Jornal dos Desportos

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Reportagens

Fundistas preparam na Hula presena na 54 So Silvestre

Gaudncio Hamelay, no Lubango: - 07 de Dezembro, 2009

Terra da Chela acolhe fundistas a nata do atletismo nacional

Fotografia: Jornal dos Desportos

A província da Huíla tem fortes tradições na especialidade de fundo e meio fundo devido aos atletas e à condição climatérica. Esta hegemonia faz dela um dos pólos importantes de desenvolvimento do atletismo nacional e cria apetência aos clubes de Luanda que têm preferências por fundistas residentes nessa região.
Os huilanos destacaram-se desde há anos em provas de fundo, por isso, nesta competição que se avizinha não vão deixar os seus créditos em mãos alheias, apesar de muitos dos seus atletas representarem cores de clubes diferentes. A intenção é preservar a hegemonia do atletismo dessas paragens, pois com o aproximar da prova, a expectativa reinante no seio dos clubes é grande.
Fruto disso, alguns dos treinadores preferem efectuar a preparação dos seus atletas na província da Huíla. "É preferível trabalhar na Huíla devido ao factor clima. Os atletas ganham mais oxigénio, quando se preparam em zona de maior altitude (acima do nível do mar). E a província da Huíla oferece essas condições climatéricas", explicou Lázaro João, técnico do Núcleo do 1º de Agosto.
Lázaro João diz que ter preferência em trabalhar nesta região para que os atletas possam ganhar oxigénio e quando estiverem a competir em localidades ao nível médio das águas do litoral, “corram à vontade”, já que terão forças suficientes e resistência necessária para aguentar o desgaste da prova de fim-de-ano". Nesta fase derradeira tudo têm feito

CLUBES DE LUANDA
PREPARAM ATLETAS

Os fundistas de clubes de Luanda residentes na cidade do Lubango mostram-se confiantes em obter resultados satisfatórios na 54ª edição da tradicional corrida de fim-de-ano, denominada São Silvestre, que sai às ruas de Luanda, no próximo dia 31.
Atendendo as suas condições climatéricas, na província da Huíla, que se situa a dois mil metros de altitude em relação ao nível do mar, trabalham os núcleos do 1º de Agosto, Petro de Luanda, Interclube Século XXI, constituído por atletas de reconhecida craveira nacional e internacional.
Nesta época do ano, quando se fala da participação de atletas na corrida São Silvestre de Luanda, os clubes depositam esperanças aos seus fundistas. O núcleo do 1º de Agosto prepara com toda a acuidade quatro fundistas, dos quais três masculinos e um feminino. Trata-se de Avelino Dumbo, Severino Kalenga, Miguel Mota e Ernestina Paulino. A grande ausente nesta prova será a atleta Teresa Tchicolile.
Lázaro João, técnico dos corredores do 1º de Agosto, residentes na Huíla, assegura que o trabalho de preparação com vista a competição decorre "sem sobressalto". Quanto aos objectivos para esta edição, disse que “passam por melhorar a classificação obtida na São Silvestre anterior".
"Estamos na última fase de preparação e os trabalhos têm decorrido da melhor maneira, isto é, os atletas têm correspondido com as exigências técnicas a que lhes são submetidas. Esta etapa, considero-a de seguimento dos micro-ciclos anteriores, faltando apenas duas competições, que são a antecâmara da São Silvestre”, disse.
Lázaro João adiantou que os atletas não estão ao mesmo nível. Há sempre algum desnível, mas, “é próprio da conjuntura”. Os atletas competem desde Setembro e, nesse momento, estamos a consolidar o que já foi feito: “afinar a ponta final”. Lázaro João diz estar confiante nas performances dos fundistas” e garante que tudo tem sido feito para que, nos próximos 15 dias, os restantes corredores consigam atingir os patamares alcançados pelos demais de forma a poderem representar condignamente as cores do clube.
O treinador do 1º de Agosto disse que vai dotar os seus corredores de condição física necessária para suportar a exigência da prova. Por isso, o plano de treinamento vai ser diversificado.
“Introduzimos o volume e a intensidade ao mesmo tempo. Isso será 50 por cento em intensidade e os restantes 50 em introdução de volume. Nos últimos 15 dias que antecedem a competição, reduziremos o volume e redobraremos a intensidade”, disse.
Lázaro João disse que o trabalho psicológico joga um papel fundamental no seio do grupo. Os atletas, quando entram numa competição da dimensão da São Silvestre, devem saber que “cada prova é uma prova”. Neste caso, os corredores devem sentir-se competidores internacionais, não obstante o pouco contacto com as provas internacionais. “Devem sentir como se estivessem numa competição internacional. Esse é o trabalho psicológico incutido na mente dos atletas”, destacou.

