Jornal dos Desportos

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Reportagens

Hula lamenta ausncia no nacional de basquetebol

Gaudncio Hamelay no Lubango - 28 de Dezembro, 2010

Emanuel Trovoada garantiu que vai continuar a trabalhar na cidade do Lubango

Fotografia: Jornal dos Desportos

Os amantes do basquetebol do Lubango consideram prejudicial para a massificação da modalidade, o facto de a província da Huíla estar ausente do Campeonato Nacional de seniores masculinos. A reacção dos aficionados da modalidade nas terras altas da Chela surge em função da desistência da equipa do Clube Desportivo da Huíla da alta-competição. Sustentam que essa situação não se justifica, pois a província possui grandes infra-estruturas, construídas no âmbito do Afrobasket-2007.

Desapontadas com a situação, pessoas interpeladas pela nossa reportagem consideraram importante pressionar quem de direito para que se reveja a questão, pois, argumentam, “a justificação da falta de verbas, dada pela direcção do clube, não colhe”. Chimuco Arão diz nutrir paixão pela modalidade. Ainda adolescente, motivado pelos jogos da NBA (Liga Norte-Americana de Basquetebol), via jogos de basquetebol na Televisão Publica de Angola. Para ele, não se justifica que a Huíla, tida como potência na modalidade, fique sem partidas de básquete.

“É uma autêntica vergonha a Huíla ficar sem representante no Campeonato Nacional de Basquetebol, atendendo ao facto de a província possuir grandes infra-estruturas desportivas. É importante que as pessoas trabalhem com mais responsabilidade, numa altura em que se aposta na massificação desportiva em todas as vertentes”, disse Chimuco. Para Anderson Pinho, o quadro contrasta com o esforço do Estado angolano, sobretudo na província, ao investir na construção de infra-estruturas desportivas. Frisou que a cidade do Lubango possui três pavilhões com dimensões internacionais.

Daí que a desistência do Desportivo da Huíla do Campeonato Nacional Seniores Masculino deve servir de chamada de atenção aos dirigentes desportivos, pelo que “devem redobrar esforços para inverter o quadro”. O anúncio, há dias, da ausência do Desportivo da Huíla, até então o único representante da província no “Nacional” da bola ao cesto, apanhou os lubanguenses de surpresa, gerando descontentamento. “É com bastante mágoa que, oficialmente, anunciamos que a Huíla estará ausente do Campeonato Nacional Seniores de Basquetebol, por dificuldades financeiras”, disse na ocasião Luís Garrido, presidente de direcção da Associação de Basquetebol da Huíla.

Árbitros e juízes
de mesa reclamam direitos

Os árbitros e juízes de mesa da Huíla, que ajuizaram jogos de basquetebol durante a presente 2010, reclamam o pagamento das somas atrasadas, por parte da Federação Angolana de Basquetebol. Estimado em mais de 260 mil kwanzas, o valor é referente ao pagamento de três duplas de árbitros e oito juízes de mesa, que ao longo da temporada passada apitaram os jogos realizados no Lubango.

O coordenador para a arbitragem da Associação Provincial de Basquetebol da Huíla, José Heta, revelou que, desde que o Clube Desportivo da Huíla atingiu a Primeira Divisão, as três duplas de árbitros locais apenas foram remuneradas na primeira e segunda jornadas da época 2008. Acrescentou que, no mesmo ano, a FAB ficou por pagar alguns juízes de mesa e árbitros, havendo inclusive um deles que até agora nada recebeu.

“De 2008 à presente data que reclamamos. Foi necessário a Federação Angolana de Basquetebol mover uma equipa para a Huíla, que levou toda a papelada para liquidar as dívidas com árbitros e juízes”, esclarece. Heta disse que os árbitros da província ficaram espantados quando a Associação de Árbitros de Angola alegou, na altura, que não podia arrancar com a Super-taça sem que fosse líquida a dívida da época finda (2010).

“Ficamos assustados quando escutamos que já foram liquidadas as dívidas, o que permitiu arrancar com a época desportiva 2010/2011. Aqui, até agora, nenhum juiz de mesa ou árbitro recebeu qualquer valor monetário”, desabafa.
O homem forte do apito das terras altas da Chela referiu que, desde que foi criada a Associação de Árbitros, o órgão nunca teve contactos com os árbitros da Huíla.

Distantes das acções formativas

As acções formativas promovidas pela Federação Angolana de Basquetebol “nunca abrangeram os árbitros da Huíla”. A revelação foi feita pelo coordenador para a arbitragem da Associação de Basquetebol da Huíla. O dirigente confirmou à nossa reportagem que os homens da arbitragem local sempre foram excluídos de tais acções formativas.

José Heta disse que o órgão que superintende a modalidade no país se esquece sempre de incluir quadros da província e salientou que, agora que a equipa senior masculina de basquetebol do Desportivo da Huíla está de fora do Campeonato Nacional da bola ao cesto, os árbitros locais vão ser ainda mais esquecidos. Heta revelou que a FAB só tem em consideração os árbitros das províncias quando nelas existe uma equipa a competir no Campeonato Nacional da modalidade.

“Se não houver qualquer equipa a competir na prova nacional, praticamente, as associações provinciais só servem de suporte por altura das eleições”. Recordou que, em ocasiões do género, os dirigentes da Federação Angolana de Basquetebol fazem inúmeras promessas para a arbitragem, área técnica, entre outras, que depois acabam por não ser cumpridas. “Os árbitros e juízes de mesa da Huíla efectuaram jogos do Campeonato Nacional com apenas um tipo de uniforme”, recordou. A Associação de Basquetebol da Huíla possui cinco árbitros, dos quais três de primeira nacional, um de segunda e igual número da primeira categoria provincial.

