Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Foi no mundial dos Estados Unidos que ele entrou de vez para a história

26 de Março, 2012

Foi dele o golo de honra da goleada de 1 a 6 que o país sofreu com a Rússia

Fotografia: AFP

Albert Roger Mooh Miller, mais conhecido por Roger Milla começou a sua carreira profissional no Eclair de Douala, em 1965. Dono de grande técnica e famoso pela maneira como comemorava os golos, foi um dos destaques do Campeonato do Mundo FIFA de 1990, na Itália, levando a selecção camaronesa até aos quartos-de-final, facto até então inédito em mundiais, nos quais uma selecção africana nunca tinha ido tão longe, e podia ter avançado mais, estando perto de bater a Inglaterra e ir às meias-finais.

Os camarões já tinham surpreendido na estreia, ao derrotar a Argentina, detentora do título. Milla fez quatro golos no Mundial, comemorados com uma sambadinha que, segundo ele, era uma homenagem ao brasileiro Careca e à inspiração que o futebol brasileiro tinha levado para África, com as excursões do Santos de Pelé pelo continente, nos anos 60. Foi só neste Mundial que ele, que já tinha disputado o de 1982, apareceu para o mundo e para a própria França, onde jogava e se ressentia por, ao fim de 13 anos, passar despercebido no país, para onde foi em 1977 jogar no modesto Valenciennes. Tinha saído de África com o título de melhor jogador do continente, em 1976.

No futebol francês, foi herói de outro clube pequeno, o Bastia: pela equipa da Córsega, marcou o golo do título da Taça de França de 1981 sobre o então poderoso Saint-Étienne de Michiel Platini. Ainda assim, só foi ao Mundial de 1990 por interferência do seu amigo Paul Biya, então presidente dos Camarões. Milla estava à beira da reforma no JS Saint-Perroise, da ilha de Reunião, para onde se “exilara” após a morte da mãe e a gravidez da sua esposa. A sua performance no mundial levou-o de volta ao Tonnerre Yaoundé, de onde tinha saído para França. Ficou no clube nos quatro anos seguintes, mas sem jogar pela selecção. Quando os Camarões se qualificaram para o Mundial, Milla resolveu voltar e novamente contou com a ajuda de Biya.

Foi no Mundial dos Estados Unidos que ele entrou de vez para a história dos campeonatos do mundo, mais concretamente para as estatísticas do torneio. Tornou-se, aos 42 anos de idade, o mais velho atleta a disputar a competição, quebrando a marca do norte-irladês Pat Jennings. Aos 42 anos e 39 dias, idade que tinha na última partida dos Camarões, superou a própria marca que tivera no mundial anterior, estabelecendo-se como o mais velho também a marcar: foi dele o “golo de honra” da goleada de 1 a 6 que o país sofreu com a Rússia. A partida ficou ainda marcada por outro recorde: o de melhor marcador num único jogo do Mundial, para o adversário Olé Salenko, autor de cinco golos.



Vítor Damas
Guarda-redes “bom de bola”


Vítor Damas foi um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre. Entre 1966/67 e 1974/75 representou o Sporting. Transferiu-se depois para a equipa espanhola de Racing Santander, onde jogou entre 1975/76 e 1979/80, tendo sido, por uma vez, considerado o melhor estrangeiro a jogar em Espanha. Voltou a Portugal para jogar pelo Vitória de Guimarães, entre 1980/81 e 1982/83, e o Portimonense, em 1983/84. Regressou ao Sporting entre 1984/85 e 1988/89, onde terminou a sua carreira.

Damas foi o jogador que mais vezes vestiu a camisola do Sporting – 743, 332 a contar para o Campeonato Nacional. Tinha 14 anos quando se estreou de “leão ao peito”, num jogo com o Benfica: “Tenho muito boas recordações, mas simbolicamente a melhor é o primeiro jogo que fiz aqui (Antigo Estádio José Alvalade), com 14 anos, pela equipa de principiantes B. Foi uma emoção muito grande, pela idade que tinha, porque vi muitos jogos na bancada e porque foi a primeira vez que joguei no relvado do Estádio José Alvalade.

