Jornal dos Desportos

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Reportagens

Histria e tradio de centenrio bieno

JOS CHAVES | NO CUITO - 03 de Maio, 2015

A sede social do Sporting Clube Petrleo do Bi um carto de visita para os turistas e homens que se prezam a conhecer a histria do desporto nacional e da cidade mrtir da Repblica de Angola

Fotografia: Jos Chaves

A Avenida Sagrada Esperança, da cidade do Cuito, transforma-se hoje na mais importante da capital da província do Bié. As centenas de adeptos e amigos dos "verdes e brancos" juntam-se no pavilhão do clube para cantar os parabéns à agremiação mais antiga da província do Bié em actividade.

Entre os sorrisos de crianças e adolescentes, a nostalgia e a desesperança dos adultos fazem a morada. Um dos clubes mais emblemáticos com tradição e rica história no desporto angolano, o Sporting Clube do Bié atravessa a pior crise financeira da sua história. Há três anos, não recebe qualquer verba financeira do seu patrocinador oficial, a multinacional petrolífera, TOTAL-Angola.

Na avaliação do ano centenário, o director geral do Sporting Clube do Bié, Carlos Manuel Dias dos Reis, assegurou que "a situação é difícil" a julgar pelo estatuto no panorama desportivo angolano. O clube tem um percurso digno na história do país, que o permitiu granjear respeito. Portanto, "não pode estar votado a essa condição crítica".

O dirigente manifesta a sua indignação pelo silêncio da empresa patrocinadora. Carlos Reis ressaltou desconhecer as "reais motivações", quando o clube cumpre com todas as obrigações impostas pela multinacional petrolífera TOTAL-Angola, sem receber dinheiro.

A direcção está em permanente negociação com a TOTAL-Angola para encontrar uma solução viável e possa cumprir com o seu dever. A não disponibilidade de apoios agudiza a crise financeira. "É uma situação delicada, pois temos responsabilidades e um nome a salvaguardar; não podemos viver de promessas", desabafou Carlos Reis.

A falta de recursos financeiros condiciona a execução de vários projectos, principalmente, a formação e a construção de novas infra-estruturas, que serviriam de fontes de sustentação financeira do clube. Diante da crise, o director geral do Sporting do Bié assegura que o clube sobrevive graças aos parcos recursos obtidos com o arrendamento do pavilhão e do cine-teatro.

No quadro de investimento, a direcção do Sporting Clube do Bié aposta na construção de um motel com a capacidade para dez suites, cyber-café, restaurante, lavandaria e ginásio. As obras estão paralisadas por falta de verbas.

A equipa de Carlos Manuel Dias dos Reis aposta também na construção de vinte lojas ao redor do Estádio dos Eucaliptos, bem como pretende realizar uma campanha de angariação de novos sócios. O projecto vai ser lançado nos próximos dias e prevê a inscrição de sócios residentes no Bié e noutras partes do país.


DECISÃO
Direcção aposta na formação de atletas


Para movimentar o clube, a direcção do Sporting Clube do Bié aposta na formação de jovens como a principal acção do plano de actividades para os próximos três anos. O clube mais popular do Bié está a dar um novo figurino às escolas de ginástica, atletismo, futebol, andebol e basquetebol. O novo molde de funcionamento das camadas de formação conferem nova dinâmica aos diferentes sectores do clube que comportam um total de 592 atletas.

O clube tem parceria com o Projecto LOGUS, que abrange 300 atletas de formação com idades compreendidas entre os 10 e 16 anos com patrocínio do Banco Atlântico. O Sporting Clube do Bié é o principal beneficiário. À semelhança do passado, as crianças de hoje inscrevem um percurso histórico. Entre as dificuldades, o resgate da mística tem preço alto. Sem olhar à dor, atletas e treinadores preenchem os pavilhões e o campo de Eucaliptos todos os dias úteis de treinamento. A cada treino, a esperança de um dia melhor. Um sonho em realização. Uma vida nos trilhos do desporto.

