Jornal dos Desportos

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Reportagens

Lume aceso na Fórmula-1

22 de Agosto, 2010

Ferrari pode ser punida em Setembro pela FIA

Fotografia: AFP

Em repercussão às declarações do tri-campeão mundial de Fórmula- 1, Niki Lauda, a Ferrari reclamou de forma dura do seu ex-piloto numa coluna publicada no site oficial da equipa. O austríaco havia criticado a Ferrari pelo jogo de equipa executado no GP da Alemanha, quando Felipe Massa deixou Fernando Alonso ultrapassá-lo. “Após os eventos em Hockenheim, uma onda de hipocrisia reinou no “paddock”, com diversos especialistas, jovens e velhos, interessados em falar.

A última vem da Áustria, de uma pessoa que, mesmo tendo pendurado o capacete, não perde a oportunidade de dar opiniões à esquerda e à direita, mesmo que, em mais de uma ocasião, tenha de ceder em acrobacias verbais para ficar no sentido do vento. esta vez, o bom e velho Niki está a perder uma boa oportunidade de manter a boca fechada, uma vez que, quando era piloto da equipa italiana, a política da Ferrari lhe era perfeitamente conveniente. Onde estava a sua moral, quando, ao longo dos anos, muitos têm sido culpados de acções hipócritas?”, declarou.

Em entrevista ao site oficial da Fórmula-1, Lauda havia dito que as acções da Ferrari em Hockenheim foram contra todas as regras e que os italianos deveriam esperar uma punição severa do Conselho Mundial da FIA “Há duas maneiras de competir como equipa na Fórmula 1: uma é antepondo a política, como faz a Ferrari, e outra é tentar dar aos seus dois pilotos as mesmas oportunidades, como está a fazer a Red Bull, que permite os pilotos competirem em igualdade de condições”, analisou Lauda.

Para o vencedor das épocas de 1975, 1977 e 1984, a competição interna, quando feita de forma saudável, desperta ainda mais o interesse do público para a principal categoria do automobilismo. “A igualdade de condições para companheiros de equipa é o que faz com que a Fórmula-1 atraia os adeptos, porque vêem os melhores pilotos com os melhores carros a competir entre si e com a filosofia de que ‘o melhor deve ser o vencedor’. Não se deve enganá-los com um resultado arranjado”, acrescentou.

Lauda lembrou assim do Grande Prémio da Alemanha, no qual o espanhol Fernando Alonso, da Ferrari, conseguiu uma vitória após ultrapassar o companheiro de equipa, Felipe Massa, por causa de uma ordem para abrir passagem recebida pelo brasileiro através do rádio. Na semana do GP de Monza, na Itália, a equipa vermelha vai ser julgada em Paris pelos acontecimentos da Alemanha. Rob Smedley, engenheiro brasileiro, disse pausadamente a Felipe Massa, quando liderava a prova, pela rádio da Ferrari: “Fernando está mais rápido que você. Pode confirmar que entendeu a mensagem?”

Razões de protecção a Fernando Alonso

Um estudo publicado diz que o piloto espanhol Fernando Alonso é o corredor mais bem pago da Fórmula-1 na época de 2010. Na sua primeira época na Ferrari, o espanhol ganha 30 milhões de euros por ano, duas vezes mais que o companheiro de equipa, o brasileiro Felipe Massa. Os dados fazem parte do Business Book GP, que estima que o primeiro colocado no ranking de salários, Alonso, ganha 30 vezes mais que o último, o indiano Karun Chandhok, da Hispania Racing, que ganha 100 mil euros.

Os brasileiros Bruno Senna, com 150 mil euros e Lucas di Grassi, com 200 mil euros anuais, completam o grupo dos três pilotos “mais baratos” da categoria. Já Felipe Massa integra o Top 3 de vencimentos em 2010. No meio de polémicas com Alonso, o vice-campeão de 2008 ganha 14 milhões de euros por ano, sendo o terceiro colocado - o segundo é Lewis Hamilton, com dois milhões de euros a mais na conta.

Líder da época, o australiano Mark Webber é apenas o nono classificado na lista, com 4,2 milhões de euros. O companheiro de equipa, o alemão Sebastian Vettel, fica ainda mais atrás, na 11ª posição. No seu regresso à F-1, Michael Schumacher rende 7 milhões de euros aos cofres da Mercedes. Rubens Barrichello, por sua vez, custa à Williams 5,5 milhões de dólares por ano.

Niki Lauda e Schumacher

O austríaco Niki Lauda, tricampeão da Fórmula 1 entre as décadas de 70 e 80, havia reprovado o comportamento de Michael Schumacher na disputa com Rubens Barrichello, nas voltas finais do Grande Prémio da Hungria. Lauda classificou a manobra de defesa do piloto da Mercedes como “totalmente desnecessária” e disse ainda não compreender, porque Schumacher faz “esse tipo de coisa”, em declarações à rede de TV alemã RTL.

A disputa pelo décimo lugar começou quando faltavam oito voltas para que os dois pilotos da Mercedes completassem a corrida. Depois de algumas tentativas, Barrichello encontrou espaço pela direita na reta dos boxes e forçou a ultrapassagem. Schumacher tentou defender-se fechando a porta e atirando o carro do brasileiro em direcção ao muro. O piloto da Williams escapou por pouco e conquistou o décimo lugar, somando um ponto ao fim do GP.

