Jornal dos Desportos

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Reportagens

Itlia lamenta excluso de Sneijder

09 de Dezembro, 2010

O futebolista holands Wesley Sneijder teve um 2010 excelente, marcado por momentos inesquecveis

Fotografia: AFP

A Itália lamentou a exclusão do futebolista holandês Wesley Sneijder entre os três candidatos a vencer a Bola de Ouro deste ano, cerimónia que decorrerá a 10 de Janeiro de 2011. A “Gazzetta dello Sport”, diário desportivo mais lido naquele país europeu, titulou na primeira página “Raiva Sneijder” e considerou como muito discutível a eleição do argentino Messi e os espanhóis Xavi e Iniesta como finalistas ao galardão. O jornal reproduziu as declarações de Sneijder, do Inter de Milão, ao jornal holandês “De Telegraaf”, em que se diz muito descontente por essa decisão e felicita ao trio do Barcelona.

“É óbvio que estou muito descontente, mas nada posso fazer. Todos me pedem para dizer algo, mas a verdade é que nada há que possa dizer”, disse Sneijder, que agora só pensa em conquistar o Mundial de Clubes. Na Itália, recorde-se, o holandês foi um dos artífices da “tríplice” do Inter na passada temporada, ao vencer o Campeonato Italiano a Liga dos Clubes Campeões e Taça, além de brilhar com a sua selecção no Mundial da África do Sul, em Janeiro.

Para o argentino Javier Zanetti, capitão do Inter, considerou “absurdo” que o seu companheiro de equipa tenha ficado de fora da lista final, e acrescentou que seu compatriota e também jogador da Inter Diego Milito seria outro candidato em potencial ao prémio concedido pela Fifa e a revista francesa “France Football”. Para o presidente da Federação Italiana de futebol, Giancarlo Abete, o médio holandês merecia ao menos estar no pódio. No entanto, representantes e conhecedores do futebol italiano explicam nas páginas de Gazzetta dello Sport, que ainda que Sneijder ficasse entre os três finalistas, Xavi e Iniesta são os grandes candidatos a vencer o troféu.

“Teria incluído a Sneijder entre os três primeiros, mas é justo que o ganhe um espanhol. Entre eles Iniesta é o meu favorito, já que marcou o golo decisivo no Mundial”, explicou Andriy Shevchenko. Para o espanhol Luis Suárez, que vestiu a camisola do Inter e do Barcelona, não é justo que Sneijder tenha ficado fora do pódio, mas o seu voto é para Xavi. Campeão do mundo e ex-jogador da Juventus, o italiano Paolo Rossi alega que Snejider tinha de estar entre os três primeiros, no lugar de Messi, que no Mundial defraudou, mas tanto Xavi quanto Iniesta merecem.

Massimo Moratti
fala em injustiça

O presidente e proprietário do Inter considerou injusto que o médio não ganhe a Bola de Ouro. Através do site do clube, Massimo Moratti disse ser inconcebível que o holandês não esteja sequer entre os três finalistas. “Parece-me injusto. Na época passada, Sneijder esteve num momento fenomenal e ganhou tudo o que podia a nível de clubes. É também bastante injusto que não esteja entre os três finalistas e que concedam o prémio a alguém que não teve o mesmo rendimento ao longo do ano”, assinalou Massimo Moratti.

Holandês “decepcionado”

Wesley Sneijder admitiu ter ficado chateado com a escolha dos finalistas na Bola de Ouro de 2010.  O jogador holandês foi o grande ausente na lista final divulgada pela Fifa para o prémio. O atleta do Inter de Milão não conseguiu superar o trio do Barcelona, formado por Iniesta, Messi e Xavi. “É óbvio que estou muito decepcionado, mas nada  posso fazer” disse.

A ausência do médio holandês Wesley Sneijder no grupo de três finalistas da disputa pelo troféu Bola de Ouro da Fifa também foi muito criticada nesta terça-feira por personalidades do futebol da Itália e a imprensa do país. Os defensores da inclusão de Sneijder entre os finalistas lembraram que o médio foi um dos artífices dos títulos conquistados pelo Inter na última temporada - Liga dos Campeões, Taça da Itália e Campeonato Italiano -, além de ter brilhado com a seleção holandesa no Mundial.

