Jornal dos Desportos

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Reportagens

Infra-estruturas desportivas precisam de intervenção imediata

Manuel de Sousa, no Namibe - 03 de Setembro, 2010

Rui David, director-geral do Atletico do Namibe o Governo provincial promete reabilitar o recinto

Fotografia: Afonso Costa

As principais infra-estruturas desportivas do Namibe estão degradadas, facto que preocupa os amantes do desporto da província e dificulta a materialização do projecto de massificação lançado pelo Governo local.

O Pavilhão Saydi Mingas era o maior centro dos desportos de salão, com capacidade de albergar um elevado número de espectadores, mas está encerrado, clamando por uma intervenção imediata. Nele eram também realizadas actividades músico-culturais, religiosas e eventos de outro caris. Apesar de ter beneficiado, há três anos, de abras de restauro, a sua parte exterior apresenta um aspecto desolador.

O estado dos portões de acesso passa uma imagem negativa daquele que foi o grande aglutinador dos desportos de salão e de outras actividades, e ponto de encontro dos citadinos, principalmente aos fins-de-semana. No interior, os balneários não estão operacionais por falta de água canalizada. A maior parte das associações provinciais funcionam naquele "monstro adormecido" que, apesar do seu estado, serve para aulas de Educação Física de algumas escolas e local de diversão de jovens e crianças das redondezas que, ironicamente, contribuem para a sua degradação.

Instituto Normal de Educação
Física está esquecido


O campo do Sporting, antigo Instituto Normal de Educação Física, não tem condições mínimas para a prática de qualquer modalidade de salão. O piso encontra-se num estado em que se desaconselha para a prática desportiva. O arrendamento de um dos compartimentos para festas, casamentos e outras actividades, danificou a pintura da parte interna do edifício, o que contrasta com o verde da parte exterior. Actualmente, o recinto é usado por populares que, aos domingos, se reúnem para fazer gosto ao pé.

No ano passado, o mesmo foi usado pelo núcleo da patinagem, mas, devido ao seu estado avançado de degradação, os responsáveis do núcleo optaram por negociar com a direcção do Clube Atlético do Namibe, no sentido de utilizarem o campo deste. Consta nos planos do Governo da província a reabilitação do referido campo, algo que deixa feliz os sportinguistas, os que o conheceram em bom estado de praticabilidade e os que actuaram naquele piso como atletas.

População contribui para a degradação

Pedro Filipe, amante do futebol, recorda com tristeza os tempos em que o Pavilhão Saydi Mingas era palco das partidas dos campeonatos provincial e nacional de futsal. "Tenho boas recordações do Pavilhão Saydi Mingas. Não perdia os principais jogos ali realizados, pois eram empolgantes e enchiam-no (de público)", lembra. Lamenta o estado em que se encontra aquele recinto e lança um apelo a quem de direito, no sentido de o reabilitarem. "Com o pavilhão em boas condições, a província voltará a candidatar-se à realização de um campeonato de futsal ou doutra modalidade. Além do Saydi Mingas, não temos outro campo capaz de albergar provas que reúnam muita gente", diz.

O campo multiuso, localizado no Instituto de Pescas Hélder Neto, erguido há três anos, é, nos dias que correm, o palco das principais actividades desportivas da província, mas alberga menos espectadores do que o Saydi Mingas. Por ser muito solicitado, começa a apresentar sinais de degradação, tais como a destruição dos varões dos muros, portões de acesso e a pintura das paredes, retirando a estética e beleza do actual ponto de encontro dos amantes do desporto. O recinto já albergou um campeonato nacional de voleibol e é lá onde decorrem, actualmente, os jogos do "Provincial" de futsal e aulas de Educação Física do instituto. José Maria, professor de Educação Física da escola, não esconde a insatisfação ao ver o campo ser destruído por pessoas que não têm noção da importância do mesmo para o desenvolvimento do desporto na província.

"É lamentável o actual estado do campo, que foi erguido há bem pouco tempo, tudo por causa de alguns adultos irresponsáveis, que se sentam nos varões, escrevem nas paredes, sem esquecer a má conduta da população residente na área, que ajuda na destruição do mesmo", diz. O professor apela aos jovens para que ganhem consciência da importância que têm as infra-estruturas desportivas, sobretudo para aproveitarem da melhor maneira os seus tempos livres. "Vemos, no decorrer de alguns jogos, jovens a pendurarem-se nos varões. Falamos com eles para não procederem dessa maneira, mas, volta e meia,estão a fazê-lo. No que toca à (degradação da) pintura nas paredes, é mais difícil, visto acontecer no período da noite. Falamos com os país e encarregados de educação dos alunos e com os moradores da vizinhança, para contribuírem na conservação do bem comum, mas não somos bem sucedidos, explica.

