Jornal dos Desportos

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Reportagens

Madal nega acordos com outras candidaturas

22 de Outubro, 2010

Gilberto Madal nega acordos

Fotografia: Reuters

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) nega “categoricamente” que a candidatura ibérica tenha feito “qualquer acordo ou aliança com outra candidatura” no âmbito do processo de escolha dos organizadores dos Mundiais de 2018/2022. Numa declaração à agência Lusa, Gilberto Madaíl manifestou a sua “surpresa e indignação” pelas notícias de que o Comité de Ética da FIFA está a investigar a candidatura conjunta de Portugal e Espanha e a candidatura do Qatar por suspeitas de corrupção.

“Recebemos com surpresa e indignação a análise que o Comité de Ética da FIFA poderá fazer a um rumor (o próprio Presidente do Comité assim o classificou na conferência de imprensa de ontem (quarta-feira]), veiculado em Setembro pela imprensa inglesa sobre um alegado acordo estabelecido entre a candidatura ibérica e a candidatura do Qatar à organização dos Mundiais 2018/2022”, afirmou Madaíl. O presidente da FPF garante mesmo que o “rumor” não tem qualquer fundo de verdade: “Desmentimos categoricamente que tenhamos feito qualquer acordo ou aliança com outra candidatura sobre a votação que decidirá a organização do Campeonato do Mundo FIFA 2018/2022”.

Gilberto Madaíl diz que os responsáveis da candidatura ibérica não sabem “onde se pretende chegar com este procedimento, nem o que (ou quem) poderá estar por trás do processo”. Considera, no entanto, “estranho que se pretenda lançar suspeitas totalmente infundadas” sobre a candidatura ibérica, “numa altura em que vieram a público notícias sobre alegadas tentativas de compra e venda de votos na atribuição da organização dos Mundiais 2018/2022 onde foram envolvidas outras candidaturas.”O jornal britânico “Daily Telegraph” afirma que as candidaturas ibérica e do Qatar estão a ser investigadas pela Comissão de Ética da FIFA, por suspeitas de corrupção nos processos de atribuição dos Mundiais de 2018/2022.

Um dia após o Comité de Ética ter suspenso dois membros da Comité Executivo da FIFA por alegado envolvimento num esquema de venda de votos aos Estados Unidos, o diário cita “fontes conhecedoras da investigação” para afirmar que as candidaturas ibérica e do Qatar estão sob suspeita. A Inglaterra apresentou uma das quatro candidaturas europeias à organização do Mundial de 2018, à qual também concorrem a Rússia e as candidaturas conjuntas de Portugal e Espanha e da Bélgica e da Holanda. Ao Mundial de 2022 concorrem Qatar, Estados Unidos, Japão, Austrália e Coreia do Sul, estando a reunião da FIFA para atribuição dos dois campeonatos marcada para 2 de Dezembro, em Zurique, na Suíça.

Candidatura ibérica
sob investigação

A candidatura Ibérica está sob investigação, avança o jornal britânico Daily Telegraph. A candidatura ibérica aos Mundiais de 2018 e 2022 é uma das que está a ser investigada na sequência das suspeitas de corrupção que atingem dois elementos do Comité Executivo da FIFA, segundo fontes citadas pelo Daily Telegraph “conhecedoras do processo”. A candidatura do Qatar também está  sob investigação. Portugal e Espanha concorrem em conjunto para a organização dos Mundiais de 2018 e 2022. Na corrida estão também a Inglaterra, a Rússia, e a aliança para esta candidatura entre Holanda e Bélgica. Em causa estão alegados pagamentos a elementos do Comité Executivo para que votassem favoravelmente em determinada candidatura. Gilberto Madaíl já se mostrou indignado perante este caso, mas ainda sem se saber que a candidatura Ibérica estaria no alvo das investigações da FIFA.

FIFA não confirma
investigação
Uma fonte da assessoria de imprensa da FIFA, contactada pela Agência Lusa, recusou esta quinta-feira fazer qualquer comentário sobre uma alegada investigação à candidatura ibérica ao Mundial 2018, remetendo para o comunicado de quarta-feira. O jornal “Daily Telegraph” noticiou ontem que as candidaturas ibérica e do Qatar estão a ser investigadas pela Comissão de Ética da FIFA, por suspeitas de corrupção nos processos de atribuição dos mundiais de 2018/22. A fonte da FIFA não revelou quais as candidaturas que estão a ser investigadas, remetendo para o último parágrafo do comunicado divulgado na quarta-feira sobre a investigação a uma alegada venda de votos na atribuição dos mundiais de 2018 e 2022.

