Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Liga portuguesa tem lucro

30 de Outubro, 2010

lucro da Liga Portuguesa de Futebol Profissional

Fotografia: AFP

O lucro da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) subiu para 180,6 mil euros durante a época 2009/10, temporada coincidente com o último ano da presidência de Hermínio Loureiro. Depois de a LPFP ter registado um lucro de 80 mil euros em 08/09, a temporada anterior tornou-se mais lucrativa, com um valor positivo de 180 630,68 mil euros, de acordo com os dados apresentados no Relatório e Contas, sujeito a discussão e votação na Assembleia Geral de sexta-feira, no Porto.

De acordo com o documento a que a Agência Lusa teve acesso, a Liga apresentou proveitos de 15,3 milhões de euros (contra os 15,1 da época anterior), dos quais praticamente 75 por cento são provenientes dos patrocinadores. Além disso, a Liga apresenta três milhões de euros em contas bancárias. Os custos totais foram de 15,2 milhões de euros, um crescimento de 1,5 relativamente ao ano anterior. O sector arbitragem teve um aumento de nove por cento, nos 3,1 milhões de euros apresentados nos custos com honorários. A Taça da Liga distribuiu 3,5 milhões de euros aos participantes na competição, enquanto os custos com pessoal, ainda de acordo com o documento, estimaram-se em 1,2 milhões de euros.

Acompanhar a crise

Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) tem um orçamento para 2010/11 previsto em 14,5 milhões de euros, com uma redução de cinco por cento relativamente a 2009/10 e deve apresentar um lucro de 580 mil euros. De acordo com o Plano de Actividades e Orçamento, a que a Agência Lusa teve acesso e que estará em votação na Assembleia Geral de sexta-feira, o organismo vai apresentar uma proposta de resolução, junto da Administração Fiscal, do processo das dívidas fiscais aos clubes pela Doação em Pagamento das Receitas do Totobola (Totonegócio).

Diz a Liga que o “final do ano de 2010 marca o momento legalmente fixado para a avaliação do procedimento acertado”. Além disto, a Liga pretende avançar imediatamente com uma “acção concertada que vise chamar a atenção para a necessidade de regulamentação do sector das apostas desportivas na internet”. Defende a LPFP que a “não regulação faz com que se levantem suspeitas sobre esta área de negócio e os clubes de futebol vejam consecutivamente utilizados os seus nomes, as suas marcas e os seus recursos, sem qualquer compensação”.

Apesar da redução do orçamento em 815 mil euros, a LPFP estima aumentar os custos com pessoal de 1,2 milhões para 1,5, valor no qual deve estar incluído o salário do presidente Fernando Gomes, o primeiro a ser remunerado. O organismo que gere o futebol profissional, ainda de acordo com o documento consultado pela Agência Lusa, estima em 13,9 milhões de euros de custos. A LPFP pretende ainda realizar a Gala Anual do Futebol Profissional para premiar jogadores, treinadores e dirigentes.

Apuramento paga orçamento da época

A vitória contra o Partizan foi importante também na vertente desportiva, afinal aquela que os adeptos, jogadores e treinadores mais apreciam. O Braga volta a entrar na rota do apuramento para a próxima fase, embora necessite, no mínimo, de mais duas vitórias. Se isso acontecer, então a Liga dos Campeões pagará... toda a época. Em traços gerais, sim, é isso mesmo. Chegar aos oitavos-de-final garantiria ao clube mais 3 milhões de euros de prémio bruto. A isso acresce mais uma receita de bilheteira no AXA. Sem ser exacto, cada jogo de Champions vale cerca de 200 mil euros de bilhetes. Com os oitavos-de-final a somar aos três jogos da fase de grupos e ao do “play-off” contra o Sevillha, a caixa registadora contará cerca de 1 milhão de euros.

Contas de somar feitas, são 16 milhões de euros a que acresce mais uma parte do bolo de market-pool que depende sempre do número de jogos realizados. E ainda a receita da terceira pré-eliminatória, contra o Celtic, que apesar de tudo é residual, pois os detentores de lugares anuais não pagaram. Mesmo assim, serão cerca de 17 milhões de euros, exactamente o orçamento da SAD nas duas últimas temporadas. Com lucro garantido no actual exercício, para o ano as expectativas aumentam.

Vitória sobre o Partizan
pagou reforços do Braga

Para se ter uma ideia da importância que a presença na Liga dos Campeões tem para o Braga, basta constatar que os 800 mil euros arrecadados na primeira vitória de sempre na fase de grupos da prova chegaram para pagar todo o investimento feito este ano na aquisição de direitos desportivos de reforços. Esqueçam-se as luvas pagas a jogadores que assinaram em final de contrato e o Braga nem precisava de tanto para comprar Lima e Sílvio e assegurar Luís Aguiar por empréstimo do Dínamo de Moscovo. Este foi o trio de reforços que representou um investimento maior, sendo que todos o têm capitalizado, com golos, assistências e boas exibições.

Principalmente Lima, o goleador dos grandes jogos que, em tom de brincadeira, disse após o hat trick de Sevilha, que o investimento de António Salvador nele já estava pago. Não só acertou em cheio, como ontem voltou a dar razões ao presidente para sorrir. Os 800 mil euros encaixados permitiriam comprar quatro Limas. E ainda fazem sobrar 150 mil euros depois de contados os 650 mil gastos neste trio. A importância financeira desta vitória é tanto maior quando se faz o somatório geral da aventura europeia e se chega a um número que há bem poucos anos representava mais do que o orçamento da SAD: 10 milhões de euros.

Mesmo que perca os três jogos que faltam disputar e nem para a Liga Europa seja relegado (cenário improvável e indesejável), o Braga vai receber 35 por cento do parte do market-pool (transmissões televisivas e publicidades estáticas) da UEFA reservado aos clubes portugueses. Por entrado directamente na Liga dos Campeões, o Benfica fica com 65 por cento da parcela que, se for idêntica à do ano passado (a UEFA só revela mais tarde) são 5,4 milhões de euros. Ou seja, para os arsenalistas ficam reservados pelo menos 1,9 milhões de euros. Isto porque se diz que o organismo que gere o futebol europeu ainda vai aumentar esses valores.

Contas feitas, o Braga tem garantidos 12 milhões de euros mínimos (e faltam as bilheteiras), mais do que o recorde facturado em vendas de jogadores no último exercício da SAD (11,5) ou do que os 8,4 milhões de euros que valeu a época anterior em publicidade, receitas de transmissões televisivas e vendas de camarotes. Numa analogia muito mais interessante, podemos até dizer que a Liga dos Campeões pagou os custos com plantel profissional e restante pessoal da SAD. Na época passada chegaram 11 milhões de euros para isso. Este ano será preciso pouco mais.