Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Gebrselassie heri nacional da Etipia

07 de Janeiro, 2012

Haile Gebrselassie um corredor etope de longa distncia.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Haile Gebrselassie é um corredor etíope de longa distância, considerado um dos maiores fundistas da história, ao lado do finlandês Paavo Nurmi e do checo Emil Zatopek. É bicampeão olímpico e tetracampeão mundial dos 10.000 m e estabeleceu 27 recordes mundiais entre distâncias que vão dos 3.000 m à maratona.

O fundista etíope Haile Gebrselassie, um dos nomes mais mediáticos do atletismo internacional, correu na 56ª edição da São Silvestre de Luanda. Na prova, de 10 km, que teve início no Largo da Mutamba, passando pelas avenidas Amílcar Cabral, Revolução de Outubro, Ho Chi Minh, Manuel Van-Dúnem, Comandante Valódia, Largos da Maianga, Kinaxixe, Eixo-viários, avenida 4 de Fevereiro, largo do Beleizão e terminou no Estádio dos Coqueiros, Haile ficou em quinto lugar.

Digno sucessor do também etíope, recordista mundial, campeão olímpico e lendário maratonista Abebe Bikila, tem o apelido de "Imperador" no mundo do atletismo, em alusão ao imperador etíope Haile Selassie e ao seu domínio das provas de fundo nos últimos 15 anos. Gebrselassie nasceu numa família de 10 filhos na pequena Asella, na província de Arsi, nos altiplanos da Etiópia. Criança pobre, criada no campo, numa fazenda de plantação de arroz, sem electricidade nem água corrente, ele costumava correr 10 quilómetros entre sua casa e a escola todas as manhãs, fazendo o trajecto de volta todas as tardes.

Isso fê-lo ter uma postura característica como corredor, com o braço direito dobrado num ângulo, como se estivesse a carregar ali os livros escolares. Na sua primeira corrida, aos 16 anos, uma prova de 1500 m contra corredores mais velhos, venceu e recebeu como prémio um calção e uma camisa. Começou a ter notoriedade internacional em 1992, quando ganhou os 5.000 m e os 10.000 m do campeonato mundial de atletismo júnior, em Seul, e uma medalha de prata na categoria juvenil do campeonato mundial de crosscountry.

No ano seguinte, venceu, em Sttutgart, na Alemanha, o que seria o primeiro de uma série de quatro títulos consecutivos nos 10.000 m do campeonato mundial de atletismo. Em 1994, quebrou, pela primeira vez, o recorde mundial dos 5.000 m, marcando 12m56s para a distância. Em 1995, baixou a sua melhor marca dos 5.000 m em mais de 10 segundos (12m44s) em Zurique, no que foi considerado, pela revista “Track & Field News”, “A Corrida do Ano” e no fim do mesmo ano, quebrou, pela primeira vez, o recorde mundial dos 10.000 m (26m43s).

O Imperador
Haile tornou-se famoso na imprensa global e entre o público geral, em 1996, quando conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta estabelecendo nova marca olímpica (27m07s) para a prova. A pista dura do estádio olímpico, construída num material adequado especialmente para os corredores de velocidade, magoou os seus pés e ele não pôde concretizar o sonho de competir e vencer também nos 5.000 m, como o seu ídolo da juventude, Miruts Yiffer, fez nos Jogos Olímpicos de Moscovo, 16 anos antes.

Em 1997, mais uma medalha de ouro nos 10.000 m do Mundial de Atenas, a sua terceira consecutiva nesta prova em mundiais, e novo recorde mundial dos 5.000 m em Zurique (12m41s). Os anos de 1998 e 1999 viram Haile estabelecer, cada vez mais, a sua supremacia nas provas de fundo em pista, quando venceu a Golden League e quebrou mais quatro recordes mundiais em pista coberta e aberta, sendo o principal deles os 10.000 m. No ano 2000, ele mais uma vez liderou o ranking de fundistas, vencendo todas as provas das quais participou, nos 5.000 e 10.000 m rasos.

A mais sensacional delas, e que o transformou no terceiro atleta na história em vencer esta prova em duas Olímpiadas - depois de Emil Zatopek e Lasse Viren - foi a final dos 10.000 m nos Jogos Olímpicos de Sydney, contra Tergat, o seu grande adversário e demais quenianos, na mais apertada chegada de uma final olímpica nesta distância. Três quenianos e dois etíopes, entre eles Gebrselassie e Tergat, dispararam dos demais corredores no terço final da prova, revezando-se na liderança e vigiando-se entre si até à última volta. Nos últimos 400 m, os dois abriram espaço dos demais e o queniano deu uma arrancada fulminante na recta de chegada, parecendo que ia vencer a prova. Haile, entretanto, encontrou restos de força e, como que a remar no ar, conseguiu ultrapassar Tergat por uma cabeça em cima da linha de chegada, numa diferença entre eles de 0.09s, quase a mesma da final dos 100 m rasos. Ele considera esta a maior vitória da sua carreira.

Vida pessoal
Casado e com três filhos, o homem que venceu 108 corridas em 56 cidades diferentes permanece comprometido com o seu povo, a maioria do qual vive na extrema pobreza. Os seus negócios na Etiópia natal empregam 400 pessoas e incluem dois hotéis, uma academia de ginástica um cinema e uma revendedora de automóveis. Ele também abriu e sustenta duas escolas, frequentadas por 1200 crianças, que estudam com computadores e equipamento de laboratório de pesquisas. Mais de 80 por cento destas crianças recebem instrução de alto nível, contra os 10 por cento normais da sociedade etíope como um todo.