Interclube Século XXI
"repesca" fundistas locais

O Grupo Desportivo Interclube Século XXI é outra agremiação da capital com apostas viradas nos fundistas residentes na cidade do Lubango. Não foi por acaso que “repescou” do Inter da Huíla sete vedetas do atletismo nacional com vastas experiências em provas do género com realce para Joaquim Chamane, Miguel Candona, Joaquim Luawa, Francisco Caluvi, Manuel António, Felícia Galvino e Zeferina Miguel.
Esse "naipe" de fundistas oferece ao clube adstrito ao Ministério do Interior garantias de ocupar lugares cimeiros como é pretensão do técnico José Leôncio. “Temos informações oficiosas que este ano a prémios vão do primeiro até ao 20º classificado. Então, o nosso principal objectivo é lutarmos para entrarmos nos cinco primeiros lugares”, disse José Leôncio.
A melhor classificação do clube, na edição passada, pertenceu ao atleta Joaquim Chamane (12º classificado da tabela geral e 2º melhor na classificação dos nacionais). No entanto, “como temos vários atletas que se destacam normalmente na São Silvestre, tais como Manuel António, Francisco Caluvi, Miguel Candona, acreditamos que qualquer um, desde que esteja psicologicamente e fisicamente bem, estará em condições de representar o clube condignamente”, sublinhou.
A prova do fim-de-ano é uma caixinha de surpresa, isso é, não se sabe quem vai ganhar. “O factor clima e a motivação vão influenciar na marcha dos atletas. Espero que vença o melhor e que esse melhor seja um nacional”, destacou José Leôncio.
O treinador do Interclube sustentou que a participação em provas nacionais em algumas províncias possibilitou aos seus corredores atingir "uma performance competitiva eficaz" e está crente que, no momento da prova, os atletas vão provar o fruto do nosso trabalho”, explicou.
O aprimoramento dos aspectos técnicos, de resistência, velocidade e finalização, dominam a preparação dos fundistas dos "polícias" da capital. Para além disso, argumentou José Leôncio, estão a ter cautelas para que os corredores não contraiam lesões. “Estamos a trabalhar na fase de manter a forma dos atletas para que no dia D possam estar em condições de competir", frisou.

Sessões de preparação
em recintos impróprios

A falta de recintos apropriados de treinamento do atletismo na cidade do Lubango tem criado constrangimentos aos treinadores. Para levar avante a actividade de preparação de seus pupilos recorrem a recintos impróprios.
“As dificuldades são várias. A primeira está assente com os recintos de treinamento. Temos o campo pelado adjacente à Universidade Mandume Ya Ndemofaya, um espaço não apropriado para treino de atletismo. É um lugar onde acorrem praticantes de outras modalidades, mormente futebol, educação física, entre outras equipas, o que nos tem dificultado o treinamento”, lamentou treinador do núcleo do Interclube.
Como alternativa para preparar os atletas, recorrem às estradas ou arredores da floresta da Escola 27 de Março, muito embora tenha sido reduzido a 800 metros, ao circuito automobilístico dos “200 kms da Huíla” no Complexo Turístico da Nª Sr.ª do Monte e ao perímetro de corta-mato localizado na Comuna da Palanca, no município da Humpata.
José Leôncio disse ainda que as chuvas que se abatem nesta região têm igualmente criado grandes transtornos.
"Às vezes, somos obrigados a suspender os nossos trabalhos e como alternativa, fizemos a preparação recorrendo as estradas já que o campo pelado da Universidade Mandume Ya Ndemofaya fica alagado", asseverou

