Jornal dos Desportos

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Reportagens

Futuro das infra-estruturas preocupa cidadãos de Benguela

Júlio Gaiano em Benguela - 22 de Fevereiro, 2010

Estádio de O´mbaka, um monstro desportivo construído de raiz

Fotografia: Jornal dos Desportos

Todos estão preocupados com o após-CAN’2010. Infelizmente, a partir das estruturas de direito, pouco se sabe. Cautela, prudência ou coisa parecida!? Isto é que resta apurar. Mas, a verdade é que a passividade dos responsáveis de direito começa a preocupar a todos que em Benguela vibraram com a festa do futebol africano. Em Benguela, a prova durou dezoito dias. Ou seja, deu o pontapé de saída no dia 12 com os jogos inaugurais da Série C e terminou no dia 30 com a vitória da Nigéria diante da Argélia, por 1-0, conquistando assim o 3º lugar, equivalente a medalha de bronze.

Acabaram-se os jogos e as obras ficaram intactas, sem que a maioria dos populares saibam dos projectos a si reservados.
Na verdade, a província beneficiou de muitas e novas infra-estruturas socio-desportivas, mas se arrisca a vê-las votadas ao subaproveitamento, tal com acontece com outras que foram erguidas para albergar eventos internacionais, como são os casos dos pavilhões gimnodesportivos das "Acácias Rubras" e do Matrindindi.

O primeiro foi destinado para acolher uma das fases do "africano" de basquetebol seniores masculino; ao passo que o segundo para abrigar os "africanos" de andebol seniores femininos e masculinos. Por inexistência de equipas para competir ao mais alto nível das provas nacionais, os referidos empreendimentos desportivos encontram-se votados ao abandono, quase que total. E como se não bastasse, entraram em fase acelerada de degradação.

"Não havendo actividade desportiva, os pavilhões não podem angariar dinheiro para pagar os funcionários que lá trabalham, resultando daí a sua degradação", lembram alguns "experts" da matéria ouvidos pelo Jornal dos Desportos. Isto devia servir de lição para as autoridades competentes da província de forma a evitar que o Estádio Nacional de O’mbaka e os respectivos viveiros (da BAOC e do Eléctro do Lobito) se transformem num "elefante branco", dado aos custos que resultaram nas suas respectiva construção.

Promover eventos desportivos para aquele empreendimento, a preços módicos pode ser uma das alternativas. O contrário, será muito difícil termos aí jogos, já que em condições normais, a nenhum clube interessaria despender dos seus parcos recursos financeiros, quando podem actuar noutros campos mais baratos.

A par da construção do Estádio de O’mbaka, o Estado angolano reabilitou e arrelvou os campos dos Estádios do Buraco, na cidade do Lobito, Comandante Fragoso de Matos, na vila da Catumbela, São Filipe e Municipal, ambos na cidade de Benguela. Daí que caberá a governação local estudar formas para rentabilizar o imponente estádio, promovendo jogos de carácter inter-provinciais, nacionais, e mesmo internacionais.

Akwá defende aposta
nas camadas de formação

O antigo internacional e capitão da selecção nacional, Frabice Alcibíades Maieco “Akwá”, defendeu que as autoridades competentes do governo local devam estudar formas para tirar maior proveito das infra-estruturas construídas e outras reabilitadas no âmbito do CAN que o país organizou de 10 a 31 de Janeiro deste ano. "É preciso parar, pensar e definir prioridades para se tirar o futebol do estado menos bom que se encontra na província. Pelo menos, a situação das infra-estruturas desportivas já não constitui problema.

Precisamos agora de partir da base, apostando nas escolas e nos clubes. Isto envolve custos, mas, por uma questão de princípio, é preciso sacrificarmo-nos mais para se conseguirmos resultados. Caso contrário, continuaremos a assistir ao desfalecimento do nosso futebol", comentou. No entender do, agora deputado à Assembleia Nacional, o facto de a província ficar ausente do Girabola-2010, deve servir para uma profunda reflexão de todos, não importando de que estrato social pertença. Seja governante, político, empresário, desportista ou cidadão comum, todos devem contribuir com o seu saber, indicando caminhos para se sair desta condição, que entristece a todos os benguelenses e amigos da cultura desportiva da província.

Akwá reconhece que a maioria dos clubes (senão todos) atravessam momentos críticos de ordem financeira. Mesmo assim, acredita que com um pouco de esforço, algo devia ser feito no sentido de se minimizar a situação, como por exemplo criar fontes alternativas de auto-sustentação e, evitar-se a dependência absoluta dos patrocinadores. No seu entender, os clubes têm bons programas que caso fossem postos em prática, o futebol benguelense teria outra sorte, não aquela que ditou com a queda das suas equipas do Girabola.

