Jornal dos Desportos

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Reportagens

Grupos de apoio entre choro e alegria

Avelino Umba - 31 de Dezembro, 2009

claques dos clubes do Petro de Luanda, 1º de Agosto, ASA e Interclube - juntam-se para a Taça Africana das Nações Orange-Angola

Fotografia: JOrnal dos Desportos

Angola vive um momento de euforia em toda a extensão do seu território, quando corre cada vez mais depressa a contagem regressiva para o início da maior festa de futebol africano, a Taça Africana das Nações Orange-Angola’2010, que o país vai albergar dentro de dez dias.
Os angolanos esperam, com muita ansiedade, a chegada do dia 10 de Janeiro de 2010, data em que a bola vai rolar no monumental Estádio 11 de Novembro, em Luanda, dando início à competição.
Alguns clubes desportivos pretendem juntar-se ao Estado-Maior da Organização das Claques de Apoio (EMOCAN) e aprontam as suas claques, no intuito de colorir os estádios e formar o 12º jogador.
As claques do 1º de Agosto, Petro de Luanda, Atlético Sport e Aviação e Interclube juntaram-se e constituíram-se numa só. Sebastião Fernandes Viegas, chefe da claque do clube do Rio Seco disse ao Jornal dos Desportos que o grupo formado pelas três agremiações soma 1.500 pessoas. Os ensaios, que começaram no dia 8 de Agosto, têm surtido os seus efeitos, apesar de faltar apoio logístico e não disporem de todo o material necessário, que devem receber dentro de dias.

Claque sambila está estremecida

A exemplo de tantas outras claques, que estão a trabalhar para apoiar a Taça Africana das Nações, a do Progresso Associação do Sambizanga, com mais de duas mil pessoas, e assumida como a maior e a primeira de Angola, não está a ensaiar para apoiar os jogos da festa africana.
Francisco António Rodrigues, também conhecido por Animal, responsável pela claque sambila, disse que tudo estava a ser montado para que se fizesse uma única claque a nível do município do Sambizanga para apoiar e dar outro colorido a todos os jogos das selecções que vão evoluir no Estádio 11 de Novembro, mas os trabalhos foram suspensos.
"Não existe uma colaboração frutífera com o EMOCAN naquele município, concretamente na pessoa do 1º Secretário do Movimento Nacional Espontâneo, o que tem vindo a criar mau estar no desempenho da claque", disse.
Animal assegurou que o aparato está devidamente preparado sem qualquer problema para a sua actuação. "Temos tudo preparado. Infelizmente, as entidades que velam pelo assunto, até ao momento, não nos dizem nada sobre os ensaios", lamentou. O responsável da claque sambila acrescentou que, na última vez que estiveram reunidos com o responsável da EMOCAN, Job Capapinha, na Cidadela Desportiva, ficou a promessa de atribuir uma motorizada a cada um dos líderes convidados das claques, mas até hoje a claque do Sambizanga não recebeu.

"Preparação em tempo útilseria muito importante"

O responsável da claque Sambila defendeu serem necessários pelo menos três meses de ensaios para reunir uma claque em condições. "O tempo é um factor decisivo para se concretizar todas acções inerentes a qualquer tipo de actividade", afirmou Francisco Rodrigues.
"O país vai receber muitas nações, não só aquelas que vão competir, mas também as que vão assistir e as que aproveitarão para negócios e turismo. É imperioso que se crie todo o aparato necessário para podermos receber condignamente os visitantes e para que eles sintam a força do povo angolano", disse.
Para o sucesso que se espera, Animal disse que "tem de haver muito trabalho que não pode ser feito de um dia para outro. Estamos a poucos dias do início do acontecimento e não se diz nada. Não seria bom se fossemos notificados a quatro dias do início do evento". Francisco Rodrigues apelou a quem de direito para que se tome uma decisão. "Numa altura como esta, de grande euforia à volta do CAN, o Sambizanga não pode continuar fora desta grande maratona" , disse.

DESMOTIVAÇÃO
Marcelo Dias de Alentejo, tocador de tambores da claque do Progresso do Sambizanga, disse sentir saudade dos tempos áureos da sua claque, que "sempre foi considerada a melhor e a maior do país até há pouco tempo".
Marcelo disse que "por capricho de algumas pessoas com comportamentos nadas abonatórios, a claque está a desaparecer da arena desportiva a cada dia que passa". "Estou triste com a posição de quem achou deixar a claque do Progresso do Sambizanga de fora da Taça Africana das Nações. É uma acção propositada contra os sambilas", lamenta. "A cada dia que passa, a claque está a decair, por culpa de alguém que acha ser mais inteligente do que os outros", disse aquele que é um dos mais antigos integrantes da claque do Progresso.  Manuel João revelou que "a desmotivação está a ganhar o seu espaço no seio da claque e alguns integrantes até já pensam abandoná-la, porque não interessa trabalhar a troco de nada".

Libolo ausente dos estádios

A claque do Recreativo do Libolo, clube da província do Kwanza-Sul, a exemplo do Progresso Associação do Sambizanga, também não vai estar presente nos jogos da Taça Africana das Nações por “não serem tidos nem achados” pelo EMOCAN. A informação foi prestada por Raul Campos, supervisor da claque e presidente do conselho fiscal do clube do Libolo.
Raul Campos afirmou que o seu clube havia manifestado a Fiel Didi, responsável do EMOCAN, a disponibilidade da sua claque levar mais de mil pessoas, mas até ao momento nada se falouou sobre o assunto.
A claque do Recreativo de Libolo é a segunda maior no país e a mais disciplinada, de acordo com o dirigente do clube do Kwanza-Sul. "Nunca, desde a sua criação, provocou algum alvoroço em qualquer local. Estão a fazer tudo através do EMOCAN, nos bairros ou municípios, sem sequer se contactar os clubes que têm uma certa experiência nesse capítulo", disse.
Para uma apreciação do EMOCAN - Estado-Maior da Organização das Claques de Apoio – sobre a situação actual das claques de apoio a nível nacional, a reportagem do Jornal dos Desportos envidou todos os esforços possíveis junto daquela instituição, mas não foi bem sucedida.