Cinco atletas do Petro
trabalham resistência

O Petro de Luanda com corredores de reconhecida craveira no atletismo está a preparar-se igualmente na cidade do Lubango. Para esta competição, vai estar representado por cinco corredores com destaque para José Lourenço, Venâncio Samba, José Ndala (vencedor da São Silvestre de 2006), Tito Kassanga e Inês Kapoco.
Os fundistas “petrolíferos” trabalham há três meses com vista a sua participação êxitosa na corrida de fim-de-ano São Silvestre. O trabalho de preparação, que se estenderá até ao dia da partida para o local da competição, baseia-se nos aspectos de resistência, trabalhando 50 a 90 minutos diários.
A pretensão de cada um dos integrantes do grupo do Petro de Luanda, que estão a ser orientados tecnicamente pelo experiente fundista José Lourenço, é de assegurar e melhorar a classificação anterior.

HUILANOS ESTÃO "APTOS"

A província da Huíla vai estar presente na corrida de fim-de-ano com o Inter da Huíla, Benfica do Lubango, selecção provincial e dois atletas paralímpicos, cujo objectivo passa por melhorar a prestação da edição passada.
Augusto Diogo "Seco", treinador do Inter da Huíla e da selecção provincial, informou que a equipa do Inter da Huíla está constituída pelos fundistas Adelino José (masculino) e Verónica Venâncio (feminino); a selecção provincial pelos fundistas Luís Chivemba (masculino) e Hermelinda Belo (feminino); o Benfica do Lubango com Rosalina Kapoco e Natália Kapoco (femininos) e Jorge Kapoco (masculino), enquanto o Pedro Samuel e Dofília Leonardo competem na classe dos paralímpicos.
O treinador dos “polícias” da Huíla referiu que esses corredores para além de terem a "missão" de manter a hegemonia huilana nas provas de fundo e meio fundo garantem “confiança” para a obtenção de resultados satisfatórios, que passam em posicionar-se entre os dez primeiros da classificação geral da prova em ambos sexos.
"Começando pela selecção provincial, os objectivos são sempre os mesmos. Os atletas devem ser os melhores entre os nacionais. Isso significa que a nossa província tem de ser a número um em ambos sexos", definiu.
Os atletas têm sabido gerir esta performance. Somente, no ano passado, houve uma escapatória em masculino. O Inter da Huíla vai procurar manter a hegemonia huilana nas provas de fundo e meio fundo.
Augusto Diogo “Seco” esclareceu que a preparação dos atletas, que estão sob a sua tutela, os fundistas da selecção provincial e do Inter da Huíla, iniciada em Setembro, foi repartida em três fases. A primeira cingiu-se numa preparação geral; a segunda, principiada no mês de Outubro, considerada de pré-competitiva, os atletas estiveram engajados em cinco competições nacionais, o que lhes permitiu dotar de tarimba necessária.
As cinco provas nacionais promovidas pela primeira vez pela Federação Angolana da Atletismo em forma de circuito nas províncias do Kuando-Kubango, Zaire (Mbanza Congo), Malanje, Kwanza-Sul (Porto Amboim) e Benguela serviram de “antecâmara para a corrida de fim-de-ano". Para o efeito, "louvamos as iniciativas do género", congratulou-se.
Augusto Diogo avançou que, desde o passado dia um de Dezembro, se entrou na última fase de preparação, a terceira e última fase, que serve para manter os níveis técnicos alcançados ao longo de toda a preparação.
Nesse sentido, corridas de longos percursos em estrada e crosses no perímetro da Nª Senhora do Monte e comuna da Palanca, no município da Humpata, durante três horas cronometrados, bem como a intensidade, dominam a última fase dos trabalhos de preparação dos huilanos.
"Entramos na última fase de preparação propriamente dita para a São Silvestre. Porém, estou com algumas dificuldades, porque o grupo está separado nesse momento. Alguns dos atletas fazem parte da Selecção da Polícia Nacional que participa nos Jogos da SARPCCO em Malawi. Os atletas que ficaram, primam pela intensidade para manterem os níveis atléticos e emocionais já adquiridos durante a preparação geral", manifestou.