Jornal dos Desportos

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Reportagens

Lágrimas e dor pela CPPL

Júlio Gaiano, em Benguela - 24 de Novembro, 2014

Direcção liderada por Jeremias Estevão encontra-se de braços atados para se desvencilhar da insatisfação da população lobitanga

Fotografia: M.Machangongo

 O campeonato nacional de basquetebol sénior masculino arrancou sem a presença do Grupo Desportivo da Casa do Pessoal do Porto do Lobito (CPPL), que anunciou a desistência por razões burocráticas. A atitude caiu mal no seio dos aficionados da modalidade na cidade de Lobito, que julgam de insensata e eivada de fraca visão desportiva dos dirigentes do clube.Os lobitangas estão perplexos e constrangidos com a situação gerada. O orgulho desportivo saiu ferido por culpa da incapacidade dos responsáveis da equipa. As promessas feitas e o rejubilo com o regresso da equipa à fina-flor do basquetebol nacional, dez anos depois, frustraram as expectativas.

Para os adeptos, a direcção da CPPL caiu num descrédito total, no que tange à serenidade e responsabilidade no cumprimento das obrigações, sobretudo, quando se trata de competições de alto rendimento. Provou não ter iniciativas próprias e viver na total dependência do patrocinador, a Empresa Portuária do Lobito.Alguns sócios ponderam solicitar uma Assembleia Geral extraordinária para se redefinir a estratégia, os regulamentos e o estatutos do clube. O objectivo é reestruturar a direcção que "já mostrou imaginação limitada" e eleger uma estrutura directiva forte com iniciativas próprias. A direcção de Jeremias Estevão "não é visionária".

Um processo de impugnação do acto eleitoral, que deu corpo a actual gestão da Casa Pessoal do Porto do Lobito, decorre junto das estâncias competentes da justiça em Benguela. Um grupo de candidatos excluídos no pleito interpôs o processo. No entanto, Jeremias Estevão e companhia estão em situação de ilegalidade. Perante a situação, a patrocinadora reserva-se ao direito de não financiar o clube.

COMPARTICIPAÇÃO
Ao contrário da propalada razão burocrática que terá estado na base do afastamento da Casa do Pessoal do Porto do Lobito (CPPL) da participação do campeonato nacional basquetebol sénior masculino/BicBasket, o Jornal dos Desportos sabe de fonte próxima do clube, que a direcção de Jeremias Estêvão não conseguiu reunir um montante financeiro avaliado 25 milhões de kwanzas para garantir a participação na prova.

Os valores orçamentados foram remetidos para a apreciação da direcção do Porto do Lobito que os considerou elevados para aquilo que constitui a realidade do clube. Ou seja, modesto e sem ambições para se aventurar no Bic Basket. A direcção do Porto do Lobito, na condição de patrocinadora, prontificou ceder parte dos valores (não especificada) e o resto caberia à direcção do clube buscá-los nas fontes alternativas. A falta de iniciativas e perspicácia dos responsáveis da direcção do clube levou a desistência da prova para a tristeza e vergonha do dirigismo desportivo da urbe lobitanga.

BENGUELA
Associação provincial
manifesta desagrado


A anunciada desistência da Casa do Pessoal do Porto do Lobito do campeonato nacional de basquetebol sénior masculino mereceu a reacção do vice-presidente para área Técnica da Associação Provincial de Basquetebol de Benguela (APBB), Armando Dala. O responsável associativo manifestou o seu desagrado pelo sucedido.“Infelizmente, a CPPL já não vai participar do Bic Basket por razões burocrática. Foi uma decisão que nos deixou desagradado, porquanto, tudo tem a ver com problemas internos de que desconhecemos. Por isso, cabe aos dirigentes ultrapassá-los. Desistir da prova foi mau precedente para a imagem do clube e da modalidade acima de tudo”, precisou.

No entender do dirigente associativo, a direcção da CPPL tinha tempo suficiente para velar por todos esses problemas, sobretudo, do foro interno, pois em jogo está o prestígio e a honra do clube que representam. “Quando decidiu participar da segunda divisão, os dirigentes da CPPL sabiam do que lhe esperava, logo, custa-nos acreditar que já não há condições para participar do campeonato nacional sénior de basquetebol”, lembrou.Em função da renúncia da CPPL à prova maior, a província faz-se representar no Bic Basket apenas com o Sporting de Benguela.
                                                 


APURAMENTO
Atletas reclamam
prémios de jogos


A direcção da Casa do Pessoal do Porto do Lobito demonstra estar alheia à gestão desportiva, facto que a deixa em maus lençóis. Para além de não inscrever a equipa no Bic Basket, continua em dívida com os atletas. Os prémios de participação no campeonato nacional da II divisão ainda não foram pagos, passados dois meses.Informações apuradas pelo “JD” junto dos atletas dão conta de que a direcção da CPPL nega falar sobre o assunto e deixou um aviso ameaçador para quem ouse comentar o caso nos órgãos de comunicação social. Para além das represálias, que passa por perder as benesses, o atleta pode acabar afastado do clube.

“Não está fácil conviver com esta realidade. Estamos numa situação crítica e ninguém pode reclamar sob pena de sofrer castigo pesado.Mandam e decidem sobre o que podemos fazer ou não. Instalou-se um ambiente de insatisfação e de lamentação”, confidenciou um dos atletas. Em busca do contraditório para se apurar a veracidade dos factos, os dirigentes da CPPL mostraram-se indisponíveis para falar ao Jornal dos Desportos. Um documento do clube enviado à Associação de Basquetebol de Benguela faz menção da realização de uma conferência de imprensa nos próximos dias.