Jornal assegura
ouro para Iniesta

“O médio do Barcelona Andrés Iniesta, campeão do mundo pela Espanha em 2010, vai receber a Bola de Ouro das mãos da FIFA”. A informação foi avançada pelo jornal italiano “Gazzetta dello Sport”, na sua edição de domingo. Os italianos baseiam-se numa fuga de informação que indica que o pódio será completado por outros dois jogadores da equipa catalã: Xavi será segundo e Messi terceiro.
O prémio é entregue a 10 de Janeiro pela FIFA, numa gala onde também se vai distinguir, pela primeira vez, o melhor treinador do ano. José Mourinho afigura-se como um candidato de peso.

“Pretendo erguer a taça
do Mundial de Clubes”

Qual foi o seu melhor momento neste ano?
Sem dúvida, vencer a final da Liga dos Campeões da UEFA contra o Bayern Munich. O que mais poderia ser?

A sua esposa Yolanthe não vai ficar muito feliz com essa resposta tão espontânea...
(Sorri) Vamos consertar isto imediatamente. A minha vida pessoal é uma coisa (obviamente o meu casamento em Julho foi uma ocasião maravilhosa) e a carreira profissional é outra. Dito isso, aquela noite em Madrid vai directo para o topo da lista, depois de uma campanha magnífica em que levamos a melhor sobre clubes como o Chelsea e o Barcelona.

A meio do ano passado, antes de ser transferido para a Inter de Milão, sonhava levantar a taça no Santiago Bernabéu com a camisola do Real Madrid?
Todos no clube falavam, há muito tempo, sobre a final que seria disputada em casa. Quando cheguei a Milão, não pensava seriamente em vencer um título tão importante na minha primeira temporada, mas quando levantei a taça depois daquela partida, no fundo tenho de admitir que senti uma sensação muito especial (uma espécie de sentimento de volta para casa). Agradeço o presidente Moratti, o técnico Mourinho e todos na Inter por terem me dado a chance de mostrar todo o meu potencial e realizar algo como aquilo, coroando todos os outros títulos.

Relembrando outros jogos inesquecíveis em 2010, é impossível não mencionar a final do Mundial da África do Sul…
Aquela partida, que veio depois de uma série sensacional de vitórias sobre países como o Brasil e Uruguai, foi uma experiência incrível e fantástica, apesar do resultado que, infelizmente, foi-nos desfavorável. Jogamos num estádio maravilhoso e tivemos a chance de vencer o troféu mais precioso de todos, com os olhos do mundo voltados para nós e a “torcida” de um país inteiro a apoiar-nos. Perdemos o jogo porque enfrentamos uma equipa muito forte e que, provavelmente, foi melhor do que a nossa. A Espanha tem um grupo incrivelmente talentoso, mas lutamos até o fim, sofrendo o golo apenas nos últimos minutos do prolongamento. Não tenho arrependimentos, só um desejo irresistível de tentar outra vez em 2014. Tenho a sorte de ser novo, pelo que ainda tenho chances de o conseguir.

Você não conseguiu ser campeão do mundo com a Selecção da Holanda, mas pode conseguir com a Inter. Como se sente às vésperas da Mundial de Clubes da FIFA 2010?
As duas competições não podem ser comparadas porque entre Junho e Julho disputei um torneio, embora muitos jogos tenham acontecido num intervalo curto. Estamos a preparar-nos para decidir a taça em apenas dois jogos, esperando jogar bem e passar pelo primeiro obstáculo. Jogar o Mundial de Clubes é a recompensa pela vitória extraordinária que tivemos na Europa e será bom medir forças com as melhores equipas de cada continente. Não importa contra quem vamos jogar, estamos concentrados em ter sucesso e erguer a taça. O espírito que reina é simplesmente essa vontade de vencer.

E fisicamente, como está?
Estou um pouco cansado devido a todos esses compromissos acumulados uns atrás de outros e à falta de descanso que tive nos últimos meses, principalmente entre Julho e Agosto. Mas é o preço que se paga por viver as emoções desta temporada que, se tudo der certo, pode terminar para mim com cinco títulos pela Inter e um vice-campeonato mundial com a Holanda. Vou me lembrar disso por toda a vida!

O que sabe sobre os Emirados Árabes Unidos, onde será disputado o evento?
Estivemos lá com a Inter no ano passado, durante a pausa de Janeiro do Campeonato Italiano. Será sensacional voltar 12 meses mais tarde para jogar partidas tão importantes, o que prova que o nosso esforço compensou. Tenho a certeza de que os estádios estarão lotados e que os adeptos irão prestigiar o evento. Infelizmente não vi muita coisa do ponto de vista turístico ou cultural, mas o ritmo de vida de um jogador de futebol não deixa tempo para muitas aventuras. Vou reparar isso futuramente, prometo.