Jornal dos Desportos

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Reportagens

Kali quer ser campeo pelo 1 de Agosto

Manuel Neto - 23 de Fevereiro, 2010

Carlos Alonso (Kali), o novo reforo do 1 de Agosto

Fotografia: Jornal dos Desportos

O contrato que celebrou com o 1º de Agosto o satisfaz?
Não podemos dizer que o contrato foi fabuloso, uma vez que no país ainda não se celebram contratos do género. Foi um contrato que me satisfaz, por isso, espero que tudo corra bem, quer para o 1º de Agosto quer para mim, para o bem do desporto nacional.

É verdade que dentre outros bens, você pediu uma casa e uma viatura?
Sim. Consta uma residência e uma viatura, que ainda não me foram entregues, porquanto estamos a escolher com calma e tão logo essa parte termine, terei tudo em mãos.

Cá, em Angola, foi aliciado apenas pelo 1º de Agosto?
Não. Falei com os emissários das melhores equipas do país, mas foi o 1º de Agosto que mais fez para ficar comigo e como, às vezes, o dinheiro não é tudo, preferi ficar nesta equipa. Aliás, é uma das melhores colectividades do país, e que sempre luta pela conquista de todas as competições em que esteja inserido.

Com o regresso à pátria, deixa de parte a possibilidade de voltar a jogar no estrangeiro?
É complicado falar sobre isso, mas tenho tudo acautelado. Por isso, assinei apenas por uma época. Tenho 31 anos de idade e acho que ainda tenho algo a dar ao futebol. É claro que caso surja uma oportunidade irei agarrá-la, sobretudo se for uma proposta estimulante para mim e para a minha família. Terei de fazer um sacrifício, porque o meu regresso ao país é para organizar uma nova vida, mas é certo que as oportunidades devem ser aproveitadas.

Gostou do balneário que encontrou?
Sim. Apesar de estar no grupo há pouco tempo, acho ter encontrado um excelente balneário, uma vez que fui bem recebido pelos colegas. Aliás, tudo ficou mais harmonioso por ter encontrado alguns colegas que já conheço há muito tempo como o Love, o Kumaka, o Joãozinho, o Elísio, o Mendonça, o Castigo, entre outros que, aliados aos mais jovens que aqui estão, acabam por criar um bom ambiente de trabalho. Tudo isso permitiu-me uma fácil adaptação, inspiração e vontade de triunfar.



"No final o título do Girabola
sorrirá para a nossa equipa"

Como se sentiu na estreia, diante do Petro de Luanda?
É bom começar com jogos grandes. A equipa não esteve no seu melhor, devido à entrada de novos jogadores, como é o meu caso e o do Wilson, que havíamos feitos apenas dois treinos. Felizmente, as coisas correram bem e, no cômputo geral, o 1º de Agosto foi superior nas três partidas. Ganhou a Supertaça com mérito, valorizando sempre a oposição que sofreu por parte do adversário, que é uma grande equipa.

O 1º de Agosto tem plantel para conquistar o Campeonato Nacional deste ano?
Acho que sim. Aliás, o Campeonato é uma prova de resistência, por ser uma competição com muitas jornadas, sobretudo com o aumento do número de equipas. Penso que cada semana será de grande luta, que nos levará a ter um grupo mais equilibrado e compacto, da primeira à última jornada, e, no final, o título sorrirá para o nosso lado.

Vai disputar o Girabola pela primeira vez. Conhece o futebol nacional?
Sim, conheço. Mesmo estando fora do país, acompanhava o competição, através da TPA Internacional, até porque, na era do professor Oliveira Gonçalves, ex-seleccionador nacional, fazíamos muitos jogos com equipas do Girabola e notei que é um Campeonato competitivo. Este ano será ainda mais, dado o investimento que as equipas estão a fazer.

Como perspectiva a prova?
Penso que será muito competitiva, uma vez que não contaremos apenas com os candidatos crónicos, como o Petro e o 1º de Agosto, mas com muitas equipas com vontade de atingir lugares cimeiros dado os investimentos feitos, com particular realce para o Libolo, o ASA e o Interclube. Em suma, será uma competição renhida.

"Não me considero
um jogador realizado"
Agradecimento ao povo angolano


Que recordações guarda da Taça de África das Nações Orange Angola’2010?
Boas recordações. Foi uma competição bem organizada. Estamos de parabéns pelo investimento que o Governo fez e pela competitividade que a prova ofereceu, algo que até hoje todos comentam.

Como encarou a adesão do público aos estádios?
Vivemos um dos melhores momentos do futebol, uma vez que fomos acarinhados pelo público, desde o primeiro ao último jogo, e mesmo com o nosso afastamento, continuaram a aparecer em massa aos estádios. Tudo isso deixa boas recordações e só nos resta agradecer ao público e todos os que estiveram atrás de nós.

Concorda que Angola fracassou por não se apurar às meias-finais?
É muito complicado dizer isso agora. Podemos arranjar mil e umas justificações, mas para nada servirá. Estamos cientes de que perdemos com uma equipa jovem, mas muito experiente e com qualidade, que só não ganhou a competição porque teve pela frente uma selecção também com larga experiência.

Algumas vozes dizem que no lance do golo do Ghana era mais prudente fazer uma falta e evitar o iminente golo que veio mesmo a acontecer. Concorda?
Muitos questionam, mas, naquele momento, passaram-me muitas coisas pela cabeça. Não devia fazer falta porque seria expulso, ficaríamos reduzidos e, na mesma, ficaríamos na eminência de sofrer golos. Pensei que o nosso guarda-redes iria defender a bola, mas foi um pontapé bem colocado, do qual devemos dar mérito ao atacante ghanense.

A seu ver, o que se deve fazer com os estádios construídos para servir o CAN?
Ganhamos grandes estádios e alguns campos de apoio. Por serem ganhos significativos, devemos tudo fazer no sentido de os conservar. É urgente indigitar uma instituição que os possa rentabilizar da melhor maneira, organizando alguns eventos importantes em várias vertentes.

Fale um pouco sobre o futebol africano...
É alegre, de festa e de emoção. É um futebol em que o rigor táctico ainda não está muito esquematizado como o da Europa, mas é certo que é muito vistoso. Fica claro que devemos copiar um pouco do futebol europeu, em termos organizativos. Caso isso aconteça, seguramente teremos equipas e selecções africanas no topo mundial.

Um olhar sobre o Campeonato do Mundo que pela primeira vez se realiza em África, concretamente na África do Sul...
É importante para a África organizar um evento do género. Espero que o mesmo tenha a organização, os êxitos e a dimensão do CAN que Angola realizou, uma vez que o mundo estará de olhos postos na África do Sul. É importante que o continente mostre que pode organizar as melhores competições do mundo. Por isso, desejo boa sorte à África do Sul e que os participantes sintam, com fervor, o futebol e o amor africano.