Jornal dos Desportos

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Reportagens

Luciano Cachindele,presidente da associao de Ginstica

Gaudncio Hamelay,Lubango - 06 de Setembro, 2010

Luciano Cachindele, presidente da Associao de Ginstica do Bi

Fotografia: Gaudncio Hamelay,Lubango

Como descreve a prática da ginástica na província do Bié?
Está com passos positivos, porquanto, até ao momento, regista progresso, apesar das dificuldades inerentes às condições de trabalho. Já nos apresentamos bem.Cumprimos com as exigências da Federação Angolana de Ginástica, graças à ajuda e aos apoios do Governo provincial do Bié. Sem os quais, não estaríamos no bom caminho.Se as ajudas tiverem continuidade, estamos crentes que o Bié se vai tornar numa potência para enfrentar em pé de igualdade os principais dinossauros da ginástica nacional.

Quantos clubes movimentam a ginástica na província do Bié?
Não digamos clubes, mas, sim, estamos a trabalhar apenas com dois núcleos que fazem reviver as esperanças para um dia melhor. Auguramos que as agremiações desportivas locais entendam que esta modalidade não é muito dispendiosa financeiramente.É necessário haver receptividade dos atletas que queiram praticá-la.Se assim for, vai permitir com que, nos próximos tempos, tenhamos mais equipas e, concomitantemente, mais competições internas equilibradas e adequadas com eventos desportivos aceitáveis, com um número de atletas de elevada qualidade para representar a província do Bié nas provas nacionais.

Que escalões movimentam?
Actualmente, temos quatro escalões, designadamente, iniciados, juvenis, juniores e seniores em ambos os sexos.

Quantos atletas estão controlados?
Nos escalões de iniciados,um número aproximado de 20 praticantes, 10, em juvenis, 20, em juniores e 15, em seniores, em ambos os sexos.Na ginástica, o número ora aumenta ora diminui, porque não encontram receptividade em ternos técnicos que os faça permanecer por mais tempo.Por exemplo, no Campeonato Nacional de Ginástica, observámos um Petro de Luanda a fazer sucesso por ser um clube; os atletas vão aos treinos com mínimas condições; os técnicos e os atletas têm incentivos morais e materiais.Nas outras províncias, não só no Bié, as pessoas amantes sacrificam-se para manter viva a prática da ginástica.

Essa situação desmotiva as crianças e os jovens…
Hoje, estaríamos a citar uma quantidade aproximada à de andebolistas, por exemplo, mas não é fácil resistir a carência de meios.As crianças e os jovens aparecem aos treinos e cumprem os deveres, mas a desistência faz-se sentir a posterior, por falta de incentivos materiais.Às vezes, são os encarregados de educação que ordenam as crianças a abandonar os treinos por ineficiência do trabalho feito.

Mas há outras famílias que se mantém de pedra e cal?
Temos atletas apostadas em subir de qualidade e sacrificam-se no treinamento.A Selecção Nacional integra duas atletas do Bié, o que nos anima para dar continuidade ao trabalho desenvolvido com imensas dificuldades.Somos uma Associação com 12 meses de existência.

Como descreve a adesão da classe feminina?
É a maioria que aderiu à prática da ginástica na província do Bié. Porém, dificuldades técnicas e materiais fazem com que, até ao presente momento, não se atinja o grande número de praticantes; também não existe recintos apropriados para o treinamento da ginástica, aliada à capacidade limitada dos técnicos para dar avanço noutras disciplinas.

Que disciplinas são essas?
A ginástica tem muitas vertentes.Na província do Bié, temos mais capacidade para mostrarmos, por exemplo, uma ginástica rítmica e acrobática.No Campeonato Nacional, encontrámos outras áreas que não as manejamos por falta de material apropriado na nossa província.Estou a referir-me às disciplinas de ginástica rítmica com massa, fitas, bolas, etc. É a parte que nos complica de momento. De qualquer maneira, estamos num bom caminho.

O que está a ser feito para se ultrapassar esse empecilho?
A Associação está empenhada em superar o vazio, por isso, fazemos muitos esforços, dentre os quais, a formação de quadros, mormente, dos monitores, constitui a prioridade.Queremos mais pessoas a ajudar na preparação dos atletas.Essa acção só é possível desde que haja apoios, porque a expansão de ginástica em toda a parcela do Bié só é possível com monitores. Vontade não nos falta de a massificar, mas estamos condicionados. Contudo, pretendemos angariar alguns recursos para preparar os treinadores dos escalões de formação.Só depois, estamos decididos a lutar pela aquisição de materiais.Quando tivermos as duas condicionantes organizadas, Bié vai transformar-se numa potência.