A realidade dos campos de futebol

O Estádio Joaquim Morais, casa do Clube Atlético do Namibe, merece uma atenção especial da Direcção Provincial da Juventude e Desportos. O recinto, que é utilizado para os jogos do Campeonato Provincial de Futebol, beneficiou recentemente da compactação e nivelamento do solo, que é regado constantemente. O pessoal de serviço procede com regularidade à limpeza das bancadas e dos balneários além da manutenção do relvado. Há dois anos, o estádio recebeu melhorias, tendo-se procedido à pintura, reparação da canalização de água e da vedação.O que preocupa a direcção do Clube Atlético do Namibe é o velho hábito do público local em fugir ao pagamento dos ingressos. Os dirigentes do clube referem que a venda de bilhetes ajudaria a suprir algumas carências da agremiação.

"O público gosta de futebol, mas não paga bilhetes para assistir aos jogos, o que seria uma forma de ajudar o clube. Os valores são pequenos, mas servem para suprir algumas carências", disse Rui David, director-geral. Noutro ângulo, a Direcção Provincial da Juventude e Desportos, no âmbito do projecto Despontar, preparou alguns campos na sede da província. Um deles situa-se na Unidade Militar do "Porco Russo", outro é o do Cambongue e o terceiro, o da escola João Baptista. Esses recintos albergam os jogos do Campeonato Provincial de Futebol em diferentes escalões.A nível dos municípios, foram também preparados campos, com realce para o pelado do Independente do Tômbwa.

Municípios com mais espaços que clubes

O Campo Polivalente do Tômbwa, erguido no âmbito do projecto de massificação desportiva do Governo Provincial do Namibe, possui paredes, varões, muros e portões de acesso em bom estado. O piso deixa um pouco a desejar, mas, ainda assim, nada que impeça a prática desportiva. Por estar vedado e se situar junto da Administração Municipal do Tômbwa, não é destruído pela população, sendo utilizado apenas com autorização das autoridades competentes.

O andebol, o voleibol e o basquetebol são as principais modalidades praticadas naquele recinto, também utilizado para outros fins fora do desporto.O mesmo não se pode dizer da Sede do Independente do Tômbwa, que se encontra em acentuado estado de degradação. O desaparecimento da equipa de seniores de futebol do Independente local, por razões financeiras, trouxe consequências, como o abandono das infra-estruturas do clube, o desaparecimento de algumas modalidades e a recente desistência dos escalões de formação no campeonato provincial da modalidade.

Já o Campo Multidisciplinar do município do Virei, embora não esteja vedado, está em boas condições, se calhar por ser pouco utilizado. O município carece de professores de Educação Física para ensinar as modalidades de salão.A par do futebol, o atletismo é a modalidade mais praticada naquela parcela da província, registando boas marcas nas provas locais. Daí, a atenção especial dada pela Associação Provincial aos jovens atletas. A realidade dos municípios da Bibala e Camucuio não é muito diferente da do Tômbwa e do Virei. Existem campos polivalentes, erguidos no âmbito do mesmo projecto e algumas infra-estruturas antigas, que carecem de reabilitação.

Nadadores sem piscina

A falta de uma piscina olímpica para a prática da natação é uma das grandes preocupações dos agentes desportivos e atletas da província, que procuram soluções para massificar a modalidade. A província possui bons nadadores, daí o desejo da Associação Provincial em ter um fosso olímpico para o aproveitamento do talento dos jovens que nas provas de travessia da costa dão bons indicadores.

Reabilitada sede do
Atlético do Namibe


A sede do Clube Atlético do Namibe conta agora com um salão de festas, um restaurante e outras divisões reabilitados, que constituem fonte de receitas para o mesmo. O campo multiuso está em bom estado para a prática das modalidades movimentadas no clube, sobretudo o andebol e o basquetebol, estando em negociação a inclusão do hóquei em patins, questão a ser vista entre as direcções do núcleo de patinagem e do clube. De realçar que o Governo da província construiu campos polivalentes em quase todas as escolas, mas a grande questão está na preservação dos mesmos, já que a população circunvizinha os destrói.

A destruição dos campos e das paredes das escolas mereceu a apreciação da directora da escola do I ciclo Saydi Mingas, Dulce Moniz. "Temos sorte de ainda ninguém rabiscar as paredes da nossa escola. Temos o cuidado de falar com a comunidade ao redor para preservar a estrutura, o que tem sido difícil porque esses actos são feitos durante a noite e as escolas não dispõem de guardas", explicou. Para ajudar a preservar a escola, a direcção mantém contactos com os encarregados de educação, aos quais são dadas explicações sobre os ganhos que essas infra-estruturas trazem para a comunidade.