Jornal dos Desportos

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Reportagens

Habitantes do Sumbe maravilhados com o novo estádio

Mário Eugénio e Avelino Umba - 18 de Setembro, 2010

Infra–estrutura vai revitalizar o futebol na província

Fotografia: Domingos Casimiro

A capital da província do Kwanza-Sul conta, desde o dia 10 de Setembro, com um novo estádio de futebol. Trata-se do Municipal do Sumbe Comandante Hoji Ya Henda, localizado nas proximidades do Instituto Superior Politécnico, rua 14 de Abril do bairro da Bumba, a sudoeste da cidade. Antes, o mesmo não passava de um campo pelado. Reabilitado no âmbito do Programa de Investimentos Públicos (PIP), com as dimensões recomendadas internacionalmente, a construção do empreendimento conheceu três fases e foi orçada em dois milhões de dólares americanos.

Com a duração de três anos, a primeira fase foi adjudicada à empresa Edifox Ngunza, que se responsabilizou pela terraplanagem, muro de vedação e arrelvamento. A segunda etapa esteve a cargo da empresa Cambongo Fox, que concluiu a edificação. O empreendimento possui bancadas feitas em estrutura de ferro, com cadeiras individuais de plásticos. A capacidade é de três mil pessoas sentadas, nesta fase, estando previsto o aumento em mais três mil cadeiras, na terceira e última fase, que ainda não tem data marcada.

A quadra de jogos possui relva sintética. Quatro torres de iluminação circundam o espaço e conta, em caso de necessidade, com energia alternativa, através dois geradores de 200 KVA cada. No que toca a compartimentos, há uma área VIP (para 50 pessoas), balneários, duas bilheteiras, uma sala para o árbitro principal e outra para os assistentes, uma lavandaria, dois vestiários, um camarote, cabines de imprensa, entre outros pequenos espaços. Serafim do Prado, governador da provincial do Kwanza-Sul, destacou a importância do estádio, pelo facto de a cidade do Sumbe estar à margem da alta competição há mais de 15 anos.

O governante, que falava no acto da inauguração, na presença do Ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba, Justino Fernandes (presidente da Federação Angolana de Futebol), deputados, membros do Governo e entidades eclesiásticas, começou por considerar o espaço “uma pequena e modesta infra-estrutura desportiva, restaurada no âmbito do Programa de Investimentos Públicos do Governo da província do Kwanza-Sul, superiormente aprovado pelo Governo de Angola e que vai servir a sociedade, a juventude, em particular”.

Para o governante, “o desporto e a cultura desempenham, nas sociedades contemporâneas, um papel importante”, pelo que pediu à população para cuidar da infra-estrutura ora inaugurada, pois “custou ao Estado valores financeiros significativos”.

Na hora da entrega da obra

Às 19h30 minutos do dia 10 de Setembro de 2010, a Edifox Ngunza, uma das empresas construtoras que participou na reabilitação do estádio, representada pelo seu director administrativo, João Fernandes Lima, entregou a obra ao Governo da província do Kwanza-Sul, representado pelo director das Obras Pública, o arquitecto Osvaldo Carlos Costa. Na ocasião, as partes constataram que o mesmo estava em condições de ser utilizado para fins desportivos e outros que se acharem convenientes, sendo que eventuais insuficiências constatadas vão ser devidamente corrigidas enquanto vigorar o período de garantia, que é de um ano.

Por seu turno, em representação do responsável das Obras Públicas do Governo da província, Serafim do Prado, governador provincial, fez a entrega do estádio à Administração Municipal do Sumbe, na pessoa do administrador Neto Makandumba. Na ocasião, Serafim do Prado disse que a obra se encontra em perfeitas condições e foi alvo de fiscalização e vistoria por parte dos órgãos competentes do Estado, passando, a partir dessa data, para a responsabilidade da Administração Municipal de Sumbe, entidade que vai gerir o espaço a título provisório, já que se pretende abrir um concurso público para se encontrar o futuro gestor.

Por seu turno, Neto Macandumba disse que o estádio veio juntar-se a outras infra-estruturas também inauguradas no quadro das festividades dos 93 anos do Sumbe e que vão dar outra dinâmica e imagem à cidade capital da província. “É motivo de satisfação para mim e para os munícipes, pois isso fará com que nos congreguemos todos à volta deste empreendimento, para termos uma visão mais ampla, na perspectiva de continuarmos a fazer coisas mais modernas e nobres”, disse o homem-forte do município, acrescentando “haver a necessidade de a juventude, como potencial beneficiário, ter mais cuidado no sentido de preservar o empreendimento, pois o mesmo, antes de ser inaugurado, havia sido alvo de vandalismo, o que resultou na sabotagem de algumas cadeiras.

População afluiu em massa ao acto  

O público começou a fazer-se presente nas entradas principais do estádio por volta das 14h00 do dia da inauguração. A emoção e euforia tomavam conta de todos, pois queriam ser os primeiros a entrar e assistir as duas grandes partidas de futebol do Torneio de Internacional de Futebol organizado pelo Governo da Província, no âmbito das festividades da cidade, que completou 93 anos a 15 de Setembro.

