Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Luciano gostaria de ser Palanca

Joaquim SuamI| em Cabinda - 03 de Maio, 2010

Fotografia: Rafael Tati e Josè Cola

Como avalia a participação do Futebol Clube de Cabinda no Girabola?
A nossa equipa está a crescer a cada dia, na medida em que iniciamos o campeonato com derrotas. Felizmente, estamos a melhorar e a recuperarmos os pontos perdidos nos primeiros jogos. Trabalhamos afincadamente com o objectivo de melhorar a prestação na prova que, por sinal, está a ser muito competitiva.

Acredita no sucesso da equipa?
Acredito. Aliás, toda a equipa está confiante numa boa prestação ao longo da competição. Subimos à Primeira Divisão no ano passado, depois de oito anos a competir no Zonal de Apuramento, vulgo Segundona. A nossa intenção é mantermo-nos no Girabola, algo que vai ser a grande vitória para a população de Cabinda. Trabalhamos arduamente para não descermos de divisão, ou seja, continuarmos a conviver com os grandes clubes de Angola.

O objectivo da direcção do clube é colocar os "gorilas do norte" entre os cinco primeiros lugares do Girabola. Acredita ser possível?
Realmente a intenção da direcção do Futebol Clube de Cabinda é esta, mas se não alcançarmos este objectivo vamos procurar manter a equipa no Girabola. O mais importante é continuarmos a trabalhar para conseguirmos estar nos lugares cimeiros da competição, o que vai ser uma das maiores alegrias para os dirigentes, sócios, adeptos e sociedade local.

A que se deveram os maus resultados no início da competição?
Foi por falta de entrosamento da equipa, porquanto demoramos a nos encontrar em campo. Ou seja, atrasamos em cair na real daquilo que era o Girabola. A crise de maus resultados no início deveu-se também ao facto de muitos atletas jogarem pela primeira vez o Girabola e não terem noção do que ele é. A partir da quinta jornada, procuramos inteirar-nos da prova e já não temos receio de nada. O nosso objectivo é conseguir o maior número de pontos possíveis, pois o grupo está unido e não existem problemas no clube. O que está a faltar é nos entregarmos ao máximo nos jogos, pois já constatamos que não existem mistérios em jogar com as equipas fortes do Girabola. O que muda apenas é a tradição e a camisola da equipa. Temos muitos jogos pela frente e tudo faremos para recuperar os pontos que podermos.

Como caracteriza o desempenho dos seus colegas?
Sabemos que faltou algum ritmo competitivo para alguns colegas, mas cada dia que passa estamos a amadurecer e vamos conseguir nos encontrar uns com os outros em campo de modo a alcançarmos os propósitos definidos pela direcção do clube para a presente época desportiva.
 
Que estratégia a equipa está montar para fugir do lugar em que se encontra?
Acho que a única forma de fugirmos desta posição é trabalhar muito, porque o nosso dia a dia tem sido bastante renhido. Treinamos afincadamente os aspectos físicos, técnicos e tácticos, o que está a nos permitir superar todas as dificuldades. Para vencermos, temos de trabalhar. Só com trabalho conseguiremos os resultados que precisamos.

Que posição precisa de ser reforçada?
Penso que todos os sectores têm falhas e todos os jogadores comentem erros, desde o guarda-redes ao avançado. Por isso, temos de procurar cometer poucas falhas, porque quem comete menos erros vence.

"Trabalho muito para ser
o melhor marcador do Girabola"


Qual é o seu objectivo no Girabola?
Olha... pretendo ir o muito longe possivel neste país. Apesar de ser muito jovem, de ter apenas 21 anos, tenho informações dos grandes avançados que jogam em Angola, como o Love, o Santana e tantos outros que já assisti pela televisão. Procuro ser um atacante como eles. Trabalho muito para ser o melhor artilheiro do Girabola. Em cada jogo procuro marcar dois golos, sem falar muito e sem menosprezar a ninguém. Aos pouco estou a mostrar a minha cara. Estou com seis golos e vou lutar para estar sempre à frente dos outros artilheiros. Pretendo manter a regularidade, marcando em todos os jogos. Sei que não vai ser fácil, mas vou lutar.

