Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Kabuscorp equipa competitiva"

Paulo Caculo, Algarve - 01 de Fevereiro, 2015

Ex-futebolista luso-moambicano sublinha ter ficado com boas referncias do futebol dos palanquinos

O técnico do Sporting Clube Farense, Abel Xavier, considera o Kabuscorp do Palanca uma equipa competitiva, com qualidade e com condições de continuar a lutar por lugares do topo do futebol angolano e africano. O antigo internacional da selecção portuguesa fez questão de sublinhar, no final do jogo amistoso com o vice-campeão nacional, ter ficado com uma melhor impressão do potencial das equipas angolanas.

"Antes de mais, ficamos muito agradecidos por ter a oportunidade de fazer este jogo de carácter particular, mas quando se compete nada é amizade. Foi um jogo com bastante fair-play. O Kabuscorp tem uma equipa competitiva e que, acredito, vai lutar por lugares cimeiros, não apenas na liga angolana, mas também na competição africana, porque tem um conjunto com qualidade", disse o luso-moçambicano, que destaca a postura ofensiva e defensiva espelhada pelos palanquinos durante o amistoso.

"Não tenho dúvidas de que por aquilo que vi neste jogo, Angola tem equipas muito boas e o campeonato deve ser, também, muito competitivo", acrescentou Abel Xavier.

O treinador considera, por outro lado, haver em África muita matéria-prima do futebol de "grande valor", razão pela qual sustenta a sua tese com o facto de acreditar que hoje, dada a globalização que o futebol tem sido alvo, "encontramos qualidade tanto em Angola como em Moçambique" e noutros   países africanos de língua portuguesa.

"Hoje puxamos os parâmetros da exigência não só a nível colectivo, perfil da equipa, objectivos, mas também a nível estrutural e quando assim é penso que qualquer jogador, e muito mais a morfologia africana, que se adapta ao desporto de exigência que é o futebol, combinado com capacidade técnica e táctica, podemos construir um trabalho seja onde for", referiu.

Abel Xavier sublinha que gostava muito que as estruturas africanas responsáveis em pensar no futebol o fizessem  "não com a emoção do adepto, mas com a racionalidade que deve ser feito o trabalho", para que num futuro muito próximo, selecções como a de Angola, por exemplo, "que tem uma economia muito sólida a nível mundial", pudesse construir uma imagem global que fosse de uma equipa nacional com ambição no título mundial.

CAN
O técnico do Farense lamentou, ainda, a fraca representação de selecções africanas de expressão portuguesa no Campeonato Africano das Nações (CAN), que decorre na Guiné Equatorial. Abel Xavier afirmou ter sido com grande tristeza que viu a única selecção que fala português ser prematuramente eliminada da maior competição continental.

"Penso que Cabo Verde tem feito um bom trabalho, com as capacidades que tem, estrutura, mas também com as dificuldades, porque não podemos esquecer que existe grandes dificuldades basicamente para poder competir a um determinado nível, mas penso que é possível e espero que em breve não só as equipas africanas de expressão portuguesa, mas também as selecções possam atingir um patamar onde se possam destacar não só no CAN, mas também se qualificar ao mundial de futebol, porque o impacto é maior", assegurou o ex-futebolista.

O técnico acredita, a finalizar, ser possível fazer-se um bom trabalho no continente africano, bastando que para tal se aposte em pessoas vocacionadas, com competências e conhecimento, porque "não tenho dúvidas nenhumas de que o jogador africano ostenta qualidade", mas defende que a informação deve ser objectiva.



ESTÁGIO NA PONTA FINAL
“Onze” de Risto
aprimora forma


Os jogos treinos realizados pelo Kabuscorp no estágio que realiza no Algarve tem ajudado a descortinar a tendência do técnico Ljubomir Ristovsk "Risto" em apostar muito mais em alguns jogadores e menos noutros. Por muito que o treinador não aceite confirmar a ideia de que tem já definido o "onze" para a época futebolística que se avizinha, a realidade é que a frequência de alguns atletas nos titulares tem ajudado a provar o contrário.