Jogadores de diferentes gerações vestiram a camisola do clube. Entre os mais sonantes constam Augusto Silva "Alvarito" (ex-secretário geral do ASA e da FAF), Smit (ex-dirigente desportivo do 1º de Agosto), General Lúcio do Amaral, General Pedro Neto (Presidente da FAF), José Amaral, Balsa, Henrique Leite, Malaquias, Berna, Berito, Tide, Guilherme, Mbiavanga, Chiquito, Marroquino, Rilas, Meno, entre outros.
                                                     

GIRABOLA
Um percurso de sobe e desce


O Sporting Clube do Bié é a principal representante da província nos diferentes campeonatos nacionais. Para o director geral da agremiação, é motivo de orgulho, porquanto "com o trabalho no meio pequeno e com parcos recursos consegue ombrear com 1º de Agosto, Petro de Luanda e Interclube no capítulo de infra-estruturas".

Há 18 anos, após a reactivação das diferentes modalidades, o clube verde e branco atravessa a sua pior crise financeira. Para o director geral, "é difícil gerir e manter o nível" da colectividade, agravada por estar localizada numa região sem recursos de empresários.

Carlos Manuel Dias dos Reis defende que por tudo quanto faz em prol da juventude e das crianças da província do Bié, a colectividade verde e branca deveria merecer uma compensação melhor das entidades do Estado. "Somos uma agremiação humilde, mas com brio e aplicação", disse.

A equipa de futebol do Sporting Clube Petróleos do Bié participou em quatro edições do Girabola e a sua passagem não se pode dizer feliz. A equipa nunca conseguiu manter-se por mais de uma época.

O equipamento oficial comporta camisolas com listas horizontais verdes e brancas, calções pretos e meias listadas horizontais a verde e branco.

Treinaram a equipa no Girabola os técnicos Jaime Chimalanga (1987), Albano César (1999), João Pintar e Arnaldo Gabonal (2001), Kidumo Pedro e António Sayombo (2005).

Nos dias que correm, a escola possui 200 atletas, entre iniciados, juvenis e juniores.
                                   

INFRA-ESTRUTURA
Um parque invejável


O Sporting Clube do Bié, fundado a 3 de Maio de 1915, na antiga cidade de Silva Porto, actual Cuito, tem a sede social na Avenida Sagrada Esperança, onde também funciona o pavilhão, que vai acolher de 10 a 20 do corrente, as actividades alusivas ao centenário.

As infra-estruturas do Sporting Clube do Bié inveja os principais clubes do país. Para além da sede social e do pavilhão, que comporta uma tribuna de imprensa, tribuna VIP, placar electrónico, sala de estágio, escritórios, balneários, parque de estacionamento e restaurantes, o clube verde e branco também ostenta um cine-teatro, que serve para acolher diferentes actividades sociais como exibição de filmes e de teatro, conferências e palestras, sessões musicais e exposições. A essas infra-estruturas junta-se o Estádio de futebol reabilitado e ampliado. O Eucaliptos comporta dois campos relvados, dos quais um para treinos. O campo oficial comporta mais uma bancada para acomodar um total de oito mil espectadores.

A reabilitação destas infra-estruturas custou aos bolsos do Estado angolano milhões de dólares. Durante a guerra civil e fratricida, entre 1993 e 1997, tornaram-se em escombros. A vontade de erguer bem alto o nome de Angola mexeu com os angolanos e os homens de bem decidiram devolver a imagem do clube mais antigo do Bié.

Hoje, passados 100 anos desde o lançamento oficial, o parque infra-estrutural deixa orgulhoso a direcção do clube e os amantes do desporto.
 
O director geral do Sporting Clube do Bié, Carlos Manuel Dias dos Reis, realça que o "maior clube do centro do país é uma colectividade credível que vai ter engenho e arte para manter o nível conquistado ao longo dos 100 anos de existência".

O dirigente sportinguista salienta que a efeméride é importante não só para o clube como também para toda a região do centro do país, porque "foi fundada antes da independência nacional".

"Para mim é especial dirigir o Sporting Clube do Bié na altura do centenário. É uma honra, um orgulho e um privilégio ver uma instituição credível nacional a celebrar o 100º aniversário. O clube marca a diferença, porque a sua história se confunde com a da República de Angola", disse.

Após a independência nacional, a 11 de Novembro de 1975, a agremiação verde e branca fechou as portas. Algum tempo depois, fundiu-se com o Desportivo da Sonangol e mais tarde com a equipa da direcção provincial da Justiça, passando a designar-se União Sport do Bié. Tempos depois, alterou para União Petro do Bié. Essas mudanças foram efémeras. No início dos anos 90, do século XX, a colectividade ganhou a designação de Sporting Clube Petróleos do Bié.