Jornal dos Desportos

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Reportagens

Gonçalves indignado com equipas

Morais Canâmua, no Lubango - 22 de Setembro, 2014

Dirigente considera a prestação das duas equipas huilanas no campeonato nacional algo preocupante e exige o empenho de todos

Fotografia: Jornal dos Desportos

O desempenho dos representantes da província da Huíla no Girabola 2014  mereceu apreciação do presidente da Associação provincial de Futebol, João do Nascimento Gonçalves que se mostrou indignado e receoso quanto ao futuro das equipas na prova.O dirigente referiu em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, que o pelouro que dirige, espera por uma outra prestação e desempenho das equipas nesta fase derradeira da maior prova do nosso futebol nacional, já que a situação actual é bastante preocupante.

“Esperava por uma outra realidade e não esta que observámos dos nossos representantes”, qualificou com algum sentimento de preocupação, pela campanha e  posição que ocupam na tabela de classificação.O facto de as duas representantes huilanas se debaterem pela sobrevivência, numa altura que faltam poucos jogos para o término da competição, “provoca-nos uma indignação muito grande, porque não é isso, que nós projectamos”, lamentou.Numa breve avaliação sobre a prestação do Clube Desportivo da Huíla e do Benfica do Lubango, o presidente da APF/Huíla sustentou que as duas formações estão em “polos completamente diferentes” no campeonato nacional.

Explicou que de um lado está o CDH, que  apesar de lutar para não descer de divisão, a sua situação não é má de todo, mas é de certo ponto preocupante. “Está melhor classificado e com largas perspectivas de puder assegurar a permanência, mas vai ter ainda de lutar muito”, advertiu.Para João Gonçalves, isso só se nota na equipa militar da região sul, “por revelar níveis organizativos acima da média e boa saúde financeira”, recordou o dirigente. Como fez questão de lembrar tem um forte protector, “são patrocinados pelas Forças Armadas”, sublinhou.

Ainda assim, apontou não ser digna a actual classificação do grémio militar em relação ao brilharete efectuado na época passada. O responsável máximo do futebol na Huíla revelou que isso decorre, do facto do mau arranque no início da época em que perderam muitos pontos.“Devido a alguns problemas no início da época, que provocou maus resultados e o consequente afastamento do técnico Mário Soares, não teve um bom trabalho de continuidade”, avaliou o dirigente máximo do futebol na província da Huíla.

PRESTAÇÃO DO BENFICA
“Faltam recursos
a esta equipa”


João Gonçalves considerou a prestação do Benfica do Lubango, como a que exige mais cuidados. Mostrou-se receoso e foi claro em dizer que “as hipóteses de manter-se  no Girabola são muito remotas”, admitiu com alguma tristeza.Argumentou na mesma perspectiva, que os encarnados da chela estão a ser vítimas das dificuldades que enfrentam. “Toda essa situação decorre dos graves problemas financeiros que assolam a agremiação”, insistiu.“Realmente, é difícil sem dinheiro montar um bom plantel e isso, nota-se no Benfica do Lubango, em que  a falta de recursos materiais e financeiros penalizam o plantel, principalmente a qualidade de atletas, para além de se notar alguma inexperiência da equipa técnica”, realçou.

Apesar da águia huilana ter praticamente a sua “sentença” ditada no Girabola, o presidente da Associação Provincial de Futebol da Huíla rejeitou assumir qualquer “fiasco” no seu consulado.   “Podemos dizer que é um fracasso para o futebol em geral, mas não temos culpas directas no cartório, porque infelizmente, não recebemos verbas para ajudar os nossos filiados. Praticamente, estes vivem à sua sorte”, recordou com alguma nostalgia.Lamentou o facto do órgão reitor do futebol que dirige não ter alternativa, se não manter-se  impávido e sereno a observar as equipas a “afundarem-se” cada vez mais, na maior prova do futebol nacional.  