“Também a pedido da FIFA, o Comité de Ética decidiu abrir investigação sobre os supostos acordos entre federações filiadas à entidade e as suas comissões de candidatura envolvendo a escolha das sedes do Mundial da FIFA em 2018 e 2022”, lê-se. De acordo com o mesmo documento, “a conduta configuraria violação do documento de registo de candidatura e do Código de Ética. A decisão sobre o caso também será tomada na reunião do Comité de Ética a meio de Novembro, após investigação cuidadosa”. Na quarta-feira, o Comité de Ética suspendeu dois membros da Comissão Executiva da FIFA por os seus nomes terem sido envolvidos num alegado esquema de venda de votos no processo de escolha dos países organizadores dos dois campeonatos do Mundo.

Candidatura Ibérica aposta num legado
para o futebol e para a sociedade

O director-geral da Candidatura Ibérica para o Campeonato do Mundo de 2018/2022, Miguel Ángel López, participou, no passado dia 6 de Outubro, em Londres, numa mesa redonda com os restantes representantes de candidaturas europeias. Em “The Race for 2018”, a denominação da mesa redonda, enquadrada no Congresso “Leaders in Football”, que teve lugar em Londres, participaram os directores-gerais de cada candidatura europeia: Andy Anson (Inglaterra), Alexey Sorokin (Rússia), Harry Been (Holanda e Bélgica) e Miguel Ángel López (Espanha-Portugal). A cada um dos participantes foram colocadas oito perguntas. Eis algumas que formularam a Miguel Ángel López e as suas respectivas respostas:

1. Qual foi até à data o maior desafio para a vossa campanha de Candidatura?
“O nosso maior desafio não é tanto na parte técnica da candidatura, dado que a candidatura Ibérica tem as melhores infra-estruturas que uma candidatura pode desejar: um sistema de transportes excelente, óptimo nível de oferta hoteleira, estádios fantásticos onde serão jogados o jogo inicial, as meias-finais, os quartos de final e a Final em 5 estádios que cumprem os requisitos da FIFA, ou a tecnologia de ponta.O nosso maior desafio não se prende com a gestão do evento porque já demos provas de organização de eventos grandiosos nos últimos anos.

E, claro está, o nosso desafio não é demonstrar a hospitalidade do povo Ibérico, sendo como é o primeiro destino turístico do mundo. O nosso maior desafio é comunicar à comunidade futebolística que somos uma candidatura conjunta. Espanha e Portugal são dois países com uma mesma fronteira no mapa mas sem linhas que os dividam na realidade do dia-a-dia. Dois países que partilham uma história comum, a história da Península Ibérica e até um idioma comum, o “PORTUÑOL”! A Candidatura Ibérica procura transferir esta união entre os dois países que queremos para competir e trabalhar em conjunto.

As características dos dois países são muito semelhantes e é por essa razão que o que poderá ser visto como um desafio, não o é de facto, as duas culturas são na realidade gémeas. Espanha e Portugal estão verdadeiramente dedicados e empenhados a tudo o que envolve a organização da última fase da Taça do Mundo da FIFA. Duas nações unidas a oferecer ao planeta a Taça do Mundo mais alegre”..

2. Quais as lições tiradas pela sua comissão deste torneio do último Verão na África do Sul?
“As maiores lições aprendidas são o impacto, cada edição maior que a anterior e em várias direcções que tem a Taça do Mundo. Compreendemos que a relação entre a FIFA e a LOC tem de ser extremamente delicada para que todos os aspectos sem excepção sejam devidamente planeados com o máximo detalhe, explorando todo o seu potencial nas seguintes áreas:  Integração social, Intercâmbio cultural,  Irmandade de culturas, Desenvolvimento económico. É, muito importante, o desenvolvimento da sociedade através das lentes futebolísticas.

Mas aprendemos também que a herança tem um papel crucial no acolhimento de um evento desta envergadura como é a Taça do Mundo. A herança para a África do Sul é muito óbvia para o grande público: a Taça do Mundo reunificou ainda mais diferentes comunidades, para formar um sentimento de orgulho dos cidadãos sul africanos, projectando uma imagem fantástica e mais do que merecida de um país tão belo, dar esperança onde só havia desespero, como afirmou o Presidente Mandela. O plano da herança tem um papel muito importante na nossa proposta, uma herança que salientará as nossas virtudes a favor da comunidade internacional”.

3. Em que é que a vossa proposta é diferente? O que o distingue da concorrência?
“Poderíamos falar de estádios: somos a candidatura com 7 estádios classificados pela UEFA como da melhor categoria. O jogo inicial, as meias-finais, o 3º lugar e a Final serão jogadas em 5 estádios diferentes. O jogo inicial e final será jogado em estádios com uma capacidade total de mais de 800.000 lugares sentados (Camp Nou, o maior da Europa com 98.700 lugares sentados, e o Santiago Bernabéu). Estádios que estão já construídos ou planeados quer se realize ou não a Taça do Mundo. Poderíamos falar dos aspectos técnicos: 45.000 m2 de área do IBC, expansível se necessário.

