Jornal dos Desportos

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Reportagens

Garoto Dinamite explodiu

02 de Janeiro, 2012

Dinamite usava com muita inteligência o seu corpo

Fotografia: AFP

Carlos Roberto de Oliveira, mais conhecido como Roberto Dinamite, é um ex-futebolista brasileiro, deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PMDB e actual presidente do Vasco da Gama.É tido como o maior ídolo do Vasco da Gama pelos torcedores, onde jogou 21 dos seus 22 anos como profissional, sendo o maior goleador da história do clube, com 702 golos, e o atleta com mais jogos disputados, 1.110.

É também, juntamente com Pelé e Rogério Ceni, o único jogador do futebol brasileiro a ter mais de mil jogos por uma equipa. Dinamite destaca-se, ainda, por ser o maior marcador da história do campeonato brasileiro (190 golos) e do campeonato carioca (279 golos).Considerado o quinto maior goleador do futebol mundial em campeonatos nacionais de primeira divisão, marcou 470 golos em 758 jogos. Como político, foi eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro e cinco vezes deputado estadual.

Infância e categorias
de base

Carlos Roberto Dinamite de Oliveira nasceu a 13 de Abril de 1954, em São Bento, Brasil. Desde cedo, começou a mostrar intimidade com a bola. Igual a muitas crianças apaixonadas pelo futebol, chegava a dormir com ela nos braços enquanto imaginava as jogadas que faria na próxima partida.Aos 12 anos, o pequeno Calu já era titular da principal equipa do bairro, o Esporte São Bento, onde se destacava como avançado. Nessas peladas tinha uma característica marcante: exigia dos seus companheiros que as jogadas de ataque passassem pelos seus pés. Contudo, quando recebia a bola, dificilmente a devolvia.

Apesar do individualismo – era fã de Jairzinho, autor de golos em todas as partidas durante a conquista do tricampeonato mundial no México – já demonstrava toda a sua habilidade e precisão nos remates de curta e longa distância. Devido a isso, em 1969 foi convidado a treinar as categorias de base do Vasco da Gama por Gradim, olheiro do clube, responsável por garimpar jovens talentos nos campos pelados espalhados pelo subúrbio do Rio de Janeiro. Um mês depois, já estava a jogar na equipa juvenil dirigida por Souza. Em pouco mais de um ano no clube, já tinha marcado 46 golos.

Em um ano de clube, Roberto ganhou 15 quilos, graças a um rigoroso trabalho muscular, tornando-se um dos jovens mais promissores do clube, recebendo constantes elogios de treinadores e dirigentes. No campeonato carioca de juvenis de 1970 foi o melhor marcador, com 10 golos. No ano seguinte, foi mais longe: marcou 13 golos.Desta maneira, despertou a atenção do técnico da equipa principal, Travaglini, que o relacionou para a disputa do Brasileirão de 1971. Nesse mesmo ano, já era apontado como a mais nova esperança de golos da equipa.

Surge o Dinamite
Roberto fez a sua primeira partida profissional contra o Bahia, no dia 14 de Novembro de 1971, com 17 anos. O Bahia vencia por 1 a 0 e o treinador Chirol colocou-o no lugar do meio campista Pastoril no intervalo da partida. Mas ainda não era hora do futuro ídolo. O Vasco acabou por perder o jogo por 1 a 0.

Mesmo com a derrota, o clube estava classificado para a segunda fase do torneio, onde enfrentou o Atlético Mineiro (que acabou por ser o campeão da competição), o Santos de Pelé e o Internacional. Durante a semana que antecedeu o primeiro jogo, contra o Atlético, Roberto destacou-se nos treinos e foi entrou como titular na partida. No dia anterior, o “Jornal dos Sports” tinha saído com a manchete: “Vasco põe a titular garoto-dinamite.”

Ao contrário do que é divulgado, a alcunha de Dinamite não surgiu depois do jogo contra o Internacional. Foi uma criação de dois jornalistas do “Jornal dos Sports”, Valente e Pires, ambos do Vasco da Gama, e criado quando Roberto já se destacava nos juvenis.Naquele jogo contra o Atlético Mineiro, no dia 21 de Novembro, Roberto não esteve bem e acabou por ser substituído. Os adeptos do clube tiveram uma grande decepção, por depositarem muitas esperanças nele.