“Temos de nos conformar e só nos resta continuar a assistir a esta triste realidade, sem capacidade de fazer nada para salvar o nosso filiado, neste caso o Benfica do Lubango”, deplorou.Assegurou que tem contactado algumas entidades e pessoas para apoiarem a equipa, mas as respostas tardam em surgir. “Temos tentado convencer algumas sensibilidades para apoiar e darem a mão, principalmente ao nosso Benfica do Lubango, mas continuámos a aguardar pelo bom senso dessas pessoas”, destacou.

REVELAÇÃO
“Faltou humildade ao técnico Mário Soares”


O afastamento do técnico Mário Soares do comando técnico do Desportivo da Huíla, depois da brilhante campanha na época 2014, que culminou com o regresso da equipa às Afrotaças, mereceu o mais vivo repúdio da parte de alguns amantes e adeptos do clube, enquanto outros manifestaram  satisfação pela posição tomada. Na opinião do presidente da APF/Huíla, o descalabro de Soares no comando da equipa “deveu-se em parte à vaidade e pouca humildade, que o mesmo passou a evidenciar, após o feito alcançado na época finda”, precisou.

João Gonçalves lembrou inclusive que teve várias conversas com o técnico e advertiu-o no sentido de mudar a forma de agir e estar, para não manchar todo o trabalho feito em prol do clube. “Procurei alertá-lo sobre isso, conversei com ele e chamei-lhe a atenção. O que veio a seguir foram os maus resultados e o seu despedimento”, salientou.Por força disso, o dirigente revelou que o Desportivo da Huíla foi forçado a alterar tudo, para salvar a equipa da posição em que se encontrava. “A direcção do clube teve de refazer todo o processo, com uma nova equipa técnica que procura dar a volta por cima”, reconheceu o dirigente.

CLUBES HUÍLANOS                            
Dirigente exige mais organização


O presidente da APF da Huíla considera arriscada a fase que os seus filiados atravessam, para o futuro do futebol provincial. Sublinhou que para salvar a imagem das equipas, o pelouro que dirige determinou que devem participar apenas nas provas de apuramento ao Girabola, as formações que provem ter condições financeiras, materiais e humanas à altura das exigências da competiçãoPara uma prestação condigna, disse ser importante que os clubes tenham estas condições. O dirigente associativo aproveitou para justificar as ausências das equipas huilanos nesta época ao zonal de apuramento. “A Huíla este ano não marca presença no Zonal de Apuramento ao Girabola do próximo ano”, avançou.

João Gonçalves afirmou que a formação do Agro-Matala, campeão provincial em título, manifestou a intenção de participar no campeonato nacional da segunda divisão, mas foi aconselhada a não levar avante o seu propósito. “Perante o quadro que se vislumbra, a APF aconselhou os dirigentes da agremiação a pensarem bem e organizarem-se melhor. Talvez no próximo ano, possam inscrever-se para disputarem a prova com melhor condição de sustentação”, convenceu. 

O presidente associativo advertiu às equipas pretendentes a disputarem as provas de carácter nacional, a prepararem-se melhor para uma prestação condigna e manter intactos os objectivos que almejam alcançar.“Enquanto as equipas provinciais não tiverem apoios financeiros permanentes, condições materiais à altura e estarem devidamente organizadas, não vamos permitir que sejam inscritas nas provas de carácter nacional, para depois de duas ou três jornadas desistirem da prova”, aconselhou.

Na sua visão, isso “pode manchar muito mais ainda o futebol”. Por isso, “achamos por bem, como medida cautelar, aconselhar os nossos filiados a reunirem primeiramente as condições inerentes à disputa da prova de apuramento”, precisou.João Gonçalves foi peremptório em reconhecer e afirmar, que neste momento, “não temos uma equipa com capacidade técnica, humana e financeira em condições de lutar pela subida ao escalão máximo do futebol nacional”, assegurou com alguma convicção.“Com a provável descida do Benfica do Lubango e a permanência apenas e só do CDH no Girabola, fica beliscado o progresso que perspectivávamos para o futebol Huílano”, acrescentou.

