Jornal dos Desportos

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Reportagens

Incentivo ao desporto de massas

22 de Abril, 2015

Angolanos eram incentivados à prática do desporto de massas.

Fotografia: Jornal Desportos

Em 1976, meses depois da ascensão do país à independência, os angolanos eram incentivados à prática do desporto de massas. O camarada António Jacinto, ministro da Cultura prestava na edição do Jornal de Angola no dia 6 de Fevereiro as seguintes declarações à propósito das Jornada de Solidariedade Anti-Imprealista:

“Esta é uma organização da JMPLA comemorativa do 4 de Fevereiro em todos os campos, incluindo o desportivo. Representa uma jornada de solidariedade de outros povos africanos para com o povo angolano que neste momento ainda tem de lutar pela sua libertação completa. Como espectáculo desportivo é uma festa da juventude. Estamos a assistir neste momento a um encontro entre desportistas femininos do Congo que desde a primeira hora nos vêm ajudando nesta luta e desportistas de Angola.

A jornada esta a ser disputada com muita energia, com muita juventude e também com muita habilidade. Estou convencido que o público que está a assistir a esta jornada sairá satisfeito e criará mais interesse pela causa desportiva. Nós propusemo-nos a fazer uma reestruturação do ensino que visa não só a valorização do homem novo angolano sob o aspecto cientifico, profissional, cultural, mas também de ordem física. Sobre a contribuição que podia e devia dar o desporto para a verdadeira unidade do Continente Africano e Libertação dos Povos, o camarada António Jacinto afirmava: "O desporto é uma manifestação que não só arrasta a juventude como também arrasta as massas em geral. Evidentemente que até aqui as massas têm tido um papel passivo no desporto porque se limitam a assistir às manifestações desportivas.

É nosso propósito que as massas participem, actuando activamente nas jornadas desportivas. Que o desporto chegue até às massas, que as massas pratiquem também desporto. Dentro desse sentido temos que reconhecer que o desporto pode ser em África, como noutras partes do Mundo, um grande elo de ligação entre todos os povos."


ATLETISMO
Meeting internacional inunda Coqueiros


No cenário sempre bonito do estádio Municipal dos Coqueiros, realizava-se no dia 6 de Fevereiro de 1976 o meeting internacional de atletismo numa competição que soube proporcionar ao povo angolano um espectáculo de elevado nível técnico.

Nessa grandiosa manifestação desportiva, onde esteve bem patente o internacionalismo da solidariedade para com Angola e a sua revolução, participaram atletas de muitos países amigos, entre os quais se distinguiam a então URSS-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, Cuba, República Popular do Congo, Guiné Conacry, Nigéria e naturalmente um punhado de jovens angolanos.

Tal como se referiu na altura o camarada Rui Mingas, em entrevista ao Jornal de Angola, “os angolanos vão ter oportunidade de ver quanto se pode realizar a partir de um trabalho de base.” Na verdade, saltar mais de dois metros, fazer mais de 17 metros no triplo salto ou correr cem metros em dez segundos, eram marcas que se podiam conseguir com o tempo e muito trabalho.

A Jornada de Luta Anti-Imprealista em que estiveram empenhados todos os países socialistas do mundo juntou a vontade de Angola aprender a assimilar os métodos e experiências que podiam ser úteis na formação integral do homem novo.


FIGURA
EMPREENDOR DESPORTIVO
NORBERTO DE CASTRO


Norberto de Castro, proprietário do Complexo Desportivo com o mesmo nome, responsável pela formação de uma mão de atletas que pontificam em diferentes equipas do nosso Girabola, preenche hoje a nossa coluna FIGURA. Natural do Sambizanga, é a partir deste lugar em que acompanhou via rádio a reportagem do acto de proclamação da independência nacional.  Homem assumido do desporto reconhece a evolução que o desporto nacional conheceu ao longo dos 40 anos, mas também reconhece que se devia fazer um pouco mais. Orgulha-se do facto de ser pioneiro a nível de estrutura de formação desportiva e académica.
Geraldo, que joga no Brasil e que já vestiu a camisola dos Palancas Negras é uma das maiores referências dos rebentos da sua escola. Em Janeiro deste ano por razões explicitas viu-se obrigado a encerrar a mesma, tendo agora os olhos voltados para a província do Huambo onde desenvolve um projecto igual. "Muita coisa boa foi feita nos 40 anos. Temos estruturas que movem Angola ao desenvolvimento, além de que é bom que sejam os próprios angolanos na direcção do país sobre liderança do camarada José Eduardo dos Santos, um filho do Sambizanga." . Diz.

Onde  estava no dia 11 de Novembro de 1975?
Estive no Sambizanga, em casa a ouvir o meu tio Imperial Santana a içar a bandeira que simbolizava a ascensão do nosso país à da independência, através da rádio. Foi um momento ímpar e de muita emoção apesar da idade que eu tinha no momento, pois já tinha uma noção vaga do que representava a independência para o nosso país, para o nosso povo.

Que acontecimento desportivo mais o marcou nestes 40 anos?
Foi sem dúvida um jogo da selecção inserido nas célebres jornadas de amizade Angola/Cuba a que assisti. Foi um jogo espectacular. É que havia muita qualidade futebolística e mais do que isso, muita entrega dos nossos jogadores. Via-se que tinham todos muito amor à pátria.

A par deste jogo quais são os outros acontecimentos que o marcaram pela positiva?
Foi quando nos tempos da OPA certo dia eu e o meu falecido irmão vínhamos de Kifangndo na boleia do músico (também já falecido) Urbano de Castro num Peugeot, e ao chegar na Petrangol ele parou o carro, olhou para a refinaria e disse-nos que nós é que tinhamos de tomar conta daquilo. Marcou-me muito este momento, embora não sendo de natureza desportiva.

O que gostava que tivesse acontecido no nosso desporto, mas que não ocorreu nestes 40 anos?
A existência de escolas verdadeiras de futebol nas 18 províncias do país, o que não temos . Acredito que se assim fosse hoje o nível do nosso futebol seria muito elevado e não teríamos os problemas que temos hoje. Arrisco em dizer que talvez estivéssemos ao mesmo nível dos países mais referenciados a nível do continente africano.

Como empreendedor de grande referência, como avalia o seu contributo no processo evolutivo do nosso desporto?
 À partida fui um antigo praticante de futebol e sou pioneiro a nível de estruturas de formação desportiva e académica e hoje os frutos sãos visíveis a nível do país, com jogadores formados por mim, ao longo destes anos, a ponto de eu ser homenageado várias vezes quer dentro do país, quer no estrangeiro.

Considera positivo o nível de evolução do nosso desporto nos 40 anos ou nem por isso?
Na verdade, não podia dizer o contrário. Acho que houve evolução em todas as frentes. Ou seja, em todas as modalidades, no basquetebol, andebol, hóquei em patins, atletismo enfim. Mas não tenho dificuldade em dizer que o futebol o único desporto que não evoluiu.