Jornal dos Desportos

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Reportagens

Judo atravessa fase difícil

José Chaves, no Kuito - 11 de Março, 2010

Modalidade vive mar de dificuldades

Fotografia: Jornal dos Desportos

Nos dias que correm, o judo na província do Bié, Centro Sul de Angola, está a atravessar uma má fase. Os clubes e núcleos enfrentam dificuldades de vária ordem, mas a vontade de vencer é maior. Dirigentes da Associação Provincial de Judo, atletas (entre principiantes e mais antigos), até mesmos os mestres, sonham em representar a província nos campeonatos nacionais e tornarem-se campeões em várias categorias. Embora falte apoio das estruturas de direito, todo o esforço tem sido feito no sentido de elevar o nome da modalidade na província, uma vez que os atletas locais participaram, por diversas vezes, em campeonatos nacionais e em torneios inter-provinciais.

O presidente da Associação Provincial de Judo do Bié (APJB), Adriano Dala, mais conhecido nas lides desportivas por "Gaivota", disse que a associação que dirige controla actualmente nove clubes que possuem os escalões de iniciados, de juvenis, de juniores e de seniores. Cerca de 200 atletas é o número que a associação controla em toda a província. Dala disse também que o estado da modalidade na província é débil, nos aspectos organizativos, de equipamentos e de instalações para o seu funcionamento.
Segundo "Gaivota", a falta de apoios financeiros tem inviabilizado os projectos de massificação que o seu pelouro tem preconizado para revitalizar a modalidade.

"Além da falta de recintos para treinos, de equipamento, a questão financeira é outra grande dor de cabeça, pois não temos recursos financeiros para apoiar os clubes", lamenta. O responsável da associação local de judo pede, por isso, por apoio dos órgãos de direito, mormente da Direcção Provincial da Juventude e Desportos e da Federação Angolana de Judo para apoiarem a modalidade, com o objectivo de a massificar em toda a província.

Associação pretende
apostar na massificação

A Associação Provincial de Judo do Bié pretende apostar na massificação e na expansão da modalidade na província, através da implementação de um projecto de desenvolvimento, formação e acompanhamento de novos praticantes. Segundo afirmou o presidente da associação, Adriano Dala, "apesar das dificuldades que o judo atravessa, a nossa associação tem em agenda um projecto ambicioso para relançar a modalidade nesta zona do território nacional".  De realçar que o judo no Bié já alcançou muitos títulos, quer a nível nacional quer internacional, e teve várias participações em provas nacionais, que de algum tempo a esta, parte está moribundo.
No longínquo ano de 1981, aquando da realização dos II Jogos de África Central, disputados em Angola, o judoca bieno José Raul venceu uma medalha de ouro.

Treinos em locais inadequados

A equipa do Estrela Clube efectua as suas actividades desportivas num local impróprio, correndo sérios riscos de os atletas sofrerem graves lesões. Os treinos realizam-se no polígono florestal do Complexo Desportivo dos Irmãos Maristas. O local até que é agradável, pois é rodeado de eucaliptos, o que tem ajudado os atletas a efectuarem com regularidade as suas sessões de treino, muito pelo oxigénio e dióxido de carbono ai produzido.

Apesar da ventilação artificial, as condições existentes no local não são as mais adequadas para a prática do judo, tão-pouco vão ao encontro daquilo que recomendam os padrões da Federação Internacional da modalidade. No polígono (ginásio improvisado pela equipa do Estrela do Bié), não existe tapete, água, balneário, cadeiras e mesas. O lugar está coberto de capim e alguns troncos.

Estrela Clube é a principal
impulsionadora da modalidade


O Estrela Clube do Bié, fundado em 2000, é a principal impulsionadora para o desenvolvimento do judo na província do Bié.
Apesar disso, o clube atravessa várias dificuldades, desde a questão financeira, a falta de recinto próprio para realização dos treinos e falta de material desportivo. Dificuldade à parte, nos dias que correm, a agremiação está apostada na descoberta de novos atletas.
A Escola possui 75 atletas, sendo 35 masculinos e 30 feminino. Está há dois anos sem participar em provas nacionais, por falta de apoios financeiro. Por este facto, pretendem voltar à competição ainda este ano, nos campeonatos nacionais.

Dirigentes desportivos apelam à sociedade local, no sentido de ajudar a equipa para a concretização desde desiderato. Abel Chicale "Donx", treinador/atleta do Estrela Clube do Bié, disse que a sua agremiação vai continuar a trabalhar afincadamente para que o seu projecto não morra. O clube tem como objectivo principal formar novos talentos para garantir o futuro da modalidade. Abel afirmou, por outro lado, que o seu conjunto pretende voltar a competir em provas de índole nacional.

"Estamos preparados para competir de igual para igual com outras equipas deste imenso país. Por isso mesmo, vamos pedir ajuda ao governo provincial para que possamos tornar, ainda este ano, a disputar o campeonato nacional", avança. O Estrela Clube do Bié já participou em três campeonatos nacionais e um torneio inter-provincial.

Escassez de infra-estruturas pode comprometer

A falta de ginásios, no Bié, para a prática do judo pode comprometer seriamente o desenvolvimento da modalidade. Os ginásios que existiam outrora foram todos destruídos pela guerra fratricida que assolou o país inteiro e a província do Bié em particular. Actualmente, no Bié não existe nenhum ginásio, aliado ao facto de os principais clubes locais não possuírem o judo no leque das suas modalidades. Torna-se necessário que hajam locais apropriados e com condições condignas para a prática da modalidade, estímulos, cursos e troca de experiência entre várias equipas, academias e associações do país. Só assim poder-se-á dinamizar melhor o processo de revitalização e massificação da modalidade na província.

Dirigentes querem
apoio de empresários

O judo na província do Bié não beneficia de apoios das autoridades competentes da região para o seu crescimento normal. A modalidade apenas sobrevive de iniciativas de pessoas singulares, como atletas e alguns dirigentes. A associação da modalidade tem estado de mãos atadas para realizar as suas acções. Deste modo, o homem-forte do judo no Bié, Adriano Dala, apela à classe empresarial para que apoiem a modalidade.

Aconselho aos empresários a abrir o mercado nacional, através do markiting, até porque o judo oferece condições para o efeito.
Aquele dirigente assegura que em caso de surgirem apoios por parte dos empresários locais, irá contribuir bastante para o desenvolvimento da modalidade.

Interesse da
juventude aumenta

É notório o interesse de muitos jovens pela prática do judo, o que tem permitido maior motivação entre os atletas locais que frequentam as diversas equipas e núcleos. Segundo Abel Chicale, treinador do Estrela Clube, muitos jovens desta região têm vontade de aprenderem o "ABC" da modalidade. "Já se nota grande aderência dos jovens em aprender o judo e a motivação é maior. Todas as manhãs, vários jovens desta parcela do território nacional acorrem aos clubes e academias que movimentam a modalidade", diz.

A falta de treinadores qualificados é o grande "hand cap"com que a modalidade se debate neste momento. Para o técnico da Estrela Clube, é necessário investir bastante na formação de novos treinadores para que a modalidade se torne numa referência no que tange à formação.