Poderíamos falar de transportes: Dispondo não só da rede de caminhos de ferro de alta velocidade mais extensa do mundo, com 2.230 km de via, mas também o 2º em pontualidade. As principais cidades estão ligadas ou pelo combóio rápido ou por avião em 1h30 , no máximo. Poderíamos falar de oferta hoteleira: O primeiro destino turístico do mundo com a oferta hoteleira maior da Europa. A previsão para 2018 é de 82 milhões de turistas na Península. Mas queremos centrar-nos no lado humano. Antes de mais, como a sociedade ibérica vive o futebol e também como entendemos os valores do futebol. Só somos futebol. Uma Península onde o futebol faz parte do nosso dia a dia.

Não se trata de ganhar taças, sim, temos o título Europeu e a Taça do Mundo, mas o mais importante aqui para nós - o que, de facto, achamos que pesa na nossa candidatura - é como ganhamos todos estes troféus. Em Inglaterra chamamos-lhe o Jogo Maravilhoso e cremos jogar o jogo maravilhoso, mas também prezamos como o jogamos para poder ganhar. Não se trata da Taça, trata-se de como a conseguimos. Isso é jogo bonito. Os valores são muito importantes na Península Ibérica - no lançamento e fora dele. E queremos utilizar a celebração da Taça do Mundo como amplificador para exportar esses valores para o resto do mundo”.

4. Se forem bem sucedidos, qual o aspecto que na sua Candidatura seria o maior desafio para a sua comissão propor?
“Gostaríamos, se possível, salientar dois desafios: O primeiro, é fornecer a melhor Taça do Mundo de sempre - financeira, tecnológica e ambientalmente sustentada e preparada para fornecer um modelo para candidaturas futuras. Queremos ser lembrados pelas Melhores Práticas. Creio bem que este será um sonho partilhado por todas as candidaturas. Mas achamos que o nosso maior desafio assenta no lado mais suave da nossa proposta. É nosso desejo espalhar por todo o mundo o modelo das Federações portuguesa e espanhola, baseado no desenvolvimento das nossas raízes.

Um modelo centrado não só no desenvolvimento tecnológico dos jogadores, mas mais importante ainda, numa determinada maneira de entender a vida, assente na educação e nos valores. Um modelo que transmita às gerações mais jovens que o sucesso fácil não existe, que é preciso trabalhar duro para melhorar qualquer faceta da nossa vida e que ganhar não devia ser o objectivo mas sim a creditar numa certa maneira de fazer as coisas e a importância de trabalhar muito naquilo em que acreditamos. Apesar disso, desde 1990 quer Espanha quer Portugal ganharam o prémio Maurice Burlaz, que premeia de dois em dois anos os sucessos das equipas nacionais de Sub-16-17-18-19. Essa é a prova mais evidente que ambas as Federações protegem as novas gerações”.

5. A Taça do Mundo é para o mundo. Todos os países, religiões, cores e credos. Como vão conseguir ter tudo isso no seu país para a Taça do Mundo?
“Já estamos a fazer uma Taça do Mundo incluindo para todos. Alguns programas já estão a ser implementados na actividade diária das respectivas Federações, como:  A integração das pessoas em risco de exclusão social, A colaboração nas áreas do aconselhamento técnico e fornecimento de materiais junto das Federações de África, América Latina e Ásia, campanhas para erradicação da violência, tolerância zero contra a xenofobia e o racismo. A organização da Taça do Mundo em Espanha e Portugal será uma ocasião perfeita para encetar novos planos, ajudando a reforçar o efeito integrativo que o futebol pressupõe:

Espanha e Portugal são países que acolheram o maior número de emigrantes nos últimos anos. Consequentemente, os assuntos interculturais e inter-religiosos têm um papel cada vez mais importante na integração dos membros de várias comunidades no que se está a tornar uma sociedade espanhola e uma sociedade portuguesa cada vez mais multicultural. Por isso, temos a capacidade e a experiência de multiplicar os efeitos que um evento como a Taça do Mundo pode ter no desenvolvimento do futebol, não só a um nível de elite e nos nossos próprios países, mas também em muitos outros sítios do mundo e para muitos grupos de pessoas diferentes.

Com este objectivo também em mente, a LOC vai constantemente reforçar o uso das novas tecnologias e meios de multiplicar os efeitos benéficos da promoção social, integração intercultural e desenvolvimento humano que a preparação e a organização da Taça do Mundo inevitavelmente implica”.