O jogo seguinte foi a 28 de Novembro, uma quinta-feira, contra o Inter, no Maracanã. No segundo tempo, quando o Vasco vencia por 1 a 0, Admildo Chirol tirou Nunes e colocou Roberto. Na primeira bola que recebeu, Roberto driblou quatro jogadores e rematou no canto esquerdo, marcando o seu primeiro golo.No dia seguinte, o jornal estampava em letras garrafais a manchete: “GAROTO DINAMITE-EXPLODIU!”Era o adeus definitivo de Calu e o surgimento de Roberto Dinamite, que viria a ser considerado por muitos o maior ídolo da história do Vasco, imortalizando a camisola 10.

Começa a história
de amor com o Vasco

A partir de então, começou a sua longa história de amor com a torcida. O médio avançado actuou pelo clube profissional do Vasco entre 1971 e 1980, quando se transferiu para o Barcelona, numa negociação que envolveu muito dinheiro. Voltou ao clube três meses depois, onde ficou até 1989, antes de ser negociado com a Portuguesa. Seis meses depois, Dinamite estava novamente no Vasco, para encerrar a sua brilhante carreira, em 1993, aos 39 anos de idade.

Alto e forte, Dinamite usava com muita inteligência o seu corpo e dificilmente perdia a bola para um adversário, tornando-se um grande perigo na área inimiga. Ele conseguiu uma média de 36 golos por temporada nos 22 anos de carreira e disputou 1.108 partidas. O seu melhor ano foi em 1981, quando deixou 62 vezes a sua marca, superando o recorde de Zico, o maior ídolo dos adeptos do rival, o Flamengo, que tinha feito 45.

As suas principais características dentro de campo eram o sentido de oportunidade, a competência e a sorte. Sabia cobrar faltas como poucos, além de desenvolver, ao longo da sua carreira, a capacidade de rematar com os dois pés.Participou na conquista de cinco campeonatos estaduais - 1977, 1982, 1987, 1988 e 1992. Em 1974, obteve o título de campeão brasileiro, batendo o Cruzeiro na final por 2 a 1. Apesar de não ter marcado no jogo decisivo, Roberto Dinamite foi o melhor marcador da competição com 16 golos e o maior responsável pelo inédito título.

Omar Ahmed venceu
quatro maratonas mundiais


Robert Kipkoech Cheruiyot, conhecido como Omar Ahmed, é um atleta queniano especializado em corridas de longa distância. Cheruyiot começou a praticar atletismo na escola, mas sem condições para pagar os estudos, abandonou a escola no ensino secundário, para ir trabalhar numa barbearia. No entanto, devido ao baixo salário, mal conseguia comprar comida. Pouco tempo depois, conseguiu ser aceite no campo de treino do atleta Moses Tanu, um consagrado corredor queniano vencedor da 100ª edição da Maratona de Boston e venceu uma prova local de 10 km, começando a participar em competições internacionais a partir de 2001.Em 2002 estreou-se em provas na Itália e venceu – com o mesmo tempo de mais dois quenianos – a Maratona de Milão, em 2h08m59s e no último dia do ano venceu a mais importante corrida de rua do Brasil, a Corrida de São Silvestre.

Boston e a carreira
A carreira de Cheruiyot está ligada à mais tradicional corrida do mundo, a Maratona de Boston. Começando em 2003, venceu quatro edições da prova, três delas consecutivamente (2003, 2006, 2007, 2008). A sua vitória em 2006, com o tempo de 2h07m14s, estabeleceu um novo recorde para o percurso – hoje já batido pelo compatriota Robert Kiprono Cheruiyot, sem parentesco – que já durava há 12 anos.

Participando com sucesso noutras provas nos Estados Unidos, foi o autor de uma das mais estranhas vitórias numa maratona: no momento exacto de atravessar a linha de chegada da Maratona de Chicago deu um tombo e, escorregando por baixo da fita, bateu com a cabeça no chão, e fez um traumatismo craniano e dias de observação num hospital. Esta vitória em Chicago, no mesmo ano da sua segunda vitória em Boston, valeu-lhe a primeira posição no ranking de maratonistas de 2006 da IAAF.

Uma das grandes estrelas da maratona internacional, teve, entretanto, uma experiência fracassada na única vez em que representou oficialmente o seu país, abandonando a meio, por lesão, a maratona dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Já esteve várias vezes a correr no Brasil, onde foi tricampeão da Corrida de São Silvestre (2002, 2004 e 2007). Robert converteu-se recentemente à religião muçulmana e, por isso, adoptou o nome Omar Ahmed em algumas competições.