Jornal dos Desportos

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Reportagens

Futebol de bom nível com congoleses do Etoile

06 de Maio, 2015

Etoile do Congo mostrou maturidade que marcou a internacionalização do futebol nacional na República Popular de Angola

Fotografia: Jornal de Desportos

O dia 11 de Abril de 1976 foi marcado por um acontecimento ímpar  no futebol angolano.O Estádio Municipal dos Coqueiros, foi palco do jogo, que marcava a primeira internacionalização do futebol nacional na República Popular de Angola, com a vinda ao país da equipa do Etoile da República Popular do Congo que defrontou e venceu a selecção da JMPLA, serviu de retribuição à visita da Selecção Nacional àquele país, em Fevereiro, na altura perdeu em Brazzaville por 2-3.

O futebol nacional começava a dar os primeiros passos  com jogos internacionais,  a vinda do Etoile confirmou apenas um dado: os congoleses, por questões perfeitamente compreensíveis, estavam largos passos à frente do nosso país. Os relatos da época, inseridos na edição do dia 13 de Abril, terça-feira, indicavam que o Etoile do Congo confirmava as qualidades que se conheciam do futebol congolês: boa organização, excelente preparação física e apreciável execução técnica, com os visitantes a imporem-se com todos esses predicados, com uma vitória de 3-2.

Os congoleses venceram o jogo, mas foram os angolanos quem inauguraram o marcador. O goleador Carlos Alves abriu o activo aos 15 minutos, mas a três minutos do intervalo o Etoile chegou ao empate por intermédio de N'Domba.

No período complementar, Opart elevou para 2-1 para os congoleses, mas Rábida fez o 2-2. Tchimbakala levou a sua equipa ao triunfo.

De acordo ainda com o Jornal de Angola, globalmente no primeiro tempo os nossos jogadores escamotearam as suas naturais deficiências (falta de contactos e de preparação física.

No segundo período os visitantes mostraram toda a gama de seus recursos e desse modo, conseguiram neutralizar a acção dos nossos jogadores. O golos da vitória só aconteceu devido aos erros do sector defensivo angolano.

Já no declinar da partida, os congoleses fizeram uma magnífica demonstração de retenção de bola, queimaram tempo e de uma forma geral arrefeceram o último entusiasmo dos angolanos.


COQUEIROS
As equipas no relvado


O Jornal de Angola resumiu no fim do jogo com o seguinte comentário:
“Foi um bom jogo de futebol, que deve ser tomado como estímulo a outras realizações internacionais, sem esquecer, é claro, que é necessário também, que internamente se processe uma completa reformação do nosso desporto”. Sob a arbitragem de Pinto Fernandes, auxiliado por  Rui Afonso e Amaral Octávio, as duas equipas alinharam com os seguintes jogadores:
ANGOLA: Ângelo, Catarino, Luisinho, Chico Lopes e Vinhas (Inácio); Ginguma, Geovety e Augusto Pedro; Nelito (Rábida), Sabino (Arnaldo) e Alves.
ETOILE: Tady, Tragonardo, Aya, Mukoko e Bokomba; Opart, Gassaye e N'Domba, Ondongo, Tchimbakala e Bonazbi (Fidissa).


Figura
DIRIGENTE DESPORTIVO
JOSÉ LUIS PRATA


É um homem assumido do futebol. Primeiro como atleta e depois como dirigente de apurada visão estratégica. Tem uma opinião formada sobre a evolução do nosso desporto, ao longo dos últimos 40 anos. Reconhece e enaltece os passos de desenvolvimento que foram encetados, mas também manifesta alguma inquietação por aquilo que podia ser feito, mas que ficou adiado. Falámos de José Luís Prata, esteve em Luanda no dia 11 de Novembro de 1975, não deixou escapar a oportunidade de se deslocar ao Largo 1º de Maio, para testemunhar ao vivo o momento que representava a viragem de uma página importante na história do povo angolano. Comandante Prata, como também é chamado, é a nossa FIGURA no presente “Reviver Angola 40 anos”.

 Onde estava no dia 11 de Novembro de 1975?
Estava aeroporto todo o dia, era responsável político, coordenador do Comité Acção do MPLA e depois fui para o Largo da Independência, na época 1º de Maio, assistir à festa da proclamação da nossa independência.

Que acontecimento desportivo mais o marcou nestes 40 anos de independência que o país vai assinalar?
Com certeza que foi a realização dos CAB em Angola, o Mundial hóquei em patins, a realização do CAN' 2010 em Angola, e nossa ida ao Mundial' 2006 na Alemanha

O que gostava que tivesse acontecido no desporto nestes 40 anos, mas que no entanto não aconteceu?
Que deixassem as pessoas do futebol gerir o futebol...Tem servido para a promoção de muita gente que não tem nada a ver com o futebol e que só atrapalham. Pois, toda gente sabe a força do mesmo. Como consequência disso, o programa Maior MPLA/Executivo consubstanciado no Art. 79 da Constituição, “Política Desportiva e Estratégica” para desenvolvimento do desporto em Angola, dando corpo aos objectivos do Plano Nacional de desenvolvimento 2013/2017 não são cumpridas por ignorância e falta de conhecimento de quem está mandatado para o fazer. Repare-se que acaba de ser aprovada Lei Desporto Nacional, e a Lei de Bases do Regime Jurídico do Sistema do Desporto Nacional e ainda não foi implementado na prática por nenhuma Federação e não foram reajustados os seus estatutos e regulamentos das Federações/ Associações/ Clubes.

Como se pode gerir a coisa pública, sem sustentabilidade da normação aprovada?
Por isso, o que gostaria que tivesse acontecido era que as pessoas fossem sérias e trabalhassem de acordo com a Lei. Projectos/Programas/Estratégias e Objectivos devidamente aprovados, dentro de prazos devidamente estabelecidos. Muito ainda podíamos dizer, mas já está bom...

Como dirigente desportivo de créditos firmados, como avalia o  contributo no processo evolutivo do nosso desporto nestes 40 anos?
De acordo com o que disse anteriormente, sempre trabalhei com base em Projectos/Programas/ Estratégias e nunca me dei mal com isso. Por isso, é que tudo que foi feito de positivo no futebol tem minha assinatura, com excepção dos vice-campeões CAN e uma Taça COSAFA. De resto, tudo tem minha participação como vice- Presidente, e é bom referenciar que quando eu saio da FAF, aquilo bate no fundo, como aconteceu neste último CAN para o qual não nos qualificamos. Pode-se  registar como factos indesmentíveis, que foi no meu reinado que estivemos nos dois mundiais SUB-20 e  AA na Alemanha, nos CAN fases finais SUB 17/20, nos torneios de Toulon, em cinco fases finais do CAN + CAN 2010 que foi reflexo do trabalho feito 2006, duas Taças COSAFA. Devo ainda acrescentar que se não estive presente em alguns eventos, foi por motivos profissionais ao serviço da Pátria. Pois, entre ir para um jogo ou competição e servir o mais alto mandatário da República, eu optei sempre por servir o chefe.

A independência trouxe novos ventos para o país. Mas o passado é inesquecível. tem saudades do seu tempo de atleta no ASA?
Tenho muitas saudades da juventude e como tal do meu ASA. Mas deixa-me dizer que foi através do futebol que consegui atingir os meus objectivos. O meu primeiro emprego aos 16 anos a ganhar logo de entrada 116 escudos por dia como operário de 3ª classe.