Às 15h00, com um sol intenso, os portões foram abertos ao público. Todos queriam entrar de uma sentada, mas os agentes da Polícia Nacional, coadjuvados pelas Forças de Asseguramento Desportivo, puseram ordem na situação. Algumas horas depois, chegava o momento mais esperado, quando a delegação do Governo local, encabeçada pelo governador Serafim Maria do Prado, chegou ao local. Dom Benadito Roberto, bispo do Sumbe, abençoou o recinto, ao som de cânticos religiosos. Finda a bênção, Gonçalves Muanduma, ministro da Juventude e Desportos, abriu o champanhe e consumou a inauguração.

No rosto dos presentes era visível a satisfação. No local, além de gente da cidade, fizeram-se presentes pessoas oriundas de outras províncias de Angola. Às 20h10, Gonçalves Muanduma foi chamado a dar o pontapé de saída do torneio, do qual fizeram parte as equipas do Kabuscorp do Palanca e Sporting de Lisboa (primeiro jogo, que terminou em 1-3, a favor da equipa portuguesa). Duas horas depois, começava o segundo desafio, 1º de Agosto-Libolo, com vantagem da equipa da casa (0-1).

Mais de três mil almas estiveram no estádio e perto de cinco mil assistiram ao espectáculo nas montanhas circundantes. No dia seguinte, defrontaram-se os vencidos e os vencedores, tendo-se ficado em primeiro lugar o Libolo, comandado por Mariano Barreto. Terminava assim a festa do I Torneio Internacional de Futebol organizado pelo Governo de Kwanza-Sul, antecedido de um jantar de gala oferecido pelo executivo local, no palácio, durante o qual se entregaram medalhas e taças aos quatro participantes.

Espectadores forçados
a abandonar uma das bancadas

O público que se encontrava na bancada lateral Norte do estádio foi forçado a abandoná-la, pelo facto de a sua estrutura ter mexido e uma das partes vergar. O pior não aconteceu devido à rápida intervenção das forças policiais que, de imediato, retiraram os espectadores e interditaram a mesma. O Jornal dos Desportos ouviu um dos responsáveis da empresa construtora, que preferiu o anonimato. Para aquele responsável, o estádio tem capacidade para três mil pessoas sentadas, o que significa que cada bancada tem um número limitado.

Aconteceu que entraram cerca de cinco mil pessoas (duas mil a mais), culpa que atribui à segurança presente na portaria. “A bancada que teve problemas, tem capacidade limite de 500 pessoas e ocuparam-na perto de 1.500”, justificou o responsável, que acrescentou fazer tudo no sentido de corrigir alguns problemas que vierem a acontecer.

A satisfação era colectiva

Raimundo Ricardo, director nacional dos Desportos, disse que o estádio que o Sumbe ganhou é reflexo das promessas do executivo. Para ele, o executivo está a materializar aquilo que prometeu à população durante as últimas eleições legislativas. “A intenção é fazermos um estádio em cada município. Se for desta natureza, já estaremos a falar de desenvolvimento de infra-estruturas desportivas, de ocupação dos tempos livres da juventude, de entretenimento, de lazer e de políticas voltadas para o desporto”, afirmou.

Para o secretário provincial do Movimento Nacional Espontâneo, Simão Afonso, “quem conheceu ontem, hoje não acredita que o estádio tinha este espaço, adormecido há mais de 15 anos”. Como cidadão orgulha-se dos efeitos que vão acontecendo na província e deseja que se estenda a todos os municípios. “É de louvar os esforços do governo, pois o país saiu há pouco tempo da crise financeira que afectou o mundo, mas, ainda assim, vemos o trabalho do Governo, que tem investido somas avultadas. Aos utilizadores, deixo um repto no sentido de preservarem o espaço, que é de todos”, disse.

António Neto, empresário residente em Luanda, deslocou-se com a família para assistir a inauguração do Estádio do Sumbe. Para ele, o que viu faz parte da reconstrução nacional, pois o espaço oferece condições para a prática do futebol. “Está de parabéns a cidade de Sumbe, por ganhar um espaço que proporcionará grandes partidas de futebol entre equipas nacionais e não só. Empreendimentos do género são importantes para a sociedade”, disse.

Para a senhora Teresinha, o gesto é de louvar, pois há muito tempo se fazia sentir a falta de um espaço com condições condignas para o futebol. “Já nos podemos sentir envaidecidos ao sair de casa para assistir a uma boa partida de futebol. É um recinto que vai servir a juventude, acima de tudo”, referiu.  Sumbe, disse que o trabalho do executivo da província vai reflectir-se na ocupação dos jovens. “É uma grande valia e doravante vai se tirar o desporto da letargia em que se encontrava na província”.

Gilson Oliveira, de 13 anos de idade, encontrava-se no exterior do estádio, à espera a hora de entrada. Para o adolescente, o estádio que a província ganhou é o primeiro desta natureza no Sumbe. Por isso, gostaria que a entidade que o vai gerir tivesse cuidado com a sua preservação e que a segurança fosse competente para evitar actos de vandalismo. “Estou a gostar de ver. Para mim, parece um sonho”, afirmou.

Garcia Manuel tem 14 anos de idade e mora na zona 2, rua dos Massacres. Foi com mais quatro amigos para testemunhar a inauguração do estádio. Disse que era a primeira vez que via uma obra assim. “Vim para assistir os jogos do I Torneio Internacional que a cidade organizou. Lamento o facto de já não haver bilhetes, pelo que terei de subir a montanha”, desabafou o jovem, triste por não poder conhecer, na altura o estádio por dentro.