 e 1-0, em casa do adversário.
Outra grande conquista de Ekoboló com as cores do 1º de Agosto foi a Supertaça ao Petro de Luanda. “Os dois jogos da Supertaça com o Petro marcaram-me muito.

Na primeira-mão, empatámos a duas bola e na segunda goleámos o Petro por 4 -1, e o resultado só não foi mais volumoso porque os jogadores do Petro optaram por fazer anti-jogo. Estavam constantemente no chão e não era possível jogar. Perdemos uma oportunidade de chegar aos famosos seis golos que o Petro já marcou num só jogo contra o 1º de Agosto, muitos anos antes de eu lá chegar”, recorda. Durante as seis épocas que esteve no D’Agosto, além de ter ganho um campeonato nacional e uma Taça de Angola, também foi uma vez vice-campeão. “Gostei muito de ter jogado pelo 1º de Agosto, porque havia um ambiente maravilhoso. Os dirigentes eram muito chegados aos jogadores, especialmente o general Pedro Neto, que na época era o presidente do clube. Foi no 1º de Agosto que me fiz homem”, afirmou.

Em 2005, como o clube não podia ter muitos estrangeiros, teve início o “êxodo” de Ekoboló por diversas províncias do país, começando por Cabinda, onde representou o Sporting local por uma época. Na altura, o treinador era Arnaldo Chaves. Em Cabinda, jogou com Fefé, Adolfo, Paxi, Bunga e Paty, mas apenas durante uma temporada. Em 2007, a convite de Zeca Amaral, foi jogar para o Benfica de Luanda, também por uma época, e teve como companheiros Nato Faial, Amaro, Avex, Serge, Dedé e companhia. Com o Benfica de Luanda, jogou uma final da Taça de Angola contra o 1º de Agosto e foi perdida por 5-4, aos penáltis.

Em 2008, Ekoboló foi para o Desportivo da Huíla, na altura treinado por Agostinho Tramagal. No clube huilano jogou com Nando, Manucho, Nato Faial, Tuabi e Maninho. “Foi no Desportivo da Huíla que aconteceu o momento mais triste da minha vida como jogador. Num jogo contra o Benfica de Luanda, no Lubango, quando ganhávamos por uma bola a zero, o Benfica empatou o jogo com um grande “frango” meu. O mister Tramagal acusou-me de ter recebido dinheiro do Benfica para facilitar a vida deles. Até hoje, sempre que penso nisso fico muito triste”, lamentou, visivelmente triste e com lágrimas nos olhos.Em 2009 o “rapaz” foi jogar para o Petro do Huambo, com João Pintar como treinador. Nos petrolíferos do planalto central jogou com Helder, Massiala, Didi e Lendi, e foi aí que terminou a sua carreira como futebolista.

Ekoboló era um guarda-redes que transmitia confiança aos seus colegas e um bom defensor de grandes penalidades. O seu ponto fraco era o jogo aéreo, por ser de baixa estatura. Mas, mesmo assim, foi dos melhores guarda-redes que o 1º de Agosto teve, ao lado de Ângelo, Napoleão, Capelo e Ntomas. Ekoboló revela um segredo: “O ponta-de-lança que mais mexia comigo era o Flávio, mas só me marcou uma vez, quando estive no Sporting de Cabinda. Os defesas que mais confiança me davam eram o Neto, o Hélder Vicente e o Julião (já falecido)”. Actualmente, Ekoboló está no desemprego e diz acreditar que o 1º de Agosto o vai ajudar, pois considera-se filho de casa.

PERFIL

Nome completo: Ramazani Ewuizi
Filiação: Ramazani Muengabongo e de Ewizi Verónica
Data e local de nascimento: RDC (Gombé) a 24.04.1973
Estado civil: Solteiro
Filhos: 5
Música: Ku Duro e Kizomba
Filme: Policiais
Hooby:  Ver TV e conversar com amigos
Cor preferida: Azul
Prato: Kizaca, Fumbwa e Feijoada
Bebida: Cerveja
Casa própria: não tenho
Carro: não tenho
País de sonho: Portugal
Cidade angolana: Cabinda
Calçado: 43
Acredita em Deus: Sim, porque ele é o criador de tudo