Foi um jogo maravilhoso, por toda a emoção, por tudo aquilo que envolveu o próprio jogo e pelo que eu já gostava do clube. Perdemos, mas não foi importante. O resultado não conta, o que conta é a emoção de ter jogado no terreno onde jogou Peyroteo e todos os outros grandes jogadores do Sporting, embora o Estádio já fosse outro.” Foi este o ponto de partida para uma extraordinária carreira ao serviço do Sporting e do futebol português. Possivelmente a sua carreira na selecção foi comprometida pelos anos passados em Espanha. Foi reservista durante o Campeonato da Europa de 1984 e jogou no Campeonato do Mundo de 1986, substituindo Manuel Bento, quanto este fracturou uma perna.


Zidane
O melhor jogador do futebol francês

Zidane é tido como o melhor jogador da história do futebol francês, sendo frequentemente comparado ao seu compatriota Michel Platini. Durante a sua carreira defendeu equipas como a Juventus e o Real Madrid, estando também presente na fase mais vitoriosa da história da selecção francesa, que conquistou um inédito Campeonato do Mundo e o segundo título do Euro da sua história.

Não se notabilizou tanto pela quantidade de golos: Zidane era um jogador mais caracterizado pelas passadas largas, precisão nas cobranças de falta e em lançamentos, habilidade para driblar apenas quando necessário. No final do século XX, era descrito como um “craque dos antigos”, a jogar de forma solidária, fazendo os companheiros brilhar, ditando o ritmo do clube ao preparar as jogadas e distribuir assistências.

Ainda assim, a vitória francesa na final do Mundial de 1998 deve-se a dois golos seus. Marcado por brilhar em jogos decisivos, embora geralmente não rendesse tanto em partidas de menos valor, está juntamente com Pelé, Vavá, e Paul Breitner entre aqueles que marcaram golos em duas finais do Campeonato do Mundo. Durante a sua carreira, conquistou diversos títulos, além de facturar também diversos prémios, incluindo três vezes o de melhor jogador do mundo pela FIFA (sendo o recordista, ao lado do ex-companheiro de clube, o brasileiro Ronaldo), e uma vez pela France Football.

Numa lista recente criada pela World Soccer, Zidane aparece na 28ª posição, entres os cem melhores da história. Também foi inserido no FIFA 100 (lista dos 125 maiores jogadores vivos), uma lista comemorando os cem anos da entidade. E ficou em primeiro no UEFA Golden Jubilee Poll (lista dos maiores jogadores europeus da história), pesquisa realizada pela UEFA através da Internet. Actualmente, além de participar sempre nas partidas beneficentes, Zidane também é embaixador da ONU na luta contra a fome. No Real Madrid, ocupa o cargo de director na direcção de Florentino Pérez.



Zidane é o preferido dos franceses

Zinedine Zidane ainda é o desportista preferido dos franceses, diz uma sondagem publicada ontem pelo “Le Journal du Dimanche”. Os resultados do inquérito, que junta desportistas no activo e retirados, mostram que mais de metade dos que compõem o top 25 já terminou a carreira. O pódio fica completo com o piloto de rali Sebastien Loeb, no segundo lugar, e com o ex-tenista Yannick Noah, no terceiro. Karim Benzema, jogador do Real Madrid, é o futebolista no activo melhor classificado (21º), sendo ainda de destacar Jo-Wilfried Tsonga (4º), Michel Platini (5º) e Bernard Hinault (12º).


FUTEBOL FEMININO
Marta da Silva a “Pelé de saias”


Marta Vieira da Silva, futebolista brasileira, foi escolhida como melhor futebolista do mundo cinco vezes consecutivas, um recorde entre mulheres e homens. Foi considerada pela revista “Época” um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. Após grandes exibições recentes e, principalmente, nos Jogos Pan-americanos de 2007, Marta chegou a ser comparada a Pelé, sendo mesmo chamada de a “Pelé de Saias”. A atleta declarou que se emocionou ao saber que o rei do futebol acompanhou os jogos da selecção feminina.

Além disso, entrou no passeio da fama do Maracanã, sendo a primeira, e até agora a única, mulher a deixar a marca dos pés neste local. Depois de jogar como juvenil do CSA, Marta iniciou a carreira profissional no Vasco da Gama em 2000. Após dois anos na equipa cruzmaltino, transferiu-se para o Santa Cruz, onde jogou por mais duas temporadas, antes de defender o Umea IK da Suécia. Por este clube, tornou-se muito mais conhecida na Europa e foi-se destacando cada vez mais, até ser considerada a melhor jogadora do mundo. A jogadora conquistou, com a selecção, a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 2003 e 2007, liderando o marcador da competição com 12 golos nestes últimos. Foi ainda medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e 2008.