Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Gostava de ter uma escola de formação de andebol"

Augusto Fernandes - 31 de Agosto, 2013

Vítor José de Oliveira Dongo conhecido por Cobra no Mundo do Desporto foi um grande guarda-redes de andebol.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Cobra entrou para o mundo do andebol como um pára-quedista, pois como afirmou “ a maior parte dos jovens do meu bairro treinava judo e somente eu e um outro jovem é que gostávamos de jogar basquetebol e futebol. Certo dia como era hábito às noitinhas, estávamos a conversar em grupo e nisto houve uma “consumição” contra os que não treinavam oficialmente. A troça foi tão forte que no dia seguinte decidi enquadrar-me em qualquer clube e modalidade que me aparecesse primeiro”.

Dirigiu-se à sétima esquadra (actual Unidade Operativa de Luanda) por indicação de alguém. “ Eu nunca tinha jogado andebol na minha vida e nunca me passou pela cabeça ser andebolista. Mesmo assim ganhei coragem falei com o treinador e o homem pôs-me a treinar sem problemas. Por causa da minha estatura no final do treino o treinador perguntou se eu não queria ser guarda-redes. Como às vezes jogava a guarda-redes no futebol de bairro aceitei o desafio.” Tudo isto aconteceu em 1988.

PRIMEIRO TESTE
Em certa ocasião a equipa de juniores que era uma das melhores de Luanda, foi treinar com os iniciados. O treinador dos infantis desafiou os juniores para uma partida. O entrevistado fez parte da primeira equipa, mas de acordo com Cobra, “ eu estava cheio de medo e esquivava-me de todos os remates. Mas depois encorajado pelo treinador fiz uma segunda parte melhor e o curioso é que eu defendia todas as bolas dos melhores jogadores do clube que eram o Didi e o Ferreira, enquanto os outros marcavam com mais facilidade”. A partir daquela data, passou a ser considerado o melhor guarda-redes dos juvenis.

Ainda nesse ano Cobra foi convocado para a Selecção Nacional de cadetes que ia disputar o torneio Interânia na Itália, mas infelizmente a viagem não se concretizou por motivos que desconhece. Em 1989 ganhou pelos juniores o seu primeiro Campeonato Nacional no Lubango. Dai em diante e como a sua equipa era uma das melhores do país, foi-se destacando cada vez mais.

Fruto de bom desempenho na baliza da equipa foi um dos convocados para a Selecção Nacional de juniores que disputou o Campeonato Africano da categoria no Egipto, em 1990, que além do país organizador, teve a participação da Argélia, Marrocos, Tunísia e Angola, que se classificou em quarto lugar.


Nos seniores
Pupilo coloca treinador no banco


Em 1990 em função do porte físico e desempenho o treinador da equipa sénior escolheu-o para fazer dupla categoria, isto é, jogava pelos juniores e também pelos seniores. Em certa ocasião num torneio alusivo ao dia do andebol, 20 de Maio, Cobra jogou a titular, como o treinador também era guarda-redes, deixou o seu treinador no banco. Ele conta: “ Fiz uma grande exibição, defendi vários remates que podiam terminar em golos. No fim saímos vencedores do torneio. Dali em diante o meu treinador passou a ser meu suplente nos seniores”.

Em 1992, já como sénior Cobra disputou a final do campeonato nacional diante do Dínamo de Luanda tendo-se sagrado vice-campeão. Ainda em 1992, sagrou-se campeão nacional no jogo na final contra o 1º de Agosto. Entretanto, por motivos de força maior, todo andebol do Interclube foi extinto. Assim, Cobra teve breves passagens no Sporting de Luanda e no Progresso do Sambizanga, sem no entanto ter grandes êxitos.


PERFIL

Nome completo: Vitor José de Oliveira Dongo
Filiação: José Pata Vitorino e de Francisca Miguel de Oliveira
Naturalidade e data de nascimento: Luanda, aos 18.06.72
Estado civil: Casado
Filhos: uma filha
Altura: 1,92m
Peso: 44
Calçado: 44
Habitualmente jogava com o nº: 16
Tempos livres: Gosto de Ler
Filmes: Gosto de filmes que me deixem bem-disposto
Prato preferido: Um bom fungi de carne
Bebida: Prefiro uma boa coca-cola
Tem carro próprio: Tenho sim
Casa própria: Não
O que mais teme na vida: A morte
É ciumento: Sou
Acredita em Deus: Sim
Porquê: Quando olho para tudo que nos rodeia na natureza só encontro uma explicação: tem de haver alguém superior aos humanos para fazer isto. É Deus.
Religião: Católico
Cidade angolana: Namibe
Pais que gostaria de conhecer: México
Jogador que mais admira: Geovany Muachissengue
Sonho: Ter uma escola de formação de andebol



PERGUNTAS E RESPOSTAS
Jornal dos Desportos: Como avalia o nível do andebol actual com o do seu tempo?
Cobra: Há muita diferença. O andebol angolano evoluiu muito tanto técnica como tacticamente. Além de mais hoje algumas equipas já têm salários ao passo que no meu tempo limitávamo-nos a um cartão de abastecimento. Portanto não há comparação possível. Mas em termos físico e altura nós éramos muito mais dotados.

JD: Qual é a explicação que encontra para a actual posição do Petro de Luanda no Girabola?
CB: Creio que as sucessivas mudanças de treinador estão por trás do mau momento do clube que entristece a todos os adeptos.

JD: O que espera do “Cinco” Nacional no Mundial que Angola vai organizar em Setembro próximo?

CB: Gostava muito que estivéssemos entre os três primeiros classificados.

JD: Com relação à Selecção Nacional de Basquetebol em Abidjan?

CB: Acho que a Selecção está no bom caminho e acredito que desta vez a taça regressa ao nosso país.