Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Jogar no 1º de Agosto é um sonho realizado"

Valódia Kambata - 10 de Abril, 2010

Adilson Baza, basquetebolista do 1º de Agosto

Fotografia: Dombele Bernardo

Como surgiu no basquetebol?
Quando tinha 10 anos, fui levado ao Petro de Luanda, pelo meu tio que lá trabalhava, para treinar basquetebol, uma vez que gostava da modalidade. Comecei no escalão de iniciados e prossegui nos restantes escalões de formação. Sempre gostei de basquetebol e, por isso, decidi aceitar o convite do meu tio. O basquetebol é uma modalidade bonita, não só de se praticar mas de se ver.

Que papel teve a sua família até atingir a alta competição?
A família sempre me apoiou. Deu-me força para continuar a jogar e aconselhou-me a não parar de estudar.

Que motivos estiveram na base da mudança para o 1º de Agosto?
Cresci no Petro de Luanda, e quando terminei a época há dois anos, ainda no escalão de juniores, fui jogar pela Universidade Lusíada, onde estudo. Com o passar do tempo, o treinador do 1º de Agosto convidou-me a representar o clube e aceitei.

É um sonho que se tornou realidade...
Todo o atleta tem o desejo de jogar num clube grande. Logo, estar no 1ºde Agosto é realmente um sonho que se tornou realidade. É muito bom estar aqui.

Até onde ambiciona chegar com o seu clube?
Até onde conseguir.

Qual foi o ponto mais alto da sua carreira?
Sou campeão da África de clubes, pela segunda vez. Ou seja, tenho dois títulos de campeão africano em seniores masculinos pelo 1º de Agosto. Penso que este é o ponto mais alto da minha curta carreira.

Qual foi o melhor jogo que fez?
Foi em 2004, em Benguela, no Campeonato Nacional de Juniores. Na altura, representava o Petro de Luanda e converti 61 pontos no jogo contra o 1º de Agosto. Fui o melhor "cestinha" com 270 pontos e o jogador mais valioso da competição.

Adaptação foi fácil

Iniciou a temporada quase como um desconhecido. Foi fácil a adaptação ao grupo?
Foi, pois trabalho com jogadores experientes como o Miguel Lutonda, o Carlos Almeida e o Joaquim Gomes.

Como é treinar e jogar com atletas que até pouco tempos eram os seus ídolos?
É muito bom porque com eles aprendemos muita coisa. São pessoas que estão sempre dispostas a ajudar.

Com reage aos elogios que recebe? Não afecta no  seu rendimento?
Com ou sem elogios continuo a trabalhar, pois só com trabalho chegamos ao nosso objectivo.

Daqui para frente o que se espera de si?
Quero melhorar as minhas qualidades e defeitos.

Que treinador ou treinadores tiveram importância na sua carreira?
Foram Gerson Bhetel, Anselmo Monteiro e o actual, Luís Magalhães.

Entrada na NCCA foi por pouco

Ao longo destes dois anos  recebeu convites para jogar  noutras equipas?
Sim. Fui convidado para jogar na NCCA, a liga norte americana universitária, na Universidade de New Hampshire, em Boston.

Porquê que ingressou naquela liga?
Alguns pormenores que não estavam bem esclarecidos fizeram com que não fosse para os Estados Unidos da América.

E para a próxima época?
Só o tempo dirá. Nunca se sabe o que nos reserva o amanhã. O meu maior desejo é continuar a jogar neste clube que muito tem me ajudado a crescer no basquetebol. Teria de ter um bom motivo para sair dela.

Que aspirações tem? Sonha chegar a selecção?
Quero encontrar estabilidade na carreira e, depois, se possível, chegar a um grande clube estrangeiro. Qualquer jogador sonha com a selecção. Infelizmente, ainda não tive oportunidade de a representar, mas é uma meta para qualquer atleta.

O basquetebol ajudou no seu desenvolvimento enquanto indivíduo?
Pode crer que sim. Enquanto basquetebolista, muita coisa acontece em grupo. Tiramos sempre os bons exemplos, aqueles que certamente vão servir para toda a vida. O basquetebol ajudou a melhorar a minha personalidade. Por isso estou a terminar a Faculdade de Gestão de Empresas.

A para da carreira profissional continua a estudar. É fácil conciliar as duas actividades?
Os estudos e o basquetebol sempre vieram em primeiro lugar. Não foi difícil conciliar ambas as actividades, na medida em que sempre tive acompanhamento da minha mãe. O facto dela nunca reprovar, serviu-me de elento para conciliar as duas ocupações. É mais complicado quando não se consegue transitar de classe. Como nunca foi o meu caso, tem sido fácil.

"O D´agosto é a minha
segunda casa"

O que representa o 1º de Agosto na sua vida?
É a minha segunda casa e onde me sinto bem. 

Como é o ambiente no balneário, numa equipa que tem Miguel Lutonda e Carlos Almeida e outras estralas?
É bastante saudável conviver com duas e mais estrelas do nosso basquetebol.

Como encara a nova geração de basquetebolistas?
Necessitam de mais acompanhamento, conselhos, e investimento em todos os sentidos. Passei por esta fase e senti a falta desses ítens.

Sempre jogou como base?
Sim. A julgar pela minha altura, não tenho outra opção. Sou uma pessoa simples, humilde, amigo dos meus amigos e dos que não o são.

Que balanço faz dessa temporada?
Está a ser boa, face ao trabalho que se tem feito.

Bilhete de Identidade
Nome - Adilson Carlos
Micano Baza
Data de nascimento - 25 de Abril de 1986
Naturalidade - Luanda
Altura - 1,85 metro
Filiação - Maurício Baza (pai) e Júlia Pedro Micano (mãe)
Prato preferido - Bitoque
Bebida – sumo