FIM DA CRISE
APF quer apoio
do Governo provincial


O dirigente associativo apontou como saída do imbróglio que o futebol huílano enfrenta, a intervenção urgente do governo provincial para que junto dos empresários da província, consigam o apoio financeiro que se impõe para salvaguardarem a imagem das equipas. “O governo provincial deve sensibilizar e persuadir o empresariado local a apoiar o Benfica do Lubango e o Clube Desportivo da Huíla, que neste momento são os clube que representam a província na maior prova do futebol nacional”, comentou.

Louvou o executivo provincial que estimula a recuperação das infras-estruturas, até porque para ele, “o pelouro de João Marcelino Typingue faz jus ao princípio, segundo o qual, o desporto faz parte de uma boa governação, por esta razão, estamos satisfeitos”, defendeu.Confessou que nos últimos dias, o seu pelouro desenvolveu uma “acção diplomática” bastante intensa que resultou numa reunião entre os principais clubes locais e a APCIL (Associação Agro-Pecuária e Industrial da Huíla) “com objectivos claros de mobilizar apoios”, destacou o dirigente.

APF DA HUÍLA
“Estámos de mãos atadas”


João Gonçalves lamentou o facto do pelouro que dirige, por muita vontade que tenha não poder ajudar os seus filiados. Considera que estão de “mãos atadas” por ver-se  impossibilitado em resolver os muitos problemas com que se debatem a maioria das formações provinciais.“O único apoio que podemos dar é o moral e pedagógico. Juntamos a isso, a nossa constante solidariedade institucional, já que não há outro jeito”, confessou o presidente da APF/Huíla.

O presidente apontou alguns caminhos para que as equipas  se possam desenvencilhar da actual fase critica que enfrentam. Uma das saídas, na visão de João Gonçalves é assinarem contratos de patrocínios com instituições credíveis.  “É preciso procurar patrocinadores credíveis para sustentarem o volume de despesas e a estimulação de fontes de rendimento próprias”, acrescentou.O dirigente sabe bem que neste aspecto, à semelhança do que acontece em outras paragens, “o governo deve ajudar os clubes e Associações através do Fundo de Desenvolvimento Desportivo que deve ser accionado”. João Gonçalves mostrou-se inconformado e apelou às estruturas de direito, “a darem uma mãozinha aos clubes que representam o futebol huílano na mais alta-roda”.

UM ANO DE MANDATO
“Já cumprimos
parte do programa”


O presidente da APF/Huíla considerou que o programa apresentado aquando da campanha eleitoral, que o levou a vencer o pleito e conquistar o assento da presidência associativa, foi cumprido em cerca de 60 por cento. João Gonçalves foi  eleito e empossado em Maio do ano passado, argumentou que “muito já foi feito em prol do futebol huílano” e apontou  como divisa do seu consulado, as acções formativas para árbitros e técnicos, a organização administrativa da própria APF, a revisão dos estatutos e regulamentos, os subsídios no acompanhamento e aconselhamento aos seus filiados, bem como a estimulação do futebol jovens, entre outros.

“Enquanto muitos se preocupam com resultados imediatos, nós nos batemos em assegurar o futuro, a estimular o futebol jovem com realização de campeonatos nos escalões etários, (iniciados, infantis, juvenis e juniores)”. Assegurou que “esta é uma exigência da APF para com os clubes, que felizmente cumprem à risca”, avançou.Sustentou por outro lado, que “todos os dias nos batemos pelo futebol huílano, mas encontramos barreiras por não manejarmos fundos e por via disso, não conseguimos apoiar os nossos filiados”, reiterou.

Ainda assim, sustenta que essa questão está longe de provocar descrédito na estrutura que dirige junto dos associados. “Eles melhor do que ninguém entendem perfeitamente a nossa situação. É uma  questão que faz parte da própria conjuntura”, disse com precisão.Para além das que já foram realizadas, o dirigente prometeu, até Maio de 2016, altura em que finda o seu mandato, promover mais acções formativas para dirigentes, técnicos e sobre medicina desportiva, como forma “de continuarmos a contribuir favoravelmente para o engrandecimento do futebol huílano”, finalizou.