Para Frabice Maieco, o problema não está na execução dos programas apresentados por altura da campanha eleitoral aos sócios e adeptos, mas sim, na falta de entendimento entre os dirigentes dos clubes, facto que tem contribuído para a desagregação das direcções eleitas em assembleias-gerais para um projecto de quatro anos. "Isso mesmo aconteceu no 1º de Maio de Benguela e na Académica do Lobito e o resultado foi aquele que todos sabemos: por falta de harmonia nas sua direcções, as duas formações desceram de divisão, prejudicando assim a imagem do futebol benguelense", lembrou o também dirigente do Nacional de Benguela, clube que o formou e lançou para a alta-roda do futebol nacional e internacional.

Nas vestes de deputado à Assembleia Nacional (AN), "Akwá" tem, por diversas vezes, se deslocado à cidade de Benguela em missão de trabalho, tomando contacto com a realidade socio-económica da província. O desporto, sua paixão principal, tem merecido a sua atenção.

"Governo deve definir políticas
para rentabilizar os estádio de Benguela"

O comentarista desportivo da Rádio Cinco, em Benguela, o professor João Melanchton, exortou às autoridades da província a definirem políticas que visam à rentabilização do Estádio Nacional de O’mbaka, a semelhança do que acontece em outras parte do mundo.
João Melanchton é de opinião que as autoridades da província, para além de promoverem actividades desportivas, devem criar outros serviços no estádio como o de bares, restaurantes e lojas de vendas de matérias desportivos, principalmente, de forma a atrair mais pessoas a visitar com alguma regularidade o local, dando-lhe assim outra vitalidade.

"Sabemos que ao seu arredor foi projectado a construção de uma unidade hoteleira e algumas lojas. Espero que não se fique por mera intenção, pois a construção dos referidos empreendimentos no local pode constituir-se numa mais-valia, tanto para o estádio quanto para a população residente nos arredores do estádio", explicou. Sobre a massificação desportiva no local, o professor Melanshton foi peremptório ao afirmar que caberá ao governo local, através da Direcção Provincial da Juventude e Desportos, definir políticas para a utilização do referido estádio.

"Por aquilo que me tem chegado aos ouvidos, nada me diz que o governo pretenda massificar o futebol no estádio de O´mbaka, até porque não é esta a sua tarefa. Ao governo provincial caberá, sim, dar apoio institucional, material e moralmente as iniciativas dos clubes e das escolas que apontam para este sentido", explica.

Pedro Garcia
acalma  populares 

Em respostas às preocupações dos populares, em face do destino a dar ao Estádio Nacional de O’mbaka, que serviu com brio o campeonato africano das nações, vulgo, Taça de África das Nações Orange Angola-2010, o director provincial da Juventude e Desportos de Benguela, Pedro Garcia, assegurou existir um programa já elaborado pelo executivo local que visa manter o referido estádio funcional.

Em declarações a imprensa local, o governante desportivo assegurou que a nível do governo provincial, o assunto está a ser tratado de forma que o empreendimento, que tanto dinheiro custou aos cofres do Estado angolano, continue a desempenhar o seu verdadeiro papel, visto que para o manter conservado e preservado tem de ser utilizado com a regularidade que se lhe impõe. "Do vasto programa que definimos, consta que nos próximos tempos, o estádio venha a ser palco de uma partida internacional. Estamos a negociar com as estruturas competentes quer a nível central quer local.

Dado ao evoluir das coisas, podem crer que, ainda este ano, os benguelenses poderão voltar a assistir a mais uma partida de futebol de carácter internacional", revelou Pedro Garcia. De acordo com o professor Pedro Garcia, em momento algum o executivo provincial consentirá que o Estádio Nacional de O’mbaka fique votado ao abandono, chegando ao ponto de o transformar num autêntico "elefante branco". Na sua óptica, este tipo de pensamento jamais faria parte dos governantes, políticos, desportistas e dos cidadãos benguelenses, em geral.

"Por aquilo que me é dado a saber, todos os benguelense estão determinados a ver o estádio a rentabilizar o estádio de forma a manter a sua imponência intacta. É nossa obrigação mantê-lo preservado e bem conservado de forma a continuar a servir, com brio, o desporto da província e do país", acrescenta Garcia. De recordar que o Estádio Nacional de O’mbaka, construído de raiz no bairro da Taka (dista a 6 km a Norte da cidade sede de Benguela), tem a capacidade de albergar 35 mil espectadores sentados. Foi palco de Série C da Taça de África das Nações Orange Angola-2010, isto na primeira fase.

Nas fases subsequentes, para além de albergar os jogos referentes aos quartos-de-final e meias-finais, acolheu a partida das classificativas do 3º e 4º lugares, em que foram protagonistas as formações da Nigéria (1) e da Argélia (0).