Jornal dos Desportos

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Reportagens

Gylmar dos Santos: campeão de tudo

05 de Dezembro, 2011

Gilmar jogou pela Selecção Brasileira até 1969.

Fotografia: AFP

Gylmar dos Santos Neves, mais conhecido como Gilmar, é um ex-futebolista brasileiro que actuava como guarda redes. É considerado, até aos dias de hoje, um dos melhores de todos os tempos na sua posição, por ter jogado em clubes lendários como o Santos, da década de 60, e na selecção brasileira bicampeã do mundo. Gilmar possui o privilégio de ter sido “campeão de tudo” na sua época, devido ao facto de ter pelo menos um título em cada competição que disputou.

Também era conhecido por ter usado, durante o Campeonato do Mundo de 1958, na Suécia, a camisola nº 3 na selecção. Gilmar saíu do Jabaquara (pequeno clube da cidade de Santos) para o Corinthians, seu primeiro grande clube, por um acaso. Na verdade, os dirigentes do clube paulista queriam outro jogador do clube santista, o meio-campista Ciciá, que o Jabaquara só aceitou vender se o clube levasse Gilmar de contrapeso.

O seu início no Corinthians foi um tanto complicado, pois foi considerado o principal culpado pela derrota 7-3 de 1951 contra a Portuguesa, no campeonato paulista. Depois de quatro meses, voltaria a defender a meta alvinegra, para se consagrar campeão paulista. Durante os dez anos no Corinthians, conquistou os títulos do torneio Rio São Paulo de 1953 e 1954, os Campeonatos Paulistas de 1951, 1952 e 1954, este último no qual se festejava o IV centenário da cidade de São Paulo e foi condecorado com o título de “supremo guardião do campeão do quarto centenário”.

Em 1961, após dez anos, despediu-se do Corinthians, no meio de uma brigas com o presidente Wadih Helou, que o acusava de corpo mole durante os primeiros anos de fila do clube paulistano. Seguiu a sua trajectória no Santos, de Pelé, onde teve o melhor momento da sua carreira, tornando-se um dos maiores goleadores de todos os tempos. Gilmar dizia ser o melhor momento da sua carreira, por estar no seu clube do coração.

O jogador fez a sua estreia na selecção brasileira em 1 de Março de 1953, na vitória de 8-1 sobre a Bolívia, válida para a Copa América, disputado no Peru. Assim como nos clubes por que passou, Gilmar também fez história na Selecção do Brasil. Em 1958, ajudou a Selecção Brasileira a conquistar o seu primeiro Campeonato do Mundo.

Em 1962, repetiu o feito conquistando o seu segundo Campeonato do Mundo com a Selecção Brasileira. Gilmar jogou pela Selecção Brasileira até 1969, sendo a vitória de 2-1 contra a Inglaterra, em 12 de Junho, num amistoso disputado no Maracanã.

O 10º melhor
guarda-redes da história

Cláudio André Mergen Taffarel é um ex-futebolista que actuava como guarda-redes. Reconhecidamente um dos maiores ídolos da história da selecção brasileira, Taffarel somou 104 partidas oficiais pela selecção principal, participando de três Campeonatos do Mundo (90, 94 e 98), sendo uma das principais peças do tetracampeonato brasileiro. Integra o Passeio da Fama da selecção no Museu do Futebol Brasileiro, ao lado de jogadores como Pele, Zico, Romário e Ronaldo.

Caracterizou-se por ser um especialista em defender pénaltis, ganhando até um bordão do narrador Galvão Bueno, o “Vai que é sua Taffarel!”, repetido por Galvão sempre que o guarda-redes fazia uma grande defesa, especialmente às penalidades. Pertencente a uma família pobre de descendentes de imigrantes italianos e alemães, passou a infância na cidade de Crissiumal, a mesma cidade onde nasceu o também guarda-redes Danrlei.

Taffarel começou a jogar profissionalmente em 1985, no Internacional e por lá fez história, levando o Inter a duas finais consecutivas do campeonato brasileiro, 1987 e 1988. Entretanto, nas duas ocasiões, acabou por ficar com o vice-campeonato. A única decepção da sua carreira foi a de, apesar de ser um dos maiores ídolos da história do clube, jamais ter conquistado um título pelo Internacional.

O melhor guarda-redes brasileiro no final da década de 80 e em toda a década de 90, Taffarel era sinónimo de ser guarda-redes, ídolo nacional. Construiu sua carreira europeia no Parma da Itália, que o contratou após o Campeonato do Mundo de1990. Taffarel jogou no Parma durante cinco temporadas. A sua primeira passagem foi de 90 a 93, período em que conquistou dois títulos importantes, Campeonato da Itália 1992 e Taça europeia em 1993.

O seu regresso ao clube aconteceu já no final da sua carreira, na temporada 2001/2002, com tempo para conquistar mais um título no seu currículo, a Taça da Itália de 2002, vencendo na final a Juventus. Nessa época, Taffarel era sondado por vários clubes do Brasil. Entretanto, em 2003, aos 37 anos, o brasileiro preferiu encerrar a sua carreira na Europa em território italiano.

Em Janeiro de 2011 foi eleito pela (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol) o 10º melhor guarda-redes da história, em lista que relacionou os maiores nomes da posição desde 1987, superando outros grandes nomes, como Dida, Marcos, Zetti, Rogério Ceni e outros do futebol internacional. Em 2012 é divulgada a última lista de “Melhor Guarda-redes do Quarto de Século”.

Jairzinho
Herói da Copa de 70

Jair Ventura Filho, o Jairzinho, é um ex-futebolista brasileiro. Um dos heróis da Taça de 70, ocasião em que o Brasil conquistou em definitivo a Jules Rimet ao sagrar-se tricampeão. Peça fundamental desta conquista, ganhou o apelido de “Furacão da Taça”, tendo marcado golos em todas as partidas. Até agora ainda ninguém igualou esta marca. Ponta-de-lança no Botafogo, usava a camisola 7 quando defendia a Selecção Brasileira pela qual jogou 107 partidas (87 oficiais) e marcou 44 golos. Também participou nos Mundiais de 1966 e 1974.

Começou em 1958 em General Severiano. Em 1961, foi campeão pela primeira vez, jogando nos juvenis do Botafogo. Foi tricampeão na categoria em 61, 62 e 63. Assumiu a posição de titular em 63 no Campeonato Carioca e três anos depois disputava o seu primeiro Campeonato do Mundo. Fez três golos no histórico jogo em que o Botafogo venceu por 6 x 0 o Flamengo em 1972, no aniversário do próprio. Ficou no Botafogo até 1974, quando foi vendido ao Olympique de Marselha.