Adulteração de idades
em discussão

O coordenador técnico da Associação Provincial de Basquetebol da Huíla, Aurélio Moisés, acusou alguns membros da Federação Angolana de Basquetebol de incentivarem a adulteração de idades por atletas com potencial para integrar as selecções nacionais.
Aurélio Moisés referiu que foram incentivados a falsificar a idade de alguns atletas locais, que haviam sido convocados para fazer parte da Selecção Nacional de Sub-18, quando na verdade já possuíam idade de Sub-20.

“É lamentável quando os nossos atletas com idades de Sub-20 e de Sub-23 são convocados para selecções de juniores. Quando chegam à altura de representar a selecção de Sub-20, não são tidos nem achados. São convocados e aconselhados por algumas pessoas da FAB a adulterarem as idades. Isso aconteceu com atletas da Huíla. Quem faz isso não somos nós aqui de baixo, mas pessoas que estão mais acima”, desabafa.

O responsável aproveita para esclarecer a questão da adulteração de idades que se levantou recentemente nos campeonatos provinciais de cadetes, juvenis e juniores. Sobre o assunto, Aurélio Moisés disse ser algo que a Federação precisa de analisar, pois, muitos membros da Associação local são antigos praticantes e dominam os regulamentos de inscrição dos atletas.

Por outro lado, o coordenador técnico da Associação de Basquetebol na Huíla confirmou haver descontentamento em relação à forma como são chamados os atletas dos escalões de formação, em masculinos e femininos, para integrar as selecções nacionais, pois, como referiu, na província existe matéria humana com qualidade para fazer parte de distintas selecções. “Temos torneios da SADC e as convocatórias são feitas de forma errada, porquanto aqui temos atletas que, se forem a campeonatos nacionais, saem deles como os melhores. Alguns até como melhores marcadores”, afirma.

Emanuel Trovoada mantém aposta

O treinador Emanuel Trovoada garantiu que vai continuar a trabalhar na cidade do Lubango, para ajudar no desenvolvimento do basquetebol, apesar da indefinição no cargo de técnico do Clube Desportivo da Huíla. Trovoada, que durante três anos incrementa, com mestria, projectos que relançam e despontam novos talentos da modalidade, destacou o empenho dos seus colegas do Benfica do Lubango, do Ferroviário da Huíla, do Desportivo da Chibia, do Tchioco e do Heja, clubes que trabalham na massificação.

Segundo ele, mesmo atravessando inúmeras dificuldades de ordem material, não desistem dessa missão de transmitir o “ABC” da modalidade. Alertou que o dia em que as pessoas se aperceberem do número de basquetebolistas que existe na província, “vão assustar-se”. “Vamos continuar a lutar, com os meus colegas do Benfica, Tchioco, Chibia. Sei que estamos a dar um grande contributo à modalidade”, disse.

Emanuel Trovoada afirmou que existem, na Huíla, jogadores seleccionáveis para todos os escalões e considerou uma grande injustiça que os seleccionadores não reconheçam os esforços dos técnicos e atletas da província. “No Lubango, em particular, e na Huíla, em geral, temos, em todos os escalões, com todo o respeito pelos seleccionadores, jovens seleccionáveis. É uma grande injustiça dos seleccionadores, já que nos fartamos de trabalhar e não vemos esses jovens a integrarem as selecções.

A Huíla faz parte de Angola. Olhem para nós como Angola também, porque nós, os técnicos da província, estamos a dar este contributo para o país”, desabafou Trovoada. O técnico disse possuir dez jovens que ascenderam, este ano, à categoria de seniores e outros tantos, que despontaram no Desportivo da Huíla, e hoje mostram o que sabem em equipas consideradas grandes, como o Petro de Luanda, 1º de Agosto, Libolo e Interclube.

Trovoada sublinhou que todos os anos, os atletas que passam e jogaram no Desportivo da Huíla, saem para as melhores equipas angolanas. Para ele, isso significa que se “tivéssemos boas condições, apoio e patrocinadores, estaríamos, neste momento, a lutar, quiçá, para os quatro primeiros lugares”.

Federação culpabilizada
pelo declínio da massificação

O coordenador técnico da Associação Provincial de Basquetebol da Huíla afirmou que a fraca masificação da modalidade no país acontece por culpa da Federação. “Alguns colegas disseram que foi na sala de reuniões da Associação Provincial de Futebol da Huíla que se fizeram promessas. Mas diria que foi onde se enterrou o basquetebol de formação, quando o secretário-geral da FAB, António Sofrimento, anunciou que a partir daquela data as inscrições para os escalões de formação e para os seniores femininos seriam a custo zero”, referiu.

Aurélio Moisés afirmou que estavam à espera de que, a seguir, a Federação dissesse que a partir daquela altura começariam a dar verbas às associações para pagarem, pelo menos, os árbitros que ajuizassem as competições de iniciados, o que não aconteceu. “Simplesmente, fizeram cortes no pagamento de inscrições nos escalões de formação e de seniores femininos”. O coordenador técnico da Associação de Basquetebol da Huíla frisou que era com o dinheiro angariado nas inscrições que a Associação pagava os árbitros dos jogos de iniciados.