Se no jogo com o Progresso do Sambizanga, ainda em Luanda, no começo do ciclo de preparação, ainda restavam dúvidas em relação aos prováveis eleitos para dar corpo à equipa titular deste ano, depois dos desafios particulares com o CF Ferreiras, SC Farense e Louletano, estas acabaram completamente dissipadas.

Hugo Marques tem liderado as preferências para ocupar a baliza da equipa. O ex-guarda-redes do 1º de Agosto pode ter caído nas graças do técnico sérvio, facto que tem sido provado com a sua habitual presença no "onze" inicial escolhido para começar os jogos amistosos em Portugal. Fazem-lhe sombra Rubian e Mário, dois guarda-redes também de grande nível.

A julgar ainda pelas últimas aparições dos palanquinos, o quarteto defensivo deve ser composto por uma dupla de centrais composta por Dominique Kivuvu e Borges, até durar o tempo de recuperação de Silva, um dos fortes candidatos a formar parelha com o internacional dos Palancas no eixo da defesa. Nas laterais, Lunguinha e Panilson ganham vantagem, embora este último tenha de enfrentar a forte oposição de Issama, ainda a disputar o CAN.

No meio-campo, enquanto Lami e Tresor não se juntam aos trabalhos, as apostas recaem em Fiston, Joaquim Adão, nas posições de médios defensivos, ao passo que o tridente composto por Mano, Dax e Amarildo assume a missão de encarnar o papel de principais “municiadores” do ataque às ordens do inevitável Meyong ou do promissor Patrick II.
PC


 COCA COLA
Talento dos juniores cresce a olhos vistos


O médio Faustino "Coca Cola" é um dos jogadores em evidência na equipa do Kabuscorp. Aos 20 anos, o jovem promissor proveniente dos escalões de juniores dos palanquinos já apresenta um futebol consistente e uma maior maturidade competitiva, que fazem dele um dos potenciais candidatos a uma das vagas nos titulares. Concentrado e forte na marcação, tem sido uma agradável surpresa na recuperação de bola e no rápido processo de construção de jogadas.

Os primeiros jogos de "Coca Cola" na equipa principal do Kabuscorp indiciam que estamos em presença de um jogador com enorme potencial, um médio com características que há muito se reclama no plantel dos palanquinos. É um jogador com estampa física, dotado de excelente técnica e sentido de batalha pela posse do esférico.

Se tiver o devido acompanhamento e oportunidades para jogar, que lhe permitam evoluir para um patamar superior, o jovem talento será, certamente, uma excelente opção a médio prazo para o sector intermédio do Kabuscorp.

Na mesma senda esmera-se em ganhar notoriedade o jovem Medalha, outro dos jogadores transferido dos escalões de formação do conjunto do Palanca. O jogador também ambiciona marcar presença na restrita lista de "indispensáveis" para a equipa titular do Kabuscorp.
PC

JOGO TREINO
M'Pele M'Pele
garante vitória


Um golo solitário de M'Pele M'Pele, rubricado aos 83', permitiu ao Kabuscorp alcançar ontem a segunda vitória no estágio pré-competitivo que realiza em Portugal. Os vice-campeões nacionais derrotam o Louletano da terceira divisão portuguesa por 1-0.

Num jogo bastante disputado, do princípio ao fim, embora nem sempre com a bola muito bem jogada, realce para a boa postura ofensiva espelhada pela equipa de Ljubomir Ristovsk, cujos jogadores foram capazes de interpretar muito bem os princípios básicos de ligação ao jogo. Os palanquinos valorizam muito no seu futebol o passe e a posse do esférico, bem como a circulação de bola.

O Kabuscorp começou o jogo com Hugo à baliza, tendo o guarda-redes contado com os apoios de Élio e Kivuvu no eixo defensivo. Nas laterais, Nuno, à esquerda e Lunguinha, à direita, completaram o quarteto da defesa. Joaquim Adão, Paulo Alves, Firmino e Mano povoaram o meio-campo, ao passo que na frente de ataque Patrick e Jaime Poulson fizeram a dupla.

Na segunda parte, período em que se viu a equipa angolana a render muito melhor em termos de qualidade de exibição, contribuíram para a subida de rendimento da equipa as entradas em campo de Mário e Rubian, Coca Cola, Fiston, Panilson, Meyong, Dax, Borges, M'Pele M'Pele, Amarildo.