Após a prova, Schumacher comentou o facto e disse que aceitaria se os comissários da FIA entendessem a disputa como “dura demais”. O heptacampeão foi punido com a perda de dez posições no “grid” de largada do GP da Bélgica.

História de um aviador

O tri-campeão mundial da F1 diz que Sebastian Vettel vai erguer o troféu de campeão mundial em Novembro próximo, em substituição do britânico Jenson Button. A velocidade nas pistas é o indício que o deixa “esperançado” na vitória do alemão. É o mais veloz entre os pilotos do “grid” actual. A liberdade da escuderia Red Bull está de longe a da Ferrari, que em Hockenheim fez “uma prova contra as regras”.

Niki Lauda exibiu uma alma decepcionada pelo sucedido e afirmou que a equipa deve receber uma punição severa na audiência do Conselho Mundial da FIA. A Ferrari já foi multada em 100 mil dólares norte-americanos no final da respectiva prova, mas a punição - vista como leve - ainda será analisada pelo Conselho Mundial, que pode deixá-la mais pesada (ou não).

Quem é Niki Lauda?
Tem o nome de registo como Andreas Nikolaus Lauda, nasceu na cidade de Viena, capital da Áustria, no dia 22 de Fevereiro 1949 e é mais conhecido como Niki Lauda. É um ex-automobilista austríaco e, actualmente, é proprietário da companhia aérea Niki.
Participou do Campeonato Mundial de Fórmula-1 entre 1971 e 1979, e entre 1982 e 1985, disputou 177 Grandes Prémios que lhe rendeu 25 vitórias, 24 pole positions e 24 melhores voltas, num total de 419,5 pontos. Niki Lauda sagrou-se campeão mundial em 1975, 1977 e 1984 e pilotou monolugares das equipas March, BRM, Ferrari, Brabham e McLaren.

Carreira
Niki Lauda iniciou a carreira no automobilismo em 1968. Ao destacar-se na Fórmula-3 e na Fórmula-2 antes de ingressar na Fórmula-1, levou uma verba pessoal para a então pequena equipa March. Estreou-se no Grande Prémio da Áustria, que abandonou por problemas mecânicos. Manteve-se na categoria até ao final de 1973, graças ao dinheiro da família, quando a Ferrari o contratou para ser piloto titular. Em 1974, venceu o seu primeiro Grande Prémio, em Jarama, na Espanha pela equipa italiana.

Em 1975, após cinco vitórias (quatro das quais após largar em primeiro lugar), sagrou-se campeão mundial pela primeira vez. Manteve o ritmo competitivo em 1976, mas um acidente em Nurburgring (onde o carro incendiou-se e Lauda ficou preso nas ferragens por vários minutos) quase lhe tirou a vida. Um padre chegou a ser chamado ao hospital para lhe dar a extrema-unção.  Mas apesar de graves queimaduras, que lhe custou partes da orelha direita, Lauda ainda voltou a correr naquele ano e só perdeu o título mundial nas últimas corridas a favor do inglês James Hunt. Em 1977 obteve 3 vitórias e recuperou o título mundial.

No final daquele ano, abandonou a Ferrari para juntar-se à Brabham-Alfa Romeo, dirigida por Bernie Ecclestone. A parceria rendeu-lhe duas vitórias e alguns pódios em 1978, mas a frequência de quebras deixou-lhe fora da disputa pelo título. Em 1979 marcou apenas quatro pontos. Os maus resultados fizeram Lauda direccionar as atenções para a companhia aérea que acabou de fundar e assim deixou a Fórmula-1.

Entretanto, Lauda recebeu convite da McLaren para voltar às pistas em 1982. Após apenas duas corridas de adaptação, Lauda venceu pela McLaren em Long Beach (e uma segunda prova, o Grande Prémio da Inglaterra). Em 1983, sem condições de acompanhar as equipas com motor Turbo, Lauda pouco pôde fazer no campeonato. Assim como a Brabham e a Lotus que “entraram no clube dos Turbo”, a quatro provas do término, a McLaren começou o desenvolvimento com o Porsche; o piloto austríaco terminou o ano em 10º lugar na classificação geral.

Em 1984, iniciou o ano desacreditado e o companheiro de equipa, Alain Prost, era o favorito ao título. Após cinco vitórias (contra sete de Prost), Lauda seria campeão mundial pela terceira vez com apenas meio ponto de vantagem (Prost marcou apenas metade dos pontos - 4,5 - da vitória do Grande Prémio do Mónaco, encerrado prematuramente por causa da chuva). Lauda defendeu o título em 1985, mas já sem motivação, obteve apenas uma vitória, e abandonou 12 das 15 corridas do ano. O último Grande Prémio foi o da Austrália, que abandonou após um acidente.

Niki Lauda permaneceu afastado alguns anos da Fórmula-1 para liderar a sua empresa de aviação e retornou como consultor técnico extraordinário da Ferrari nos anos 1990. Em 2001, foi contratado pela Jaguar para assumir as funções de director técnico, mas os resultados inexpressivos levaram-no à demissão em 2003.