Jornal dos Desportos

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Reportagens

Hquei em patins atravessa dias difceis

Jos Chaves - 30 de Agosto, 2010

L se foi o tempo em que a provncia era um viveiro da modalidade

Fotografia: Jornal dos Desportos

O momento actual do hóquei em patins no Bié não é dos melhores. Requer uma profunda reflexão, pois, contrariamente ao que habituou em tempos idos, ironicamente em momentos mais difícil devido à guerra que assolou o país, em que a província tinha quase sempre uma ou mais equipas a disputar campeonatos locais e nacionais. Hoje a realidade é bem diferente.

O quadro é desolador. Não há equipas a praticarem a modalidade e, como é óbvio, não há competição interna, estando a modalidade na eminência de desaparecer. Em 1999, o hóquei bieno ressurgiu, mas fora da província. Alguns atletas que residiam em Luanda, formaram uma equipa que participava regularmente no "nacional" da modalidade, mas foi algo que durou pouco tempo. É que, em 2006, o projecto foi abaixo, por falta de apoios.

Há muito que o Bié deixou de ser uma potência do hóquei em patins nacional e cada ano que passa nada se faz para mudar o quadro. Pelo andar da carruagem, há indícios fortes de as coisas piorarem, caso se mantenha a letargia reinante nos clubes, estes que se queixam da falta de apoios, sobretudo por parte do governo da província.

O núcleo de hóquei em patins local e os clubes enfrentam dificuldades mil para revitalizar a modalidade, tudo por falta de condições financeiras e de material desportivo. Lá foi o tempo em que os habitantes do Bié se deleitavam com grandes e belas exibições protagonizadas pelas equipas dos Dínamos do Kunje e do Sporting Clube do Bié (ex-União Petro).

À espera da ajuda da federação

O arranque do projecto de revitalização do hóquei em patins dependente do apoio que a Federação de Patinagem prometeu ao núcleo local. A informação é de Fernando Diniz, coordenador provincial do Núcleo de Patinagem. " Temos preparado todo o material humano e administrativo para o arranque da massificação nesta parcela do território nacional.

Estamos apenas a aguardar pelo material desportivo que a federação prometeu ao Bié", afirmou. O dirigente disse também que foram já seleccionados alguns recintos, onde vai se iniciar o projecto. "emos garantias das quadras para realizar os treinos de selecção dos futuros hoquistas", confirma.

Futuro depende de apoios 

O coordenador do Núcleo Dinamizador do Hóquei em Patins do Bié, Fernando Cristóvão Diniz, defendeu há dias, na cidade do Kuito, que o futuro da modalidade em terras do "coração de Angola" depende do apoio da Federação Angolana de Patinagem, da classe empresarial e do governo local. Na perspectiva de Diniz, caso o apoio surja, o hóquei naquela parcela do território nacional pode voltar aos bons tempos e dar alegria aos seus aficionados.

"O futuro do hóquei em patins na província passa pelo apoio, principalmente da federação, de pessoas singulares e da classe empresarial. Tem de haver pessoas de boa fé para apoiar a modalidade. Se houver apoios de pessoas que gostam da modalidade, ela voltará aos tempos de glória", diz. Aquele responsável adiantou igualmente que a província já tem um "antídoto", que é o facto de possuir um dos melhores pavilhões gimnodesportivos do país, em óptimas condições de albergar partidas da modalidade.

Apesar destas dificuldades, aquele dirigente avançou que o órgão que encabeça trabalha num projecto de revitalização e massificação da modalidade na província. Para a materialização do mesmo, está aberta a inscrição de interessados. "Neste momento, apesar de não termos material  desportivo, estamos a fazer a inscrição de pessoas interessadas a praticarem a modalidade. Apenas estamos à espera do material que a federação prometeu dar. Assim que o recebermos, vamos arrancar com o projecto", promete.

Material é incompatível para o projecto

O material desportivo que a Federação Angolana de Patinagem ofereceu ao núcleo de hóquei local é incompatível para o projecto de massificação que se pretende, segundo anunciou à nossa reportagem Nelson Sousa, antigo hoquista do Sporting do Bié (ex-União Petro) e do 1º de Agosto.

Actual director técnico do núcleo dinamizador da modalidade, Nelson disse que, no ano passado, a Federação Angolana de Patinagem entregou 30 pares de patins, 10 stiques, 5 bolas e 4 pares de equipamentos para guarda-redes, material que não é compatível para a massificação que se pretende, pois serve apenas para crianças de 5 aos 7 anos de idade.

Nelson é de opinião que governo e entidades singulares devem apostar no hóquei, colocando à disposição da juventude incentivos como espaços e material desportivo. Para se inverter o quadro, pede apoios aos órgãos de direito, mormente da Direcção Provincial da Juventude e Desportos e da Federação Angolana de Patinagem.

Província já foi potência da modalidade

O Bié já foi uma grande potência do hóquei em patins angolano. Nas décadas de 70, de 80, até princípio de 90, era considerado o "celeiro" da modalidade em Angola. Durante vários anos, a província realizava campeonatos de iniciados, de juvenis, de juniores e de seniores e as equipas locais participavam, com regularidade, em campeonatos nacionais.

Em 1983, albergou o Campeonato Nacional de Juniores e em 1979  um torneio internacional que contou com a participação do Sporting Clube de Portugal, onde despontava António Livramento, considerado o melhor hoquista português de todos os tempos. No ano passado, as provas nacionais regressaram à província, duas décadas depois, com a realização da fase Final da Taça de Angola.

Há 18 anos que a modalidade não é praticada nesta parcela do território nacional. Devido a guerra civil que abalou o país, em 1992, depois da realização das primeiras eleições multipartidárias, vários jogadores e treinadores da província abandonaram-na à procura de melhores condições de vida e de segurança.

A maior parte dos hoquistas passou a viver em Luanda (capital do país), em Benguela, na Huíla e outros foram para a Europa. Nos dias que correm, os habitantes do Bié, principalmente a camada jovem, estão ávidos em praticar a modalidade, na medida em que ela é tradicional na província. Diariamente várias crianças procuram se informar junto do núcleo sobre o início da massificação. Alguns até já se inscreveram para fazer parte do projecto.

Ao longo destes anos, muitos atletas praticaram a modalidade na província, dos quais destacam-se Jorge Baptista, Mário, Xoxa, Adão,Toni "Massi", Gui, Nandinho, Ginho, Carreta, Diogo Pedro, Carlitos Cambudile, Chico, Luís Serrado, Rildo, Joca (falecido), Guilherme, Canino, Amaro, os irmãos Yano e Tiago Simba (já falecidos), Tony Salustra, Zé Lourenço, Guinaite, Quim Matos entre outros.

Nucléo quer resgatar mística perdida

O Núcleo de Hóquei em Patins do Bié dá passos para o ressurgimento da modalidade. Quem assegura é Diogo Pedro, antiga glória da modalidade e actual coordenador adjunto do núcleo. A intenção é voltar aos tempos de glória, em que o hóquei bieno se fazia respeitar no país, com a conquista de títulos e o surgimento de grandes estrelas. "Vamos realizar um trabalho de prospecção de novos valores, com o objectivo de fazer ressurgir a modalidade", assegurou.

O hóquei em patins alcançou muitos títulos e teve várias participações em provas nacionais, mas, de algum tempo a esta parte, está moribundo, o que obrigou antigas estrela a reflectirem seriamente sobre o ressurgimento do mesmo. Dai que, de forma voluntária, Digo e outros antigos praticantes tomaram o comando da direcção do núcleo provincial, com o objectivo de massificar a modalidade e, futuramente, organizar provas internas.