As condições de trabalho são boas?
Em termos de estrutura, em relação ao ano passado, melhorou muito. O clube investiu seriamente, na medida em que a direcção sabe que a Primeira Divisão é diferente Segunda. Penso que a direcção está a fazer um trabalho certo.

"Agradeço o povo
de Cabinda marcando golos"


Como caracteriza o trabalho do técnico André Binda?
Conheci o técnico André Binda no ano passado, através do professor Djalma Cavalcante. Nunca tinha trabalhado com ele antes, mas já vi que é um treinador correcto que só põe em campo quem está bem. Ele é honesto e tem feito um excelente trabalho. 

Há pouco tempo em Angola, conseguiu adaptar-se ao futebol do país. Qual é o segredo?
Acho que quando as pessoas têm uma meta a atingir, mesmo com dificuldades, consegue passar por cima. Quando cheguei a Angola, senti essas dificuldades e, se tivesse vindo sozinho, não teria forças para me adaptar. Felizmente vim com alguns brasileiros que já regressaram, ficando dois, eu e o Marlon. A convivência com o Marlon ajudou-me a superar as dificuldades. Quando tínhamos alguma complicação, ele me aconselhava, o que me levou a amadurecer. Hoje estou super adaptado, apesar do futebol angolano ser de muita força e contacto.

É assim que caracteriza o futebol angolano?
O futebol angolano é muito duro; de muito contacto e velocidade. As minhas características têm um pouco a ver com o futebol de Angola, por isso consegui me adaptar rápido.
    
Sente-se satisfeito em jogar aqui...
Sim. Estou satisfeito, principalmente porque Cabinda me abriu as portas. Hoje, sou uma referência em Cabinda e em Angola. Conquistei muita coisa aqui, graças a este clube. Cheguei no ano passado para jogar na IIª Divisão e, graças a Deus, fiz um excelente trabalhos, o que levou a direcção do clube a confiar mim. Estou super satisfeito, só tenho a agradecer o clube e aos adeptos que me dão força todos os dias. A única forma de retribuir essa força é marcar golos.

O que promete aos sócios, adeptos e a população de Cabinda?
Os adeptos querem sempre que o Luciano entre em campo e faça golos, mas nem sempre é assim porque, às vezes, temos jogos difíceis e não temos como marcar. Prefiro mil vezes que a equipa ganhe do que eu marcar golo. Quero agradecer à população de Cabinda e a de Angola, em geral, porque quando jogo em outras província, muita gente quer conhecer o Luciano. Por isso vou continuar a trabalhar para agradecer este povo, com a camisola do Futebol Clube de Cabinda.

Representar os Palancas
Negras é a meta


Recebeu proposta de outros clubes para futuros cumprimissos?
Ainda não recebi qualquer proposta, mas ouço falar que existem alguns clubes interessados em mim. Não estou preocupado com isso. Estou mais preocupado com o Futebol Clube de Cabinda, na sua manutenção no Girabola. Se aparecerem propostas, espero que as mesmas sirvam aos meus interesses e aos do clube.
  
E da sua parte. Tem algum clube que gostaria de jogar, em caso de deixar o Cabinda?
Penso que todo o jogador de numa equipa de menor expressão sonha jogar num clube grande, que tenha muitos adeptos, em que exista uma grande estrutura. A minha meta é essa. Se um clube estiver interessado nos meus préstimos, vou responder com o maior prazer. Se isso vier a acontecer, terei a mesma dedicação e força. Procurarei marcar golos, como faço no Cabinda.

Se o convidassem a jogar pela Selecção de Angola, como reagiria?
Penso que não teria problema. Tenho 21 anos e sei que é difícil jogar pela selecção do meu país (Brasil), pois há muita concorrência. No Brasil há muitos jogadores e, por isso, muitos deixam muito cedo a sua terra e procuram jogar pela selecção de outro pais. A possibilidade de se nacionalizar para representar as cores de outro país é uma boa opção. Estou de braços e coração abertos para jogar pela Selecção de Futebol de Angola.
 
O que diz sobre os Palancas Negras, na versão Hervé Renard?
Não tenho muitas informações sobre a Selecção de Angola, pois ainda não a vi jogar, sob comando de Hervé Renard. Estou atento para ver como a selecção evolui. Trabalho todos os dias para aparecer e, quem sabe, ter a oportunidade de vestir a camisola dos Palancas Negras.