Quantos técnicos asseguram a ginástica no Bié?
Trabalho apenas com duas pessoas; são jovens (um rapaz e uma menina) que asseguram o lado técnico com o apoio do presidente da Associação.Preciso de muito mais.Estamos a identificar algumas pessoas com vontade de nos apoiar.É verdade que só a vontade não chega; precisam de conhecer os espaços pedagógicos para aconchegar as crianças e fazer as coisas com perfeição.

Quatro tapetes do Instituto
para seis dezenas de atletas


Como são feitas as competições internas dispondo apenas de dois núcleos?
A coisa não é de grande valor, porque os ginastas são quase os mesmos. Intercalam-se por pertencerem ao mesmo núcleo. Para não olharmos como um mesmo núcleo, dividimo-los e fazem a competição com nomes diferentes. É assim que promovemos as competições internas e dar continuidade à modalidade.

Falou de faltas de fitas, bolas e massas.Quais as principais dificuldades que emperram o desenvolvimento da ginástica local?
Debatemo-nos com a falta de tapetes, arcos, fitas, bolas, bem como tudo que observámos na II edição do Campeonato Nacional da ginástica. São aparelhos que a província do Bié precisa com urgência. Dentro da cidade do Kuito existe um daqueles aparelhos, mas pertence a uma escola. Para que tenhamos acesso, precisamos de muitos favores.Isso emperra o crescimento dos nossos atletas.

Quem vos tem valido nesse aspecto?
O Director do Instituto Normal de Educação facilita-nos sempre que precisamos de utilizar os poucos tapetes que os professores de Educação Física empregam nas aulas.A bondade do Director dá-nos acesso a quatro tapetes, uma quantia irrisória pelo número de praticantes à nossa disposição.Os jovens e os monitores não se sentem desmoralizados face à carência, mas sentem o gesto gratificante do Director e empenham-se cada vez.A esperança nunca se desvanece, quando se quer conquistar os objectivos.

Existem projectos de massificação e expansão da modalidade para que possam ser implementados nas instituições escolares?
A massificação escolar é uma outra área. Acredito que a Direcção da Juventude e Desportos do Bié envida esforços junto da Direcção Provincial da Educação para trabalharmos em conexão no processo de massificação e identificarmos os valores para a ginástica. Há muita criança que gosta da nossa modalidade, mas falta-lhes a oportunidade.Para o efeito, vamos trabalhar em conjunto para que a massificação vá para além dos limites da Associação de Ginástica.

As infra-estruturas para a prática da ginástica são problemas que também afectam o Bié?
Preferia não falar, porque se nota que a coisa é conjuntural. Todas as províncias do país reclamam essa situação. Mantenho diálogo aberto com os meus colegas de ofício e as infra-estruturas desportivas são temas de debates não só de ginástica, mas do desporto no seu todo. Nas províncias, não há lugares apropriados para a prática da ginástica. Temos o pavilhão Gimnodesportivo no Bié, um espaço público tratado como privado. Como não temos acesso, treinamos ao relento e em lugares seleccionados que não reúnem qualidade para a prática de treinamento aceitável. Mas quando a pessoa quer e está apostado a trabalhar, remedia-se com as condições à disposição. São com essas conjunturas que desenvolvemos a Ginástica no Bié.

Como avalia o nível técnico e competitivo dos ginastas participantes no Campeonato Nacional?
Comparativamente aos eventos anteriores, descrevo como fracos. Desconheço as razões que estiveram na base desse fracasso.Tudo pareceu monótono, quer do lado dos atletas quer dos dirigentes. Os atletas não conseguiram transmitir grande animação ao público. Porém, notou-se evolução técnico-competitivo nalguns ginastas. E quando assim sucede, ganha a modalidade.

E a organização do evento desportivo?
Não gosto muito falar da organização, quando se trata de competições de ginástica. Somos acomodados em complexos escolares e noutros lugares.Em algumas províncias, a coisa é mais ou menos boa.Noutras províncias, como a Huíla, pessoalmente não estava por dentro das condições de acomodação de outras delegações, mas os que estiveram em Lubango dizem que não foi tão bem assim como se propaga.

Diante das dificuldades enumeradas, o que se pode esperar da ginástica do Bié para ombrear em igual circunstância com clubes potentes como Agefir e Petro de Luanda?
É nosso desejo competir em igual nível, uma aposta também do Governo Provincial do Bié, o nosso principal sponsor. Estamos cientes das nossas responsabilidades, como associação, e temos de nos esforçar para que os nossos ginastas atinjam um elevado nível para justificarmos os apoios dados pelo Governo local.

Como avalia os resultados dos ginastas locais no campeonato nacional?
Foram positivos, na medida em que conseguimos medalhar em feminino nos saltos tumbling em tapetes, exercícios de solo, na prova de esquema de conjunto de massa.Ganhámos a Taça Fair Play.A grande vitória do Bié foi a participação e o facto de os ginastas procuraram aperfeiçoar mais as performances competitivas ao lado de atletas de clubes de gabarito do país, bem como a convivência e o intercâmbio entre participantes.