Jornal dos Desportos

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Reportagens

Love Kabungula promete voltar aos golos

Avelino Umba - 27 de Março, 2010

Love Kabungula, atleta do 1º de Agosto

Fotografia: José Soares

 Como está a lesão que contraiu?
Foi uma lesão normal, a que qualquer jogador pode estar sujeito. Contrai-a em Portugal, na fase de preparação para a Taça de África das Nações Orange Angola’2010, se a memória não me atraiçoa, precisamente dois dias após a escolha dos 23 jogadores angolanos que participaram na competição. Ainda assim, consegui trabalhar na Selecção de Angola durante toda a prova. Depois do CAN, não mais aguentei, razão pela qual não pude fazer os primeiros jogos do 1º de Agosto no presente Girabola. Quanto à lesão, estou 70 ou 80 por cento recuperado. Já me reintegrei ao grupo e trabalho normalmente. Tudo indica que estou preparado, embora não a cem por cento, mas a 80, para dar o meu contributo à equipa.

Qual é a sua disposição, depois de três meses fora dos relvados?
Independentemente de voltar aos campos, devo seguir o meu tratamento normal, apesar de não ser com a mesma intensidade, visto já me encontrar praticamente recuperado. Respondendo directamente à sua pergunta, a disposição que trago é de trabalhar o suficiente, se Deus quiser, para voltar a marcar golos, a exemplo da época passada.

Regressou em definitivo ou um tanto limitado?
Voltei em definitivo, embora com algumas limitações. Como disse, vou trabalhando o suficiente no sentido de ultrapassar os momentos por que passei. Disso tenho certeza.

Adiantar não é chegar à meta

O 1º de Agosto teve um início de Girabola menos bom, a julgar pelo estatuto que possui. Que avaliação faz da prestação da sua equipa volvidas três jornadas?
É uma posição que não estava nas minhas cogitações, porquanto nunca me passou pela cabeça e de ninguém ligado ao 1º de Agosto que, volvidas três jornadas, teríamos duas derrotas. É um saldo que não agrada a ninguém, desde jogadores, técnicos e dirigentes do clube, cientes das suas responsabilidades. Penso que é uma fase para ultrapassar o mais rápido possível. Como soe dizer-se, “adiantar não é chegar” e estamos certos de que há toda a necessidade de começarmos a ganhar. Senso assim, o 1º de Agosto vai continuar a fazer o seu trabalho para melhorar todos esses aspectos jornada após jornada.

Foi um dos melhores artilheiros do Girabola’2009. Este ano estará em condições de marcar muitos golos?
Fazer golos, dar o meu máximo pelo meu clube e, se poder, lutar para ser o artilheiro da prova é o objectivo de qualquer ponta-de-lança, até porque o campeonato iniciou há pouco tempo. Independentemente de ainda não ter jogado, penso que há muitas jornadas pela frente e vou dar o meu melhor para deixar a minha marca e não decepcionar aqueles que me têm no coração.

"As opções dos treinadores não se discutem"

Pela terceira vez consecutiva, é pouco utilizado num CAN. Uma opinião...
Sou um jogador como qualquer outro. As opções dos treinadores não se discutem, porquanto eles têm os seus ideais. Como atleta, limito-me a respeitá-las. Ainda assim, sempre que for chamado, vou procurar dar o melhor de mim para contrapor essa tendência. Penso que, a cada dia que passa, a tendência é melhorar mais e mais. Acho que no último CAN as coisas não correram tal como todos desejávamos, mas não é motivo para cruzarmos os braços. Vou continuar a trabalhar no clube e entregar o resto àquilo que o futuro me reserva. 

Onde Angola falhou para não se qualificar para as meias-finais da Taça de África das Nações Orange Angola´2010?
Não vejo onde esteve a falha para a não passagem às meias-finais. Depois de nos qualificarmos para os oitavos-de-final, o jogo a seguir era de morte. Quem perdesse, ficaria arredado da competição. Acredito que Angola deu o melhor de si, mas, infelizmente, não fomos mais além, como era o desejo de todos. Não aconteceu, o que também não é motivo para baixarmos as cabeças, pois para a frente é o caminho. Não foi desta vez, mas acredito que no futuro pode ser melhor.

