Jornal dos Desportos

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Reportagens

Julio Chávez conquistou cinco títulos mundiais

23 de Maio, 2011

Julio César Chávez é o melhor pugilista de todos os tempos.

Fotografia: AFP

Os números não deixam dúvidas: Julio César Chávez é o melhor pugilista de todos os tempos. Pela fama, tão pouco restam dúvidas: conquistou o mundo inteiro, sobretudo o mercado dos Estados Unidos. Os seus dotes natos de pugilista dão conta de várias indicações como boxeur do ano pelo Conselho Mundial de Boxe (CMB), outorgada pela prestigiada revista “The Ring” e os rivais caíram frente ao poder dos seus pulsos. Cinco títulos mundiais em diferentes categorias, 107 lutas, com 102 vitórias, dois empates e três derrotas, não foram fáceis.

Mas as lutas mais difíceis foram travadas fora do ringue, com rivais tão poderosos como o Ministério da Fazenda, com inúmeras amizades ligadas ao narcotráfico ou, simplesmente, com aqueles que sempre se aproveitaram da sua amizade e do seu dinheiro.
Até ao dia 13 de Setembro de 1984, JC era um desconhecido. Nesse dia, em Los Angeles, infligiu um knockout ao favorito Mário “Azabache” Martinez, ganhando o seu primeiro título mundial, no peso “Super Pena” do CMB. Defendeu nove vezes esse título, em nove ocasiões, até que não pôde mais com a balança e decidiu subir para enfrentar o seu primeiro lutador de peso, o porto-riquenho

Edwin “Chapo” Rosário, a quem destroçou em 11 rounds, em Las Vegas.  Tinha ganho o seu segundo título mundial, como Peso Leve do CMB. Uma luta histórica, recordada por o seu treinador ter tido que atirar a toalha ao chão em sinal de derrota. Unificou o seu título com a Associação Mundial de Boxe (AMB) e seu compatriota e compadre José Luis Ramirez, que venceu por decisão técnica em 11 assaltos. O seu reinado como Peso Leve foi curto. De facto, o seu combate seguinte foi para disputar o cinturão de Super Leve, com

Roger Mayweather, que ganhou. Ser campeão era uma realidade confirmada a 17 de Março de 1990, quando venceu um empolgante combate, a nove segundos do final, com o americano Meldrick Taylor, arrebatando ao mesmo tempo o seu título de Super Leve da FIB.
Era o ponto alto da sua carreira e a prova de que precisava para ganhar o público americano e cobrar melhores salários. Oito defesas, entre elas a realizada em 20 de Fevereiro de 1992, no Estádio Azteca, entraram para o livro “Guiness dos Recordes”, com o maior público numa luta de boxe: 132.274 pessoas.

O fim Depois surgiu o polémico empate com Pernell Whitaker e a frustração por não ter obtido o campeonato de Welter. Aí, começou a derrocada. Uma defesa mais de Super Leve e a derrota surpreendente para o público, mas não para aqueles que sabiam de seu ritmo de vida, frente ao desconhecido Frank Randall. Apesar de em seguida ter vencido e recuperado o cinturão que defendeu mais quatro vezes, a sua carreira tinha chegado ao fim. Em 7 de Junho perdeu de maneira irresponsável para Óscar de la Hoya.

Chegou a essa luta com a sobrancelha direita cortada e sem cicatrizar e isso foi sua perdição. A partir daí, sucederam-se uma série de problemas extra desportivos: dívidas às Finanças, ordens de extradição, contendas conjugais....problemas e mais problemas. Chegou de novo a oportunidade de ser campeão e empatou com Miguel Angela González. Depois da vingança com De la Hoya e mesmo com condições diferentes da sua primeira batalha, foi a idade (os seus 36 anos contra os 25 de De la Hoya) que o impediram de ganhar, apesar da grande luta apresentada, na qual voltou a luzir os seus melhores atributos técnicos, mas em câmara lenta.