Acreditava na possibilidade de ser convocado para a selecção que procura o apuramento ao CHAN do Sudão?
Trabalhei para esse propósito, ou seja, no sentido de merecer a confiança da equipa técnica. Agora que tratei da lesão, vou procurar dar o meu melhor, pois ser escolhido para representar a Selecção de Angola é uma honra. Quero aproveitar para, por esta via, parabenizar a equipa médica por tudo o que fez para a minha rápida recuperação, na medida em que estou apto para os próximos desafios. Sinto-me bem, pois sempre gostei de jogar pela nossa selecção.

Quer comentar o empate a zero no jogo de Madagáscar, válido para a primeira-mão da primeira eliminatória de apuramento à prova?
Acredito que os colegas fizeram um bom resultado em Madagáscar, no jogo de primeira-mão, em que empataram a zero. Falta completar o trabalho cá em casa, vencendo o adversário e passando à fase seguinte, algo que, com toda a certeza, com a ajuda do nosso público, acredito ser possível.

De forma geral, quais são as chances de Angola?
Prefiro pensar ou fazer as minhas contas por etapas. Primeiro, devemos fazer tudo para passarmos esta fase e, depois, a outra, até chegarmos ao CHAN, que é o nosso objectivo. Com trabalho, dedicação e respeito pelos adversários, algo que nos é característico, penso que vai dar para fazer alguma coisa boa.
 

Entre o futebol e a topografia

É verdade que voltou a estudar?
Voltei a estudar, uma vez que perdi muito tempo, por motivos diversos, alheios à minha vontade. Hoje, acho que é o momento de correr atrás do tempo perdido. Fiquei muito tempo fora do ensino e, seguindo os conselhos de algumas pessoas, não tive como não voltar às aulas. Matriculei-me no Instituto de Geologia e Cartografia de Angola (IGCA), onde faço a 10ª classe do curso de Topografia.

Estará já engendrar as bases para uma vida tranquila assim que terminar a carreira futebolística? 
O país está a evoluir a cada dia que passa. Independentemente daquilo que cada um seja, e eu não fujo à regra, a formação de qualquer ser humano é bastante importante para obter os conhecimentos suficientes para que, no futuro, possua bases para ter uma vida normal. É com esse propósito que voltei a estudar, já que sinto a necessidade de ter uma formação académica, que vá ao encontro dos meu objectivos futuros. Essa é a razão pela qual estou a estudar no período nocturno, que no fundo também é uma forma de ocupar esse período do dia.

O futebol contribuiu para fazer a paragem na sua carreira estudantil...
Garanto-lhe que ser jogador de alta competição e estudar não é algo de todo fácil, embora haja vontade para fazer ambas as coisas. Devido às inúmeras deslocações feitas no passado, associadas ao ambiente vivido na altura, tudo contribuiu para que muitos de nós parássemos pelo caminho. Vezes há que me matriculei e não frequentei as aulas devido às situações que avancei. Vou continuar com a mesma garra, contrariando aquilo que foi negativo no passado e aproveitando para fazer bem o que no passado não fiz.

A idade não perdoa. Que projectos tem para quando terminar a carreira?
É continuar a ter uma vida activa, uma vez que não sei fazer muitas outras coisas. Trabalho desde os 20 anos de idade no futebol e penso dar o melhor de mim em outras actividades. Neste momento, ainda não tenho um projecto de grande realce, mas tenho feito tudo no sentido de preparar o meu futuro e, por arrasto, o da minha família.

>> Por dentro
Nome:
Arsénio Sebastião
Kabungula
Data de nascimento: 14/3/1979
Naturalidade: Cazenga (Luanda)
Nacionalidade: Angolana
Estado Civil: Solteiro
(vive maritalmente)
Filhos: Três 
Peso: 79 Quilogramas
Clube: 1º de Agosto
Desporto ideal? Futebol
Prato preferido: Mufete
Tabaco: Não faz uso
Bebidas: Água e sumo
Droga: Um mal a combater
Poligamia: É contra
Número de calçado: 43
Perfumes: Vários tipos
Cor: Verde
Religião: Católica
Segue à moda? Não 
Calor ou cacimbo? Cacimbo
Princesa encantada:
A esposa, Maura